O ano era 2016 e no nosso grupo de trabalho sempre tivemos um veículo para uso da nossa equipe nas mais variadas missões, geralmente visitas a fornecedores. Nesse período, tínhamos um Gol que havia sido recebido por nós 0-km e a essa altura seu hodômetro marcava cerca de 20.000 km, era um modelo 4-portas, prata Sirius com possuía ar-condicionado, direção assistida hidráulica, vidros das portas dianteiras de acionamento elétrico e travas elétricas nas quatro portas.

Era dotado do motor EA-111 1-litro de duas válvulas por cilindro que entregara 72/76 cv a 5.250 rpm e 9,7 / 10,6 m·kgf a 3;850 rpm. Era um carro honesto, com ótimo comportamento dinâmico e desempenho correto para um motor de 1 litro e aspiração natural.

Já há algum tempo, tínhamos construído os protótipos de Gol e Voyage com o motor EA-211 1-litro que inicialmente equipara o Fox BlueMotion em agosto de 2013 e o up! em fevereiro de 2014, até que finalmente, exatamente dois anos depois, essa motorização chegou à produção seriada no Gol e Voyage.

Não tardou para que em outubro de 2016 fizéssemos a troca do nosso Gol por um 0-km. O pacote de opcionais e até a cor eram os mesmos, porém este agora já viera equipado com o EA-211 1-litro de três cilindros, 4 válvulas por cilindro, duplo comando de válvulas com variador de fase na admissão e bloco e cabeçote de alumínio (foto de abertura).

Este motor entrega 75/82 cv a 6.250 rpm e 9,7/10,4 m·kgf a 3.000 rpm, e a princípio, analisando as fichas técnicas e comparando-as, não se nota grandes diferenças, mas andando com os carros, o 211 se mostrava muito superior em desempenho e mais eficiente em consumo —o “pulo do gato” que muitos “pilotos de teclado” não entendem é a forma de como cada um entrega potência e nesse quesito o EA-211 dá um banho no EA-111.

No inicio, o 211 parece ser meio “bobo” em baixas rotações, mas explorando o acelerador e o câmbio como se deve, ele mostra sua verdadeira personalidade, “abre giro” com gosto, varre com extrema facilidade a escala do conta-giros, é uma delícia fazê-lo girar. Isso de certa forma me fez gostar do carrinho a ponto de cogitar tê-lo.

Nesse mesmo período, possuíamos em casa uma SpaceFox Trend propulsionada pelo bom e velho EA-111 de 1,6 litro, veículo comprado por nós o-km em 2013. Encontrava-se com 76.000 km muito saudáveis e bem vividos, em perfeito estado de conservação.

Nossa SpecaFox Trend branca

Era um carro bacana, com aquele ótimo porta-malas, cabia tudo nela, segue o conceito de pequena por fora/grande por dentro. Com a posição de dirigir elevada era espaçosa, bem-construída, simples, robusta e confiável, porém sempre preferi a linha Gol à linha Fox no que diz respeito dirigibilidade e prazer ao dirigir.

A SpaceFox estava sendo utilizada quase que em 90% do tempo por minha esposa em trajetos curtos, tais como levar a nossa pequena para a escola e ir trabalhar a cinco quilômetros de nossa residência. Mas ossa pequena já não era tão pequena e não fazia mais uso do carrinho de bebê, entre outros grandes apetrechos, e quando no fim de 2017 vi o litro da gasolina bater na casa dos R$ 4,00 não tive dúvidas, propus à minha esposa em pegar um carro equipado com o motor VW 3- cilindros.

Nessa época a VW disponibilizava Gol, up! e Polo com essa motorização, e a nossa escolha ficou entre up! e Gol e a palavra final (para variar…) ficou com a minha esposa, ela optou pelo Gol.

O Gol estava muito convidativo na versão Track (particularmente não sou muito fã dos apetrechos que sugerem o fora de estrada), mas a condição de compra estava extremamente favorável e assim foi feito, adquiri uma unidade vermelho Flash com o pacote Urban Completo  — consiste em rodas de liga leve, vidros e travas elétricas nas quatro portas, alarme, travamento central por controle remoto, destravamento do porta-malas por controle remoto, retrovisor direito com a função abaixar orientação ao se engatar ré, acionamento elétrico nos dois, entre outros opcionais.

Gol Track 2018

Quer saber? Não me arrependo em nada de ter saído da SpaceFox para o Gol Track, ele faz tranquilamente 10 km/l com o combustível produzido a partir da cana-de-açúcar. enquanto a SpaceFox sofria para fazer 6 km/l na mesma condição. Abastecido com gasolina, o Gol faz 13 km/l,  e a SpaceFox raramente chegava na marca dos 10 km/l.

O pequeno 1-L não tem a força do EA 111 1,6-L em baixos regimes, a SpaceFox andava fácil no trânsito caótico de São Paulo, lembrando o antigo AP 2-litros em comportamento ,com força abundante em baixa rotação, mas em rodovia o Gol não deve em nada à SpaceFox. Mesmo possuindo uma relação peso-potência um pouco desfavorável frente à perua, a da Spacefox era correta, o Gol impressiona (com as devidas proporções de um motor pequeno), exige logicamente mais reduções mas sendo bem explorado, faz bonito, e devido ao baixo centro de gravidade, é bem mais agradável em uma condução mais animada.

Enfim, o bom e velho Gol ainda agrada e muito, acho que a sua imagem não é bem explorada frente às suas ótimas qualidades, e eu em particular sou suspeito para falar de Gol e derivados  — é o meu quinto exemplar, isso sem contar derivados como Voyage e Saveiro.

Saveiro Cross CD

Um abraço!
Luciano Gonzalez
São Paulo, SP

 

Nota: Insulfilms instalados na SpaceFox e no Gol Track atendendo pedido da esposa que fica / ficava com os carros em mais de 90% do uso.

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