“If we sign this, we surrender our right to choose. What if this panel sends us somewhere we don’t think we should go? What if there’s somewhere we need to go and they don’t let us? We may not be perfect but the safest hands are still our own… If I see a situation pointed south, I can’t ignore it. Sometimes I wish I could.” – Steve Rogers, o Capitão América, no filme “Guerra Civil”.

O leitor do AE conhece muito bem nossa longa campanha para a volta das peruas ao nosso convívio. O principal objetivo dessa campanha, simbolizada e reunida no mundo virtual em torno da hashtag “#savethewagons”, é sensibilizar os fabricantes para o fato de que uma perua faz muito mais sentido que um suve, tentando fazê-los trazer elas de volta a nosso mercado. O que se mostra uma tarefa ingrata, pois as vendas das poucas remanescentes da espécie são pífias, não dando muita força a esta campanha.

Muita gente, vendo esta situação, se conforma e tenta ver algo de bom nos suves, desistindo de dar murro em ponta de faca. Afinal de contas não há muito que fazer para mudar isso, e os suves modernos andam fazendo imitações bem convincentes de carros de verdade. Como acontece com os elétricos (uma vontade política sem solução técnica que teima em ser enfiada goela abaixo da população), muita gente desiste e tenta ver alguma coisa boa no que é, no frigir dos ovos, mais uma tentativa de acabar com tudo de bom que o automóvel particular representa.

Na verdade, muito dessa desistência é puro medo. Medo de perder o trem da história, de perder tempo e energia numa campanha sem chance de ser ganha. Medo de ficar obsoleto e ultrapassado, de perder a própria relevância em um mundo que parece mudar radicalmente.

Mas eu digo que não. Como Steve Rogers, se acreditamos que este não é o caminho, se vemos a vaca indo para o brejo, não devemos ficar parados assistindo. Devemos continuar lutando. Com as armas que temos para isso. Muita gente vê o personagem da Marvel como um símbolo patriótico americano irrelevante, mas eu vejo o que ele sempre foi nos quadrinhos, e agora transposto a tela: um símbolo da liberdade de escolha pessoal, e da responsabilidade que essa liberdade nos coloca como pessoas. Frequentemente enfrenta governos e opinião pública, para se postar imóvel ante aos que quem transferir toda responsabilidade ao coletivo. “Não passarão!”, diz ele, imóvel, frente a consequências incrivelmente ruins. Um herói de verdade, não por causa dos superpoderes, mas por causa da coragem de fazer o que é certo, não importando o resultado final.

(net car show)

Você é o único responsável pelos seus atos, e escondê-los atrás de instituições e chefes e governos é o que nos deu a banalização do mal da Alemanha nacional-socialista, e hoje coloca a ditadura do politicamente correto, do pensamento único e indiscutível. Não vamos ser assim. Esqueça o medo de ser ultrapassado; a certeza de que está correto basta. E se o mundo for realmente para este lado, deixando-nos ultrapassados e esquecidos, bem… Paciência. Sem lutar pelo que acreditamos certo, abandonamos nossa alma. Um destino, você há de concordar, muito pior que a morte.

Mas divago: voltando à nossa campanha, o que venho hoje propor para vocês é uma saída alternativa para continuá-la mesmo se os fabricantes se recusam a nos atender. Afinal de contas, se não existe perua nova para comprar, compramos usadas. Elas andam esquecidas, coitadas, abandonadas por suves bem mais sem graça e parecidos entre si. Comprar uma perua hoje esquecida e abandonada em algum anúncio perdido na internet é realmente, literalmente, salvar as peruas!

Peruas sempre foram o melhor de todos os mundos; possibilidade de desempenho de carro esporte com capacidade de carga e passageiros. A melhor opção para o entusiasta com família que pode ter somente um carro. Por causa disso, e o fato de que passo uma quantidade incrivelmente alta de meu tempo pesquisando carros que não posso comprar na internet, que resolvi hoje mostrar a vocês 10 opções interessantes de peruas usadas, prontas a serem salvas.

Para ser justo, deixei de fora as BMW 328i Touring E36. Nós aqui do AE somos conhecidos por ativamente garantir a sobrevivência desta rara espécie em risco de extinção: eu e o Roberto Agresti temos uma cada um, ambas com câmbio manual (outra coisa em extinção) e as preservamos com saúde, as vezes a duras penas. Estamos fazendo a nossa parte. Agora é a sua vez!

Com vocês então, em ordem cronológica, dez maneiras de literalmente salvar peruas!

 

1)  Mercedes-Benz 300TE (W124; 1984-1995)

(GT40.com.br)

Os Mercedes-Benz W124 são Mercedes ainda no idioma tradicional, hoje quase esquecido. Mercedes costumavam ser carros extremamente pesados, sólidos, bem construídos e engenheirados. Eram velozes, estáveis e seguros, mas nunca esportivos; carros sérios feitos para durar para sempre, para adultos sérios. Como adulto sério é algo em falta, os Mercedes hoje são outra coisa, ainda fantásticos mas agora espalhafatosos e com mais “bling” que rapper americano.

A perua W124 então é um Mercedes tradicional, feito para durar para sempre. A 300TE, uma perua grande, com espaço de sobra e um banco extra no porta-malas, para um total de sete passageiros. Como sempre deveria ser em peruas, o banco extra é à americana, virado para trás do carro, com acesso pela tampa traseira. As crianças adoram.

