Não é de hoje que o leitor ou leitora do AE sabe da minha admiração e de todos os nossos editores pelas peruas. Não se trata de mero diletantismo ou implicância gratuita com as fabricantes aqui instaladas por estarem acabando ou terem acabado com a oferta de peruas no nosso mercado. Quando se pega uma como esta Golf Variant Comfortline 1,4 TSI fabricada no México, essa certeza só cresce.

Nem vou realçar o aspecto estética, uma questão eminentemente pessoal (embora a ache bela e elegante), mas o quão boa e prática é. Afinal, num carro de 4.567 mm dispor-se de 605 litros de volume de porta-malas, cujo assoalho mede 1.055 mm de comprimento ou 1.831 mm até os bancos dianteiros, deve ser, ou deveria, fator de escolha de um automóvel para muitos. Mas não é só isso.

A Variant é um Golf na sua essência, um carro lançado em 1974 e que já chegou à marca 34 milhões de unidades produzidas com exatamente a mesma configuração de motor transversal e tração dianteiros. Portanto, além dos atributos esse volume todo alguma coisa significa.

No Brasil vende pouco. Em 2017 ficou em 118º lugar na lista dos mais vendidos, com apenas 630 unidades, o que representa na média parcos 52 veículos por mês. Claro, além da mudança na preferência do consumidor pelos suves, um fato incontestável, pesa contra o Golf e sua versão perua a sempre sensível questão preço.

A Comfortline testada tem preço público sugerido de R$ 102.990. Mais o teto solar panorâmico de R$ 6.400 e rodas de liga de alumínio de 17″ com pneus 225/45R17W, de R$ 2.450, chega-se a R$ 111.930. Não é todo mundo que pode dispor dessa importância para comprar o seu carro e que não tem a “imponência almejada” de um suve ou crossover. Contra os desígnios do Rei Mercado não há argumento. Mas isso não impede que aqui se faça uma análise fria e sobretudo racional da Golf Variant.

O que muitos procuram e admiram num carro ela tem. Sua condução é a mais agradável que se pode imaginar, de dar pena estacioná-la na garagem, tipo “quero mais”. Isso porque o ambiente interno é muito agradável à vista, dando impressão que o desenhista do package, do interior, conhece pessoas como eu e tomou isso como objetivo principal. A sensação que dá é de se estar em casa.

Além do enorme compartimento de bagagem, o espaço interno é bom para cinco adultos, e passa com louvor no teste do “eu atrás de mim”.

Eu “atrás de mim”, bom espaço para pernas e cabeça

Tudo, bancos, comandos manuais, volante de direção, pedais, apoio para o pé esquerdo, interruptores, controles, multimídia, é irrepreensível — só falta mesmo a bendita faixa degradê no para-brisa.

E tem o lado dinâmico, com motor, transmissão, chassi, freios (a disco nas quatro rodas) funcionando de modo absolutamente harmônico, “imexível”. O motor turbo de 1,4 litro ganhou 10 cv e agora desenvolve 150 cv entre 4.500 e 5.500 rpm, com qualquer combustível, e o torque, sem alteração, de 25,5 m·kgf, de 1.500 a 4.500 rpm.

O câmbio automático não é mais o DSG dupla-embreagem de sete marchas, com já havíamos dirigido em 2015, mas o bom epicíclico Aisin de seis marchas. Não é a mesma coisa? Claro que não, mas nem por isso a desenvoltura da Variant sofre.

A mudança de câmbio nem resultou em perda de desempenho, já que o motor está 7,1% mais potente. O 0 a 100 km/h era em 9,5 segundos (motor “inflex”), agora é em 9,2/9,1 segundos. O mesmo com a velocidade máxima, era 205 km/h, passou a 206/207 km/h. A 120 km/h em sétima o motor girava a 2.300 rpm, hoje é 2.250 rpm.

Nem o consumo se alterou tanto, como era de esperar. Antes, 11,7 km/l na cidade e 13,3 km/l na estrada, enquanto hoje é 11,1/13, mesma ordem (números Inmetro).

