São mesmo duas importantes novidades no Ford Ka ano-modelo 2019, o câmbio automático que nunca teve, nem mesmo o de terceira geração lançado em agosto de 2014, e novo motor de 1,5 litro 3-cilindros, com ganho notável de potência e torque sobre o anterior Sigma de 4 cilindros. O Arnaldo o testou pouco depois, tanto o 1,5 quando o 1-litro.

O Juvenal Jorge já havia andado neste Ka numa prévia para a imprensa em 25 de junho, um pouco de estrada (de Campinas a Mogi Guaçu, no autódromo Velo Città) , que gerou a matéria publicada em 23 de julho, que foi o dia do lançamento oficial, realizado em Gramado, no Rio Grande do Sul, ao qual o Carlos Meccia esteve presente.

Agora é o teste “no uso” do Ka, em que um SE 1,5 automático esteve com AE durante sete dias. A versão tem preço público sugerido de R$ 56.490, exatos R$ 4.500 mais que a mesma versão de câmbio manual de cinco marchas, este também debutando no Ka.  A SE manual é a versão de entrada do Ka com motorização 1,5-litro, de um total de dez versões, entre elas a FreeStyle.

O Ka SE não tem opcionais a não ser cores. Há a vermelho Arpoador, sem custo extra, a branco Ártico por R$ 550, e as metálicas que saem a R$ 1.350, entre as quais a cinza Copenhague do carro testado.

Como o motor 1,5 de três cilindros, o câmbio denominado MX65 é produzido na fábrica de motores e câmbios da Ford em Taubaté, região do Vale do Paraíba, no Estado de São Paulo.

Esse motor, saliente-se, foi primeiro aplicado no novo EcoSport e num primeiro momento era importado da Índia.

Esse coração bate forte: 128/136 cv

Oficialmente denominado 1,5 L TiVCT Flex — a sigla significa comando de válvulas duplo variável inteligente — o motor é chamado internamente na fabricante de Dragon e entrega 128/136 cv a 6.500 rpm e 15,6/16,1 m·kgf a 4.750 rpm, com taxa de compressão 12:1. Mas quando o câmbio é manual o torque é menor, 15,3 m·kgf  de 3.500 a 5.000 rpm com gasolina e, com álcool, muda apenas o “platô” de torque, que vai de 3.000 a 6.000 rpm. Certamente a redução  — pequena — de torque do motor deve-se à limitação de torque do câmbio manual e que tem a bem-vinda sincronização da ré.

Fora a injeção ainda no duto, o motor é estado da arte. Bloco e cabeçote de alumínio, coletor de escapamento integrado ao cabeçote, cilindros deslocados 10 mm em relação ao virabrequim, variador de fase na admissão e escapamento, quatro válvulas por cilindro atuadas indiretamente por alavanca roletada com fulcrum hidráulico que dispensa verificação e ajuste da folga de válvulas, correia dentada encapsulada em banho de óleo de duração igual à do motor (240.000 km perfeitamente íntegro, afirma a Ford), árvore contrarrotativa de balanceamento, e bomba de óleo de vazão variável. Flex, não tem mais sistema auxiliar de partida a frio por gasolina e, claro, reservatório no compartimento do motor.

As bielas são de 143 mm de comprimento entre centros, o que representa relação r/l 0,314, e a ignição é estática com bobinas individuais diretamente sobre as velas.

Atrativo especial (e muito bom) para quem quer deixar a perna esquerda sossegada

Encanta sua suavidade de funcionamento, em nada parecendo ser um tricilindro, tampouco se percebe a habitual trepidação dos motores de três cilindros quando em marcha-lenta. E ele é mesmo um ponto alto do Ka 1,5-L. Sua potência máxima ocorre em rotação elevada, 6.500 rpm, com corte a 6.750 rpm, mas esta só quando o câmbio é manual, uma vez que com o automático a marcha sempre sobe quando atinge 6.000 rpm, independente do modo de uso do câmbio. Pelas suas características é um motor bem elástico, e será oportuno constatá-lo quando testarmos uma versão manual, que pode ser a SE Plus ou a FreeStyle.

Dente de serra do câmbio automático do Ka 1,5 3-cilindros SE

O câmbio automático epicíclico também é “da casa”, o Ford 6F15 SelecShift de seis marchas. É suave nas trocas, bloqueia conversor de torque da segunda marcha em diante, tem aceleração interina nas reduções mesmo automáticas, mas carece do controle de neutro, mantendo o motor em carga quando parado. Não requer troca do fluido hidráulico por toda a “vida” de 240.000 km do veículo. A marcha em uso quando em Drive não é indicada no quadro de instrumentos.

