Um projeto de lei importante para manter sob controle – ou mesmo diminuir – as emissões de gases de efeito estufa foi aprovado há uma semana pela Câmara dos Deputados. Acredita-se que a tramitação pelo Senado do chamado RenovaBio será tranquila e, finalmente, o País terá um mecanismo moderno para limitar a liberação de CO2 na atmosfera.

Os meios de transporte (terra, mar e ar) respondem por cerca um quarto das emissões totais deste gás capaz de provocar mudanças climáticas, segundo a grande maioria dos cientistas. Há os que discordam, porém está bem difícil convencer os seus pares do contrário, ou seja, considerar o gás carbônico de efeito neutro sobre o clima do planeta.

RenovaBio é um programa estratégico bem estruturado e recebeu aperfeiçoamentos em sua tramitação. Uma das mudanças desconsiderou metas anuais obrigatórias de adição de etanol à gasolina ou de biodiesel ao diesel, para aliviar pressões oportunistas. Estas mais atrapalham do que ajudam. O Brasil assumiu diretrizes de descarbonização dos transportes previstas na Conferência Mundial do Clima. Precisava mesmo de legislação sem subsídios ou renúncia fiscal para biocombustíveis.

A ideia teve inspiração nas leis do estado americano da Califórnia. Para cumprir as metas cria-se o comércio de créditos de carbono (CBios). As grandes emissoras (petrolíferas, em essência) compram créditos dos produtores de biocombustíveis. Estes são estimulados a buscar máxima produtividade e assim gerar mais Cbios. Fabricantes de veículos também se sentiriam estimulados a investir em motores mais eficientes.

Na verdade, essa é uma tendência em curso e só precisava de um empurrão estratégico. Desde 2014, Unicamp, USP, ITA e Instituto Mauá de Tecnologia receberam o apoio do Grupo PSA (Peugeot, Citroën, DS e Opel) e da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) para fundar o Centro de Pesquisa em Engenharia (CPE) Professor Urbano Ernesto Stumpf. O nome homenageia o cientista falecido em 1998, considerado o pai do motor a etanol no Brasil.

Com o RenovaBio abre-se a possibilidade de autossustentação de CPEs que, além de oferecer resultados práticos, possam absorver riscos ao pesquisar algo inédito e avançado, como já acontece nos EUA, Europa e Japão. Aliás, colaboram com o Centro acima citado cientistas da França, Itália, Inglaterra e Alemanha.

A própria Fapesp promoveu, quinta-feira passada, em São Paulo, o seminário Eficiência Energética e Biocombustíveis. Um dos trabalhos apresentados, da Universidade Federal de Minas Gerais, foi sobre o desenvolvimento em laboratório de um motor exclusivamente a etanol. Depois de 14 anos, chegou a um resultado surpreendente ao aproveitar todo o potencial e características específicas do biocombustível.

Esse motor turbo de 1 litro entrega 185 cv de potência e seu consumo de etanol é até 10% inferior a um equivalente a gasolina. “O etanol sempre superou a gasolina em termos de eficiência energética. A novidade aqui é a paridade de consumo de combustível”, explicou o professor José Baeta.

A viabilidade comercial dependerá de mais estudos e investimentos, agora viabilizados, em tese, pelo RenovaBio.

 

RODA VIVA

 

ESTRATÉGIA da Ford para importar o Mustang incluía, desde o início, a versão repaginada da última geração. Em geral isso ocorre depois de quatro anos, mas neste caso a previsão era mudar no terceiro ano. Pré-venda em 11 de dezembro na faixa dos R$ 300 mil e versão única GT Premium. Motor V-8, 466 cv e câmbio automático de 10 marchas. Aceita provocações…

PROJETO Berlineta deve se materializar em 2019. Trata-se de um carro de competição brasileiro em colaboração com a ítalo-germânica MICLA. Apenas 850 kg de peso, motor central, tração traseira e mecânica a definir. Seu estilo é um tributo ao inesquecível Willys Interlagos, a versão nacional do Alpine A108, cuja releitura moderna acaba de estrear na Europa.

