Exposição resume tendências mundiais e dificuldades para desembarcarem aqui. Mas tem até SUV pela bagatela de R$ 4,4 milhões…

Já imaginou um prédio de apartamentos com um carro elétrico na garage para ser compartilhado pelos moradores? Pois esta é uma das novidades anunciadas no Salão do Automovel de São Paulo, aberto até o próximo domingo, dia 18. Fruto de parceria entre a MRV (maior construtora residencial da America Latina) e a Renault, dois elétricos (Zoe) serão utilizados experimentalmente em seus prédios de apartamentos em construção com células foto-voltaicas para geração de energia elétrica. É uma síntese perfeita das tendências do setor: o elétrico e o compartilhamento substituindo a posse do automóvel.

Elétricos – Alias, híbridos e elétricos nunca marcaram presença tão destacada. A maioria não é de carros-conceito mas tampouco terão volumes signficativos no mercado a curto ou médio prazo: assim como o Renault Zoe (R$ 150 mil), outras marcas apresentaram elétricos com vendas previstas para 2019 mas preços ainda amargos. Entre eles, o Chevrolet Bolt (R$ 175 mil) e o Nissan Leaf (R$ 178 mil). A japonesa foi a única a mergulhar “de cabeça” no carro a bateria pois o Leaf é o elétrico mais vendido no mundo. Outras asiáticas apostam nos híbridos e a Lexus, por exemplo, marca de luxo da Toyota, vai oferecer apenas estes veículos no Brasil a partir de 2019.

Raro encontrar um estande sem pelo menos um híbrido ou elétrico. Além disso, vários deles estão disponíveis para uma “voltinha” numa pista externa preparada para test drive.

Fenômeno em todo o mundo, o elétrico vai atrair o brasileiro e conquistar significativos volumes de vendas?

O mais provável é de o híbrido assumir esta posição, pois não enfrenta as mesmas barreiras que o elétrico. Em primeiro lugar, pelo seu elevado preço deste, provocado pelo custo da bateria que encareceu (ao invés de baratear) para aumentar sua autonomia para 350 a 400 km.

Outra dificuldade do elétrico é sua recarga. Ainda são poucos os postos nas rodovias com tomadas específicas. Mesmo o reabastecimento doméstico pode ser complexo: existem tomadas suficientes na garagem do prédio de apartamentos? E se todos decidirem recarregar simultaneamente, o circuito elétrico do edifício suportaria a demanda de carga da garagem?

Autônomos – Também marcam presença na exposição. Mas, se há dificuldades para os elétricos, ainda vai correr muito mais água sob a ponte até chegarem aqui os carros que dispensam motoristas. Alguns dos dispositivos de segurança dos autônomos podem ser utilizados, pois independem de vias públicas preparadas: um deles é o alerta para não ultrapassar na estrada pela presença de um carro logo atrás na outra faixa, outro é o sistema de freios emergenciais que evitam bater no carro da frente ou atropelar um pedestre. Já equipam carros premium como Audi, Mercedes, BMW ou Volvo. Mas, o autônomo que dispensa a atenção constante do motorista (Nivel 3) ainda está sendo homologado na Alemanha. E as fábricas imaginam mais 10 a 15 anos para se chegar ao nível 5, o carro sem comandos.

Utilitários… Os “queridinhos” do público não poderiam faltar na festa: também difícil um estande sem pelo menos um novo utilitário esportivo, segmento que mais cresce no mercado brasileiro. E tem SUV, acreditem se quiser, até entre os mais sofisticados e caros automóveis do mundo: Lamborghini Urus, Maserati Levante Trofeo e… Rolls-Royce Cullinam. Este, pela bagatela de R$ 4,4 milhões! Cabe perguntar, pois é mistério — para mim — esta estapafúrdia preferência do consumidor pelo SUV: o prezado levaria um Rolls para chafurdar na lama?

…Esportivos – Carros de sonho com preços de pesadelo são a cereja do bolo de qualquer salão. No de São Paulo, o McLaren Senna por R$ 8 mi não é o mais caro: ainda tem o Mercedes One por R$ 10 mi. Os três que o encomendaram devem ter se esquecido do custo adicional de chamar o Lewis Hamilton para pilotá-lo…

BF

A coluna “Opinião de Boris Feldman” é de exclusiva responsabilidade do seu autor.

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