É legal, é um direito, mas imoral, um chefe de executivo renunciar ao cargo para poder ser elegível para outro. Foi o que José Serra (PSDB-SP) fez em 31 de março de 2006, deixar o cargo após 1 ano e 89 dias para se candidatar à presidência nas eleições daquele ano, vencida pelo petista Luiz Inácio L. da Silva, que foi reeleito.

Não só imoral, mas um ato de traição.

José Serra (Foto: Fátima Meira/Futura Press/Folhapress)

Foi o que João Dória Jr.  (PSDB-SP) repetiu hoje (6/3), após 1 ano e 95 dias, para a mesmíssima finalidade, no caso concorrer ao governo do estado de São Paulo em outubro.

Traição porque seus eleitores (não fui um deles, ainda bem!), deram-lhe um voto de confiança pelas urnas em número maciço, dando-lhe a vitória ainda no primeiro turno contra seu principal oponente, o petista e prefeito reinante Fernando Haddad.

Não sou legislador, mas se fosse lutaria para a criação de lei eleitoral determinando que quem fosse eleito para cargo executivo máximo em qualquer nível de administração só pudesse se candidatar novamente decorridos quatro anos do dia da posse.

Mas, chega dessa conversa. O foco dessa matéria é automóvel, em que João Dória Jr. foi omisso e/ou contra o automóvel, tal qual Fernando Haddad.

 

Velocidade e uso das vias

João Dória Jr. prometeu e cumpriu, reviu as velocidades nas marginais dos rios Pinheiros e Tietê, absurdamente reduzidas pelo seu antecessor petista — sim, o que disse publicamente que “o paulistano vai pensar duas vezes antes de tirar o carro da garagem”.

Mas quando, dedutivamente, se esperava que esta revisão de velocidades abrangesse a cidade, Dória Jr. deixou tudo rigorosamente como estava. Virou o “prefeito cinquentinha” ao manter antinaturais as velocidades máximas de toda a cidade, como 50 km/h em vias arteriais como avenidas importantes como a dos Bandeirantes, Jacu Pêssego,  presidente Tancredo Neves, ou 60 km/h no eixo norte-sul da capital, tornando difícil manter velocidade abaixo daquela considerada natural e, claro, levando ao elevado número de multas. Foi omisso, portanto.

Avenida dos Bandeirantes: 50 km/h (Foto: twitter.com)

Dória Jr. inventou em setembro do ano passado a Última Sexta-Feira do Mês Sem Carro no centro da cidade, medida abusiva que não trouxe nenhum resultado prático e só serviu para atrapalhar quem trabalha na região, inclusive os motomensageiros, importantes na vida comercial e de serviços da cidade.

Mais importante na lista de omissões, manteve o famigerado, vergonhoso para os paulistanos e irresponsável rodízio de de veículos, uma medida sem sentido nenhum hoje e não autorizada pelo Código de Trânsito Brasileiro, que só prevê restringir a circulação de veículos quando se tratar de reduzir a emissão global de poluentes.

Recentemente, determinou interdição total ao tráfego de veículos aos sábados no elevado apelidado de “Minhocão” (não vou dizer seu nome atual, o de um presidente esquerdista/esquerdopata e fujão), prejudicando a ligação leste-oeste num dia útil.

“Minhocão” vira área de lazer para os moradores da região e interrompe ligação leste-oeste aos sábados.(Foto: Evelson de Freitas/AE)

Só para lembrar, mesmo não sendo assunto de automóvel, Dória Jr. inventou aquela história de ração feita de produtos alimentícios vencidos para pessoas carentes, a tal farinata, que felizmente não foi adiante. Seria um desrespeito àquelas pessoas.

Por isso João Dória Jr. já vai tarde. E fica a  torcida para que não chegue ao Palácio dos Bandeirantes em outubro.

BS

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Sobre o Autor

Bob Sharp
Editor-Chefe

Um dos ícones do jornalismo especializado em veículos. Seu conhecimento sobre o mundo do automóvel é ímpar. História, técnica, fabricação, mercado, esporte; seja qual for o aspecto, sempre é proveitoso ler o que o Bob tem a dizer. Faz avaliações precisas e esclarecedoras de lançamentos, conta interessantes histórias vividas por ele, muitas delas nas pistas, já que foi um bem sucedido piloto profissional por 25 anos, e aborda questões quotidianas sobre o cidadão motorizado. É o editor-chefe e revisor das postagens de todos os editores.

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