Depois da avaliação que fiz do Fit em outubro passado, fiquei com as mesmas certezas que se tem ao utilizar os Hondas pequenos.  Bons projetos, qualidade de fabricação muito boa, trabalho estrutural de alto nível, com peso contido e rigidez de carroceria alta.

Agora foi a vez do City 2018, com modificações de estilo, que o tornaram mais atraente.

Seu preço público sugerido é R$ 83,400 na cor sólida branco Tafetá. Pintura metálica (cinza Barium, cinza Platinum, azul Boreal), mais R$ 990; e pintura perolizada branco Estelar e preto Cristal, mais R$ 1.290.

Mudanças na dianteira fazem lembrar o Civic, irmão maior

O carro testado é de cor cinza Barium, uma tonalidade das que mais me atraem, e que combina tanto com carros sóbrios tanto com esportivos. A pintura é muito bem feita, não se enxerga partes com asperezas, chamadas de cascas de laranja, e o cofre do motor também tem bom acabamento. Apenas o assoalho do porta-malas fica no primer, e as colas nas emendas de chapas são visíveis. Poderia ter ao menos uma camada leve na cor do carro.

O City, versão corretamente desenvolvida a partir do hatchback Fit, supera e melhora as impressões. Digo corretamente pois para mais espaço para passageiros é sempre bom que se tenha mais distância entre eixos, e o City a tem 70 mm maior que o Fit. Do total a mais de comprimento, 387 mm são para o balanço traseiro, formando o notável volume de porta-malas, 536 litros com os bancos na posição de uso, contando com o espaço disponível no porão do assoalho — onde está o estepe — que é de 51 litros. Ele não parece ter os quase quatro metros e meio que tem, precisamente 4.455 mm.

O entre-eixos maior em 70 mm (2.600 contra 2.530 do Fit) proporciona também maior conforto a todos, e quem vai atrás tem enorme espaço para as pernas. O City, aliás, é daqueles carros que são muito maiores por dentro do que aparentam por fora.

Uma diferença importante entre o City e o Fit é a localização do tanque de combustível. Como o City conta com o respeitável porta-malas de 536 kg, a Honda provavelmente achou desnecessária a versatilidade do assento do banco traseiro que pode ser levantado para trás, o que permite o transporte de objetos bem altos. Com isso o tanque pôde ir para seu lugar mais comum em todos os carros hoje, que é sob o banco traseiro, antes do eixo.

No Fit, como se sabe, o tanque está sob o banco dianteiro, justamente para dar o espaço necessário entre o assoalho traseiro e o teto quando o assento do banco traseiro está levantado. Mesmo sem o tanque ali, no City permanece o quadro de reforço, deixando claro que é elemento estrutural e não apenas berço para o tanque.

Fica a dúvida se a diferente localização do tanque no City em relação ao Fit não seria também para melhorar a distribuição de peso levando-a à ideal 50/50, mas a Honda não divulga esse dado. Imagino que seria melhor o tanque na mesma localização nos dois modelos, até porque as capacidades são praticamente iguais, apenas 0,3 litro mais a favor do sedã (46 contra 45,7 litros). E com a vantagem dos assoalhos nessa parte da carroceria poderem iguais, mas a fabricante deve ter suas razões.

Com isso, o City é mais confortável, mais macio no geral, embora ainda falte uma absorção em degraus e quinas no asfalto, como bordas de buraco, onde batidas secas são sentidas, como ocorre no Fit, já que não há diferença nas suspensões.  As buchas, principalmente, deveriam ser melhor desenvolvidas para nosso piso torturador.

O que me parece mais notável é a diferença de peso para o Fit, apenas 36 kg a mais com equipamentos similares. São 1.137 kg no City EXL, o mais pesado das versões existentes.

As mudanças desse modelo 2018 tiveram claro objetivo de fazer o carro mais parecido ao Civic, a estrela maior da marca no Brasil, e agora faróis, grade e capa de para-choque dianteiro são mais ousados. A moldura cromada da grade tem um bico saliente, e faz o City ser mais “civicado”.

Na traseira, lanternas em duas cores, nessa versão de topo, em LEDs, e capa de para-choque com novo desenho na parte inferior, combinando com o dianteiro que é todo novo. O para-choque traseiro, porém, não foi alterado, como no Fit, para aumentar a distância entre a tampa do porta-malas e sua parte mais saliente. Com isso, a tampa continua sujeita a danos em batidas leves em obstáculos ou outros veículos.

