Nas fotos agrupadas de seis prefeitos de São Paulo, no centro, em destaque está Celso Pitta, e na sequência abaixo, da esquerda para a direita, Marta Suplicy, José Serra, Gilberto Kassab, Fernando Haddad e João Dória Jr. Celso Pitta foi o irresponsável que teve cinco prefeitos seguidores desse absurdo chamado rodízio municipal, que já completou 20 anos.

Esta matéria, obviamente, se refere à cidade de São Paulo, mas é bom os leitores e leitoras de outras cidades brasileiras saberem do que se trata exatamente. Afinal, nenhuma cidade está livre de um prefeito irresponsável que queira fazer o mesmo. Por isso achei por bem falar a respeito do assunto no AE, de abrangência sem divisas (e fronteiras) graças à internet, e sem entrar em política restringir-me à gestão da cidade.

 

O inferno de volta

Na segunda-feira 15 de janeiro p.p. o inferno voltou a São Paulo após 17 dias de paz quase celestial, de vida normal para o cidadão que utiliza carro particular, dentro de todo o direito, como é rotina no outros 5.569 municípios brasileiros. No dia 22 de dezembro último o rodízio fora suspenso por ocasião do período de festas de fim de ano, para voltar naquela segunda-feira. Um inferno e  uma mancha na maior cidade do país e que já dura 20 anos, uma vergonha para os paulistanos.

Um inferno criado por uma mente com todo jeito de doentia, a do prefeito Celso Pitta e sua diabólica e irresponsável criação: o rodízio.

Criação essa que resultou do seu PL 747/97 que virou a lei municipal, a de nº12.490 de 3 de outubro de 1997, aprovada por inconsequentes vereadores que assim demonstraram odiar a própria cidade e, principalmente, os munícipes, entre eles os que os elegeram.

Uma lei nauseante, que “autoriza o Executivo a implantar, em caráter experimental, Programa de Restrição ao Trânsito de Veículos Automotores no Município de São Paulo.”

Note o leitor ou leitora dois pontos importantes: o programa de restrição do trânsito de veículos automotores no Município de São Paulo e o fato de ser experimental.

Uma experiência que já passou de 20 anos!!! Já há uma geração nascida no regime de rodízio, algo surreal. É como se fosse o procedimento mais natural do mundo.

Como começou

Em 1996, a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, pelo seu secretário Fábio Feldmann,  inventou reduzir a poluição causada por veículos automotores não na capital, mas em todos os 39 municípios da chamada Região Metropolitana de São Paulo.

Pirapora do Bom Jesus, por exemplo, por onde o AE costuma passar nos seus testes, faz parte dessa região. Tem que ser mesmo muito incompetente para achar que nesses municípios distantes de São Paulo há problemas de poluição por veículos.

Esse rodízio ambiental teria duração de quatro meses, de junho a setembro, quando de acordo com os meteorologistas as condições climáticas dos meses frios levam à inversão térmica, fenômeno que impede a dispersão dos gases poluentes na atmosfera, ficando retidos nas proximidades do solo.

A ideia foi retirar de circulação 20% da frota em cada dia da semana, de segunda a sexta, obedecendo ao conhecido esquema do final de placa, como 1 e 2 segunda-feira, 3 e 4 terça-feira, e assim por diante. Carros estariam proibidos de circular das 7h00 às 20h00.

Houve uma “experiência” de 5 a 30 de agosto de 1996, de caráter facultativo, sem a multa estabelecida em R$ 100,00 — Fábio Feldmann queria R$ 200,00 mas a Assembleia Legislativa, acertadamente barrou o plano do secretário. Mas desrespeitar esse rodízio não seria infração de trânsito. Por quê?

Não tinha como enquadrar a eventual infração.

Assim, em 1º de junho 1997 entrou em vigor o rodízio ambiental na Grande São Paulo, prejudicando durante quatro meses dezenas de milhares cidadãos da capital e dos demais municípios envolvidos. A troco de absolutamente nada. Brincadeirinha de quem se dizia, ou se diz, ambientalista.

O martírio terminou em 30 de setembro. Ou terminaria, mas não imediatamente, como veremos.

É aí que entra o irresponsável citado no começo, o prefeito de São Paulo, Celso Pitta.

Gostou da brincadeira

Celso Pitta, deve ter gostado da brincadeira do Fábio Feldmann e engendrou seu próprio rodízio, no formato que se conhece hoje. Deve ter ficado de olho grande tanto quanto o secretário Feldmann. Em setembro, quando o rodízio ambiental ainda corria, Celso Pitta tratou de encaminhar Projeto de Lei à Câmara Municipal, como dito no começo, que autorizava o Executivo — leia-se Celso Pitta — a implantar, em caráter experimental, o programa de restrição de trânsito.