(GT40.com.br)

Mercedes tradicional é um dos raros casos em que câmbio automático não estraga o carro; são feitos para ele, sem nenhuma pretensão esportiva. Não é à toa que a vasta maioria é automática. Mas procurando um exemplo à venda para ilustrar esta reportagem me deparei com esta lindíssima perua que você pode ver nas fotos, à venda no site GT40.

(GT40.com.br)

Além do excelente estado de conservação e o banco da terceira fileira (que era opcional), o motor seis em linha de 3 litros e 170 cv (maior então disponível) é acoplado a uma embreagem com pedal e um câmbio manual de 5 marchas. Diferente ao ponto de ser estranho, esse câmbio manual a deixa ainda mais desejável. Sensacional!

 

2) Honda Accord Wagon (1990-1993)

Hondas não falham em ser veículos confiáveis, com comandos leves, e gostosos para dirigir. Os Accord de 3ª geração (primeira a ser importada oficialmente) não são carros velozes ou chiques, mas são bem equipados, tem enorme área envidraçada, bom desempenho com economia e ótimo espaço interno. A perua tem um porta-malas gigante, e o conforto de marcha, invejável. Um carro perfeito para o uso diário.

(net car show)

Recentemente vi uma à venda com o raro câmbio manual, mas já sumiu, provavelmente com um feliz novo dono agora. Mas elas sempre aparecem à venda de tempos em tempos, a preços bem baixos, como esta aqui, no Webmotors.

 

3) Chevrolet Omega Suprema (1993-1996)

(divulgação)

Apesar do nome mais pedante da história, e de durabilidade geral duvidosa, há muito que gostar na última perua grande fabricada em nosso país. Seja com motores quatro ou seis-cilindros, sempre tem desempenho decente, principalmente se equipada com o desejável câmbio manual. É também um carro enorme, com espaço de sobra para passageiros e carga. E as suspensões são padrão BMW série 5, perfeitas.

Um carro que realmente está em casa em autoestrada, sua aerodinâmica apurada e motores fortes fazendo viagens deliciosas a velocidades altas.

 

4) Peugeot 406 Familiale (1995-2004)

(net car show)

Outro carro de durabilidade duvidosa, mas baratíssimo para comprar, e uma delícia para dirigir, principalmente na versão manual. E além do espaço generoso, tem também o divertido e prático banco da 3ª fileira rebatível a americana, virado para trás.

 

5) Ford Mondeo SW (1996-2000)

(divulgação)

Em 1997, em viagem a trabalho pela Europa, andei mais de 2.000 km com uma perua igualzinha a esta aqui à venda no Webmotors. Andei sozinho nesse carro imenso, um desperdício de espaço até, mas um que me marcou profundamente. Um carro grande que se apequena em volta de você, e que é tão divertido quanto um carro esporte quando as condições pedem, e um cruzador de estradas quando é este o caso. Incrível e inesquecível.

E hoje, baratíssimo, como podem ver no anúncio. Irresistível.

 

6) Alfa Romeo 156 SportWagon (1996-2007)

(divulgação)

Uma belíssima perua italiana com espírito de carro esporte. De novo, é para quem não tem medo de consertar carro, claro, mas se você tem esse medo, por que está lendo isso?

 

7) Audi RS 4 (1999-2001)

(net car show)

A primeira geração da perua RS 4 não é tão adorada quanto os atuais ou a clássica RS 2 que a precedeu. Mas é a mais barata hoje, com preços próximos a 100 mil reais. E um V-6 biturbo de 380 cv, tração integral, e câmbio manual não é de se jogar fora, principalmente em uma carroceria tão prática como a da perua A4.

(net car show)

Meio difícil de achar se ter sido blindado ou mexido, mas a procura vale a pena.

 

8) Citroën C5 break (2000-2008)

(net car show)

Parece incrível para mim que esta enorme e moderna perua, com a incrível suspensão hidropneumática da Citroën, seja tão barata no mercado de usados. Achei esta aqui, do primeiro dono e aparentemente bem cuidada, por menos de 17 mil reais. Alguém precisa imediatamente salvar este espécime magnífico da destruição nas mãos de alguém relaxado.

 

9) BMW 325i Touring E90 (2004-2013)

(net car show)

Última perua série 3 que a BMW trouxe para o Brasil. Velha tara minha para fazer companhia à minha 1996, já bem velhinha. Apenas uma versão existe: com o seis em linha aspirado de 217  cv e câmbio automático de seis marchas. Teto solar grande. Uma delícia de carro para dirigir, se bem que um pouco mais voltada para o luxo do que para a pista se comparada à minha, por exemplo. E a algo em torno de 50 mil hoje, um negoção em minha humilde opinião. Achei esta aqui no Mercado Livre procurando exemplos para este texto, e já fiquei com vontade de novo…

 

10) VW Golf Variant (2015-hoje)

(net car show)

A Golf Variant ainda está a venda zero-km, mas provavelmente por pouco tempo: vende quase nada. Mas usada permanecerá um grande negócio para quem gosta de carro. Principalmente se for uma das raras com câmbio manual, como esta aqui.

MAO

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