Da Autocar

O professor David Bailey, que pesquisa e leciona assuntos industriais e reestruturação econômica na Aston Business School, universidade localizada em Birmingham, Inglaterra, declarou ontem que a morte lenta do diesel nos carros na Europa está sendo dirigida por pressões ambientais e confusão dos consumidores.

Ele prevê que em 2025 apenas 15% dos carros novos serão movidos a diesel, acima de 50% a menos do que se previa há alguns anos, antes do governo britânico incentivar a compra de motores a esse combustível. Em 2002, apenas 19,8% dos carros eram a diesel no Reino Unido.

O problema da confusão do público provêm do fato de se achar que todos os diesels são iguais. E não se pode culpar demais as pessoas que não conhecem o assunto, já que qualquer explicação entre níveis de emissões de poluentes é bastante técnico e não desperta nenhuma curiosidade ou vontade de entender. Assim, se adere à ideia errada de que o “diesel é sujo”, e nunca mais querer comprar um carro com esse tipo de motor é visto como atitude responsável.

O professor e os jornalistas da revista Autocar — a mais antiga do mundo, publicada desde 1895 ininterruptamente — acreditam que vale a pena explicar e se fazer entender, pois há razões ambientais e econômicas para se manter o diesel em carros leves, especialmente para quem roda muito ou precisa de carros grandes.

O ponto principal é que o transporte pessoal só ocorre com algum tipo de emissão, seja CO2 ou NOx, principais componentes emitidos pelos ciclos Otto e Diesel, respectivamente. Todos os motores produzem os dois, porém. Discutir qual dos dois é mais nocivo é como comparar bananas com laranjas.

O mais importante é que o comprador de carro escolha o que é melhor para ele, para seu uso e circunstâncias, seja carro elétrico, híbrido, gasolina ou diesel.

Certamente em 2025, ano referido pelo professor Bailey, haverá diferenças nas fatias dos tipos de propulsão nos carros do mercado britânico, e com certeza não deverão ser todos elétricos, como muito se prevê. Só como dado interessante, houve 13,5 mil elétricos vendidos no Reino Unido em 2017, em um mercado de 2,5 milhões de veículos. E aí também há que se entender o verdadeiro impacto ambiental do elétrico, que usa tantos metais raros e cuja energia nem sempre é gerada de maneira limpa.

Vivemos em tempos de mudanças, não há dúvida. Jogar no lixo o que foi feito antes sem analisar os fatos não é algo inteligente. A questão é, alguém com autoridade irá ter coragem de levantar e dizer isso, antes do dano ser irreversível?

JJ

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