O programa foi batizado de “Operação Horário de Pico” e seria conduzido pela Companhia de Engenharia de Tráfego, uma empresa da capital misto vinculada à Secretaria Municipal de Transportes. Seu objetivo oficial — que chamo de desculpa esfarrapada —, era reduzir congestionamentos, isso quando a frota de São Paulo mal chegava a 3,5 milhões de veículos (7,5 milhões hoje) entre automóveis e motocicletas.

Por que “Operação Horário de Pico”? A restrição seria de 7h00 às 10h00 e de 17h00 às 20h00. E quem precisasse se deslocar nesses horários? Problema de cada um, ora, do prefeito é que não era.

Valia para o ano todo exceto nos meses das férias escolares em julho e janeiro. Só que estas “exceções” durariam pouco, como a História provaria. Afinal, o olho grande da Prefeitura/Celso Pitta falou mais alto.

Novo Código de Trânsito

Nesse ínterim, era promulgado em 23 de setembro de 1997 o Código de Trânsito Brasileiro, Lei nº 9.503, mas que só vigeria a partir de 22 de janeiro de 1998. Só então foi possível começar o maldito rodízio. E começou com um gravíssimo vício: desrespeitar o rodízio era infração de trânsito — ao contrário do “rodízio do Feldmann”, em que a desobediência era apenas uma multa estadual pura e simples.

No  “rodízio do Pitta”, para ser possível faturar, foi utilizado o Art. 187 do novo código de trânsito que considera infração “transitar em locais e horários não permitidos pela regulamentação estabelecida pela autoridade de trânsito”.

É óbvio que uma grande parte da cidade, na mais pura gozação chamada de “Centro expandido”, não pode ser considerada “locais”, constituindo-se estes um inegável abuso, gozação mesmo. E mais, toda regulamentação de tráfego demanda alguma forma de sinalização, inexistente na demarcação do que é centro expandido e tampouco nos logradouros que dele fazem parte.

À guisa de comentário, aqui mesmo em São Paulo já tivemos restrição de acesso de carros particulares a determinadas ruas do centro da cidade, com placas de sinalização devidamente postadas. Mas para o rodízio, nada.

No novo (e atual) código a desobediência a qualquer restrição de circular é infração média e leva a registrar 4 pontos na CNH. Só que a multa era de 80 Ufir (unidade fiscal de referência), velho jeitinho brasileiro de contornar a corrosão da moeda brasileira, felizmente interrompida com o real em 1º de julho de 1994.

Mas a Ufir continuou a ser usada para estabelecer os valores das multas, até ser extinta no final de 2000, ficando seu valor congelado em 1,0641. Assim, infrações médias tinham valor de 80 x 1,0641 = R$ 80,13. Só em 2/4/2002 a Resolução 136 do Contran “oficializou” o real como moeda para aplicação de multas de trânsito. E só em abril de 2016, pouco antes de ser impedida de continuar no cargo, a presidente Dilma Rousseff sancionou lei corrigindo os valores das multas, com essa de R$ 80,13 passando ao valor atual de R$ 130,16.

Hoje quem é notificado por infração de desrespeito ao rodízio lê no campo da tipificação “Transitar em local/horário não permitido pela regulamentação – rodízio”.

 

Um rodízio atropela outro!

O rodízio municipal iniciado em 22/1/98 foi interrompido em 31 de maio para dar lugar ao “rodízio do Feldmann”, algo da mais total surrealidade. Este, como previsto, foi até 30 de setembro, para em 1º outubro voltar o “do Pitta”. Dois tipos de rodízio na mesma cidade, no mesmo ano! Ou seja, brincaram com o cidadão.

O mais curioso é esse rodízio por motivos ambientais ter sido o segundo e último: a Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo, ouvindo a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) considerou ser desnecessário novo rodízio do tipo pelo fato de os carros estarem emitindo menos poluentes, resultado da Fase 3 do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve) iniciada em 1º de janeiro de 1997.

Não estava no programa

O que Celso Pitta não contava, ao encaminhar seu Projeto de Lei à Câmara, era com um artigo do CTB por sair que especificava em qual caso a restrição de circulação poderia ser aplicada:

Art. 24. Compete aos órgãos e entidades executivos de trânsito dos Municípios, no âmbito de sua circunscrição:

(…)

XVI – planejar e implantar medidas para redução da circulação de veículos e reorientação do tráfego, com o objetivo de diminuir a emissão global de poluentes;

É mais do que evidente que restringir a circulação de veículos, uma medida extrema, só se justifica diante de uma situação emergencial grave como grande concentração de poluentes no ar, por isso mesmo de caráter temporário.