Fazia frio domingo passado na Estrada do Romeiros

Por falar em consumo, no domingo passado eu e o Paulo Keller terminamos a sessão de foto e gravação do vídeo na Estrada dos Romeios, e iniciamos o caminho de volta para casa. Vínhamos conversando e ajustei o controle de cruzeiro para 105 km/h, seguindo o fluxo, com ar-condicionado estava ligado. Tomamos um susto: até sairmos da marginal do Pinheiros para largar o Paulo em casa o computador de bordo, neste percurso, indicou consumo médio de  21,4 km/l (gasolina).

Consumo nesse trecho impressionou

Portanto, na troca de câmbio não houve prejuízo para o comprador da Golf Wagon de hoje, fora que os câmbios epicíclicos Aisin gozam de excelente reputação.

Outra diferença entre o antes e agora é a suspensão traseira que deixou de ser independente multibraço para dar lugar ao eixo de torção. A multibraço é superior? Sem dúvida, especialmente nas curvas de raio longo feitas em velocidade bem alta. Mas o fato incontestável é que mesmo com o eixo de torção o DNA da marca em comportamento dinâmico está mantido na íntegra, especialmente levando em conta as velocidades mais baixas praticadas no Brasil.

O “coração” da Golf Wagon já era bom e ficou ainda melhor: 150 cv, 107,5 cv/l

Esse tipo de suspensão traseira, praticamente universal, resulta em menos manutenção por ter menos pontos de articulação e também por não requerer operação de alinhamento de rodas por toda a vida do veículo.

Como já adiantei na matéria de lançamento dias atrás, Golf Variant passou a ser equipada com volante multifuncional revestido de couro e com borboletas para trocas de marcha; sensores de chuva e crepuscular e sistema de luz de aproximação e acompanhamento pelos faróis acesos por determinado tempo, programável pelo computador de bordo.Também passam a trazer espelho interno eletrocrômico, controlador automático de velocidade de cruzeiro e câmeras traseira e dianteira. As rodas de liga de alumínio de 16 polegadas são novas, com desenho Venturi, e as lanternas traseiras são de LED.

Flagrei o PK trabalhando na traseira da Golf Wagon!

Todos esses itens se somam às sete bolsas infláveis; sensores de estacionamento dianteiros e traseiros; bloqueio eletrônico do diferencial mais vetoração por torque; controle eletrônico de estabilidade e tração, e ar-condicionado automático de zona única com saída para o espaço traseiro.

O kit multimídia Composition Media é eficaz a prático de usar. A conexão de telefone é fácil e rápida. Mas não tem navegador, devendo-se espelhar o celular e usar aplicativo como o Waze (espelhamentos Android Auto e Apple CarPlay).

 

Como anda

Usando a Golf Variant no dia e dirigindo-a em teste na Estrada dos Romeiros nota-se a excelência de sua construção e a sua precisão geral. A obediência aos comandos é elevada, especialmente ao andar mais rapidamente.

O rodar é firme e controlado sem mostrar desconforto, a calibração de toda a suspensão é como deve ser para quem faz questão de qualidade de rodagem. A direção eletroassistida é das melhores em sensibilidade, indexação à velocidade, centro definido e relação.

O câmbio tem as posições P-R-N-D/S, fácil de usar, mais o canal à direita para trocas manuais (sobe marcha para frente, como me apraz), o que pode ser feito também pelas borboletas. Nas reduções  há a aceleração interina muito bem calculada, para trocas absolutamente suaves. No painel a marcha em uso é indicada, seja em modo automático ou manual. As trocas ascendentes se dão sempre a 5.800-6.000 rpm, independente do modo de operação do câmbio selecionado, e em Drive consegue-se retomar velocidade sem incorrer em redução de marcha. O motor se faz presente com ótimas acelerações e retomadas.

Não poderia faltar a “Foto AE”

Os freios a disco nas quatro rodas modulam e agem como a mente espera, apesar de ter havido redução de diâmetro dos discos traseiros, de 272 para 253 mm; os dianteiros não mudaram, 288 mm de diâmetro.

O rodar é bastante silencioso tanto na cabine quanto à baixa rumorosidade de trabalho das suspensões. Tudo, posição de dirigir, desempenho, comportamento dinâmico, são ingredientes para percorrer longas distâncias sem fadiga. A Golf Variant deve proporcionar só alegrias para seu dono ou dona.

A lista de equipamentos publicada após a ficha técnica merece ser lida com atenção para melhor ideia do que relatei. E na sequência, mais algumas fotos.

