Dando continuidade ao que escrevi na semana passada, agora vou eleger o melhor carro de cada uma das décadas de 80, 90 e 2000. Novamente, volto a afirmar que essa é uma eleição muito pessoal, que pode ser bem distinta da sua, leitor. Os carros escolhidos de cada uma das décadas, no meu modo de ver, é aquele que marcou a década por ter inovado na tecnologia, no design, ou como um marco importante para a sociedade naquele período.

E, claro, há também o impacto e a impressão que esse carro deixou pessoalmente, o que contribui de maneira muito importante na decisão final de minha escolha. O melhor carro de cada uma das décadas, na minha opinião, também é uma somatória de desempenho, consumo, aerodinâmica, espaço interno, soluções inteligentes de habitabilidade, emissão de poluentes e tudo aquilo que destaca esse supercarro dos demais.

Vamos dar início a escolha na década de 80. Uma década rica em lançamentos: as principais fabricantes de nosso mercado lançaram produtos que iniciaram um período de modelos mais modernos e atuais do que aqueles que haviam sido produzidos e oferecidos ao consumidor até os anos 70.

A Volkswagen, por exemplo, lançou nessa década Gol, Voyage, Parati, Saveiro, Santana e Quantum, todos produtos importantes para a marca e para o mercado. A General Motors chegou com o Monza e suas variações, mais a Chevy 500, Chevette Hatch e D-20 (Incluindo as variações C-20 e A-20). A Ford trouxe da Europa o Escort (e sua versão esportiva XR3), Del Rey e Pampa. A Fiat trouxe o também europeu Uno, com suas variações sedã (Prêmio), station (Elba) e picape/furgão Fiorino.

Mas, dentro desse mar de lançamentos da década, quem conquistou meu coração foi a versão GTi do Gol (foto de abertura), apresentada ao público no Salão do Automóvel de 1988. O carro conquistou a maioria dos apaixonados por carros pela tecnologia inovadora da injeção eletrônica de combustível e do sofisticado sistema eletrônico de ignição, que fizeram com que o motor, naquela época já positivo, AP 2000 se transformasse em um motor de funcionamento jamais visto no país.

Além de toda essa tecnologia motriz, o Gol GTi se destacava por uma feliz combinação de cores (azul marinho metálico com prata) e uma decoração que fazia até mesmo que esquecêssemos que se tratava de um simples Gol.

O carro acelerava de 0 a 100 km/h abaixo dos 9 segundos, na época um espanto, e tinha uma velocidade máxima que superava os 190 km/h. A tal injeção eletrônica LE-Jetronic da Bosch, apesar de ser analógica e ainda longe dos recursos de um sistema digital atual, ficava anos-luz à frente dos velhos e obsoletos carburadores. O sistema EZK da ignição mapeada possuía até mesmo o recurso do sensor de detonação, uma espécie de “ouvido” (na realidade microfone piezoelétrico) que “ouvia” a detonação para fazer o avanço de ignição recuar, evitando danos ao motor.

Esse recurso permitiu ao motor funcionar com altas taxas de compressão, mesmo com a péssima gasolina da época em termos de octanagem. Para mim, sem dúvida, é o carro da década de 80, tanto que tenho um GTi 1989 até hoje.

 

Renault Twingo

Renault Twingo 1993 (Foto: bonsrapazes.com)

Chegamos aos anos 90. Nesse, vou direto à minha escolha, pois para mim a grande sacada e que me encanta até hoje é o Renault Twingo. Os profissionais que trabalharam no desenvolvimento desse carro foram muito felizes. Os caras pensaram em tudo. Lembro-me quando testei o carro pela Revista Quatro Rodas em 1993 (as primeiras unidades eram fabricação 1993 e modelo 1994), versão equipada com motor 1,1-L com injeção monoponto.

O carro me encantava em cada detalhe. Seu painel profundo, devido a inclinação do grande para-brisa — cujo limpador era monobraço e pantográfico, um show à parte —, nos dava a impressão de estar em um carro grande e ele, na realidade, media menos de 3,5 m e assim cabia em qualquer vaga. Seu consumo de combustível era ridiculamente baixo, graças ao peso contido (cerca de 800 kg).

O banco traseiro se movimentava em trilhos, aumentando a capacidade do porta-malas ou privilegiando o espaço das pernas para os passageiros traseiros. Interior e conforto de carro grande e consumo e manobrabilidade de carro pequeno. Um projeto de tirar o chapéu e que pode ser considerado moderno até nos dias atuais. O melhor carro dos anos 90 na minha opinião.

E dois editores do AE têm Twingo: Josias Silveira e Carlos Meccia.

 

Honda New Civic

Honda New Civic Si, 2007 (Foto: divulgação Honda)

Nos anos 2000, já tínhamos um mercado bem sortido de carros de todos os tipos e fabricantes, para todos os gostos e bolsos. Mas, sempre fica aquele que você acaba se lembrando com saudade, aquele carro que você recomendou para amigos e parentes e, principalmente para seu leitor. Lembro-me que estávamos em meados de 2006 e a Honda reuniu alguns jornalistas especializados para fazer uma prévia do New Civic. Bingo! Desta vez os japoneses da Honda acertaram em cheio. As linhas externas do novo sedã tinham um misto de graciosidade com ousadia e traços bem fluidos de aerodinâmica. Um carro de linhas atraentes.

O interior tinha um painel que mesclava leitura digital com leitura analógica e, o que era mais ousado, tudo isso disposto em um quadro de instrumentos de dois níveis: um na parte superior e outro na parte inferior. Essa ousadia de design incomodou muitos dos conservadores consumidores usuais dos Civic anteriores.

O polêmico quadro de instrumentos em dois níveis; no caso o do Si (Foto: divulgação Honda)

A única crítica que me lembro do carro se refere ao consumo de combustível: como nós, consumidores, vínhamos mal acostumados com os baixíssimos índices de consumo dos velhos Civic, exigíamos o mesmo do novo motor 1,8 mais potente. Cavalos que andam mais, comem mais. E o alto consumo era inevitável. Mas isso não tirou o brilho do que, para mim, foi o melhor carro da primeira década dos anos 2000, principalmente sua versão esportiva, batizada de Si, fabrica em Sumaré com motor e transeixo importados.

Também nesse episódio, gostaria saber de você, leitor, quais, na sua opinião, foram os melhores carros das décadas de 80, 90 e 2000. Nós sabemos que esse é um assunto que vai longe, pois o bom de falarmos de carro é que o assunto é bem democrático, e cada um tem a sua opinião pessoal que deve ser respeitada, mesmo que não concordemos com ela. A próxima década, que vai de 2010 a 2019, está em andamento. Isso não impede que já possamos, no final do próximo ano, escrever uma coluna elegendo qual o melhor carro dessa década que estamos vivendo. Dê a sua opinião nos comentários, e dessa forma, faremos uma coluna interativa — um presente da internet.

DM

A coluna “Perfume de carro” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.
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