Influiu nos legisladores do CTB o conhecimento do rodízio por razões de poluição em Santiago do Chile e na Cidade do México, cidades conhecidas pela topografia que dificulta a dispersão de poluentes. Nada mais natural que previssem o mesmo na peça legal estabeleceria as regras de trânsito no país.

Se não está previsto na lei maior que é o CTB restringir circulação para reduzir congestionamentos, e sendo especificada uma única condição, o ato desse prefeito se revestiu de total irresponsabilidade, inequívoco crime de prevaricação e que seus sucessores Marta Suplicy, José Serra, Gilberto Kassab e Fernando Haddad, e agora João Dória Jr., irresponsavelmente mantiveram.

As multas por desrespeito ao rodízio só perdem para as por excesso de velocidade. É a galinha dos ovos de ouro da prefeitura vice-campeã. Precisa dizer mais alguma coisa? Será que os prefeitos que vieram depois de Celso Pitta não desconfiam que o motivo de tantas infrações relativas ao rodízio resulta do fato de que as pessoas precisarem se deslocar nas suas atividades? Ou será que estes alcaides pensam que as pessoas ficam passeando de carro a esmo?

Deposito esperanças de que a Justiça brasileira ponha um termo a esse abuso que prejudica a atividade de milhões de cidadãos brasileiros — não só os que residem em São Paulo, mas qualquer um que aqui venha a negócio ou a passeio e desconhece, e não tem nenhuma obrigação de conhecer, uma regra de trânsito municipal — além de lhes causar danos financeiros e, por que não, morais, e de lhes imputar acúmulo de pontos no registro da CNH.

São Paulo não pode continuar com essa mancha, essa vergonha, obra de um irresponsável, lamentável e incompreensivelmente mantida por seus sucessores.

Uma vergonha que se manifesta até nos anúncios de carro usados, em que o final da placa é informado para “casar” a compra com outro carro de final de placa diferente. Uma vergonha que discrimina que tem carro com placa de final 9 ou 0, ou 1 e 2, que não pode iniciar viagem às sextas-feiras na hora que lhes convém ou retornar à sua cidade na segunda-feira entre 7 e 10 horas da manhã. Uma vergonha que discrimina quem reside no centro expandido diante dos que estão fora dele. Uma vergonha que está até no aplicativo Waze, que informa a rota escolhida estar na zona de rodízio. Uma vergonha que levou e leva muitos a terem desnecessariamente um segundo carro para lhes assegurar mobilidade. Uma vergonha que prejudica prestadores de serviços os mais diversos que dependem do carro próprio para exercer sua atividade. Uma vergonha que restringe o trabalho dos profissionais da imprensa automobilística quando dos testes de veículos. Uma vergonha que assola motoristas presos em congestionamentos que os leva a infringir o rodízio. Uma vergonha que deixa muitos passageiros de aviões que por qualquer motivo, atraso do voo, por exemplo, não podem pegar seu carro no estacionamento do aeroporto devido ao rodízio. Uma vergonha que descreve uma cidade doente.

Tudo resultado de um prefeito irresponsável e da insensibilidade, ou irresponsabilidade, dos seus sucessores.

Além da esperança, um sonho: a prefeitura de São Paulo ser obrigada a restituir aos cidadãos todas as multas “do rodízio” recolhidas abusiva e ilegalmente durante 20 anos.

BS

 

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Sobre o Autor

Bob Sharp
Editor-Chefe

Um dos ícones do jornalismo especializado em veículos. Seu conhecimento sobre o mundo do automóvel é ímpar. História, técnica, fabricação, mercado, esporte; seja qual for o aspecto, sempre é proveitoso ler o que o Bob tem a dizer. Faz avaliações precisas e esclarecedoras de lançamentos, conta interessantes histórias vividas por ele, muitas delas nas pistas, já que foi um bem sucedido piloto profissional por 25 anos, e aborda questões quotidianas sobre o cidadão motorizado. É o editor-chefe e revisor das postagens de todos os editores.

Publicações Relacionadas

  • Wendel, pode ser. Estou em contato com um advogado-leitor que está estudando o rodízio quanto à sua legalidade.

  • Zigfrietz Tazogh

    É principalmente do interesse dos empresários do transporte particular a serviço público e coletivo, a grande maioria das pessoas não tem dois carros.

  • Felipe Souza

    Bob, lembro que alguns desses sucessores do Pitta também tinham ideia de ampliar o horário e zonas do rodízio, e outros tinham aquela ideia pior do pedágio urbano. Não trariam nenhum benefício a população e seria outra bela fonte para os cofres públicos.

