Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas CHEVROLET CRUZE SPORT6, NO USO (COM VÍDEO) – Autoentusiastas

Eu havia testado o Cruze Sport LT manual, ainda de primeira geração, motor 1,8-l de 140/144 cv, em agosto de 2015. Depois foi a vez do Cruze LTZ, de segunda geração, já com o motor Ecotec turbo, 1,4-litro, 150/153 cv, em junho do ano passado, que mereceu elogios. Faltava o Cruze Sport6, agora só disponível com câmbio automático de 6 marchas.  Como Cruze e Cruze Sport6 são nomes que identificam sedã e hatchback, nessa ordem, achei que valia a pena analisar com um se comporta em relação ao outro.

O Cruze Sport6 LTZ tem preço público sugerido de R$ 103.990, mas com o pacote opcional R7N (R$ 10.000, alerta de colisão frontal, alerta de ponto cego, assistente de permanência na faixa, farol alto adaptativo, indicador de distância do veículo da frente, carregador de telefone sem fio, sistema de estacionamento automático e banco do motorista com regulagem elétrica de altura, distância, inclinação do encosto e do assento) e a cor vermelho Glory (R$ 1.500), o preço sobe para R$ 115.490

A versão LTZ do Cruze Sport6 pesa 15 kg mais que o Cruze LTZ (1.336 contra 1.321 kg), diferença explicável por hatchbacks exigirem reforço estrutural na traseira devido à falta de fechamento da carroceria existente nos sedãs. Uma diferença desprezível, portanto incapaz de empanar o brilho do motor Ecotec turbo. Com 153 cv, são 8,9/8,7 kg/cv, uma ótima relação peso-potência para um carro familiar.

O Ecotec 1,4-l movimenta bem o Cruze Sport6: consumo de pequeno 4-cilindros com pegada de 6-cilindros

Do ponto de vista de manobrabilidade, os 217 mm a menos no comprimento total do hatchback (4.448 contra 4.665 mm), embora pareça pouco, ajudam, seja em manobras, seja em meio à massa de veículos no dia a dia.

O espaço para passageiros é o mesmo e bom do sedã, resultado da boa distância de 2.700 mm de ambos, que não prejudica a capacidade de manobra com o diâmetro mínimo de curva de 10,5 metros tanto do hatch quanto do sedã. O que o Sport6 perde, isto sim, é capacidade do porta-malas, que passa dos 440 litros do sedã para 300 litros (mesma capacidade do Hyundai HB20). Mas quem compra sabe disso, e dá perfeitamente para conviver com o porta-malas menor, quanto mais que o encosto do banco traseiro dividido 50:50 pode ser rebatido. O VW Golf, por exemplo, acomoda apenas 13 litros mais, mas a maior parte dos hatches compactos para nos 280 litros.

O banco traseiro é bastante confortável para dois adultos. O do meio sofre um pouco, o que infelizmente é normal hoje em dia, e não há saída de ar-condicionado para esse espaço; deveria ter.

O painel oferece boa leitura e tem opção de velocímetro digital. Tem farta multimídia Mylink com Android Auto e Apple CarPlay, e a assistência OnStar.

 

Como anda

A pegada em baixa é típica dos motores turbo. Por exemplo, como o leitor poderá ver no vídeo, passando o câmbio automático para o modo manual, deslocando-se a alavanca seletora para a esquerda, pode-se, mesmo parado, selecionar a 3ª marcha. Estando o carro parado, o câmbio “entende” que se está sobre piso escorregadio, tipo neve ou lama sabão, onde é recomendável sair suavemente para evitar patinagem  (mesmo tendo controle de tração). Então ele deixa em 3ª mesmo e não reduz mesmo sob aceleração mais a fundo. Daí sai-se em 3ª marcha, só que ele sai com tudo, acelerando forte sem considerar a marcha tão longa. Só vivenciando isso para acreditar no que esses pequenos motores turbo são capazes. A impressão é que ao acelerarmos logo aparece outro motor igual para ajudar, e de um motor 1,4-litro passamos a ter um 2,8-litros empurrando animado.

