Não havia como. Após viajar com o Range Rover Vogue tive que designá-lo como um supersuve. Assim como existem os esportivos e os superesportivos — termo que nasceu quando o Lamborghini Miura foi lançado em 1967 —, hoje existem suves e supersuves, e este é um dos poucos deles, pois atingiu qualidades superlativas.

O que mais impressiona é a suspensão. É diferente. Parece estarmos sobre um colchão de ar. E ela é a ar, mesmo. Em complemento à suspensão independente nas quatro rodas com molas pneumáticas, seus amortecedores têm carga continuamente variável. Os movimentos do veículo são monitorados 500 vezes por segundo e instantaneamente o sistema adapta a suspensão para que o veículo seja o mais macio e estável possível, e é o que ele é.

Posição perfeita para dirigir; seletor do câmbio é giratório e seu botão (círculo maior no console) fica retraído com motor desligado, como estava no momento da foto: ao ligá-lo o botão salta para poder ser manuseado

Esse monitoramento significa que a 120 km/h há uma leitura a cada 6,6 cm percorridos. Essa variação instantânea é sentida, por exemplo, ao se topar com as execráveis lombadas cruzando a estrada. Você vem viajando com suavidade e mesmo assim sentindo a firmeza no comportamento de suspensão, com pouca rolagem nas curvas, reações rápidas ao volante, e aí aparece uma lombada. Você, claro, diminui a velocidade e as rodas dianteiras topam com a danada. Pelo comportamento anterior, você imagina que virá um certo tranco na dianteira, porém ele não vem e a suspensão engole a lombada com suavidade muito maior do que a esperada. O sistema instantaneamente “leu” o que estava acontecendo e mudou a carga dos amortecedores. Funciona.

Com “os pés” no chão, é o que mais se aproxima de viajar de Boeing 747

É um Boeing, como costumamos dizer. É grande e pesado, porém o motor V-6 turbodiesel de 3 litros, de 258 cv a 3.750 rpm, tem 61,2 m·kgf de torque, e esse imenso torque máximo forma um patamar que vai de 1.750 a 2.250 rpm. A consequência é que ao acelerá-lo a sensação de empuxo que vem nos faz lembrar a decolagem de um Boeing 747, em que só olhando pela janela lateral é que percebemos o quão rápido estamos acelerando.

O isolamento da cabine é de câmara hiperbárica. Fecham-se as portas e, tuff, o som lá de fora fica lá fora. Dentro, o silêncio. O pouco que se ouve do motor em aceleração não se assemelha a motores diesel. Parece mais um V-6 a gasolina, encorpado, grave e potente, e sem as costumeiras aspereza e vibração dos diesel. Então é ficar atento ao velocímetro — que, por sinal, tem mostrador exemplar: fundo preto com ponteiro branco —, pois tudo no Range Rover Vogue nos leva a perder a noção da velocidade: sua massa, a altura em que nos posicionamos, o silêncio, a maciez da suspensão, seu isolamento, sua consistência na estrada.

Motor V-6 turbodiesel com elevado torque e suavidade de motor a gasolina

Tudo isso somado faz dele um veículo superlativo em conforto de viagem. Não cansa ninguém lá dentro, nem o motorista, nem seus passageiros. Há espaço e conforto de sobra para todos. Seu espaço no banco traseiro me fez lembrar das várias broncas que a Rolls-Royce levou de seus fiéis lordes compradores quando resolveu modernizar suas linhas baixando o teto dos modelos. A bronca vinha dos lordes terem que tirar a cartola para ali sentarem, o que era um vexame, ainda mais que isso seria visto de fora, já que nunca que eles colocariam filmes escuros bregas nos vidros. No Range Rover Vogue quase que dá para não tirar a cartola, de tanto espaço que sobra sobre nossas cabeças.