    • Felipe, acho que foi o Haddad que queria aumentar o “centro expandido”. Todos prefeitos sem-vergonha.

    • Mendes

      Não vejo o pedágio urbano como sendo uma idéia pior. Muito pelo contrário. A acho melhor, mais eficaz para o que se propõe (desestimular a circulação de veículos em determinados horários para reduzir congestionamentos, coisa em que o rodízio falhou miseravelmente) e, de certa forma, mais “honesta” até, eu diria.

      O pedágio urbano não te impede e nem te pune por circular nos horários de pico. Você é livre para decidir se vale a pena ou não circular por ali. E em caso de necessidade ou de urgência, você simplesmente paga o preço e pronto, sem dar satisfação para ninguém.

      Por falar nisso, duvido que pagar pedágio urbano sairia mais caro que pagar multa ou manter um segundo carro. Certamente sairia mais barato.

      Pedágio urbano nada mais é que a Lei da Oferta e da Demanda na prática. Se a oferta (malha viária) é limitada e a demanda (veículos que precisam usar as vias) é alta, praticamente infinita, que seja cobrado um valor pela seu uso como forma de equilibrar a demanda e adequá-la à oferta. É o mesmo princípio já aplicado nas vagas de estacionamento na rua em locais de alta demanda, onde se cobra Zona Azul para controlar a demanda.

      • Mendes, cobrar pedágio urbano para rodar em que parte da cidade? Você não está pensando na “zona de gozação”, o centro expandido, está?

      • Marcelo R.

        “Não vejo o pedágio urbano como sendo uma idéia pior. Muito pelo contrário. A acho melhor, mais eficaz para o que se propõe (desestimular a circulação de veículos em determinados horários para reduzir congestionamentos, coisa em que o rodízio falhou miseravelmente) e, de certa forma, mais “honesta” até, eu diria.”

        Mendes,

        Pode ter certeza que a intenção foi claramente arrecadatória, sem nenhuma intenção de realmente acabar com os congestionamentos. Não seria diferente com a sua sugestão…

  • Nilson

    O rodízio é mais uma das soluções mágicas que nossos especialistas da administração pública adoram inventar. Um verdadeiro tiro no pé no momento em que foi posto em prática quando, por exemplo, muitos compraram outro carro para driblar o dia de rodízio e hoje é somente um pretexto para arrecadar com multas.
    O argumento de que ajuda a diminuir os congestionamentos, para mim, é anulado pela baixa eficiência da engenharia de trânsito, os semáforos a piscar com qualquer chuvinha, a falta de soluções de trânsito bem estudadas, investimento em infraestrutura, etc.
    Resumindo, nunca serviu para nada. Minto, serviu para infernizar a vida de quem precisa dirigir por São Paulo.

  • João Carlos, tudo bem, mas não tem graça nenhuma pagar multa por usar o carro. Essa é a grande mancha desta grande cidade, que um prefeito criou e seus sucessores irresponsável e inconsequentemente mantêm. E o pior de tudo, fere o Código de Trânsito Brasileiro, como expliquei. O trânsito no Brasil rege-se por este código, à exceção de qualquer outro. A coisa toda é mais grave do que parece.

    • João Carlos

      Sim, não tem graça nenhuma. É que eu resumi a história e deu impressão que estou conformado com a situação, mas não estou não.

      • Rafael Aleixo

        Espero que o tratamento da sua mãe seja algo simples.
        Mas caso não, a prefeitura isenta do rodízio pessoas com deficiência ou em tratamento de doenças graves debilitantes (está descrito assim no site da prefeitura, mas eles não especificam quais). Mas essa isenção se dá mediante requerimento e aprovação deles.

        • Rafael Aleixo, em outras palavras, um abuso da prefeitura em cima do paulistano, precisar de autorização para usar o carro. Isso tem que acabar!

  • iBoost

    Eu sou um desses que tem um segundo carro para o dia de rodízio. Está novo e regulado, mas ainda assim é a única forma de “burlar” o sistema.

    Infelizmente isso, bem como a velocidade artificial, estão fazendo São Paulo uma cidade chata de se dirigir.

    Viajo com certa frequência aos EUA e caso você esteja com o “flow” mesmo que esse seja 10-15 mph acima do limite nenhum policial vai te encher o saco.

    Fui ao Rio de Janeiro no começo de dezembro e recebi uma multa a perigosos 82 km/h em plena Dutra. Não sei nem em que trecho. Mas chega a ser ridícula esse tipo de atuação que tem absoluto perfil arrecadatório.

    A segurança da via vai muito além da velocidade.

