A eficiência que falta para manter rodovias, sobra para instalar lombadas irregulares e radares que saqueiam o brasileiro.

 

Dono de carro no Brasil não tem por onde escapar. Na compra, no uso e na venda, é vítima da ganância de empresários acobertados pela leniência das autoridades.

CARRO ZERO – Na compra do novo, pode ser vítima da fábrica, concessionária ou da legislação precária. Se não conferir no porta-malas, pode descobrir mais tarde que o pneu sobressalente é de outra marca. Ou que foi vítima de propaganda enganosa e não encontra no carro o anunciado pela fábrica. A concessionária de padrão ético duvidoso oferece desnecessária proteção de pintura, já protegida desde a linha de montagem. Quando não faz a “cortesia” de aplicar sacos de lixos nos vidros que deixam o veículo em situação flagrantemente irregular (foto de abertura). Ou promete reparo de pintura defeituosa que jamais terá mesma qualidade que a original se não tiver estufa de secagem.

CARRO USADO – Se corre risco de ser enganado no carro zero, o usado dá margem a um cipoal de picaretagens. Hodômetro que deu marcha a ré, pneu frisado ou remoldado, “gatilho” na mecânica e até carro que já deu PT, brilhando de volta na vitrine…

NO POSTO –  Pode pagar pela gasolina aditivada e receber a comum. Ou adulterada. Aliás, uma das adulterações foi até oficializada por D. Dilma (para agradar usineiros às vésperas de sua reeleição?) que autorizou subir o “batismo” com álcool de 22%para 27%. É gato por lebre, pois o álcool contém menos energia que a gasolina. Tem também posto desonesto que adultera a bomba e entrega menos combustível do que marca o visor. Mas são poucos fiscais para milhares de postos.

NA REPOSIÇÃO – O mercado paralelo de peças exige muita atenção, pois o governo faz vista grossa para as picaretagens. Só se põe a mão no fogo se embaladas de fábrica (chamadas originais), pois no mercado paralelo tem de tudo. São confiáveis se fabricadas pelos fornecedores da fábrica. Mas também de fabricantes independentes que podem, ou não, oferecer mesma qualidade. Fora o fantasma das importadas de países asiáticos, de procedência e qualidade duvidosas. É salve-se quem puder…

CERTIFICAÇÃO – A atuação do Inmetro, órgão do governo responsável pela normatização dos componentes de reposição, é escandalosa. Permite a remoldagem de pneus sem se identificar as características originais da carcaça. Já autorizou a recauchutagem de pneus para motos. Anunciou o controle dos componentes no mercado de reposição, mas elaborou uma minguada lista de 20 componentes que atende muito mais ao interesse do fabricante que do consumidor. “Esqueceu-se” de centenas de peças que comprometem a segurança (freio, transmissão, direção e suspensão), mas exigiu seu selo em componentes internos do motor. Pode?

DPVAT – Além do absurdo imposto de circulação travestido de “imposto sobre a propriedade de veículos automotores” (IPVA), ainda enfrenta modalidade única no mundo: pagar o seguro obrigatório somente a uma seguradora (Líder), um monopólio incompreensível e, sobretdo, inadmissível.

CONTRAN/DENATRAN – Dono do carro é presa fácil nas mãos das autoridades de trânsito e parlamentares coniventes com os empresários que inventam despesas mirabolantes para saqueá-lo. Já tivemos estojo de primeiros socorros, extintor de incêndio, curso para renovação da CNH e outras exigências estapafúrdias, todas felizmente canceladas. Mas incapaz de tirar do papel a inspeção veicular e de regulamentar as cadeirinhas infantis. E incapaz também de adotar metodologia para o estabelecimento de velocidades realistas na cidade e na estrada, hoje feitas na base do chute.

ARMADILHAS – Motorista não escapa se não paga imposto. Mas sofre no bolso e na vida com as crateras asfálticas que danificam pneus, rodas e suspensão. E provocam acidentes. Falta eficiência na conservação da rodovia, mas não falta competência para instalar lombadas (quebra-molas) irregulares e radares. Estes, explicados hipocritamente com o objetivo de “educar o motorista”. O brasileiro tem certeza de que se prestam exclusivamente para saqueá-lo…

BF

A coluna “Opinião de Boris Feldman” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

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