Como vimos, há muitos Fuscas e Kombis que participaram e continuam participando de Copas do Mundo de Futebol “torcendo” aqui no Brasil ou saindo para o estrangeiro. Por onde passam deixam um belo rastro de alegria e continuam a “invadir'” outros países, como o Fusca “Segundinho” do Nauro Júnior que logo, logo chegará à Rússia.

O motivo de estes carros serem tão coloridos parece bastante claro. Porém, uma foto postada no Facebook um pouco antes da Copa de 2014 pelo amigo Panchete Arquila, de Cobán, na Guatemala, chamou-me a atenção. Veja a foto* de abertura desta matéria: ela abriu o leque para eu descobrir uma história emocionante que liga o Fusca à Copa do Mundo, mas de outra maneira. Acho que é fácil descobrir o que despertou a minha curiosidade: um bonito Fusca tatuado no braço direito de um atleta.

Esse atleta é Marcelo Vieira da Silva Júnior, ou simplesmente Marcelo, nascido no dia 12 de maio de 1988, no Rio de Janeiro. Ele defende o Real Madrid desde 2007 e foi convocado pelo técnico  da seleção brasileira, o Tite, para a Copa da Rússia que começa nesta quinta-feira (14/6).

Esta história começa quando o Marcelo era menino e acabou sendo criado por seu avô Pedro Vieira da Silva Filho, o seu Pedro. O Marcelo é filho de pais que nunca viveram juntos, assim o avô Pedro foi, ao mesmo tempo, o pai e a mãe do Marcelo.

O avô Pedro aponta a foto do Marcelo, ainda menino, quando seu talento com a bola foi ficando evidente

O menino Marcelo logo mostrou ter uma grande habilidade com a bola e seu avô o incentivou a começar a participar da escolinha do Clube Helênico, em quadra de tacos de futebol de salão, em Duque de Caxias, região do Grande Rio de Janeiro.

A quadra de tacos do Clube Helênico, em Duque de Caxias

E lá ia o menino com o avô em seu Fusca. “O Helênico foi onde ele começou a aparecer, pois o clube foi campeão no Fraldinha. Aí o Fluminense pegou ele”, lembrava seu Pedro.

O avô Pedro, empolgado, contando as peripécias de neto Marcelo

Aos 14 anos, Marcelo, que já chamava atenção por suas habilidades, foi aprovado pelo Fluminense. Aí a distância a percorrer aumentou bastante. Do distrito de Xerém, em Duque de Caxias, ao bairro do Catete, no Rio de Janeiro, são 50 quilômetros, e o Fusquinha lá firme. Mesmo com o Marcelo tendo que ficar mais tempo fora de casa, pois passava a semana no centro de treinamento do Fluminense e retornava nos fins de semana.

Nesta época, porém, o adolescente Marcelo quis desistir daquela vida para poder ficar mais tempo com os avós e os amigos, para brincar com eles, mas o avô foi categórico e evitou que o Marcelo tomasse aquela decisão. E o avô costumava dizer: “Eu tanto persisti que ele desistiu de desistir. Aí botei ele dentro do Fusca e disse: ‘Vam’bora!’”

Da sacada de seu apartamento o avô Pedro vigiava o seu Fusca, que tinha um lugar cativo na entrada do prédio

O braço direito do Marcelo é do avô Pedro e de um símbolo especial: o Fusca. Pois foi assim que um Fusca acabou tatuado no braço de um futebolista da Copa de 2014 simbolizando o seu agradecimento ao papel que o carro e, em especial seu avô, tiveram em sua vida, permitindo que ele se tornasse um futebolista de renome internacional.

O Fusca na Copa que tem a história mais emocionante: ele representa o avô Pedro e tudo que ele fez para um menino cujos pais não o criaram; o avô dedicou a sua vida ao neto, que lhe é eternamente grato

 

A notícia

Mas em plenos preparativos para o jogo da Copa de 2014 contra a Alemanha, no dia 8 de julho, o destino seria muito duro com Marcelo. No sábado 5 de julho o jogador estava concentrado na Granja Comary, em Teresópolis, cidade serrana do Estado do Rio de Janeiro, quando recebeu a triste notícia da morte de seu avô. Ele havia falecido por volta das 9 horas daquela manhã. Pedro lutava contra um tumor na medula e estava internado na UTI do hospital Barra D’Or, no Rio de Janeiro, com uma complicada pneumonia.

A comissão técnica  prontamente liberou Marcelo para deixar a concentração da seleção brasileira e se juntar à família, mas o lateral não aceitou, decidiu continuar concentrado. A dor lhe era grande, mas naquele momento seu senso profissional falou mais alto.

Marcelo jamais abandonou a memória do avô Pedro, e o Fusquinha tatuado em seu braço direito continuará a homenagear seu querido avô para sempre. Este “Fusca na Copa do Mundo” carregado de emoção é de um tipo todo especial, tem uma linda história e um grande significado.

Antes do falecimento do avô Pedro o fiel Fusquinha ’72 tinha mais de 170.000 km rodados, mas estava firme e forte.

 


 

Aqui termina a trilogia sobre a Fusca e Kombis nas Copas do Mundo de Futebol. Tratamos de fatos passados e de fatos presentes. Como costumo, quem tiver material sobre este assunto que possa ser compartilhado comigo, peço que o envie pelo e-mail alexander.gromow@autoentusiastas.com.br .

AG

 

Créditos & Notas

As fotos desta matéria foram decupadas de vídeos de TV disponíveis na internet, de várias fontes, por exemplo o G1.

(*) – A foto de abertura foi processada para ressaltar o Fusca no braço direito do Marcelo, mas, abaixo, apresento esta foto em sua versão original, que apresenta outras tatuagens do Marcelo Aliás, não é difícil descobrir que ele adora tatuagens:

A intrigante foto que deflagrou a pesquisa que originou esta matéria

Completam esta trilogia as seguintes matérias:
Fuscas e Kombis em Copas do Mundo de Futebol
Incrível: Fusca 68 segue para a Copa da Rússia de navio

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