    – condição de pista sem buracos e com sinalização correta.
    – tirar carros em péssimas condições de uso
    – um processo de educação contínua e fiscalização efetiva para embriagados e afins.

    A velocidade é só um dos itens que contribui para o trânsito com números próximos aos de guerra que temos no Brasil.

    • Mauro Cesar

      iBoost, acrescento aí as fiscalizações em pessoa, com abordagem do condutor para esclarecer porque está sendo parado e o que fez de errado, para fins de conscientização. Mas o risco disso é o agente ser agredido pelo infrator…

  • André Andrews

    Muitos anos atrás provoquei o Ministério Público sobre a questão, motivado por uma antiga coluna do Bob sobre o tema, no BCWS. Não me lembro exatamente dos termos, mas havia virado algo como um inquérito civil, um preparativo para ação civil pública, que depois foi arquivado.

  • Marcelo R., põe inferno nisso. Ter que planejar usar o próprio carro é um autêntico abuso de autoridade desses prefeitos. Cada um pior que o outro.

    • Marcelo R.

      Bob,

      Eu sou mais um do time que tem dois carros, por conta disso (também). Mas, você se livra de um lado e se dá mal do outro… Estou com 16 pontos na carteira, graças a este limite ridículo de velocidade, sendo 12 deles levando meu pai para o hospital, em emergência médica, a mortais 51, 52 e 53 km/h (velocidades consideradas). Imagina a pressão de dirigir numa situação dessas e ainda tendo que ficar controlando o pé, para não tomar multa. Chega uma hora que não dá… Só não cheguei nos 20 pontos, pois, o Stilo está em nome da minha mãe e a notificação chegou atrasada, por culpa dos Correios, e a gente acabou perdendo o prazo para a transferência dos pontos. Antes que alguém fale em recorrer, meu pai foi levado para um hospital público e eles não dão qualquer tipo de atestado, que não seja no mesmo dia da passagem da pessoa pelo hospital. Por isso não há como recorrer…

      Rodízio, limites risíveis de velocidade, faixas de bicicleta e de ônibus… Estão indo com muita sede ao pote, na minha opinião, e, graças a isso, eu mesmo já perdi muito do meu entusiasmo. Chega uma hora que você não aguenta mais ser tratado como trouxa, por eles…

      Um abraço!

  • guest, o original, fechar o eixo norte-sul é mais um abuso desse “gestor” de mentirinha.

  • Magno Costa

    Xii, não fica espalhando essa técnica por aí não, já estão querendo mexer.

  • Antonio F., nossa ÚNICA saída é a polícia atirar primeiro e perguntar depois.

    • Leandro Pianta

      Bob Sharp, onde assino ?

  • guest, o original

    O futuro é sombrio, infelizmente. Além de proselitismo, o que eu posso fazer, como o beija-flor da fábula do incêndio, é não votar em candidatos autodenominados “progressistas” ou que posam de bonzinhos, fazendo caridade com o dinheiro de outrem, ou ainda liberais, que têm um sedutor discurso fiscal mas são radicalmente contrários aos bons costumes. OK, pode ser que o restante não seja lá essas coisas, mas é o que temos no momento. Ah, também direcionar o voto para um partido em que os candidatos sejam mais alinhados a mim, uma vez que por causa do quociente eleitoral – com frequência – votamos em um e elegemos outro…

    • Fat Jack

      Votar em um candidato e eleger outro é um dos maiores absurdos desta terra, e olha que temos outros muitos e grandes absurdos.

  • Marco de Yparraguirre

    Sou solidário com vocês paulistanos com esse rodízio que só é bom nas churrascarias de qualidade, mas o pior está em viver aqui no Rio. quando somos obrigados devido à violência a mudar nossos horários, como em vez de jantar, almoçar; em vez de viajar à noite, só de dia , mesmo assim com cuidado evitando a av. Brasil e as Linhas Amarela a Vermelha em certos trechos, e por aí vai. Temos um alcaide inútil que só pensa em rezar e favorecer suas igrejas, que não cuida das vias expressas, aumentou o IPTU o IPVA junto com o Governador, quando somos obrigados a trocar os amortecedores precocemente por causa dos buracos . Estamos perdidos e dias piores virão.

    • Marco, tenho acompanhado o que está acontecendo no Rio de Janeiro. Só uma solução drástica, que não preciso dizer qual, resolverá.

