Inglês sai da Ferrari, italiano vai para a Mercedes e argentino entra na Hot-Car

Não são apenas pilotos que mudam de equipe e carros novos que são apresentados na entressafra entre uma temporada e outra. Ontem foram anunciadas importantes mudanças tanto na F-1 quanto no cenário nacional e por tabela surgiram desdobramentos dessas mudanças. A Ferrari confirmou que David Grenwood, engenheiro de Kimi Räikkönen nas últimas três temporadas, retornou para a Inglaterra e que o pitoresco Marco Matassa — que assistiu ao espanhol Carlos Sainz Jr na Scuderia Toro Rosso, trocou Faenza por Maranello. Em São Paulo a equipe Hot-Car anunciou a chegada de Gustavo Camara, engenheiro aeronáutico com passagens por essa categoria e pelo Brasileiro de Marcas.

Futuro de Greenwood está ligado ao projeto da Ginetta para a categoria LMP1 (Ginetta)

A partida de David Greenwood foi explicada por “motivos pessoais”, justificativa que no jargão de Maranello permite interpretações suficientes para se pedir ajuda a um especialista em comunicação dos tempos da Guerra Fria. A explicação para a nomenclatura do modelo de 2018 (669), será outro exercício digno para tal profissional. Acredita-se que Greenwood assumirá uma posição de destaque na Manor, equipe que desenvolve um programa para disputar a temporada do Mundial de Resistência junto com a Ginetta construída para a classe LMP1. A apresentação oficial do carro será depois de amanhã (11/1) durante a exposição Autosport International, ocasião que também poderá ser anunciada o possível retorno de Grenwood à equipe Manor, onde trabalhou quando a organização ainda era conhecida como Marussia.

Marco Matassa é cotado como novo engenheiro de Kimi Räikkönen (Red Bull Content Pool)

Há algum tempo Marco Matassa vem se destacando tanto nas pistas quanto nas transmissões de TV, onde aparecia com frequência quando o assunto era Carlo Sainz e a Toro Rosso. Antes do espanhol ele trabalhou com Daniel Ricciardo e após a transferência do espanhol para a Renault coube ao italiano assistir ao neozelandês Brendon Hartley. A experiência com novatos parece ter sido o passaporte para a sua contratação. Além de Greenwood, a Ferrari também perdeu recentemente os serviços de Lorenzo Sassi, especialista em motores que agora serve à equipe Mercedes.

Lorenzo Sassi não veste mais vermelho, assinou com a Mercedes (Ferrari)

AS mudanças na Scuderia têm a ver com ajustes que acontecem em uma nova fase da Ferrari: além da equipe principal, onde Vettel seguirá sendo o piloto número 1, a Sauber inicia um processo que pode levar à sua incorporação pelo Grupo FCA ou, no mínimo, marcar um novo modelo de negócios de Sergio Marchionne, o executivo-chefe do grupo FCA. Entre comprar uma equipe para rebatizá-la de Alfa Romeo e patrocinar uma temporada para poder encaixar o monegasco Charles Leclerc, o ítalo-canadense Marchionne optou pela segunda hipótese, e com a economia realizada estuda fazer o mesmo com a Haas, que poderia receber motores com a marca Maserati, ambas operações a usar o motor da Ferrari. Se isso causa brotoeja nos puristas do automobilismo de competição,vale lembrar que é uma solução mais do que batida na indústria automobilística: um único projeto render vários derivações adequadas a diferentes segmentos de mercado.

Nicholas Latifi, quinto na F-2 2017, será o piloto-reserva da Force India este ano (Nicholas Latifi)

Enquanto a Williams segue com seu leilão para a vaga ao lado de Lance Stroll, a Force India anunciou ontem que o canadense Nicholas Latifi, de 22 anos, foi confirmado como piloto de testes para a temporada deste ano. O anúncio esfria o progresso do mexicano Alfonso Celis Júnior, que era tido como favorito para o posto. Latifi, que ficou em quinto lugar na temporada de F-2 em 2017, ficará encarregado dos testes no simulador da equipe e participará de algumas sessões de treinos livres nas manhãs de sexta-feira. O inglês George Russell, protegido da equipe Mercedes (que fornece os motores para a Force India), também estava cotado para essa vaga.

Amadeu Rodrigues (E) e Gustavo Camara: juntos na temporada 2018 da Stock Car (Hot Car/Bardahl)

Enquanto isso em São Paulo, a equipe Hot Car/Bardahl anunciou a contratação de Gustavo Camara, argentino que está radicado no automobilismo brasileiro há cerca de 10 anos. Engenheiro aeronáutico de formação, Câmara iniciou-se no País na equipe Officer-Pamplona, onde atuou na Stock Car e no Brasileiro de Marcas. Mais recentemente desenvolveu os carros de Nonô Figueiredo nessa última categoria e trabalhou com o jovem Guilherme Salas, apontado como uma das grandes promessas do automobilismo nacional.

WG

A coluna “Conversa de pista” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.
(640 visualizações, 1 hoje)