É um veículo grande e que, além disso, aproveita muito bem o espaço interno

O banco do motorista, assim como o do carona, tem regulagem elétrica. À primeira sentada não contive a exclamação: “Nossa! Que banco!”, pois parece uma poltrona feita sob medida. Uma vez ele acertado para a melhor posição de dirigir, nunca mais nele mexi. O volante tem regulagem de altura e distância, também elétrica. Bom, leitor, para economizar nosso tempo, talvez o melhor seja dizer o seguinte: pense em algum recurso que ele poderia ter, e ele o tem, e o tem bem feito, bem pensado. Se você achar que lhe falta algo, o mais provável é que a culpa seja sua por ainda não tê-lo encontrado. Eu encontrei um que lhe falta: o teto é só panorâmico, não se abre como teto solar. Provavelmente seu tipo de cliente não gosta disso como particularmente gosto.

Porta-malas de 784 litros e tanque de combustível com 89 litros, longos estirões é com ele mesmo; aqui apareço testando a chapa terminal traseira para se ter onde sentar: prático

Faz, segundo a fábrica, o 0 a 100 km/h em 7,9 segundos e atinge máxima de 210 km/h. Um tremendo desempenho para um veículo de 2.134 kg com formas e tamanho nada aerodinâmicos. Porém no mundo existem pessoas que acham isso ainda pouco e estão dispostas a pagar além dos R$ 592.200, o que custa esta versão Vogue, para ter ainda mais desempenho. Para estes, que só se satisfazem com hipermegasuves, a Range Rover tem as versões mais potentes, como a SDV8 Vogue SE 4,4 Diesel com 339 cv, por R$ 707.600, e a SDV8 Autobiography 4.4 Diesel, também de 339 cv, por R$ 758.100. A estes, também um Boeing 747 deve não bastar.

Luxo e bom gosto, coisas que, combinadas, só a tradição confere

Particularmente não vejo muita vantagem num maior desempenho do que este tem a oferecer. Pareceu-me perfeitamente capaz de ultrapassagens muito rápidas e seguras, e também capaz de cruzar tranquilamente, como num céu de brigadeiro, a mais de 160 km/h. Além do mais, como já descrevi acima, o conjunto é justamente feito para que não sintamos sensação alguma além da placidez ao rodar. Então para que correr tanto com um veículo assim? Para isso, para uma saborosa e refinada sensação de velocidade, a irmã Jaguar tem os especialmente feitos F-type.

Este exemplar veio com rodas de 22 polegadas. Consequentemente os pneus têm perfil baixo, são 275/40R22Y. Lindas elas são, não resta dúvida, porém as rodas padrão, de 20 polegadas e com pneus de perfil mais alto (255/55R20), me parecem mais adequadas ao conjunto desta versão Vogue, e são tão bonitas quanto. As de aro 22 não são apropriadas para cair em nossos buracos e também transmitem leve aspereza ao rodar, portanto, combinam melhor com as versões mais potentes.

Suspensão varia sua altura em 7 cm; atravessa alagados com até 90 cm de profundidade

A suspensão é de alumínio, leve, e tem curso longo, sendo por triângulos superpostos na dianteira e multibraço na traseira. A carroceria monobloco é de alumínio.

E o incrível deste supersuve é que apesar dessa sua perfeita adaptabilidade em viajar em alta velocidade ele continua a manter a tradição de ser um “superjipe” que encara qualquer terreno. Pode atravessar alagamentos com até 900 mm de profundidade, e para isso conta com um sonar que nos sobre a profundidade adiante. A suspensão a ar altera sua altura elevando o vão livre do eixo dianteiro de 221 mm para 291 mm e o traseiro de 235 mm para 310 mm, o que altera seu ângulo de ataque de 26° para 34,7° e ângulo de saída de 24,6° para 29,6°. A tração, obviamente, é nas 4 rodas permanente.

Estepe idêntico às rodas e pneus em uso

Sua capacidade de reboque é de até 3.500 kg, o que permite puxar com facilidade uma carreta com dois cavalos ou mesmo uma boa lancha. E na tela do painel há auxílio às manobras com a carreta, que prevê sua trajetória nas manobras de ré. Inclua aí a assistência de estabilidade da carreta, que seletivamente freia uma ou outra roda para evitar que a carreta entre em pêndulo.