    • Mr. Car

      IPTU: o meu foi de cerca de R$ 1.800,00 ano passado, para cerca de R$ 2.600,00 este ano. É o verdadeiro “legado” das Olimpíadas. Quando me lembro daquela multidão (dia de semana e horário comercial) tendo orgasmos múltiplos diante de um telão instalado nas areias de Copacabana, quando aquele infeliz do COI anunciou a “escolha” do Rio como sede dos Jogos Olímpicos, não consigo deixar de pensar naquele velho ditado “cada povo tem o governo que merece”. Está para nascer um povinho para gostar tanto de “circo” e oba-oba quanto o brasileiro. O país pode ruir, mas se tiver “festa”, tudo bem. Se houver mesmo esse negócio de reencarnação, vou tentar negociar para nunca mais nascer neste lugar. Nunca mais!
      Abraço.

  • Fat Jack

    Eu acho bastante válida a ideia, duvido porém que entidades como a OAB se atrevam a fazer parte do processo pois apesar da legalidade do rodízio ser questionável, eles não se arriscariam a ser postos como inimigos do meio ambiente pela mídia (que adoraria fazê-lo).
    Na verdade há um acovardamento geral, e quem não aceita não tem força para pressionar as autoridades.

  • Fat Jack

    Acho que tem todo sentido o seu comentário, entendo somente esse “nós brasileiros” não reflete a nós, e sim a imensa massa de manobra acéfala sem a mínima condição de raciocínio para a qual qualquer notícia que é veiculada nas grandes redes de televisão é verdadeira.
    As autoridades estão totalmente perdidas, têm que combater, mas estão constantemente em menor número é se chegarem com cacetetes em punho para dissolver o bando (por exemplo) são vistos por muitos como “bandidos fardados” opressores…

  • Marco de Yparraguirre

    É verdade Bob,
    O justo pagará pelo pecador.

  • Alexandre, milagres acontecem! Agora além do “Milagre em Barroso” (http://www.autoentusiastas.com.br/2015/03/milagre-em-barroso/), temos o Milagre em Marília!!! De parabéns você e todos os marilienses!

  • marcus, eu digo que é criminoso.

  • Luiz AG, claro, é nisso que a bandidalha se arvora. Só que Código Penal é para tempos de paz, não de guerra.

    • Luiz AG

      Atirar antes de perguntar é o que a Venezuela está fazendo. Não é tirando direitos civis que se resolve o problema e sim tirando os motivos que leva alguém ao crime. Como disseram em outro comentário aqui não adianta matar, nascem mais 3, é quase uma Hidra de Lerna.

      • Luiz AG, sim, é o que a Venezuela está fazendo, mas você sabe que o quadro de lá não tem nada a ver com o daqui. Lá se trata de rechaçar a oposição ao governo daquele imbecil do Nicolás Maduro, enquanto que aqui é cenário de guerra civil. Só não vê que é assim que está aqui quem não quer.

        • Luiz AG

          Bob, eu sei que não tem nada a ver com o problema daqui. Aqui o problema é a disputa entre os dois lados da mesma moeda disputando para quem fica no topo. O Brasil sempre foi assim, só mudando o lado da moeda. Por isso sempre voltamos a estaca zero, como está acontecendo mais uma vez vamos ter que reconstruir o país para daqui a 15/20 anos o evento cíclico de crise continuar. Não dá mais, precisamos de soluções novas. Esse negócio de esquerda/direita já deu. Ou o povo se une ou vamos repetir novamente os erros do passado.

          • Luiz AG, tudo certo o que você acha e diz, mas a guerra aqui tem quer resolvida o quanto antes. Não dá para esperar.

          • Wise Old Man

            Eu detesto bandido, assim como qualquer pessoa com mais do que 2 neurônios.

            Mas dar passe-livre para os policiais matarem quem eles acharem que é bandido?
            Burrice, e das grandes.

            Em pouco tempo isso aqui vira um País comandado por uma grande milícia armada.

            Raspou no parachoque do carro de um homem com licença estatal para matar: tiro na testa. Depois ele pergunta…

            Antes então que sejam dadas armas para a população novamente. Isso sim. Mas terceirizar o serviço sujo para as sentinelas do Estado, a seu bel prazer? Repriso: burrice, fantasia e irresponsabilidade.

            Ou os homens do Estado, versados em armas e de discurso ríspido, seriam exemplos de honestidade, equânimes e corretos em seus julgamentos (à queima roupa)? Ingenuidade. Maior do que acreditar em discurso de político do Legislativo.

          • Wise Old Man, então qual a solução para deter a guerra civil? Diga uma.

  • Lorenzo Frigerio

    Deu sorte, pois as autuações são feitas por radares com leitura automática de placas.

  • Lorenzo Frigerio

    Em minha opinião, as favelas deveriam ser demolidas, estilo israelense. Imagine aquilo ocupado de novo pela mata, que lindo ficaria.

