Quando o leitor ou leitora, estando bem acomodado (a) no seu automóvel, vir um Jumpy trabalhando na cidade, não fique com dó do motorista por ele estar dirigindo um furgão e não um carro como o seu, pois ele estará dirigindo tão confortavelmente quanto você, com ar-condicionado (esse item só para a versão Jumpy Pack), direção assistida, silêncio a bordo, bom som tocando, banco anatômico, etc.

E quando o leitor ou leitora, estando bem acomodado (a) no seu automóvel, vir no retrovisor um Jumpy trabalhando na estrada, deixe-o passar, porque, com ele, viajar a 120 km/h reais, ou mais, e sem fraquejar nos aclives, é a coisa mais fácil do mundo. Ah! E ele tem controle de velocidade cruzeiro e limitador de velocidade, itens que a maioria dos carros não tem. Como ela vai bem na estrada! Segundo a Citroën ele faz o 0 a 100 km/h em 15,6 segundos e atinge máxima de 160 km/h. E consume pouco.

O Jumpy avaliado é a versão Pack e tem preço público sugerido de R$ 87.990, enquanto a versão básica está listada a R$ 79.990. É importado do Uruguai, onde é montado pela Nordex S.A., na capital Montevidéu.

O 1,6 Diesel turbo BlueHDi é “a última palavra” em modernidade

Quando me informei que o Jumpy a ser avaliado tinha um pequeno motor Diesel turbo de 1,6 litro, achei que seria pouco motor para levar com ligeireza seus 1.719 kg e sua grande capacidade de carga: 1.500 kg (incluindo motorista e passageiros), ou seja, peso bruto total de 3.219 kg. Mas as coisas evoluem e a gente se surpreende, e esse moderno 1,6-L Diesel turbo BlueHDi é realmente impressionante. São 115 cv a 3.500 rpm, que não é muita, convenhamos, mas o torque é que é incrível: 30 m·kgf a 1.750 rpm, um tremendo torque para tão pequena cilindrada. São 19,2 m·kgf/L.

Quadro de instrumentos prático e de fácil leitura; graduação do velocímetro é à francesa, com as dezenas começando por dígitos ímpares e as centenas com o segundo dígito ímpar também

A Citroën, infelizmente, não fornece as curvas de potência e torque — nem procurando no site francês da marca, e nem lá nem qualquer lugar se encontra esse dado — porém é sabido (e sentido) que nesse tipo de motor o torque é um patamar e não um pico. Resumindo, o que se nota é uma grande elasticidade do motor — em baixa ele já despeja grande potência — e isso aliado a uma caixa de câmbio de 6 marchas bem escalonadas e próximas umas das outras, temos aí um furgão ligeiro e agradável de dirigir. Sobra potência. Bloco, cabeçote e cárter são de alumínio e o coletor de admissão é integrado ao cabeçote. A turbina é geometria variável com função overbooster (aumento temporário da pressão de superalimentação, automático), e há interresfriador ar-ar.

Um dos diferenciadores do Jumpy Furgão é ter grande capacidade de carga e não ser alto a ponto de impedi-lo de entrar em garagens de prédios e estacionamentos de shopping centers

O Jumpy é sobretudo prático: carregado com uma moto de 190 kg (a CB 500X), tapetes enrolados, camas, colchões, vasos com terra, e mais uma infinidade de coisas que uma esposa só tem coragem de mandar um marido ou um escravo carregar — ou um que seja ambos —, pegamos a estrada. Era noite, Rodovia dos Bandeirantes, rumo ao interior paulista. Bons faróis, com regulagem da altura do facho, o que é bom que tenha. Logo me surpreendi quando notei que estava acima da velocidade máxima permitida, 120 km/h; nem havia percebido.

O motor vai mais suave e silencioso que muito suve chique a diesel do mercado, e o furgão seguia estável, agradável, tranquilo. Baixei para os 120 km/h reais, onde o giro ronda as 2.500 rpm. O compartimento de carga está bem isolado da cabine. O ar-condicionado mantinha a temperatura ideal.

Boa a ergonomia para o motorista e passageiros, como em todo Citroën

Olhei para o lado e os faróis contrários iluminaram o rosto de minha mulher. Ela ia sorridente, não sei se por poder estar levando as tantas coisas ou se por estar confortavelmente instalada. Acho que ambos.

— E aí? Viu como viaja bem este furgão? – perguntei.
— Viaja macio e silencioso, e estamos passando todo mundo! – ela comentou.
— E olhe que estou guiando calmo. Se eu quiser isso aqui cruza a 140 km/h — lhe disse.
— Olha, Naldo, na volta estou pensando em trazer o sofá creme e aquela mesa da copa e aquele armário e….

“Ai, minhas costas” — pensei. “Até eu devolver este furgão minha vida vai ser essa história de “O mundo gira e a Lusitana roda” — que nem o velho slogan daquela conhecida transportadora de mudanças dos anos 40 e 50, a Lusitana.

