Eventos e projetos marcam o esquenta da temporada

O término da pré-temporada de F-1, o início do Campeonato Brasileiro de Stock Car e o anúncio que os protótipos do WEC retornam ao Brasil em 2019, movimentaram o início da semana automobilística. Todas as três categorias deixaram no ar perguntas e questões que renderão muito nas próximas duas semanas: o status quo da primeira ganhou sombras mais definidas, a segunda deixou dúvidas sobre a validade de mudanças em sua agenda e a terceira ainda demanda uma dose de precaução.

Sebastian Vettel, Ferrari SF71-H (Ferrari)

Os testes da segunda semana de treinos livres em Barcelona foram bem mais produtivos que os realizados sete dias antes: o sol compareceu com mais frequência e o novo composto hypersoft de pneus permitiu tempos na casa de 1’17”, número que no dia 12 de maio, na prova de classificação para o GP da Espanha, deverá ser reduzido ainda mais; após quatro corridas na Austrália, Bahrein, China e Azerbaijão, os carros andarão ainda mais rápido no circuito catalão.

Lewis Hamilton, Mercedes W09 (Mercedes)

Mercedes, Ferrari e Red Bull serão novamente as equipes com maiores chances, mas a partir daí as cartas ainda estão bem embaralhadas. A equipe alemã concentrou seu trabalho em condições de corrida e em descobrir os segredos de acerto de um chassi, o W09, do qual se espera um desempenho digno de apagar as inconsistências do modelo anterior; de tão sensível às variações de asfalto e temperatura ambiente, o W08 de 2017 ganhou o apelido de Diva…

Fiel ao estilo, a Ferrari marcou os melhores tempos e mostrou confiabilidade; mas a Scuderia, fato consumado, é igualmente conhecida por suas crises regulares. O que ajudará a manter os carros vermelhos andando na frente é a definição clara de primeiro (Sebastian Vettel, 1’17”182) e segundo (Kimi Räikkönen, 1’17”221), que marcaram os melhores tempos da pré-temporada. Todos os cinco mais rápidos — Vettel, Räikkönen, Alonso, Ricciardo e Sainz), usaram o composto mais macio em suas voltas mais rápidas.

Na equipe alemã tanto Hamilton (8o, 1’18”400) quanto Bottas (10º, 1’18”560), usaram em seus carros o terceiro composto mais macio das opções disponíveis: hypersoft (inscrições da banda na cor rosa), ultrasoft (violeta), supersoft (vermelho), soft (amarelo) e medium (branco); aqueles de compostos hard (azul) e superhard (laranja) não foram usados para marcar tempos. De acordo com Mario Isola, responsável da Pirelli para a área de Motorsport, foi possível obter uma boa ideia sobre a diferença de desempenho entre as opções ultrasoft e hypersoft (lançada este ano), e que fica na casa de 7/10 de segundo a favor do último.

Esse “delta tempo” não pode ser aplicado pura e simplesmente: é preciso saber qual a carga de combustível que cada carro levava e se a equipe executava um trabalho sério ou apenas jogava para a plateia. A segunda hipótese se aplica com a mínima dose de dúvida à equipe McLaren: problemas de confiabilidade marcaram as duas semanas da equipe de Woking e o uso de pneus hypersoft foi uma das saídas para gerar publicidade a uma equipe ainda sem grandes patrocinadores. Pior, uma troca de pneus digna de filmes de pastelão foi considerado mais um blefe do que um momento infeliz, tamanho o número de erros que se nota neste vídeo. Pesadelo ou coelho saído da cartola, o renascimento da equipe que já dominou a F-1 parece cada vez mais distante.

Daniel Ricciardo, Red Bull RB14-Renault (Red Bull Content Pool/RBCP)

Terceira força da temporada, a Red Bull tem a dupla mais equilibrada, Daniel Ricciardo (4º 1’18”047, hypersoft) e Max Verstappen (20º, 1’19”842, soft), e também a que conseguiu resultados mais díspares. De qualquer forma, são muitos os que apontam a paridade de desempenho dos dois como o maior obstáculo para transformar em pontos e possíveis vitórias o bom potencial do RB14. No GP da Hungria de 2017 quase promoveu-se uma cisão dentro da organização: nessa corrida uma manobra tão arrojada quanto desastrada do holandês tirou o australiano de uma prova onde ele tinha chances reais de triunfar. No lado técnico, Adrian Newey delegou boa parte dos seus poderes para Pierrre Wach, que ocupará o cargo recém-criado de diretor dessa área.

Estebán Ocón, Force India VJM10 (Sahara Force India)

Tradicional líder do baixo clero, a Force India parece letargicamente afetada pela instabilidade política que reina na equipe: o indiano Vijay Malya está envolvido em um escândalo financeiro e a venda da equipe pode ser a salvação da lavoura. Enquanto isso, Estebán Ocón (14o, 1’18”967, hypersoft) e Sérgio Pérez (19o, 1’19”634, hypersoft), não honraram o quarto lugar entre os Construtores que a Force India conquistou nos últimos dois anos e ficaram atrás dos pilotos da Haas, McLaren, Renault e Toro Rosso.