ATMOSFERA interna e motor 1.0 turbo são os grandes destaques do novo Polo. Bancos com assentos generosos, painel bem projetado, espaço para pernas na parte traseira, precisão de direção e ótimo câmbio automático de seis marchas completam o conjunto. Rodas de aro 17 da versão Highline tornam o rodar bem mais áspero do que as de aro 15 da Comfortline.

FARÓIS de LED (Diodos Emissores de Luz) vão substituir de forma mais rápida do que se pensava os de xenônio. Embora a tecnologia de LED seja cara, o aumento de produção está diminuindo seu custo. Além disso, ao contrário de lâmpadas de xenônio, dispensam sistemas de regulagem automática de altura dos fachos e de limpeza das lentes por jato de água.

PARA inibir o uso do celular enquanto se está ao volante, a GM decidiu entrar no ramo de comércio eletrônico, nos EUA, por meio da central multimídia no painel. De início a oferta de itens é pequena: apenas reservas em restaurante, teatro e pequenas compras. Faz parte da estratégia de evitar distrações. Já disponível e aos poucos em toda a linha de modelos naquele mercado.

FC

A coluna “Alta roda” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.
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  • Humberto

    Se for para dar uma sobrevida ao motor a combustão interna, eu apoio.

    Humberto “Jaspion”.

  • LBReis

    Fico pensando nessa histeria do CO2. Em que pese não duvide que possua capacidade de contribuir para o efeito estufa, fico observando quanto da tecnologia humana depende de reações que liberam calor: motores a combustão, iluminação, climatização, fogões, eletrodomesticos, todos eles possuem o efeito colateral de aquecer o ambiente. Alguém estudou as consequências de todas essas fontes de calor em nível global? Quanto se pensa em aquecimento, o mais lógico não seria antes estudar seus causadores para depois examinar o que interfere em sua dissipação?

  • CorsarioViajante

    Roda do Polo Highline é 16″, a 17″ felizmente virou opcional.
    Agora, acho incrível, se TODOS os transportes (ar, terra, mar em todas as modalidades) contribuem com APENAS 1/4 das emissões, parece que estamos combatendo o inimigo errado não?…

    • Corsario, e os automóveis e comerciais leves, só 10%. Parece aquela canção do Chico Buarque, “Bota a culpa na Geni”.

      • CorsarioViajante

        É isso mesmo. É mais ou menos como o rodízio em São Paulo, existem mil causas difusas e infundadas que usam para justificar o injustificável.

      • Só um comentário off-topic sobre essa música do Chico Buarque: é um claro plágio do conto Bola de Sebo do Guy de Maupassant, fato nunca citado pelo esperto compositor.

  • Jivago Bottenberg

    Será que vão finalmente descobrir o erro do motor flex?

  • Aureo, o motor flex resultou apenas do empenho da indústria sucroalcooleira em vender seu combustível, pois sabiam que se faltassem com o compromisso de fornecê-lo não haveria o problema de 1989. Tanto foi assim que a UNICA (União da Indústria da Cana-de-Açúcar) coassinou o anúncio do primeiro flex, o Gol Total Flex.

  • Vale lembrar que cada país tem que encontrar a sua solução para fugir do petróleo (e a nossa não precisa ser o carro elétrico, não se os modelos flex nos atenderem bem).

    • Fabio Peres, por que “solução para fugir do petróleo”? O que há de errado com ele?

      • Dimitrius Norbert

        Bob, é muito triste o que essa verdadeira histeria climática causa no imaginário popular, basta lembrar que se Al Gore (outrora vice-presidente dos EUA) estivesse certo as calotas polares já haveriam desaparecido.

        • Dimitrius, exatamente, você observou bem.

  • Dimitrius Norbert

    Até pouco tempo atrás se dizia que nos EUA apenas uma empresa detinha capacidade para fazer reciclagem de baterias, não entendo como tantas pessoas caem no engodo do automóvel elétrico, será que não se dão conta que a energia não surge do nada?

  • CorsarioViajante

    Também penso assim.

  • Então o que você acha que deveria ser feito? Priorizar setores nos quais o Brasil (e os produtores brasileiros) não tem controle?