Francamente, os brasileiros não sabem o que estão perdendo.

Assista ao vídeo:

BS

 

FICHA TÉCNICA VW GOLF VARIANT 1,4 TSI COMFORTLINE 2018
MOTOR
Designação EA211 R4
Descição 4-cilindros, transversal, bloco e cabeçote de alumínio, duplo comando de válvulas, 4 válvulas por cilindro, atuação indireta por alavanca-dedo roletada com fulcrum hidráulico, correia dentada, variador de fase admissão e escapamento, injeção direta, turbocompressor com interresfriador, flex
Diâmetro x curso (mm) 74,5 x 80
Cilindrada (cm³) 1.395
Taxa de compressão (:1) 10
Potência máxima (cv/rpm, G/A) 150/4.500-5.500
Torque máximo (m·kgf/rpm, G/A_ 25,5/1.500-4.500
Comprimento de biela (mm) 140
Relação r/l 0,285
Corte de rotação 6.500 (teórico, com câmbio automático não chega a tanto)
Formação de mistura Injeção direta
Gerenciamento do motor Bosch MED
TRANSMISSÃO
Câmbio Transeixo dianteiro com câmbio automático epicíclico Aisin AQ250 de seis marchas marchas à frente e ré, tração dianteira
Estol do conversor de torque (rpm) 2.400
Relações das marchas (:1) 1ª 4,459; 2ª 2,508; 3ª 1,556; 4ª 1,142; 5ª 0,851; 6ª 0,672; ré 3,185
Relações da diferencial (:1) 3,234
SUSPENSÃO
Dianteira Independente, McPherson, mola helicoidal, amortecedor pressurizado e barra estabilizadora de Ø 24 mm
Traseira Eixo de torção, mola helicoidal e amortecedor
DIREÇÃO
Tipo Pinhão e cremalheira, eletroassistida indexada à velocidade
Diâmetro mín. de curva (m) 10,9
Relação de direção (média, :1) 13,6
N° de voltas entre batentes 2,8
FREIOS
De serviço Hidráulico, duplo-circuito em diagonal, servoassistido a vácuo
Dianteiros (Ø mm) Disco ventilado/288
Traseiros (Ø mm) Disco/253
Controle ABS, EBD e assistência à frenagem
RODAS E PNEUS
Rodas Alumínio 6,5Jx16, inclusive estepe (opcional: 7Jx17)
Pneus 205/55R16V (opcional: 225/45R17W, inclusive estepe)
Marca e tipo no carro testado Dunlop Sport Maxx de baixo atrito de rolamento
PESOS (kg)
Em ordem de marcha 1.312
Carga máxima 548
CONSTRUÇÃO
Tipo Monobloco em aço, perua 4-portas, 5 lugares, subchassi dianteiro
AERODINÂMICA
Coeficiente de arrasto (Cx, estimado) 0,30
Área frontal calculada (m²) 2,112
Área frontal corrigida (m²) 0,633
DIMENSÕES EXTERNAS (mm)
Comprimento 4.567
Largura sem/com espelhos 1.799 / 2.027
Altura 1.468
Distância entre eixos 2.637
Bitola dianteira/traseira 1.549/1.519
CAPACIDADES (L)
Porta-malas 605
Tanque de combustível 50
DESEMPENHO
Aceleração 0-100 km/h (s, G/A) 9,2/9,1
Velocidade máxima (km/h, G/A) 206/207
CONSUMO DE COMBUSTÍVEL INMETRO/PBEV
Cidade (km/l, G/A) 11,1/7,5
Estrada (km/l, G/A 13/7,5
CÁLCULOS DE CÂMBIO
v/1000 em 6ª (km/h) 53,4
Rotação em 6ª a 120 km/h (rpm) 2.250
Rotação em vel. máxima, 5ª (rpm) 4.900

 