Desenho moderno sem rebuscamentos, o Cruze hatch é atraente

E se ele parte a galope mesmo em 3ª marcha, imagine-se o que faz numa estrada e em Drive. O câmbio automático epicíclico de 6 marchas trabalha em perfeita harmonia com o que o motor oferece. Sabe aproveitar a elasticidade do motor, que dispensa giro alto para que acelere com consistência. Sendo assim, em Drive ele não se dá ao trabalho de reduzir marcha constantemente, porém, com uma acelerada mais a fundo, aí sim, ele reduz uma ou mais marchas e o carro parte feito um tiro.

Estimo que faça o 0 a 100 km/h na casa dos 8 segundos (não há dados oficiais de fábrica), porém não é essa a medida que descreve o comportamento do carro na prática, pois o 0 a 100 km/h depende mesmo é da potência máxima. Na prática, no dia a dia de cidade e estrada, o que agrada é a boa retomada, é obter aceleração forte para uma ultrapassagem rápida, por exemplo, e isso ele oferece de sobra, pouco se importando se o carro está vazio ou carregado, pois em giro baixo e médio já coloca muita potência na roda. Na prática, agrada muito sua aceleração forte e linear em saídas de curva, sejam elas de alta ou baixa velocidade.

Câmbio calibrado para aproveitar as características do motor; à direita, carregador de bateria do celular por indução, item opcional dentro de um pacote

O câmbio não tem modo Sport nem Econômico. As trocas manuais sequenciais são feitas exclusivamente pela alavanca seletora. Não é indeciso em subidas de serra, evidência de boa e irrepreensível programação do câmbio. Junto com o motor,  atende muito bem o motorista padrão, pois lhe oferece a segurança de boas respostas, mesmo ele não sabendo o porquê disso, e atende também muito bem o motorista autoentusiasta, que há de se deleitar com sua esportividade sabendo o porquê disso.

O estol do câmbio é a 1.900 rpm. Estranhei o Cruze não ter sistema de prioridade de freio, ou seja, pisando no freio não há corte eletrônico da aceleração caso o acelerador prenda aberto por qualquer motivo.

E também há de agradar a quem não se diverte ao queimar nota de 100 reais, pois é bastante econômico. Com gasolina, fez 9,2 km/l na cidade e 14,3 km/l na estrada, medidos pelo computador de bordo, o que bate com o que apurei no teste do Cruze sedã.  Para referência, o consumo oficial Inmetro/PBVE é 11,3/7,6 km/l na cidade e 13,6/9,3 km/l na estrada. O tanque de combustível é de 52 litros, o suficiente para boa autonomia diante do baixo consumo, especialmente com gasolina.

O Cruze Sport6 é definitivamente um carro econômico

A suspensão é McPherson na frente e eixo de torção atrás, muito bem acertada, tanto que a considero referência na categoria. Está entre as mais macias, mas nem por isso boba. Em rápida mudança de faixa e em rápidas desviadas simuladas o carro de imediato se estabiliza, é muito obediente e seguro. Faz curva, seja de baixa ou de alta, com perfeição, sendo extremamente preciso nas de alta, as que mais gosto. Por hatch, portanto, com menos balanço na traseira que o sedã, mergulha nas curvas com maior rapidez e praticamente já entra estabilizado, bem apoiado.

Os pneus 215/50R17V (Pirelli P7) proporcionam boa aderência e mostra elevada tração nas saída das curvas de baixa. Experimentei-o com e sem o controle de estabilidade e  tração, e em condições de estrada não se chega ao seu “limite natural”, onde daí o controle intervém, a não ser que se parta para o exagero, o que não é prudente nas vias públicas. Sob chuva, o controle de tração ajuda quem não sabe dosar potência em saída de curva, pois o motor a tem de sobra.

