Faleceu dia 8 passado o britânico John Jeremy Miles, nascido em 14 de junho de 1943, engenheiro mecânico que se tornou piloto de corridas. Depois de vencer alguns campeonatos de carros esporte, chegou à Fórmula 1, guiando pela equipe de Colin Chapman, a Lotus.

Chapman nunca o considerou um piloto de ponta, mas não havia como negar sua habilidade notável para desenvolver carros problemáticos, tanto que depois de deixar de pilotar, retornou à equipe como engenheiro.

Sua carreira começou em 1963, vencendo com um Diva GT no primeiro ano em que participou de forma integral de um campeonato. No ano seguinte repetiu o Campeonato Redex, e venceu de novo. Em 1966 ele começou a correr com Lotus Elan, em uma equipe administrada por John Willment.

Venceu o Autosport Championship, com 15 vitórias em 17 corridas. Passou depois a pilotar um Lotus Europa (ou 47), antes de passar à Fórmula 3, andando com Lotus 41.

Em 1969 um fato interessante o colocou em uma prova de F-1 pela Lotus, onde já era piloto de desenvolvimento. O Modelo 63 4WD foi um dos primeiros com tração nas 4 rodas, e nem Jochen Rindt nem Graham Hill quiseram correr com o carro, e a tarefa foi dada a Miles, que estreou na França, com quebra da bomba de gasolina. Na prova da Inglaterra, porém, Miles conseguiu um décimo lugar no carro cheio de problemas. Três corridas subsequentes terminaram em falhas diversas, e o carro não terminou. Mario Andretti, já naquela época uma grande estrela da F-1, usou o carro em duas corridas também, e não terminou nenhuma, ajudando Chapman a concluir que o projeto não tinha futuro bom.

Em 1970, depois do acidente de Hill no final do ano anterior, Miles foi colocado como segundo piloto, com Rindt sendo o número 1. Mesmo assim, chegou em quinto na estreia na África do Sul, mas logo chegaria à equipe Emerson Fittipaldi, que corria com um terceiro carro.

No GP da Itália, em Monza, Chapman ordenou que Miles e Rindt corressem sem o aerofólio, para aproveitar melhor as retas da perigosa pista italiana. Miles se recusou, mas Chapman fez valer sua posição de dono da equipe. Nas classificações da corrida, Rindt bateu e morreu depois que uma semiárvore de freio quebrou (os freios dianteiros do Lotus 72 eram internos) no momento em que freou, deixando o carro incontrolável pelo freio numa roda dianteira apenas. Miles resolveu deixar a equipe por conta própria depois do clima devastador.

Dessa forma, Emerson passou a ser o piloto número 1, e Miles assinou contrato de piloto de testes na BRM, correndo em duas provas extracampeonato em 1971, sem nenhum resultado expressivo.

Passou depois a correr novamente nos esporte-protótipos, sendo campeão britânico com um Chevron B19. Essas sua habilidade de ajustes, regulagens, testes e paciência extrema o fizeram um dos melhores pilotos-engenheiros que já surgiram, e disso ele se tornou também escriba ativo em revistas, como a famosa e secular Autocar, onde realizou  vários testes e matérias técnicas.

Voltou novamente à Lotus para ajudar nos desenvolvimentos de chassis no começo dos anos 1990, e posteriormente foi para a Aston Martin, pela primeira vez trabalhando com carros de rua.

Nos últimos anos era editor e colunista da revista especializada Vehicle Dynamics International, publicação dedicada a profissionais da área de chassis.

Nos deixa com 74 anos, após um ataque cardíaco que havia sido considerado mediano pelos médicos.

Rindt no Lotus 72 (Foto: f1.com)

JJ

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