  • Vinicius Pelegrini

    Aqui em Santo André há muitas, onde um carro com muito balanço dianteiro e com altura não erguida, já é obrigado a entrar nelas de lado…
    Por outro lado, foram banidas os radares portáteis (que muitos erroneamente as chamam de móveis). Assim como a moda das vias cinquentinha$ não pegou.

    • Vinicius, acabar com os radares portáteis e com as vias cinquentinhas já uma grande vitória. Grande notícia.

  • Danilo K

    Rodízio de veículos implantado de modo permanente é o maior exemplo de segregação de classe social. Só tira o direito de usar seu veículo de “pobre”. O rico tem mais de um automóvel em sua garagem com finais de placa diferentes e quando esquece disso e é autuado, o carro está no CNPJ e o condutor nem pontuação no prontuário toma, só uma multinha de valor dobrado que não faz diferença no orçamento folgado.

  • Fat Jack

    Eu não tenho o rodízio, a proliferação desenfreada das ciclofaixas, a interrupção da permissão de circulação ou os limites artificialmente baixos (entre outros) como coisas normais, nem mesmo aceitáveis são (e muitas vezes sou criticado por esse inconformismo). Infelizmente são coisas das quais os cidadãos comuns não têm como escapar com deste tipo de situação pois não há resguardo jurídico para a contestação e respectivo não pagamento da multa em caso de autuação pelo descumprimento da determinação.
    No caso do rodízio eu me vejo refém da ilegalidade legalizada.

  • Antônio do Sul

    Sobre a situação fiscal do Brasil, gostaria muito de discordar de você, mas não consigo. Ainda que a mudança de governo tenha trazido consigo uma boa equipe econômica e a consequente adoção de diretrizes macroeconômicas corretas, o nosso Legislativo, infelizmente, não tem o mesmo senso de urgência. Com toda a certeza, quando chegarmos à situação de insolvência, quem mais vai gritar serão aqueles grupos que, pensando no próprio umbigo, sempre sabotaram a adoção das medidas corretivas.

    • Luiz AG

      Antônio, eu te entendo, gostaria de estar errado, mas vejo que não estou…

  • FocusMan

    As favelas são mais um reflexo do “coitadismo” no Brasil. Os governantes deixam as pessoas construirem onde não pode e a população apoia porque o coitadinho não tem recursos. Isso tem que acabar! Quem constrói em local proibido é contraventor e tem que ser punido! Agora que não é mais possível fazes isso com as favelas, como resolver?

    • Luiz AG

      FocusMan, eu não diria coitadismo mas conveniência. Deixar o povo carente dependente de benesses governamentais é o povo que qualquer governo quer.
      Só que a bomba estourou. A elite política subestimou a capacidade desse povo em se reorganizar. Está aí…
      Não vejo solução a curto prazo. Deixamos as bombas explodirem (não são só essas) para tentar reconstruir um país mais digno.
      Conforme nosso contexto histórico está tudo certo.

  • FocusMan

    Deprimente ver esse tipo de recomendação…

  • FocusMan

    Também me sinto parte disso…

  • LBReis

    Há três anos, cruzando São Paulo vindo de Campos do Jordão em direção à Castello Branco, ao passar por uma grande avenida, que parecia a continuação urbana de uma rodovia, avistei uma placa ameaçadora do que seria a última saída antes da fiscalização do rodízio. Não havia qualquer informação da placa vigente naquele dia e eu não tinha qualquer indicação de que contaria com sinalização para o meu destino ao adentrar num bairro local. Acho que era alguma coisa do Ó (perdoem a imprecisão, mas foi minha primeira vez no caos paulistano).

    Preferi pagar os 80 reais a me perder em São Paulo com criança pequena no carro durante uma viagem de mais de 8 horas.

    • LBReis, isso que o Celso Pitta fez e os outros prefeitos fizeram é crime contra o cidadão.

  • Mingo

    Pena que desses 6 meliantes, satanás levou apenas 1 até agora. Político brasileiro tem vida longa demais… vide FHC, Lula, Sarney, etc, etc, etc…

    • Christian Govastki

      O Satanás não quer concorrência…Este que foi deve ter levado de engano e não teve como devolver.

  • Rodrigo Ponce

    Uma grande fábrica de multas é o rodízio de São Paulo, se nos primeiros anos a justificativa foi a questão ambiental, agora é o excesso de veículos. É muito fácil de resolver, é só oferecer um transporte público de qualidade, muita gente iria utilizar e o trânsito ficaria melhor. E o efeito colateral do rodízio é bem claro, muita gente comprou um segundo carro, na maioria das vezes bem mais velho, e com manutenção comprometida.