Não, eu não estava a 240 km/h quando tirei a foto, como se pode ver pelo velocímetro digital no centro

A direção eletroassistida não é das mais rápidas em termos de relação (17,2:1), mas a sua excelente resposta, resultado da boa geometria de suspensão e dos pneus, torna isso secundário.

Outra qualidade que tomo o Cruze como referência na categoria é seu isolamento acústico. Ele desconhece asfalto rugoso. Pouco incomoda independentemente do tipo de asfalto. Nisso é até melhor que vários carros importados e de preço bem maior. Nada de ruídos aerodinâmicos também, denotando perfeita vedação de portas.

O motor, quando em baixas e médias rotações é muito liso, silencioso, bem isolado. Em alta não faz estardalhaço algum diante do bom desempenho que proporciona. Na estrada, a 120 km/h reais e em 6ª marcha, o giro está a 2.360 rpm, na faixa do inaudível; a música pode ir baixa e para conversar é desnecessário elevar o tom de voz.

Porta-malas de 300 litros é apenas razoável, porém pode-se rebater os encostos do banco traseiro

Curiosamente, o Cruze está em terceiro lugar em vendas na categoria, atrás dos dois japoneses. A meu ver não é preciso mudar nada no carro, a não ser, talvez, o preço, para que o mercado reconheça que merece mais que essa posição. Qualificação ele tem para isso.

AK

Veja o vídeo:

 

FICHA TÉCNICA NOVO CHEVROLET CRUZE SPORT6 LTZ 2017
MOTOR
Designação Ecotec 1.4L Turbo
Descrição 4-cil. em linha, transversal, turbocompressor com interresfriador, bloco e cabeçote de alumínio, duplo comando de válvulas com variador de fase na admissão e escapamento, corrente, 4 válvulas por cilindro
Cilindrada (cm³) 1.398
Diâmetro e curso (mm) 74 x 81,3
Taxa de compressão (:1) 10
Potência máxima (cv/rpm, G/A) 150/5.600//153/5.200
Torque máximo (m·kgf/rpm, G/A) 24/2.100//24,5/2.000
Formação de mistura Injeção direta
Comprimento da biela (mm) 129,25
Relação r/l 0,31
Corte de rotação (rpm) 6.500 (não aplicável, câmbio ser automático)
SISTEMA ELÉTRICO
Bateria (V/A·h) 12/80 (bateria tipo AGM)
Alternador (A) 130
TRANSMISSÃO
Câmbio Automático epicíclico de 6 marchas, tração dianteira
Relações da marchas (:1) 1ª 4,449; 2ª 2,908; 3ª 1,893; 4ª 1,446; 5ª 1,00; 6ª 0,742; ré 2,871
Relação de diferencial (:1) 3,14
SUSPENSÃO
Dianteira Independente, McPherson, mola helicoidal, amortecedor pressurizado e barra estabilizadora, com subchassi
Traseira Eixo de torção, mola helicoidal e amortecedor pressurizado
DIREÇÃO
Tipo Pinhão e cremalheira, assistência elétrica indexada à velocidade
Relação de direção (:1) 17,2
Voltas entre batentes 3,15
Diâmetro mínimo de curva (m) 10,5
FREIOS
Dianteiros (Ø mm) Disco ventilado/276
Traseiros (Ø mm) Disco/264
Controle EBD e assistente à frenagem
RODAS E PNEUS
Rodas Alumínio, 6Jx17
Pneus principais 215/50R17V
Estepe Temporário T115/70R16M (80 km/h)
AERODINÂMICA
Coeficiente aerodinâmico (Cx) 0,30
Área frontal (calculada) 2,14 m²
Área frontal corrigida 0,642 m²
CONSTRUÇÃO
Carroceria Monobloco em aço, hatchback, 4 portas, 5 lugares, subchassi dianteiro
CAPACIDADES (L)
Porta-malas 300
Tanque de combustível 52
PESOS (kg)
Em ordem de marcha 1.336
Distribuição dianteira/traseira (%) 61-39
DIMENSÕES (mm)
Comprimento 4.448
Largura sem/com espelhos 1.807/2.042
Altura 1.484
Distância entre eixos 2.700
DESEMPENHO
Aceleração 0-100 km/h (s) 8 s (estimado)
Velocidade máxima (km/h) 210 (estimado)
CONSUMO DE COMBUSTÍVEL INMETRO/PBVE
Cidade (km/l, G/A) 11,3/7,6
Estrada (km/l, G/A) 13,6/9,3
CÁLCULOS DE CÂMBIO
v/1000 em 6ª (km/h) 50,8
Rotação a 120 km/h, em 6ª (rpm) 2.360

