A resposta à pergunta de ontem é:  Porsche Panamera. Não tão fácil de descobrir olhando apenas algumas partes do carro, como mostrei ontem.

A primeira versão chegou em 2009 e era tão feio que o Jeremy Clarkson quase vomitou à primeira vista. Pode ser um pouco exagerado, como sempre com o Clarkson,  mas foi igual na primeira geração do Cayenne, os estilistas de Zuffenhausen fizeram a coluna D com formas sem harmonia.  Em 2010 o Cayenne ficou melhor, e mais ou menos um ano atrás chegou uma mudança semelhante no Panamera.

E como no Cayenne, nesses dias o Panamera tem versão híbrida. Esse nas fotos tem um motor de ciclo Otto a gasolina, V-6 de 2,9 litros com potência de 330 cv, e também um motor elétrico com 136 cv. Potência total 462 cv (onde os 4 cv que faltam na soma estão não dizem) e um torque de 71,4 m·kgf. Nada mau. Alguém acha pouco? Há outra versão híbrida também, com motor V-8 de uns 550 cv. Efeito total: 680 cv e 86,7 m·kgf.

 

Mesmo que fosse a versão com só uns 460 cv, com certeza fica-se curioso em dirigir um carro desse. Já entrando no carro, manobrando a porta, sente-se que ela não tem um limitador normal. No Panamera a porta fica parada onde você a deixa, o sistema é elétrico, igual a um Rolls-Royce moderno. Na hora de fechar a porta a força na mão não é muito alta, tudo normal. Como funciona se tem um vento forte não sei. Quem sabe se há algum sensor do vento para isso?

Bem sentado no banco atrás do volante, tudo é como em um Porsche moderno, o painel dos instrumentos tem um conta-giros grande no meio, e aos lado duas telas. Na tela esquerda tem o velocímetro menor, neste caso indo até 300 km/h, e na versão mais potente aos 350 km/h. Na tela à direita tem como escolher muitas informações, incluindo tempos de volta no caso que alguém vai tentar correr com essas duas toneladas num circuito de corrida.

Nessa época de Keyless go a chave fica no bolso. Para fazer o motor pegar só se vira uma chave falsa onde Porsches sempre tiveram a chave, na esquerda do volante. Isso era para ter condição de fazer uma partida de motor mais rápida nas corridas antigas de Le Mans, onde se corria a pé e entrava-se no carro na largada.

 

Para escutar o motor a combustão ligar, tem-se que ter o carro no modo Sport ou Sport Plus. Assim o V-6 acorda com o ronco bastante discreto ou um pouco mais alto. É totalmente silencioso se ficar nos modos híbrido ou puro elétrico. No volante, na posição “quatro horas” tem uma tecla  circular para escolher entre esses quatro modos de dirigir. E no meio desse volantinho dá para apertar um botãozinho. Fazendo isso se fica no modo mais esportivo mas só durante 20 segundos e na tela direita se mostra isso, com contagem regressiva. Depois disso tudo volta ao  modo de antes.

Pelo que entendo quase todos Porsches “normais” têm câmbio robotizado de oito marchas e duas embreagens (PDK, de Porsche Doppelkupplung), da ZF. Só há alguns poucos modelos, como nos 718/911 GTS ou GT3, onde câmbio manual é opcional. A única maneira de trocar marcha “manual” no Panamera é usar as borboletas no volante ou colocar a alavanca para esquerda na posição “M” (com – para frente e + para trás). Num híbrido como esse a troca de marchas fica melhor e mais rápido ainda, pois o sistema tem ajuda do motor elétrico quando o motor combustível está “desligado”, nos milissegundos na troca de marcha.

Quatro escapamentos num V-6? Achei estranho, mas esse carro é assim. O carro tem duas portinholas para abastecer, uma em cada lado, para gasolina e eletricidade.

Dirigindo esse Panamera se sente que a posição de dirigir é bastante baixa e o carro fica muito “plano” e seguro. Pelo tamanho e peso do carro simplesmente só dá para dizer que Porsche é Porsche, desde o 356, Porsches sempre foram uma delícia de dirigir. A única experiência mais longa que eu tive em dirigir Porsche era um 911 do fim dos 70, e esse carro tinha quilometragem muito alta e falta de manutenção.

E então, esse V-6 pequeno, faz algum ronco bom? No modo Sport Plus, sim. Mesmo que eu ache meio sintético, faz ronco com barulhos divertidos nas trocas de marcha. Se esse som é artificial ou não, não sei mas é muito legal de qualquer forma. No Porsche.com.br se pode escutar o ronco de todos Porsches novos, como tem lá no Museu da Porsche.  Entre no car configurator. Lá tem o som, e o Panamera híbrido esta lá fazendo um ronco bastante bom, para mim até um pouco melhor do que lembro na verdade. E as versões que provocam mais sorrisos são os 911 RS, claro. O GT3 sem turbo, e o GT2 com turbo, estão lá também (no site alemão) e é interessante escutar a diferença. Se tivesse o dinheiro eu compraria o GT3 sorrindo, sem dúvida.

E o sistema híbrido? Como em todos carros híbridos modernos, com calma se pode dirigir uns 30 a 40 quilômetros bem em silêncio. Na verdade eu acho isso bastante relaxante e chegando tarde em casa ou saindo bem cedo, por que perturbar os vizinhos? E bem no centro de uma cidade, por que fazer o ar pior ainda? Vamos nos cuidar, não é?

No final da viagem com o Panamera fica-se pensando, para que um Panamera “barato”? Quem compra Porsche tem dinheiro, não? Sem dinheiro, compre um Prius. Mas tendo e necessidade para ter lugar para mais três pessoas às vezes, eu partiria para o híbrido V-8 de 680 cv!. Ronco de V8 às vezes, silencioso às vezes. Às vezes. . . mais do que 300 km/h, sem ver vômito de Jeremy Clarkson, o Porsche Panamera se desenvolveu bem.

Esse Panamera híbrido básico custa pouco mais de 100 mil euros na Europa, e a versão V-8 ao redor de  € 180 mil.

HJ

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