  • Wise Old Man, o seu discurso é que é estéril. Velocidade regulamentada não é lei, mas determinação de um punhado de incompetentes ou espertos, no caso para o estado faturar com multas. E ao falar de velocidade você demonstra ter parco conhecimento sobre esse assunto. Velocidade excessiva é que tem influência nos acidentes, não velocidades naturais para as vias, o que está longe de haver aqui, nessa “São Paulo cinquentinha”.

  • Old Wise Man, estamos em guerra. Ou não percebeu?

  • Wise Old Man, resposta: desde sempre.

  • Old Wise Man, abstenha-se de comentários sobre política. Não serão mais tolerados.

  • Fat Jack

    Eu creio acontecer algo semelhante na câmara federal, tanto que o Tiririca levou (2 ou 3, não tenho certeza) candidatos do seu partido pela votação elevada, o voto dele foi “transferido” para outros candidatos da mesma legenda.

  • Antonio F.

    Se você fosse um policial da lendária Scotland Yard, a polícia do Reino Unido que atirou e infelizmente matou o brasileiro Jean Charles por confundi-lo com um terrorista? Iria pará-lo civilizadamente para revistá-lo e interrogá-lo no meio de milhares de pessoas desesperadas? E se realmente fosse um terrorista? Já pensou no tamanho da tragédia que sua civilidade poderia causar? Segurança pública não é brincadeira de crianças, amigo, alguns segundos para puxar o gatilho e excesso de zelo cívico podem ser a diferença entre a vida e a morte de inocentes.

  • Rodrigo, esse irresponsável desse Pitta e os que o sucederam simplesmente ignoram que trânsito no Brasil se rege por um único código. A CET é desonesta na sua essência. Que ver outra pegadinha? As faixas de ônibus têm dia e horário que são reservados ao coletivos, tipo 2ª a 6ª de 6h00 às 20h00 e sábados das 7h00 às 14h00, para dar um exemplo. Aí vem um feriado numa 4ª feira, cidade sem atividade comercial e de serviços, trânsito quase nenhum e bem leve. Aí os incautos pensam “Se tem horário é porque a prioridade é para o transporte coletivo em meio ao trânsito, mas hoje é feriado e esse horário não conta.” Aí você usa a faixa, como se fosse domingo ou sábado após 14 horas — para receber notificação de autuação por infração gravíssima, 7 pontos e multa de R$ 293,47. O honesto seria haver na placa de horários “Exceto feriados”. Esses incautos e você deduziram errado.

  • Vinicius_Franco

    É muito conveniente à Prefeitura manter o rodízio de veículos em São Paulo. De um lado, atenua-se o efeito da falta de investimento em melhorias no sistema viário e de transporte coletivo da cidade, bem como no planejamento urbano e no crescimento ordenado dos bairros para desafogar o trânsito, removendo um contingente de carros das ruas nos horários de pico. De outro, tem-se uma importante fonte de arrecadação pelas multas. É absurdo, mas duvido que algum prefeito terá coragem de extingui-lo. O que me causa estranheza é o Ministério Público não entrar nessa dividida.

  • Vinicius_Franco

    Imagine a situação de um estrangeiro que vem ao Brasil a turismo, aluga um carro no Rio de Janeiro, decide vir a São Paulo dirigindo (o que pode ser um programa muito agradável se o trajeto for feito pela Rodovia Rio-Santos) e se depara com esta malfadada jaboticaba, chegando à cidade no infeliz dia em que o carro locado não possa circular plenamente.

    • Vinicius, casos como esse são numerosos. O que esse prefeito, que graças a Deus já foi para outro lugar, fez é crime, e foi acompanhado pelos sucessores.

  • Vinicius, eu também tenho driblado as câmeras com sucesso.

  • Lucas dos Santos, diante de tanta burrice dá vontade de desistir mesmo.

  • Leo, e esse conceito está no CTB, às claras.

    • Leo

      Está mesmo, caríssimo Bob.

      E tem outra pegadinha que poderia ser derrubada por uma promotoria decente: os radares móveis escondidos no Rouboanel. Por estarem escondidos, não temos como saber se eles estão dentro do limite de 2.000 metros de distância da sinalização indicativa.

      Aliás, este é outro abuso: sem sinalização de velocidade próxima ao equipamento de fiscalização, podemos assumir que o limite é 110 km/h conforme o CTB.

  • MrBacon, a sensação ao dirigir hoje no Brasil é mesmo péssima.

  • Magno Costa

    Essas revisões a cada 6 meses eram de torrar a paciência e o bolso, um atavismo, ainda bem que acordaram.