Rodas com novo desenho para 2018, perfil de carroceria inalterado; permanece agradável

A mecânica não tem novidades e é idêntica à do Fit, motor de 1.497 cm³ tem 115/116 cv e 15,2/15,3 m·kgf, acoplado a um câmbio continuamente variável (CVT) com limitação de abertura das polias antagônicas (uma alarga quando a outra estreita) em sete marchas virtuais. Nesse conjunto, tudo é igual ao já mostrado no teste do Fit, e julgo repetitivo colocar tudo aqui novamente. Veja aquela matéria, cujo link já está acima, para entender melhor.

Diferente é que no City não há controle de estabilidade e tração, como existe no Fit, algo que não entendi.

Os consumos foram similares aos do Fit, mas com esse City rodei por mais dias, e utilizei também gasolina. Os números que obtive são os seguintes, com gasolina e álcool, respectivamente:

Urbano pesado, congestionado, em ruas com muitos semáforos: 4,5/4,0 km/l
Urbano lento, porém sem paradas em excesso: 8,8/6,3 km/l
Urbano livre, avenidas sem excesso de espera em semáforos: 11/10 km/l
Via expressa urbana, trânsito carregado, desviando e acelerando para escapar de quem anda mais lento, mas sem paradas: 21/15 km/l
Estrada com limite de 90 km/h, trânsito com variações de velocidade: 16/13,6 km/l
Autoestrada, limite 120 km/h, medido só com gasolina: 17,8 km/l

Lembrando que sempre mantenho pelo menos 10 quilômetros percorridos em cada condição, mas muitas vezes mais que isso, para apresentar os números aqui. O que mais prejudica as médias é  sem dúvida o excesso de tempo em marcha-lenta, condição cada vez mais frequente nas cidades.

Como referência, os consumos Inmetro/PBVE são 12,3/8,5 km/l na cidade e 14,5/10,3 km/l, na estrada.

O sistema multimídia do City tem tela tátil de 7 polegadas, mas que mantém algumas teclas do lado esquerdo da tela ótimas de se usar, pois têm contato bem definido, firme. Há GPS com informações de trânsito atualizadas frequentemente, conexão para smartphones com sistema Android e Apple, além de entrada USB onde se pode colocar um pen drive com arquivos de música. Funciona bem e tem muitos recursos de configuração e ajustes de acordo com o gosto do usuário.

O uso dos bancos pelo motorista e passageiros é bastante bom, apesar de um pouco mais de apoio lombar, na parte baixa das costas, seria bem-vindo. No apoio lateral para curvas são muito bons, assim como em comprimento de assentos e dureza de espumas. O espaço traseiro é elogiável, só não sendo melhor porque o City não é um carro largo, então três adultos não muito magros irão ficar um pouco espremidos lateralmente.

O espaço para bagagens é bem grande e todo acarpetado, até atrás do encosto do banco. E o volume junto ao estepe ajuda a guardar itens que devem ficar no carro sempre, que varia de acordo com cada pessoa. Eu gosto de ter um par de luvas caso precise trocar um pneu, e um pedaço de tapete velho para evitar sujar a roupa na hora de fazer a troca, se precisar ajoelhar. Cada louco com sua mania!

Falta nesse porta-malas pelo menos um gancho para manter sacolas em pé, mas não falta o gancho para segurar o revestimento que cobre o estepe, sempre muito útil.

O City se mostrou muito prático e desejável, com tamanho adequado por fora e por dentro, bom conforto e desempenho aceitável para o uso que a maioria dos donos irá fazer do carro.

E mesmo assim ainda faz curvas com uma facilidade incrível, como pode ser visto no vídeo abaixo.

JJ

 

