Novidade sempre traz reações: rei alemão acreditou mais no cavalo que no automóvel…

A mobilidade passou por uma grande revolução no final do século 19, com  a invenção do automóvel. O motor substituiu o cavalo e mandou carroças, carruagens e caleches para o museu. Com as costumeiras reações que sempre acompanharam as novidades. O rei da Alemanha (Kaiser Wilhelm II) disse em 1912: “Eu acredito no cavalo. O automóvel é uma aparição passageira”…

Na Inglaterra, a reação contra o automóvel foi tão marcante que se criou a “Lei da Bandeira Vermelha”: para um carro circular nas ruas de Londres, o motorista deveria contratar uma pessoa para ir alguns metros à sua frente com uma bandeira alertando os pedestres em relação ao “perigo” que se aproximava.

Nos últimos 130 anos o automóvel só fez evoluir. Começou pelo próprio combustível: depois de passar pelo vapor e eletricidade, o motor a combustão se consolidou e foram então sendo desenvolvidos seus demais sistemas mecânicos e elétricos.

A engenharia automobilística projetou veículos eficientes, rápidos, seguros e confortáveis. A aerodinâmica, por exemplo, marcou presença para reduzir ao máximo o esforço do carro em vencer a barreira de ar à sua frente. Os designers (“carrozieri”) tiveram de se curvar ao túnel de vento e considerá-lo essencial em seus projetos.

O automóvel passou rapidamente de vilão a herói. Foi responsável por uma transformação de hábitos da sociedade. Deu liberdade ao homem, foi cantado em prosa e verso, artista de cinema e ainda entrou para a história como objeto de coleção. Entretanto, apesar de toda sua evolução, ele chegou ao final do século 20 novamente como vilão, desta vez por congestionar, poluir, ferir e matar.

A chegada da eletrônica não poderia ter sido mais oportuna, verdadeira varinha de condão que passou a limpo, uma por uma, todas as complexidades mecânicas e elétricas do automóvel. Nos últimos 30 anos, quase todos os avanços tecnológicos da indústria automobilística foram obtidos graças aos computadores que passaram a gerenciar cada sistema mecânico.

Um bom exemplo está muito próximo de nós: motores dos carros nacionais foram todos adequados para ter o álcool como combustível no final da década de 70. Mas o plano do governo (Prálcool) desmoronou no final da década de 80, pela dependência dos motoristas ao derivado da cana que faltou nos postos. Quem resolveu? A eletrônica, que tornou possível o carro flex lançado em 2003 e que permitiu optar entre gasolina e álcool.

A informática chegou ao automóvel pela central eletrônica que dispensou carburador e distribuidor, permitindo variação de combustível, performance e controle de emissões. O próximo degrau dessa escalada não é mais novidade, a substituição (finalmente…) do anacrônico e ineficiente motor a combustão pelo elétrico.

O computador foi também responsável por equipamentos como airbags, ABS, EBD, ASR, ESC e outras letrinhas (foto de abertura) que evitam ou reduzem acidentes e salvam vidas. Seguiu avançando pelo automóvel até marcar presença completa: ao toque de um botão o motorista regula direção, suspensão, transmissão, desempenho e controles de comportamento. É também responsável pelo infotenimento e conectividade: informações, mapas de itinerários, serviço de concierge, de assistência emergencial, sonorização e comunicação. E, mais recentemente, o computador assumiu controle de funções essenciais na condução do carro: acelera, freia e o direciona.

Além de gerenciar o automóvel, a informática controla também o tráfego urbano e rodoviário com ondas verdes semafóricas, painéis de informação, controle de densidade de fluxo, variação de limites de velocidade, etc.

Depois deste século de evoluções, chegou o momento da segunda grande revolução da mobilidade. O somatório dos sistemas eletrônicos incorporados ao automóvel resultou no veículo autônomo, o computador no lugar do motorista. Com incontáveis vantagens: não fica desatento, cansado nem sonolento. Não bebe nem comete imprudências.

Enfim, se na primeira revolução, o cavalo à frente da carroça foi substituído pelo motor, na segunda o computador vai substituir o cavalo atrás do volante….

BF

A coluna “Opinião de Boris Feldman” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

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Sobre o Autor

Boris Feldman
Coluna: Opinião de Boris Feldman

Boris Feldman é formado em Engenharia e Comunicação. Foi engenheiro da Metal Leve (fábrica de peças para motores) por 20 anos e editor de diversos cadernos de automóveis. Criou e produziu o programa Vrum em rede nacional pelo SBT, foi piloto de competições e vice-diretor da CBA. É colecionador e diretor do Veteran Car-MG. Além do AUTOentusiastas, assina coluna em jornais e outros portais e tem o programa de rádio Auto Papo em quarenta rádios. Lançou em julho de 2017 e é publisher do portal autopapo.com.br.

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