As transformações de usos e costumes andam em velocidades muito rápidas. Tanto na adesão a uma novidade, como em seu descarte.

 

Não tem muito tempo que se começou a falar em “Car Share”. Pois, na ponta do lápis, a posse de um automóvel é péssimo negócio. A rigor, seu custo pode ser adequado ao saldo bancário do dono. Mas, considerando-se o tempo diário de utilização, custa mais que um avião. Noves fora os que usam o carro como ferramenta de trabalho (prestadores de serviço, taxistas, vendedores, etc), ele não é utilizado mais que duas ou três horas por dia. E olhe lá…

Mas tem o investimento inicial, impostos, seguros, desvalorização do capital, taxas e manutenção pelas 24 horas. Ideia que surgiu simultaneamente em diversos países foi o compartilhamento. Você se registra na empresa de “car share” e tem o direito de pegar o carro num de seus estacionamento e rodar quanto tempo quiser. Devolve-o no mesmo local e seu cartão é debitado pelo número de horas (ou dias) utilizadas.

Teoricamente, um ideia genial. Mas pouco convincente por não atender exatamente as exigências do usuário. Talvez não se tenha imaginado que o car share viria a ser atropelado pelo Uber ou outros aplicativos do gênero. Primeiro, porque o cliente tem que buscar o carro num de seus estacionamentos. Segundo, porque continua tendo dificuldade para encostá-lo nos dois, três ou mais pontos de destino, antes de devolvê-lo no local de partida.

O Uber, ao contrário, vem buscá-lo onde estiver e deixa-o no destino, despreocupado com estacionamento. Não tem que pagar, como no car share, sequer os minutos parados na porta da farmácia ou do supermercado. É a ideia da posse rebatida pela da utilização levada às últimas consequências.

O conceito de trocar a propriedade de um automóvel pela sua simples utilização está ganhando adeptos em todo o mundo. Durante a semana, em cidades com bom serviço de metrô, ônibus ou trem, a mobilidade se resolve conjugando-se o Uber com o transporte público. No fim de semana, com o carro de uma “Rent-a-Car” para o turismo familiar.

Se o usuário enfrenta diariamente grandes deslocamentos, lança mão do carro alugado para o trabalho. De preferência, um compacto de baixo custo. No final de semana, troca-o na locadora por uma van ou SUV para passear com a família. Ou um esportivo de dois lugares para sair com a namorada. Nas férias, se a ideia é se embrenhar pela natureza,  aluga um 4×4…

Sempre existirá o motorista que não abre mão do prazer de dirigir. Que exige desempenho e esportividade. Ou requinte e conforto. Poderá manter seu próprio automóvel na garagem para momentos especiais. Mas, se não faz questão de estar sempre ao volante da sua própria “máquina” e até curte variar de modelos,  locadoras no Brasil já oferecem automóveis premium como Mercedes, BMW, Audi, Jaguar, Volvo e Land Rover.

Num futuro não muito distante, as fábricas vão se dedicar a atender grandes frotas de locadoras e aplicativos do tipo Uber. Empresas com know-how na compra e administração de estoque de milhares de veículos. Especialistas no atendimento do cliente ao alugar o novo e vender o seminovo. Em lidar com a manutenção para evitar problemas com os usuários.

As grandes empresas de locação e aplicativos já estão cruzando sistemas e se preparando para gerenciar a mobilidade individual a médio ou longo prazo. Em mercados com ou sem elétricos ou híbridos. Com ou sem autônomos.

Eu conversava outro dia com um amigo do setor de locação de automóveis. E lhe perguntei o tamanho da encrenca que administra no dia a dia. “Quer ter ideia das nossas dimensões? Somando as duas pontas, da compra de novos e venda de seminovos, negociamos mais de 1.000 automóveis diariamente”. Ou seja, pronto para assumir os novos tempos que apontam muito mais para o uso do que a posse do automóvel.

BF

A coluna “Opinião de Boris Feldman” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

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