Tudo aberto, uma foto obrigatória nos testes do AE

O SelecShift indica possibilidade de trocas manuais sequenciais por meio de tecla bidirecional localizada no pomo da alavanca seletora, de fácil uso com o polegar, com o que o câmbio entra em modo manual, retornando ao automático em 10 segundos se não houver atividade de troca manual. Há o modo S do câmbio, selecionável trazendo a alavanca mais para trás, com o já conhecido trio de alterações, que são os pontos de troca ascendente de marcha, relação do pedal do acelerador e pequena redução da assistência da direção.

O câmbio é adaptativo, isto é, ele “aprende” o modo de utilização do veículo pelo motorista e passa a se comportar de acordo com o padrão “aprendido” no tocante às trocas de marchas.

Esta, de relação rápida, 14,3:1/2,8 voltas entre batentes, é corretamente indexada à velocidade, ou seja, muito leve em manobras e com peso que aumenta progressivamente com a velocidade.  Traz embutidas características como compensar rodas desbalanceadas em até 25 gramas, anulando assim trepidação do volante,  e anular efeito de direção puxar para um dos lados quando a via tem caimento acentuado, ou ao trafegar sob ação de vento lateral.

O volante de 375 mm de diâmetro, ajustável em altura somente, tem aro grosso e boa anatomia, e o acionador e o circuito elétrico da buzina permitem a conveniente buzinada de cortesia — como nos velhos tempos.

O comportamento dinâmico — curvas e frenagem — é de qualidade. Os pneus 195/55R15H (Pirelli P7) demonstram escolha certa. O acerto de suspensão é correto no compromisso estabilidade-conforto de rodagem (a Ford sempre acerta isso bem) e, segundo informado pela fabricante, a carroceria recebeu reforços adicionais nas colunas e no teto, com adoção da espessura das chapas em até 1,2 mm e a aplicação de aços especiais de alta resistência em áreas críticas. A rigidez torcional foi aumentada em 5,3% no hatch e 9,2% no sedã. Houve recalibração das buchas, amortecedores e batentes, e aplicado coxins hidráulico na dianteira. Não tenho referência recente, mas o fato é o Ka me transmitiu solidez.

Em sexta a v/1000 é 42,4 km/h, 2.830 rpm a 120 km/h pelo GPS ou Waze.  O consumo Inmetro é 11/7,8 km/l na cidade e 14,2/10,1 km/l na estrada. O carro estava com álcool e na cidade, trânsito lento mas não travado, sempre notei consumo em torno de 7,5 km/l. Em plena rodovia o computador de bordo informava algo acima de 9,5 km/l.

A Ford não forneceu a aceleração 0-100 km/h com gasolina, só com álcool, 10,6 segundos. Para um carro de 1.108 kg eu esperava um pouco menos, tipo 10 segundos.

A versão SE é simplória em equipamentos, mas traz ar-condicionado, computador de bordo, engates Isofix, controle de velocidade de cruzeiro com comando no volante, encosto do banco traseiro dividido 60:40,acionamento elétrico dos vidros dianteiros, porta-luvas e porta-malas com iluminação, rádio MyConnection com Bluetooth, entre outros (veja lista de equipamentos no final).

O Ka é compacto com seus 3.941 mm de comprimento com entre-eixos de 2.490 mm, largura de 1.774/1.911 sem contar e contando os espelhos, e altura 1.525 mm. Acomoda muito bem dois adultos no banco traseiro e três com certo aperto, mas o espaço para pernas é mais que conveniente. Todos os lugares atrás contam com cinto de três pontos e apoio de cabeça. O porta-malas é que é um tanto aquém do ideia com 255 litros. É aberto por interruptor no painel ou pelo comando remoto da chave-canivete. O vidro traseiros descem cerca de 80%. Por falar em vidros, é desnecessário dizer o que falta no Ka…

Assista ao vídeo:

Ser o terceiro em vendas nos sete primeiro meses do ano e segundo no mês passado. não é por acaso. Com as mudanças aportadas tem tudo para vir a ocupar mais garagens. É um carro simples, porém com aquele mínimo que não fará ninguém infeliz ou arrependido. E para os apreciadores de carros com dois pedais é um prato cheio.