Kevin Kagnussen, Haas VF18-Ferrari (Haas)

Se a McLaren está mais para o grupo da Force India, as demais prometem mais emoções verdadeiras e surpreendentes, em especial a Haas, a mais próxima de consolidar o chamado salto de qualidade. Kevin Magnussen (6o, 1’18”360, supersoft) e Romain Grosejan (9o, 1’18”412, ultrasoft) andaram bastante e até mesmo o pai do dinamarquês, Jan Magnussen, admitiu a sites americanos que está difícil conter o entusiasmo.

Pierre Gasly, Toro Rosso STR13-Honda (RBCP)

Para deleite dos críticos da McLaren, a Toro Rosso mostrou desempenho superior e mais constante: Pierre Gasly fez o sétimo tempo (1’18”363), deixando claro que vai ensinar o caminho a Brendon Hartley (13o, 1’18”949). Os técnicos da Honda já deixaram claro que a liberdade de trabalho e o entrosamento praticados com a equipe italiana foram fundamentais para consolidar o melhoramento do V-6 japonês.

Carlos Sainz Jr, Renault RS18 (Renault Sport)

O espanhol Carlos Sainz (5º, 1’18”092, hypersoft) e o alemão Nico Hulkenberg (11º, 1’18”675, hypersoft) estão em situação semelhante, com grandes riscos para o segundo. Um resultado no campeonato que não seja semelhante ao de Sainz poderá marcar o adeus de Hulkenberg à F-1. Outro embate previsto para o campo de batalha da Renault é a possível renovação de seu acordo com a Red Bull. Crescem os rumores que a aliança com os franceses perderia lugar para outra a ser formada com os japoneses.

Sauber e Williams têm tudo para disputar os últimos lugares do grid. A casa de Hinwill tem maior apoio a Ferrari e a aliança técnico e financeira com a Alfa Romeo, porém a juventude de Charles Leclerc (15º, 1’19”118, hypersoft) e o estilo café-com-leite de Marcus Ericsson (17º, 1’19”244, hypesoft) colocam em dúvida os possíveis lucros dessa renovação.

Sergey Sirotkin, WIlliams FW41-Mercedes (Williams)

Charles Leclerc, Sauber C37-Alfa Romeo (Sauber)

Já na equipe inglesa a interrogação persiste sobre as reais chances do russo Sergey Sirotkin (16º, 1’19”189, soft), do polonês Robert Kubica (18º, 1’19”629, soft) e do canadense Lance Stroll (21º, 1’19”954, soft). Stroll, ironicamente o mais lento dos três, é quem não precisa se preocupar com seu lugar de titular; já Sirotkin vai viver sobre a sombra de Kubica, que ainda nutre esperanças de voltar a competir na categoria em tempo integral.

 

Sob chuva, corrida da Stock foi um furo n’água   

Stock Car no sábado, mudança foi por água abaixo (Duda Bairros)

Não é de hoje que se tenta antecipar corridas de automóveis de domingo para sábado. Nos tempos em que os cadernos de esportes dos jornais eram cadernos de esportes e não resenhas futebolísticas, ainda se usava a possibilidade de obter destaque nas edições de domingo como justificativa. Em época de comunicação instantânea e a internet ditando o ritmo de consumo das novidades, igualmente não se obteve o destaque esperado; pior, antecipar em um dia uma das provas mais importantes do calendário da Stock Car mostrou-se um verdadeiro tiro n’água, independente do fato que a chuva que caiu no momento da largada contribuiu para que a prova fosse das mais disputadas.

Não foram poucas as pessoas que não se inteiraram da mudança do cronograma: as arquibancadas cheias de lugares vazios mostraram que a alteração esteve longe de ser bem divulgada. Verdade que esse é o preço que se paga quando se busca melhorar o produto e torná-lo mais atraente, porém um pouco de pesquisa na história do esporte indicaria tratar-se de uma aposta arriscada demais. Resumo da ópera é que muita gente perdeu a chance de ver pilotos de gabarito internacional em ação num palco dos mais tradicionais e simbólicos do esporte. Aliás, palco que o prefeito João Dória Júnior e seu fiel escudeiro, o vereador Milton Leite, insistem em transformar em prêmio de Mega-Sena para empresas como a Cyrela. Essa construtora parece liderar a corrida para fazer do autódromo José Carlos Pace um novo empreendimento imobiliário em uma área de manancial e sem a mínima infraestrutura de serviços como saneamento básico e acessos viários para absorver um adensamento demográfico condenado por urbanistas e conhecedores do assunto.

 

WEC sem Emerson

Mal foi anunciada a proposta da empresa N.Duduch/Motorsports em promover uma etapa do Campeonato Mundial de Resistência (WEC) em 2019, muitos perguntaram se Emerson Fittipaldi estaria envolvido na empreitada. A curiosidade decorre do revés que o piloto sofreu nas três provas que realizou em Interlagos num passado recente. Empresa especializada na montagem e infraestrutura de eventos, a N.Duduch anuncia na semana que vem a data e o local do evento, que deverá se realizar no início de 2019, em Interlagos.  A torcida para o sucesso do projeto é grande.

WG

A coluna “Conversa de pista” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.
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