Quando o Paulo Keller pediu a nós, editores e colunistas, para prepararmos textos sobre nossa relação com os dez anos do AUTOentusiastas, confesso que fiquei um pouco na dúvida sobre o que escrever. Cada um de nós tem uma história, um passado, uma relação especial tanto com o AE quanto com o próprio automóvel, este nossa grande paixão e, sobretudo, razão de o AE existir.

O meu contato com o AE começou há pouco mais de dez anos, quando este ainda era um grupo fechado de discussões por e-mail. Por meio do nosso amigo em comum e ex-colaborador do AE, Bill Egan (pseudônimo), fui convidado a participar deste grupo, repleto de gente que também vivia e respirava automóveis.

Sem dúvida nenhuma foi uma fase em que aprendi muito, as discussões eram riquíssimas e de alto nível. A cada assunto abordado, um novo conhecimento adquirido. Lá conheci figuras ímpares como o MAO, JJ, PK, AAD e o MAS. Nesta época estava eu na faculdade, chegando perto do fim do curso de Engenharia Mecânica Automobilística na FEI, e participava de grupos extracurriculares de projetos especiais, o que aguçou o gosto pela coisa. Fazer parte do AE era mais um combustível para a ignição do gosto pela mecânica e pelo automóvel.

Nesta época de final de faculdade, logo que me juntei ao embrionário AE, eu já conhecia o Bob Sharp e o Arnaldo Keller, que viria a aderir ao time do AE logo depois. Coincidência ou não, fizemos algumas reportagens juntos para outras publicações dos projetos que a FEI tinha na época. O jeito bem característico de escrever, tanto do Bob como do Arnaldo, foram ótimas referências quando fui convidado a fazer parte do time de colaboradores do AE, ainda no tempo do blog.

Eu nunca havia escrito nenhum artigo para publicação que não fossem trabalhos acadêmicos, então estava inseguro no começo. Mas, com o passar do tempo, alguns tropeços, as pesquisas que fazia para enriquecer as postagens e as trocas de informações com os amigos do AE, aprendi duas coisas: sempre há algo novo a se aprender, e quando escrevemos sobre o que gostamos, escrevemos com o coração.

Como é facilmente notado nas minhas publicações, carros de corrida são meu maior foco. Desde pequeno vejo e acompanho automobilismo, estudo os projetos para conhecer e entender como foram criados os mais fantásticos carros que já passaram pelas pistas do mundo. Ao meu ver, são as máquinas mais maravilhosas já criadas.

Nada é tão preciso e feito unicamente com um propósito definido, e a relação homem-máquina (homem no sentido de ser humano, não só homem no sentido de masculino) é a verdadeira extensão do corpo. Sentidos aguçados, concentração máxima, e por trás disso tudo, a engenharia que a criou. Acompanhar de perto diversas corridas em Interlagos também ajudou a reforçar essa vontade de entender e conhecer os carros, saber por que um é mais rápido que o outro, um é mais “na mão” que o outro. E a história do automobilismo é muito rica e fascinante. Muito do que temos hoje nos carros de passeio de fato vieram, de alguma forma, dos carros de competição.

Ler os textos dos colegas do AE é uma forma não só de adquirir mais conhecimento, mas de interagir com eles. Ver como eles pensam, como eles sentem. Está tudo nas palavras e na forma de escrita de cada um. Se o automóvel é uma máquina incrível, quando descrita com amor e emoção de um entusiasta, é mais incrível ainda.

O crescimento do AE foi um trabalho duro e de muita dedicação do time todo, mas em especial do PK e do Bob, e poder fazer parte deste grupo só me enche de orgulho e alegria. Fiz muitos novos amigos, como o Wagner, a Nora, Agresti, o Josias e tantos outros, e espero poder fazer ainda mais ao longo do brilhante futuro que o AE tem pela frente.

MB

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