BS

(Atualizado em 31/3/18 às 18h50, inclusão do gráfico dente de serra)
(Atualizado em 5/9/18 às 19h00, correção de informação, veículo não tem bolsas infláveis laterais)

FICHA TÉCNICA FORD KA HATCHBACK 1,5 SE AUTOMÁTICO
MOTOR
Denominação Ford 1,5 l TiVCT Flex
Descrição 3 cil. em linha, transversal, bloco e cabeçote de alumínio, cilindros deslocados 10 mm em relação ao virabrequim, duplo comando de válvulas, correia dentada encapsulada em banho de óleo, variador de fase na admissão e escapamento, 4 válvulas por cilindro, atuação indireta por alavanca-dedo roletada com fulcrum hidráulico, coletor de escapamento integrado ao cabeçote, árvore contrarrotativa de balanceamento, bomba de óleo de vazão variável, injeção no duto, flex
Diâmetro e curso (mm) 84 x 90
Cilindrada (cm³) 1.497
Taxa de compressão (:1) 12
Potência (cv/rpm, G/A) 128/136/6.500
Torque (m·kgf/rpm, G//A) 15,6/16,1/4.750
Comprimento da biela (mm) 143
Relação r/l 0,314
Corte de rotação (rpm) 6.750 (teórico, sobe marcha a 6.000 rpm)
Ignição Estática, bobinas individuais
TRANSMISSÃO
Câmbio Transeixo automático epicíclico Ford 6F15 SelecShift de 6 marchas + ré, adaptativo, tração dianteira
Relações das marchas (:1) 1ª 4,584; 2ª 2,964; 3ª 1,912; 4ª 1,446; 5ª 1,000. 6ª 0,746
Relação do diferencial (:1) 3,44
Estol do conversor de torque (rpm) 2.500
Bloqueio do conversor de torque 2ª marcha em diante
Controle de neutro Não tem
SUSPENSÃO
Dianteira Independente, McPherson, mola helicoidal, amortecedor pressurizado e barra estabilizadora
Traseira Eixo de torção, mola helicoidal e amortecedor pressurizado
DIREÇÃO
Tipo Pinhão e cremalheira, eletroassistida indexada à velocidade
Diâmetro mín. de curva (m) n.d.
Voltas entre batentes 2,8
Diâmetro do volante (mm) 375
FREIOS
Dianteiros (Ø mm) A disco ventilado/n.d.
Traseiros (Ø mm) A tambor/n.d.
Controle ABS (obrigatório), distribuição eletrônica das forças de frenagem
Circuito hidráulico Duplo-circuito em diagonal
RODAS E PNEUS
Rodas Aço com supercalota, 6Jx15
Pneus 195/55R15H (Pirelli P7 no carro testado)
Estepe Temporário de 80 km/h, roda de aço, pneu 175/65R14H (Pirelli P1)
CONSTRUÇÃO
Tipo Monobloco em aço, hatchback. 4-portas, 5 lugares, subchassi dianteiro
AERODINÂMICA
Coeficiente de arrasto (Cx) 0,33
Área frontal (calculada, m²) 2,164
Área frontal corrigida (m²) 0,714
DIMENSÕES (mm)
Comprimento 3.941
Largura (sem/com espelhos) 1.774/1.911
Altura 1.525
Distância mínima do solo 140
Distância entre eixos 2.490
CAPACIDADES (L)
Porta-malas 255
Tanque de combustível 51,6
PESO (kg)
Em ordem de marcha 1.108
Carga útil 422
DESEMPENHO
Aceleração 0-100 km/h (s, G/A) n.d./10,6
Velocidade máxima (km/h, G/A) n.d.
CONSUMO DE COMBUSTÍVEL INMETRO/PBVE
Cidade (km/l, G/A) 11/7,8
Estrada (km/l, G/A) 14,2/10,1
CÁLCULOS DE CÂMBIO
v/1000 em última marcha, 6ª (km/h) 42,4
Rotação a 120 km/h em 6ª (rpm) 2.830
Rotação à vel. máxima (rpm) n.d.

 

EQUIPAMENTOS KA 1,5 SE AUTOMÁTICO
Abertura interna mecânica da portinhola do bocal do tanque
Ajuste de altura de ancoragem dos cintos dianteiros
Ajuste de altura do banco do motorista
Ajuste de altura do volante de direção
Ajuste interno manual dos retrovisores externos
Alarme visual e sonoro de cintos dianteiros desatados
Alça de teto para o passageiro dianteiro
Ar-condicionado
Banco traseiro dividido 60:40
Bolsas infláveis frontais (obrigatórias)
Câmbio automático de 6 marchas SelecShift
Compartimento para celular no painel MyFord Dock
Computador de bordo (consumo instantâneo e médio, autonomia, velocidade média, hodômetro parcial e termômetro do ar externo)
Controle de velocidade de cruzeiro com comando no volante
Direção eletroassistida
Engates Isofix e fixação superior para dois bancos infantis
Iluminação no porta-luvas e porta-malas
Maçanetas e retrovisores na cor do veículo
Para-sóis com espelho
Pisca-3
Porta de carga com fechadura elétrica com comando por interruptor interno ou pela comando a distância da chave-canivete
Quatro alto-falantes
Rádio MyConection com Bluetooth
Rodas de aço de 15″
Travas elétricas com travamento automático a 15 km/h
Vidro do motorista com acionamento elétrico um-toque subida/descida, o do acompanhante só elétrico

 

Gente:

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