Pois é, esse foi o clima de início de viagem. Com o tráfego baixando, liguei o controlador de velocidade de cruzeiro, o que ajuda a evitar multas tolas, e assim fomos. E assim chegamos. Viagem rápida e tranquila de pouco mais de 220 quilômetros. E, a propósito, não senti influência de ventos laterais, comum em veículos de áreas laterais grandes como a deste furgão. O computador de bordo indicou consumo médio de 13,5 km/l após pouco mais de 220 quilômetros.

Rápido na estrada, não será incomum muita gente ver essa traseira sumindo adiante

E o bom consumo se repetiu na volta. Consome pouco, principalmente em vista do forte arrasto aerodinâmico que ele tem, já que sua área frontal é grande, quase 3 m², e em vista da velocidade em que fomos e viemos. Agora, baixo consumo mesmo ele apresentou após rodar quatro dias na cidade de São Paulo: 14,7 km/l! Com motores Diesel turbo  isso é comum acontecer, gastar menos na cidade que na estrada, desde que na cidade se rode civilizadamente e em giro baixo, e aproveitando a menor influência da aerodinâmica desfavorável. No trânsito urbano raramente o conta-giros ultrapassou as 2.000 rpm e mesmo assim o Jumpy seguiu ligeiro, sem requerer muitas trocas de marcha.
Como referência,  consumo pela norma europeia CEE 1999 100, é 16,9 km/l na cidade e 20,4 km/l, na estrada. Mas são números que não correspondem à realidade.

Alto torque em ampla faixa de giros permite seguir rápido com poucas trocas de marcha; localização da alavanca de câmbio é exemplar

A direção, com assistência eletro-hidráulica, é leve e o volante está bem-posicionado, além de ter ampla regulagem de altura e distância. O banco do motorista, idem, amplas regulagens. A posição de guiar é perfeita. Trocar as marcha dele não é missão incômoda,  o pedal de embreagem exige pouco esforço e a pequena alavanca de câmbio está bem posicionada, bem próxima do volante, e tem curso curto e preciso.

Sem desmerecer o vigor físico feminino, pois sei bem do que elas são capazes, imaginei que a própria dona de uma pequena empresa — tipo uma galeria de arte — poderia muito bem fazer entregas, ao menos até que contratasse um marido-escravo como eu.

Lá fora há a versão de passageiros, inclusive uma de luxo, familiar

No trânsito urbano, o Jumpy, apesar de largo (2.204 mm com espelhos), é fácil de dirigir, isso porque o motorista está bem à frente — não tanto como na Kombi, mas está —, e nessa localização tem-se maior facilidade de se “incorporar” as dimensões do veículo. O difícil é estacioná-lo nas vagas de rua ao longo do meio-fio, pois não tem câmera de ré nem sensor de distância — nem alarme sonoro ao dar ré —, então, mesmo tendo amplos retrovisores o jeito era pedir ajuda a quem estava de companhia ou, caso eu estivesse só, tinha que descer, dar uma olhada, voltar a manobrar, descer, dar outra olhada… Nada prático. Pensava lá comigo: “Puxa vida! Pego tanto hatch compacto com essas ajudas, que no caso deles considero sem muita necessidade, e este aqui que precisa mesmo não tem!”. E não tem nem como opcional, ao menos por enquanto.

A versão Pack vem com o ModuWork, esta possibilidade de erguer o banco do passageiro mais à direita e levar cargas mais compridas

Os quatro freios são a disco, sendo os dianteiros ventilados. O pedal do freio é sensível, com pouca pressão já atua forte, porém logo se acostuma com isso e se deve  levar em conta que isso é conveniente quando o veículo estiver bem carregado. Considero certo como está. E freia muito bem, com boa distribuição de frenagem, bem equilibrado, seguro. Vale destacar a progressividade do pedal de acelerador, bem Citroën. É fácil dirigir suavemente esse furgão.

O empresário terá ciúmes de entregá-lo ao motorista da firma

A suspensão dianteira é McPherson e a traseira é independente por braço arrastado triangular, mola helicoidal, amortecedor pressurizado e barra estabilizadora. A suspensão foi levemente erguida, 10 mm, para as nossas condições, principalmente para não raspar a traseira.

A tração é dianteira, tem controle de estabilidade e tração, desligável, e assistente de partida em rampa. O diâmetro mínimo de giro é de 12,4 m. Os para-choques são altos e os faróis estão no alto e recuados, para evitar danos a eles em manobras apressadas, comuns no serviço.

Boa dinâmica na cidade e estrada; faróis são recuados para evitar danos neles

O compartimento de carga tem volume  6,1 m³, porém este veio com o ModuWork, que é uma portinhola localizada a um canto inferior da parede que separa a cabine do compartimento de carga. Com ela aberta e erguendo o banco dianteiro da extremidade direita é possível encaixar objetos compridos, tipo tábuas ou tapete enrolado, e com isso considera-se que o volume de carga é aumentado para 6,6 m³. O comprimento do compartimento de carga é de 2.862 mm e esse espaço do ModuWork tem 4.024 mm. Prático. A portas traseiras podem ser abertas em 180°.