Sobre o Autor

Arnaldo Keller
Editor de Testes

Arnaldo Keller: por anos colaborador da Quatro Rodas Clássicos e Car and Driver Brasil, sempre testando clássicos esportivos, sua cultura automobilística, tanto teórica quanto prática, é difícil de ser igualada. Seu interesse pela boa literatura o embasou a ter uma boa escrita, e com ela descreve as sensações de dirigir ou pilotar de maneira envolvente e emocionante, o que faz o leitor sentir-se dirigindo o carro avaliado. Também é o autor do livro “Um Corvette na noite e outros contos potentes” (Editora Alaúde).

  • Lorenzo Frigerio

    Tem start/stop como o outro?
    O carro é legal, mas o preço é muito elevado para o que é basicamente um Astra anabolizado.

    • Matthew

      Tem o start/stop, mas não há como desabilitá-lo. Comparado aos preços de Golf e Focus, acho o preço dele bem razoável, e é um Astra anabolizado de última geração, não se engane. Tem SUV compacto de motor aspirado a mais de 100 mil reais. Civic só tem motor turbo na versão topo de 125 mil reais, e também não passa de um carro de gama média anabolizado.

  • João Carlos

    Parabéns pela avaliação e o vídeo, diretos e retos! Nas ondulações de São Paulo capital ele vai tão bem confortável como o Focus? Nas curvas de alta também é páreo para o Focus?

  • Silvio

    Apoiado! Pode tirar os bancos de couro também.

  • Silvio

    O que vem a ser o estol do câmbio?

  • David Diniz

    Finalmente a GM está com motores modernos, falta apenas aposentar o Família 1 da Linha Spin e Ônix/Prisma.

  • Matthew

    Excelente matéria, como de costume! A melhor pegadinha foi a foto do ponteiro nos 240 km/h hahahaha

  • Elvys Da Costa Pina

    O Cruze hatch está muito bonito (mais que o Golf). Fazem anos que a Chevrolet devia um hatch médio que chamasse a atenção (o Astra era bonito, mas discreto). Como ficaria uma versão com câmbio manual?

  • rafael

    Olá Arnaldo. Li em outros testes sobre o Cruze, que o hatch tem um acerto ou calibração de direção e suspensão diferentes das do sedã, com o intuito de o primeiro ficar mais “esportivo”. Você, que testou ambos, chegou a notar alguma diferença entre eles, além da manobrabilidade citada por você?
    Abraço

  • Randy, só algumas mulheres.

  • Zigfrietz, o teto solar não deveria ser panorâmico nada e para quê borboletas para trocar marchas? Está ótimo do jeito que está, o Cruze não é carro de corrida.

  • Darlan Nunes

    Chateador, estol não seria a rotação máxima do carro parado com o câmbio engrenado?

  • Zigfrietz Tazogh

    Você descreveu o creeping, stall é a rotação máxima permitida pelo câmbio com o carro parado.

  • lightness RS, mais do que inaceitável sob qualquer ponto de vista é esse tipo de patrulhamento calcado na histeria carbônica.

  • Invalid, coisa de rico ou de quem quer parecer ser?