Enquanto indicadores de atividade econômica vêm apontando queda em um terço dos setores industriais no país, shoppings com mais lojas fechadas, desaceleração no comércio e serviços, na contramão de tudo isso as vendas de veículos saltaram 14,8% em agosto, com impulso semelhante no de caminhões.

Emplacamentos totais de autoveículos (Fonte: Anfavea)

As vendas de automóveis e comerciais leves atingiram 239.599 unidades, a mais alta do ano, e a média de licenciamentos diários superou 10.400 unidades, houve dias em que atingiu 15 mil. Um mês surpreendente, nas próprias palavras do presidente da Anfavea, Antônio Megale. Aos poucos estamos voltando aos melhores patamares de 2015, como é possível ver no gráfico abaixo.

Emplacamentos diários, mês a mês, dos anos ’15, ’16, ’17 e ’18 (Fonte: Anfavea)

Emplacamentos diários de automóveis e comerciais leves (Fonte: Anfavea)

 

As previsões para o ano se mantêm inalteradas. Numa aritmética simples, são 80 dias úteis de 31 de agosto até o final do ano, em a média diária de licenciamento mantendo-se no patamar de dez mil unidades até novembro, mais a tradicional puxada de dezembro, boas chances de se atingir a previsão de 2.420.000 emplacamentos de leves, uma recuperação de dois dígitos sobre 2017. Hoje se prevê que o patamar de 3,8 milhões de vendas pode estar de volta em 2023. Como dizem muitos, o Brasil nas mãos do PT retrocedeu 10 anos. Que Deus esteja com os brasileiros nestas eleições e nos afaste de políticas como “a nova matriz econômica”, de desastres fiscais, etc. Bom lembrar que sob Dilma, o Brasil saiu de um superávit fiscal de R$ 220 bilhões e mergulhou num déficit de R$ 170 bilhões. Ela, Haddad e cúpula do partido ainda têm o descaramento de dizer que foram as pautas-bombas do ex-presidente da câmara, Eduardo Cunha, hoje também preso por corrupção, que destroçaram o equilíbrio fiscal. Num buraco Dilmista de quase R$ 400 bilhões, as pautas-bombas sequer representaram 5% e grande parte não seguiu adiante. Mas candidatos à presidência detestam fazer contas e o nível de despreparo deles vem se confirmando nos debates na TV, então natural que o mercado se amedronte dos aventureiros da “nova matriz econômica”, quando estes sobem nas pesquisas. Setenta por cento da volatilidade do câmbio se atribui às incertezas de quem vai comandar o Brasil a partir de janeiro.

 

RANKING DO MÊS E DO ANO

Mês de vendas cheias de Yaris e Yaris Sedan, da Toyota, não fez o fabricante japonês ganhar mais participação, mas bem nota-se certa autofagia entre os novatos e o Etios. As marcas que mais se destacaram foram novamente Nissan e VW, com crescimento de respectivamente 35% e 31% sobre mesmo mês de 2017. Renault cresceu 28%, Fiat e Jeep 17%. Vendas totais de leves cresceram 14%. Na outra ponta da tabela, Mitsubishi vendeu 18% menos, Citroën -18% e Peugeot -10%. Citroën teve seus dois modelos nacionais, o C3 e AirCross fora do ranking dos 50 pela primeira vez em anos e os dois modelos Peugeot, o 2008 e 208 figuraram em 46º e 50º, respectivamente. A chegada do novo suve Cactus (foto de abertura) é mais que oportuna, mas os compradores talvez estejam desejando mais novidades também da marca do leão.

No acumulado do ano e comparando com mesmo período de ‘17, Nissan cresceu 38%, VW 34%, Renault 31% e Jeep, 23%, num mercado que se expandiu outros 14%. Citroën recuou 15% e Peugeot, 2%, Honda manteve-se estável. Importante ressaltar que a marca japonesa vinha produzindo toda a sua capacidade e com a transferência de toda sua produção para Itirapina, ela deve ganhar um tanto.

Outra curiosidade foi que entre a 4ª marca mais vendida e a 7ª, respectivamente Ford, Renault, Hyundai e Toyota, a diferença é inferior a 1.300 unidades, ou meio ponto percentual de mercado. Ficaram embolados, cada um com as suas armas para atrair clientes. A marca coreana também enfrenta limitações de capacidade produtiva, portanto o espaço para crescer pode estar com seus concorrentes.

O campeão de vendas Chevrolet Onix emplacou 21.763 unidades, mais que o dobro do 2º e 3º lugares, porém a expansão maior foi nas vendas diretas, com modelos PcD incluídos. HB20, com 10.589 modelos vendidos, seguido do Ka, com 10.118, Gol, 6.628 e Polo, 6.544 compõem os cinco mais vendidos. No ano o compacto Chevrolet cresceu 10%, inferior, portanto à expansão do mercado. Merecem destaque modelos tradicionais como Versa, que cresceu 47% e Ka Sedan, +31%. O Renault Captur, em seu segundo ano de vendas, vem apresentando desempenho surpreendente, ultrapassou o veterano EcoSport. Os dois suves da Renault, Captur e Duster tiveram vendas somadas de 5.763 unidades, assumindo a liderança do segmento compacto.

Nos comerciais leves, a Toro assumiu a liderança pelo 3º mês consecutivo, com 6.172 unidades, noutro mês de vendas fortes para o segmento. Strada ficou em 2º, com 6.119, Saveiro em 3º, 4.237, Hilux em 4º, 3.542, seguida da S10, Ranger, Amarok. No acumulado do ano, a picape compacta da Fiat expandiu-se 36%, um número excepcional para uma veterana. Amarok cresceu 59%, boa parte graças à nova motorização V-6 e outra parte na agressiva política comercial. Oroch expandiu-se bons 29% no ano e Ranger +25%. O agronegócio é ótimo para vender picapes.

Até mês que vem!

MAS

Fonte: Fenabrave

Fonte: Fenabrave

Fonte: Fenabrave

 

(1.015 visualizações, 1 hoje)