Não sei se isso acontece por eu ter nascido “junto” com eles, ter o mesmo ano de “fabricação” deles. Mas para mim nunca vai haver uma safra de esportivos brasileiros que me chame a atenção quanto os pocket rockets made in Brazil da década de 1980/início da de 1990.

Não que, antes que você se questione, eu não goste do Charger R/T, do Opalas SS, do Maverick GT. Gosto muito, inclusive tenho um Opala em casa com a mesma mecânica do SS-4, mas vestido com trajes de gala.

Meu Opala

Aliás, a garagem de casa é realmente uma mistura muito grande. Resumindo bem, o sonho de um gearhead pobre. Temos desde uma Kombi 1977 que compramos para restaurar, passando por uma Suzuki Intruder 800 com o motor fundido, e até um Focus 2,0 Duratec manual (#savethemanuals) que foi um bom sonho de consumo por um bom tempo e agora é realidade.

Bom, mas voltando ao foco do texto, depois dessa rápida explicação de até onde vai a loucura da minha garagem, o porquê dessa paixão pelos esportivos desse período.

Para começar, o padrão da indústria brasileira estava seguindo o caminho europeu, mais ou menos como a filosofia de Colin Chapman, na qual para ele o importante era o menor peso alinhado a uma potência satisfatória. Os carros diminuíram de tamanho, ficaram mais leves e compactos e ganharam motores maiores para, além de se dar bem nas arrancadas de semáforo, fazer bonito nas curvas e pistas.

Passat GTS Pointer, Escort XR3, Kadett GS e GSi, Gol GT, GTS, GTi, Santana Sport, entre outros, têm um lugar extremamente cativo no meu coração. Além do estilo maravilhoso que tinham, suas cores chamativas, ainda foram responsáveis pelo melhor que vinha de tecnologia naquela época de importações fechadas, como o painel digital que saiu no Kadett GSi, os amortecedores eletrônicos do Escort XR3, e a chegada da injeção eletrônica que veio primeiro nessa categoria — no Gol GTi, no Santana EX e no Monza 500 EF.

Todos eles tiveram o seu lugar importante na história automobilística nacional e, principalmente, na geração que estava tirando carteira por ocasião do lançamento desses carros. Quantos que não sonhavam em ir à concessionária e tirar um Escort XR3 zero-quilômetro? Quantos não assistiam as novelas e filmes de época e babavam em um Gol GTi? Quantos não ficam com água na boca ao ouvir as palavras “azul Mônaco”?

Quer uma combinação melhor para os modelos Volkswagen que o famoso “kit volante quatro-bolas, painel satélite, painel de instrumentos com conta-giros acendendo em branco ou vermelho, e os famosos Bancos Recaro”? Só de imaginar, já bate uma vontade de montar um bom projeto nisso. Mas não é fácil e nem um pouco barato atualmente.

Dá para termos um bom exemplo disso quando abrimos os sites e grupos de venda de carro. Os exemplares em bom estado já valorizaram ao ponto de passar dos 40, 50 mil reais. Os que ainda se acham a preços baixos geralmente estão destruídos, descaracterizados, ou com peças raras (e caras) faltando. Refazer o interior de um carro desses no padrão original chega a ser proibitivo. Mas quando vemos um anúncio assim dá uma vontade de salvar todos…

Ah, dá. E muita. Só me faltaram os seis números da Mega-Sena da virada.

Lucas de Biazzi Neves
São Paulo

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