O câmbio automático epicíclico ZF tem 8 marchas. Há borboletas para mudanças manuais, que só são aceitas quando o câmbio é colocado no modo S, Sport, porém, de tão bem programado que o câmbio está, não vejo necessidade, além da psicológica, de usá-las. Caso as use, verá que nas reduções há exata aceleração interina para que elas saiam extremamente suaves. No modo Sport há sensível mudança de comportamento do motor e câmbio. Numa descida de serra ele se mostrou ideal, por reter as marchas com mais rigidez. Os freios, todos, são a disco ventilado; suaves e de fácil dosagem. Freia, e muito.

Mostrador parece analógico, porém é digital. O consumo indicado, de 10,7 km/l, é em uso urbano

Quanto à suspensão e tração, há cinco configurações de condução: a Geral, ou seja, que se adapta automaticamente conforme o sistema detecta a situação, a Grama/Neve/Cascalho, a Lama/Sulcos, a Areia e a Pedras. Cada uma adequa motor, câmbio, resposta de direção, rolagem, diferencial central, suspensão, etc., para cada situação. E aqui vai um conselho grátis: em qualquer delas deixe no Geral e boa.

Adivinhe porque esta versão é chamada de Black…

O tanque leva 89 litros e o consumo de diesel, segundo o Inmetro, até que é módico, se levarmos em conta seu peso e arrasto aerodinâmico: 9,8 km/l na cidade e 12,3 km/l na estrada. Comigo o consumo foi ainda menor. Uma autonomia de uns 1.000 km na estrada — mil quilômetros que passarão por baixo sem que se perceba.

AK

Veja o vídeo:

 

FICHA TÉCNICA RANGE ROVER VOGUE TDV6 BLACK AUTO 4WD
MOTOR
Designação LR TDV6
Descrição V-6 turbodiesel a 60º, longitudinal, bloco de ferro fundido, cabeçotes de alumínio, duplo comando de válvulas, corrente, 4 válvulas por cilindro, dois turbocompressores de geometria variável (VGT), dois interresfriadores
Cilindrada (cm³) 2.993
Diâmetro e curso (mm) 84 x 90
Taxa de compressão (:1) 16,1
Potência máxima (cv/rpm) 258/3.750
Torque máximo (m·kgf/rpm) 61,2/1.750 a 2.250
Formação de mistura Injeção direta, galeria
Combustível Diesel S-10
SISTEMA ELÉTRICO
Tensão (V) 12
Alternador (A) 150
Bateria (A·h) 90
TRANSMISSÃO
Câmbio Automático, ZF 8HP70, 8 marchas mais ré, tração integral permanente
Relações das marchas ):1) 1ª – 4,714; 2ª 3,141; 3ª2,106; 4ª 1,667; 5ª 1,285; 6ª 1,000 (direta); 7ª 0,838; 8ª 0,667; ré 2,300
Relação de diferencial (:1) 3,32
SUSPENSÃO
Dianteira Independente, triângulos superpostos, mola pneumática, amortecedor de carga variável e barra estabilizadora
Traseira Independente, multibraço, mola pneumática, amortecedor de carga variável e barra estabilizadora
DIREÇÃO
Tipo Pinhão e cremalheira, eletroassistida indexada à velocidade
Relação de direção (:1) 14
Voltas entre batentes 3
Diâmetro mínimo de curva (m) 12,1
FREIOS
Dianteiros (Ø mm) Disco ventilado/349
Traseiros (Ø mm) Disco ventilado/325
Controle ABS (obrigatório) e EBD (distribuição eletrônica das forças de frenagem) e assistência a frenagem de emergência
Fabricante do ABS Teves
RODAS E PNEUS
Rodas Liga de alumínio, 8Jx22
Pneus 275/40R22Y
AERODINÂMICA
Coeficiente aerodinâmico (Cx) 0,34
Área frontal calculada (m²) 3,258
Área frontal corrigida (Cx x A, m²) 1,108
CONSTRUÇÃO
Tipo Monobloco em alumínio, suve, 4 portas, 5 lugares, subchassi dianteiro e traseiro
CAPACIDADES (L)
Porta-malas 784
Tanque de combustível 89
PESOS (kg)
Em ordem de marcha 2.134
Carga útil 890
DIMENSÕES (mm)
Comprimento 4.999
Largura sem/com espelhos 1.999/2.220
Altura 1.835
Distância entre eixos 2.922
Bitola dianteira/traseira 1.690
Distância mínima do solo No eixo dianteiro 221~291; no eixo traseiro 235 ~310
APTIDÃO OFF-ROAD
Ângulo de entrada (º) 26~34,7
Ângulo  de saída (º) 24,6~29,6
Ângulo de rampa (º) 28,3~n.d.
Profundidade de vau (mm) 900
DESEMPENHO
Aceleração 0-100 km/h (s) 7,9
Velocidade máxima (km/h) 210
CONSUMO DE COMBUSTÍVEL INMETRO/PBVE
Cidade (km/l) 9,8
Estrada (km/l 12,3
CÁLCULOS DE CÂMBIO
v/1000 em 8ª (km/h) 64,3
Rotação a 120 km/h em 8ª (rpm) 1.900
Rotação à vel. máxima, 7ª  (rpm) 4.100