EQUIPAMENTOS GOLF VARIANT COMFORTLINE 1,4 TSI 2018
INTERIOR
Alças de teto (4)
Apliques cromados no interruptor de luzes
Aros cromados nas saídas de ar do painel
Bancos dianteiros com ajuste manual de altura
Bancos revestidos de tecido
Bolsas porta-revistas nos encostos dos bancos dianteiros
Botões de ajuste dos espelhos e comando dos vidros com apliques cromados
Cobertura rígida removível do compartimento de bagagem com local para armazenagem
Descansa-braço dianteiro com porta-objetos e ajuste  de altura e longitudinal
Encosto do banco traseiro dividido 40:60
Engates Isofix com ponto de fixação superior para dois bancos infantis
Faixa decorativa no painel e no revestimento das portas
Ganchos para sacolas no compartimento de bagagem
Porta-copos na dianteira (2) e na traseira (2)
Porta-luvas com chave, iluminado e saída de ar-condicionado
Porta-objetos nas portas
Quatro pontos para amarração da carga no compartimento de bagagem
Revestimento do porta-malas com compartimento adicional lateral
Sobretapetes na dianteira e na traseira
Volante de direção e manopla da alavanca seletora de câmbio em couro
EXTERIOR
Bagageiros de teto em cor preta
Carcaça dos espelho e maçanetas externas na cor da carroceria
Desembaçador do vidro traseiro
Faróis e luz traseira de neblina; luz de conversão estática pelo faróis de neblina
Faróis halógenos com  indicadores de direção integrados
Grade dianteira com moldura cromada na parte inferior
Grade do radiador preta e entradas de ar com insertos cromados
Luz de rodagem diurna em LED
Para-choques na cor da carroceria
Repetidoras dos indicadores de direção nos espelhos
Rodas de alumínio “Dover”, 16″, pneus 205/55R16V
Tampa do compartimento de bagagem com defletor integrado
Vidros esverdeados com isolamento térmico
ITENS FUNCIONAIS
Acesso ao compartimento de bagagem pelo encosto do banco traseiro
Acionamento elétrico dos quatro vidros um-toque descer/subir
Ajuste de altura e distância do volante de direção
Alarme com controle remoto sem-chave chave tipo canivete
Alerta de pressão dos pneus
Alerta sonoro de cintos dianteiros desatados
Alerta sonoro de faróis ligados
Ar-condicionado digital bizona Climatic com filtro de poeira e pólen e saída para o banco traseiro
Assistente de partida em aclives (mantém veículo imóvel por 2 segundos)
Bloqueador de diferencial com vetoração de torque
Bolsas infláveis frontais (obrigatórias), laterais, de cortina e de joelho para o motorista
Borboletas no volante para trocas de marchas manuais sequenciais
Câmera traseira e dianteira com linhas de trajetória e sensores de obstáculos traseiro e dianteiro
Cintos de três pontos e apoios de cabeça para os passageiros traseiros (3)
Cintos dianteiros com ajuste de altura e pré-tensionadores
Controlador automático de velocidade de cruzeiro comando no volante
Controle de estabilidade e tração (desligável pelo menu no multimídia)
Direção eletroassistida indexada à velocidade
Espelhos externos com aquecimento e direito com orientação para baixo ao engatar ré
Freio de estacionamento mecânico por alavanca entre os bancos dianteiros
Freios a disco nas quatro rodas (dianteiros ventilados)
Função de faróis ligados ao se aproximar/afastar do veículo
I-System
Iluminação ambiente
Imobilizador de motor
Luzes de leitura dianteiras em LED
Mostrador multifuncional com computador de bordo Plus
Para-sóis dobráveis com espelhos iluminados
Pisca-3 para mudanças de faixa
Rádio/toca-CD “Composition Media” com entrada para iPod, tela tátil de 8 pol. e com sensor de aproximação, App-Connect, Bluetooth, SD Card, conexão USB e Aux-in, espelhamento Apple CarPlay e Android Auto, e 8 alto-falantes
Retrovisor interno eletrocrômico
Sensores de chuva e crepuscular
Sistema desliga-liga motor nas paradas com interruptor de desligamento
Soltura dos encostos do banco traseiro por controle remoto mecânico (2 lados)
Sustentação do capô aberto por mola a gás
Terceira luz de freio a LED
Tomada de 12 V e iluminação do porta-malas
Travas de portas e da tampa traseira elétricas com controle remoto
Volante multifuncional em couro
OPCIONAIS
Rodas de liga de alumínio 17″ “Madrid” com pneus 245/45R17W – R$ 2.450
Teto solar panorâmico elétrico – R$ 6.400

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