Pierre Gasly brilha e temporada começa a ganhar identidade

Duas vitórias consecutivas transportam a Ferrari do Bahrein à China com a bagagem carregada de otimismo; após um triunfo importante no deserto, o alemão Sebastian Vettel desembarca na metrópole de Xangai com a sede de ampliar ainda mais a liderança que mantém sobre seu maior rival, Lewis Hamilton. Nessa viagem a tradicional bagunça dos grupos de excursão que ocupam a classe econômica ficou por conta da equipe Toro Rosso, que vive uma semana de plenitude, cortesia do novato Pierre Gasly, que terminou a corrida em quarto lugar, para deleite dos japoneses da Honda e tristeza dos marqueteiros da McLaren. Este cartão postal do início do campeonato deverá ganhar mensagens mais claras sobre a temporada 2018, que prossegue domingo com a disputa do GP chinês.

Mecânicos da Toro Rosso festejaram o quarto lugar de Pierre Gasly com tudo a que tinham direito (RBCP/Getty Images)

O fim de semana barenita esteve longe de ser perfeito para a Scuderia: uma falha grave durante uma troca de pneus no carro de Kimi Räikkönen recordou um desastrada operação no GP de Cingapura de 2008, erro que contribuiu para Felipe Massa perder o campeonato daquela temporada. Em Sakhir, as consequências foram ainda mais graves: o italiano Francesco Cigarini sofreu fratura da tíbia e fíbula esquerdas em consequência de um erro na troca de pneus. O responsável por acionar a luz verde que indica ao piloto que ele já pode retornar à pista foi dada sem notar que Cigarini ainda estava à frente do pneu traseiro esquerdo do Ferrari número 7.

Francesco Cigarini recupera-se das fraturas no Hospital das Forças Armadas do Bahrein e passa bem (RDF)

Atropelado, o italiano sofreu  fraturas na perna esquerda. Após uma cirurgia na qual recebeu pinos e placas metálicas para acelerar seu processo de recuperação, Cigarini passa bem e já foi visto caminhando com muletas no interior do hospital das Forças Armadas do Bahrein, em Manama, capital do emirato. A somatória do acidente com o simpático mecânico e o fato do carro do finlandês iniciar o retorno à pista com três pneus de um tipo e um de outro (o que é proibido pelo regulamento da categoria) levaram Maurizio Arrivabene a ordenar o abandono de Räikkönen da corrida.

Sebastian Vettel conquistou a segunda vitória consecutiva da temporada (Ferrari)

O resumo da corrida reforça algo notado no GP da Austrália: a durabilidade e o desgaste dos pneus desta temporada ainda é um terreno com espaços a descobrir: Sebastian Vettel largou com pneus supermacios (vermelhos), trocou por outros de composto macio (amarelos) e conseguiu se impor a Valtteri Bottas, que largou com com supermacios e arriscou trocar pelos médios (brancos), mais duráveis. A diferença entre ambos na bandeirada de chegada, escassos 0”699 s, ilustra bem o combate entre ambos nas voltas finais da corrida.

Prova no Bahrein mostrou que ainda há muito a ser explorado no desenvolvimento dos carros de 2018 (RBCP/Getty Images)

Certamente o desempenho de Bottas foi questionado e houve quem garantisse que “se fosse Hamilton ali o Vettel não ganhava”. O fato é que Hamilton perdeu cinco posições no grid, onde alinhou em nono, por ter trocado a caixa de câmbio e apesar de ter feito uma boa recuperação, esteve longe da briga pela vitória, reflexo da atual competitividade dos carros alemães. Tanto quanto seus dois companheiros de pódio, o inglês também optou por uma única parada.

Já o novato Pierre Gasly adotou a tática recomendada pelo fabricante de pneus e fez duas paradas em seu caminho rumo ao quarto lugar. Ainda que os dois carros da Red Bull e um Ferrari tenham abandonado a competição, o desempenho consistente e a boa disputa que manteve com Max Verstappen valorizaram ainda mais o bom resultado do jovem francês.

O francês Pierre Gasly, segundo a partir da esquerda, começa a despontar como a grande revelação da temporada (RBCP/Getty Images)

Muito mais do que isso foi o fato da Honda ter conseguido um resultado que há muito não saboreava, enquanto Fernando Alonso e Stoffel Vandoorne, os dois pilotos da McLaren (antiga parceira e carrasco dos japoneses nas últimas três temporadas), não acompanharam o ritmo de Gasly. Até agora o neozelandês Brendon Hartley está devendo uma apresentação ao nível do seu companheiro de equipe.

O quinto lugar de Kevin Magnussen (Haas-Ferrari), a disparidade de desempenho dos pilotos da Renault (Hulkenberg ficou em 6oe Sainz em 11o) e o Sauber de Marcus Ericsson em nono lugar, deram cores diferente ao dez que pontuaram. No capítulo das equipes, nova atuação lamentável da Williams, cada vez mais relegada à condição de figurante, algo que poderá ser reforçado no circuito de Xangai.

O resultado completo do GP do Bahrein e a posição no campeonato você encontra clicando aqui.

WG

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