 

EQUIPAMENTOS RANGE ROVER VOGUE TDV6 BLACK AUTO 4WD
EXTERIOR
Acionamento elétrico dos vidros dianteiros e traseiros com fechamento remoto eletrônico (fechamento global)
Assistente de farol alto automático
Desembaçador do vidro traseiro
Faróis de neblina
Faróis de xenônio automáticos com assinatura em LED e lavadores
Lanternas traseiras em LED
Lavador e limpador do vidro traseiro
Para-brisa acústico
Para-brisa térmico, vidro laminado repelente de água nas portas dianteiras e laminado nas portas traseiras e vigias traseiras
Posicionamento dos limpadores para dias frios
Retrovisores externos de rebatimento elétrico ajustáveis, com antiofuscamento, aquecimento e luzes de acesso (as luzes de acesso incluem a marca Range Rover iluminada)
Sensor de chuva
Sensores de estacionamento dianteiros e traseiros com câmera de ré
Sistema Keyless – Entrada e partida sem chave
Teto solar panorâmico fixo
DINÂMICA DE TRANSMISSÃO E CONDUÇÃO
Ajuste automático de altura de acesso ao veículo
Assistência à estabilidade de trailer
Assistência a frenagem de emergência
Câmbio automático de 8 marchas com Terrain Response 2
Controle de descida
Controle de estabilidade
Controle de estabilidade anticapotagem
Controle de frenagem em curva
Controle de tração
Dinâmica adaptativa
Direção eletroassistida
Dispositivo de proteção contra erro de abastecimento de diesel
Distribuição eletrônica das forças de Frenagem
Filtro de partículas de diesel
Freio de estacionamento elétrico
Resposta reativa a atolamento
Saída com baixa aderência
Seletor de condução giratório
Sistema Antitravamento dos Freios (ABS)
Stop/Start inteligente
Suspensão pneumático com controle eletrônico
EQUIPAMENTO INTERIOR
Controle de temperatura trizona
Para-sol de lâmina dupla com espelhos de cortesia iluminados
Placas das soleiras dianteiras de alumínio com inscrição ‘Range Rover’
Retrovisor interno antiofuscante automático
Tapetes de carpete dianteiros e traseiros
Volante com aquecimento
SEGURANÇA E PROTEÇÃO
Limitador ativo de velocidade
Acionamento do pisca-alerta em caso de frenagem brusca
Aviso de saída de faixa
Bolsas infláveis para motorista e passageiro (frontais, laterais, tórax e pelve)
Ponto de entrada no veículo único, configurável pelo cliente
Sensor de intrusão
Travas eletrônicas para crianças
MULTIMÍDIA
Bluetooth
Central de Informações All-Terrain
Controle por voz – controle Intuitivo por voz “Diga o que você vê”
Painel de instrumentos virtual com tela em TFT/LCD
Sistema de navegação
Sistema de Som Meridian de 380 W
Sistema multimídia InControl Touch Pro com monitor tátil de 10,2″
Tomadas de energia auxiliares (12 V dianteira, segunda fileira, porta-malas)
Tomadas USB
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