FICHA TÉCNICA HONDA CITY EXL 2018
MOTOR
Tipo 4 válvulas por cilindro, comando no cabeçote, corrente, variador i-VTEC de fase e levantamento conjugados, flex
N° e disposição dos cilindros Quatro, em linha, transversal
Cilindrada  (cm³) 1.497
Diâmetro e curso (mm) 73 x 89,4
Potência (cv/rpm, G/A) 115 /116/6.000
Torque (m·kgf, G/A) 15,3/4.800
Taxa de compressão (:1) 11,4
Formação de mistura Injeção no duto Honda PGM-FI
TRANSMISSÃO
Tipo do câmbio Automático CVT com trocas de marchas virtuais (7) por borboletas no volante
Conexão motor-transeixo Conversor de torque
Relações de marchas (:1) Frente 2,526 a 0,408, ré 2,706 a 1,382
Espectro (:1) 6,191
Relação de diferencial (:1) 4,992
SUSPENSÃO
Dianteira Independente, McPherson, mola helicoidal, amortecedor pressurizado e barra estabilizadora
Traseira Eixo de torção, mola helicoidal e amortecedor pressurizado
DIREÇÃO
Tipo Pinhão e cremalheira, eletroassistida indexada à velocidade
Voltas entre batentes 3
Diâmetro mínimo de curva (m) 10,3
FREIOS
Dianteiros (Ø mm) Disco ventilado/262
Traseiros (Ø mm) Tambor/200
RODAS E PNEUS
Rodas Alumínio, 6Jx16
Pneus 185/55R16V
Estepe Temporário, roda de aço 4Tx15, pneu T135/80D15
CONSTRUÇÃO
Tipo Monobloco em aço, sedã 3-volumes, 4 portas, 5 lugares
DIMENSÕES (mm)
Comprimento 4.455
Largura sem espelhos 1.695
Altura 1.485
Distância entre eixos 2.600
Bitola dianteira/traseira 1.476/1.466
Distância mínima do solo  n.d.
PESOS E CAPACIDADES
Peso em ordem de marcha (kg) 1.137
Carga útil (kg) 383
Capacidade do porta-malas (L) 485 (+ 51 no porão do estepe, total 536)
Tanque de combustível (L) 46
DESEMPENHO
Aceleração 0-100 km/h (s, G/A) 11 (est)
Velocidade máxima (km/h, G/A) 170 (est)
CONSUMO DE COMBUSTÍVEL (INMETRO/PBEV)
Cidade (km/l, G/A) 12,3/8,5
Estrada (km/l, G/A) 14,5/l/10,3
CÁLCULOS DE CÂMBIO
v/1000 em D (km/h) 54,8
Rotação a 120 km/h (D, rpm) 2.200
GARANTIA
Termo (tempo, anos) 3

 

EQUIPAMENTOS HONDA CITY EXL 2018
Acionamento elétrico dos retrovisores
Acionamento elétrico dos vidros das quatro portas
Alarme periférico
Antena no teto
Apoio para o pé esquerdo do motorista
Ar-condicionado digital com comando tátil
Banco do motorista com regulagem altura
Banco traseiro dividido 60:40
Bluetooth com comandos no volante com função Voice Tag
Bolsas infláveis frontais (obrigatórias), laterais e de cortina
Câmera de ré multivisão com guias de referência
Chave tipo canivete com controle de destravamento/travamento das portas e porta-malas
Cintos de segurança dianteiros de 3 pontos com pré-tensionador
Cintos de segurança traseiros de 3 pontos para todos os ocupantes
Comando interno da portinhola do tanque
Comandos no volante
Computador de bordo Bluemeter
Console central com porta-copos
Controlador automático de velocidade de cruzeiro
Descansa-braço dianteiro central
Descansa-braço traseiro escamoteável com porta-copos
Desembaçador do vidro traseiro
Direção eletroassistida
Engates Isofix para dois bancos infantis
Faróis de neblina
Faróis totalmente de LED com DRL
Freios com ABS (obrigatório) e EBD
Grade dianteira cromada
Iluminação no porta-malas
Imobilizador de motor
Lanternas traseiras em LED
Maçanetas externas e carcaça dos espelhos na cor do veículo
Maçanetas internas cromadas
Multimídia com tela tátil de 7 polegadas com navegador,  USB/SD/auxiliar/Bluetooth/internet browser (hotspot)
Para-brisa com faixa degradê
Para-sóis com espelho
Pinos de segurança para o carpete do motorista
Porta-objetos nas portas dianteiras
Porta-revistas no dorso do encosto do banco do passageiro dianteiro
Quatro alto-falantes e quatro tweeters
Repetidoras de setas nos espelhos
Retrovisores com rebatimento elétrico
Revestimento dos bancos em couro
Rodas de alumínio aro 16-polegadas
Tomada 12 V
Trava de segurança central dos vidros dos passageiros
Trava para crianças nas portas traseiras
Travamento elétrico do bocal de abastecimento
Travas elétricas com travamento automático acima de 15 km/h
Vidro do motorista com função 1-toque (subida e descida) e antiesmagamento
Vidros verdes com filtro UV
Volante com ajustes do sistema de áudio
Volante de direção ajustável em altura e profundidade

 

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