Conheci a chave presencial combinada com botão de partida na apresentação e teste do Renault Mégane em março de 2006. Pode ter vindo antes em outros carros, mas para o que quero falar é irrelevante quando essa solução surgiu exatamente.

Como tudo que é novo, estranha-se. Nesse caso, de repente não se introduz mais a chave no interruptor de ignição e partida — no “contato”, como se costuma dizer —, não se a gira para acionar o motor de partida e se a segura até que o motor funcione.

Se bem que já existe a partida assistida mesmo com a chave, como nos VW com câmbio robotizado I-Motion. Basta dar uma girada na chave e soltá-la, é desnecessário esperar o motor pegar.

Mas a chave presencial e partida por botão não é por enquanto o natural, embora não leve muito tempo para que se acostume com a solução.

A chave presencial precisa estar por perto, e isso pode-se tanto num porta-objetos no console quando no bolso ou na bolsa. No Renault citado há um fenda para deixar a chave, que tem formato de um cartão de crédito só que algo mais grosso. Nos Porsches há um encaixe para pôr a chave no mesmo lugar de sempre, à esquerda do volante, a partida é premindo a chave nesse alojamento.

Chave-cartão Renault (Foto: Renault)

Estando a chave presencial por perto, basta pisar no pedal de freio e apertar o botão e soltá-lo, o acionamento do motor de partida é assistido também.

Como associada à chave presencial está também o destravar de porta, resulta que o sistema tem sua praticidade inerente e grande utilidade quando, por qualquer motivo, precisa-se entrar no carro rapidamente, ligar o motor e arrancar logo. Pode ser tanto simples pressa quanto uma ameaça de qualquer natureza que a prudência mande sair rapidamente.

 

Os problemas

Como a chave presencial pode ficar no bolso, se o motorista deixa o volante com motor ligado para outra pessoa continuar a usar o veículo, caso de o marido chegar em casa e a esposa precisar ir ao mercado, e ao chegar lá ela desligar o motor pelo botão Start/Stop, não poderá ligá-lo mais. O marido terá que ir ao encontro da esposa.

Ou ao deixar o carro com o manobrista e levar a chave, mesmo problema.

Pior, deixar o carro estacionado e deixá-lo com o motor funcionando sem perceber, o que poder ser perigoso se a garagem residencial tiver comunicação com o resto da casa, uma vez que o monóxido de carbono emitido pelo motor — o gás é absolutamente inodoro — dependendo da concentração pode levar à morte.

Há poucos dias eu soube pela Automotive News casos de pessoas que morreram por esse motivo nos EUA ao esquecerem o motor ligado.

Costuma ser avisado no quadro de instrumentos, por exemplo, que o motor está ligado ao abrir a porta do veículo, mas na pressa de sair a pessoa pode não ver. Ou ao sair e tentar trancar pelo controle remoto a operação ser barrada, mas no caso de garagem coberta e fechada não se tranca o carro.

A coisa é mesmo séria e Ford pensa em adotar desligamento automático do motor após 30 minutos.

Um caso curioso aconteceu com um amigo e colega jornalista que estava com um carro de teste. No percurso de São Paulo a uma cidade do interior deu falta da chave presencial. Como ele sabe que sem a chave por perto o motor, se desligado, não volta a funcionar, ao chegar ao destino — era um almoço — deixou o motor ligado por cerca de três horas (não, não superaqueceu), só desligando-o ao chegar de volta em casa, em São Paulo.

Depois de estacionar na sua vaga na garagem, desligou o motor. Tentou ligá-lo e funcionou. Repetiu a operação algumas vezes e, tudo normal. Era evidente que a chave estava no carro, senão o motor não pegaria.

Pôs-se a procurar a chave, vasculhou o carro todo, olhou em todos os lugares onde a chave poderia estar, e nada.

Certo de que o carro poderia ser usado, apenas não haveria com trancá-ço, usou-o por mais cinco dias normalmente, inclusive deixando-o em estacionamentos pagos.

Quando devolveu o carro à fabricante, avisou que a chave estava no carro, só não sabia onde. Veio um técnico e começou a procura, repetindo o que o amigo havia feito na cidade de interior e na volta, em sua vaga no prédio. Após uns cinco minutos de procura encontrou a chave — ela tinha que estar no carro.

Era um Virtus, e chave havia caído, sem ele perceber, embaixo do banco do passageiro. Por mais que ele — e eu, que também havia ido ao tal almoço — a procurássemos, não a achamos. A chave estava alojada, escondida, sob um espécie de ponte entre o trilho do banco e o assoalho, por isso não sendo visível e nem tateada.

Ainda estou para perguntar à VW se essa ponte é uma solução de “tropicalização” para elevar os bancos considerando a estatura média dos brasileiros ser mais baixa que a dos alemães…

Mas em resposta à pergunta-título, afirmo: a chave presencial é amiga. Depois que se acostuma com ela — e não se a esquece — não há coisa melhor.

BS

 

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