Lá fora a versão de nove lugares chama-se SpaceTourer (rac.com.uk)

Diante do conforto de rodagem e por ter uma porta lateral deslizante, leve, nota-se que daria uma ótima van de passageiros; e dá, só que lá fora, na França, na Argentina e no Uruguai, onde é fabricada, porém para importar essa versão haveria um acréscimo de impostos elevaria bastante o preço.

Kit completo para empresários e esposas carregadeiras felizes…

Enfim, o Jumpy mostrou-se moderno em todos os sentidos e bem construído. Tem uma estrutura rígida — não se notam torções — o que prediz ser duradoura, que com o tempo não há de se tornar “uma bateção de latas” ao passar por piso ruim. E moderno também por ser um projeto que se preocupa com o bem-estar do motorista que haverá de trabalhar com ele.

O inovador e eficaz sistema BlueHDi

O BlueHDi é o sistema de pós-tratamento mais eficiente em termos de controle de poluição, incluindo óxidos de nitrogênio (NOx) e partículas. Como é sabido, um motor a diesel emite poluentes provenientes da combustão: hidrocarbonetos não queimados (HC), monóxido de carbono (CO), óxidos de nitrogênio (NOx) e material particulado. Por meio do BlueHDi, estes componentes são eliminados em três etapas, a saber:

• Na primeira, hidrocarbonetos não queimados (HC) e monóxido de carbono (CO) são convertidos em água (H2O) e em dióxido de carbono (CO2) pelo catalisador de oxidação normal;

• Na segunda etapa, há a transformação de óxidos de nitrogênio (NOx) em água e nitrogênio por introdução de AdBlue® (mistura de água e ureia a 32% – equivalente ao Arla 32) dentro do catalisador SCR (Redução Catalítica Seletiva);

• Na terceira etapa, ocorre a redução de 99,9% do número de partículas, pelo filtro de material particulado.

 

AK

 

FICHA TÉCNICA CITROËN JUMPY FURGÃO PACK
MOTOR
Tipo Diesel turbo
Instalação Dianteiro, transversal
Material do bloco/cabeçote Alumínio
N° de cilindros/configuração 4 / em linha
Diâmetro x curso (mm) 75 x 88,3
Cilindrada (cm³) 1.560
Aspiração Forçada por turbocompressor com interresfriador
Taxa de compressão (:1) 16
Potência máxima (cv/rpm) 115 /3.500
Torque máximo (m·kgf/rpm) 30/1.750
N° de válvulas por cilindro 4
N° de comando de válvulas /localização 2/cabeçote
Formação de mistura Injeção direta
Corte de rotação (rpm) 5.000
ALIMENTAÇÃO
Combustível Diesel
Dispositivo antiemissões Ureia AdBlue, catalisador, redutor seletivo (SCR) e filtro de particulado (FAP)
TRANSMISSÃO
Rodas motrizes Dianteiras
Câmbio Transeixo manual de 6 marchas à frente e uma à ré
FREIOS
De serviço Hidráulico, duplo-circuito em diagonal, servoassistido por bomba de vácuo
Dianteiro Disco ventilado
Traseiro Disco
Controle ABS
SUSPENSÃO
Dianteira Independente, McPherson, mola helicoidal, amortecedor pressurizado e barra estabilizadora
Traseira Independente, braço arrastado triangular, mola helicoidal, amortecedor pressurizado e barra estabilizadora
DIREÇÃO
Tipo Pinhão e cremalheira, eletroassistida indexada à velocidade
Diâmetro mínimo de curva (m) 12,4
RODAS E PNEUS
Rodas Aço, 16 pol
Pneus 215/65R16T 104/106T
PESOS
Em ordem de marcha (kg) 1.719
CARROCERIA
Tipo Monobloco em aço, furgão, 3 lugares
DIMENSÕES EXTERNAS (mm)
Comprimento 5.309
Largura sem/com espelhos 1920/2.204
Altura 1.935
Distância entre eixos 3.275
DIMENSÕES E VOLUMES DO COMPARTIMENTO DE CARGA
Comprimento do assoalho sem espaço do ModuWork (mm) 2.862
Comprimento do assoalho no espaço do ModuWork (mm) 4.024
Largura sem caixas de roda 1.636
Largura entre caixas de roda 1.258
Altura 1.397
Compartimento de carga com ModuWork (m³) 6,6
CAPACIDADES (L)
Tanque de combustível 69
Reservatório de AdBlue 22,4
DESEMPENHO
Velocidade máxima (km/h) 160
Aceleração 0-100 km (s) 15,6
CONSUMO DE COMBUSTÍVEL (Computador de bordo)
Cidade (km/l) 14,7
Estrada (km/l) 13,5
CONSUMO DE COMBUSTÍVEL NORMA CEE 1999 100
Cidade (km/l) 16,9
Estrada (km/l) 20,4

 

 

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