Em busca de protagonismo FW-41 rompe com os modelos recentes.

Já houve um tempo quando a Williams lançava tendências, ganhava corridas e era o sonho de consumo de pilotos em busca de vitórias e títulos. Suspensão ativa, câmbio CVT e freios a disco duplos foram algumas das novidades desenvolvidas por Patrick Head; para evitar o domínio absoluto, o câmbio CVT foi banido pela FIA após dois anos de desenvolvimento e sequer foram usados em competição. Desde 2012, porém, a marca não vence uma corrida e a cada ano fica mais distante do status de equipe de ponta; nas últimas temporadas o que mais marcou a equipe foi uma combinação de excesso de decisões erradas durante o desenrolar das provas e projetos que pouco ou nada evoluíram durante a temporada. A julgar por tudo isso e pelas declarações de Paddy Lowe, o atual diretor técnico de Grove, o novo FW-41 apresentado na noite desta quinta-feira, em Londres, pode ser o primeiro passo para reverter essa situação: “Todo carro de F-1 é, em grande parte, uma evolução do modelo anterior, mas o FW 41 concentra um número de novos pontos de partida em relação ao que percorremos no passado. A filosofia básica é fruto de uma nova colaboração entre conceito e aerodinâmica em busca do melhor resultado prático.”

Como é costumeiro, a aparência do novo modelo deverá mudar já nos primeiros treinos livres (Williams/Glenn Dunbar)

Os céticos conseguirão ler nas entrelinhas que o que a Williams admitiu que não vinha fazendo a lição de casa, e talvez, estejam certos. A experiência, porém, recomenda que qualquer conclusão sobre a funcionalidade dos novos conceitos de aerodinâmica, estrutura e massa, segundo Lowe, “os três pilares para se projetar um F-1”, só será conhecida depois que o carro for para a pista e ter seu desempenho comparado com outros modelos da safra 2018. Como acontece costumeiramente, os carros apresentados raramente trazem todas as novidades preparadas pelas equipes e sofrem várias alterações até a primeira prova da temporada.

Sobre o que foi visto em Londres, Paddy Lowe não esconde que as mudanças radicais implementadas no seu primeiro projeto como líder da Williams levaram em alta consideração as peculiaridades do motor Mercedes HPP e a instalação de seus subsistemas. Vale lembrar que Lowe, com passagens pela própria Williams, McLaren e Mercedes, desenvolveu o FW-41 em conjunto com o aerodinamicista Dirk de Beer e o projetista Ed Wood.

A dupla de pilotos formada pelo canadense Lance Stroll e pelo russo Sergey Sirotkin será a mais nova do grid desta temporada, o que certamente vai influenciar no desenvolvimento do carro. Ironicamente, a missão para abrandar essa deficiência foi colocada nas mãos do polonês Robert Kubica, que volta à categoria após uma longa jornada de recuperação em decorrência de um acidente num rali italiano. Kubica perdeu boa parte dos movimentos e habilidades do seu braço direito, mas conservou intacto o desejo de retornar à F-1. Além de piloto-reserva e de desenvolvimento, ele participará de três treinos livres nas manhãs de sexta-feira; por enquanto sua presença está confirmada nos GPs da Espanha e da Áustria.

O FW-41 terá seu batismo de pista em Barcelona a partir de 26 de fevereiro, quando inicia a primeira sessão de quatro dias de treinos livres. Após a Haas e a Williams, a próxima equipe a apresentar seu novo carro é a Red Bull, que mostra o RBR14 na próxima segunda-feira, 19.

WG

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Sobre o Autor

Wagner Gonzalez
Coluna: Conversa de Pista

Jornalista especializado em automobilismo de competição, acompanhou mais de 350 grandes prêmios de F-1 em quase duas décadas vivendo na Europa. Lá, trabalhou para a BBC World Service, O Estado de S. Paulo, Sport Nippon, Telefe TV, Zero Hora, além de ter atuado na Comissão de Imprensa da FIA. É a mais recente adição ao quadro de colunistas do AUTOentusiastas.

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