Em comemoração dos 100 anos das picapes Chevrolet, a General Motors Mercosul (ex-General Motors do Brasil) lançou a série limitada “100 Years”.

Serão 450 unidades desta cabine-dupla S10. Baseada na versão topo de linha, a High Country, todas as “100 Years” serão numeradas e terão cor especial feita especialmente para a série, a azul Steel. Outros detalhes a diferenciam, como o emblema da gravata em estilo retrô, similar ao usado nos anos 1920, rodas especiais de 18 polegadas, e capota marítima na cor do veículo, por exemplo.

O emblema-logotipo vintage foi baseado no da década de 1920 (Foto: autor)

O motor é o 2,8-litros turbodiesel, com tração 4×4 e câmbio automático de 6 marchas com o CPA (Centrifugal Pendulum Absorber), um sistema aplicado ao conversor de torque que reduz os níveis de ruído e de vibração. Vem também com tecnologias de conectividade, como o sistema de telemática avançado OnStar e o multimídia MyLink compatível com Android Auto e Apple CarPlay. Seu preço, R$ 187.560.

Capota marítima na cor azul da picape (Foto: divulgação)

A primeira picape Chevrolet foi lançada em 1918. Usava o mesmo motor de 2,8 litros dos carros de passeio, de 22,5 cv, e sua capacidade de carga era de 450 kg. A GM fornecia ao comprador apenas o chassi, a mecânica e o painel frontal, cabendo-lhe mandar completá-la com a caçamba apropriada para suas necessidades. Apenas em 1930 passou a fornecê-la completa, com caçamba de metal.

A História revivida (Foto: autor)

Em 1925 a GM do Brasil foi fundada. Primeiramente trazia os veículos completos e desmontados para aqui os montar, e, curiosamente, o primeiro a sair da linha de montagem foi um furgão. Pouco após a Segunda Guerra Mundial, foi lançada em 1948 a linha 3100, aqui logo apelidada de “Boca de Sapo” devido ao formato horizontal da grade dianteira. Seu motor, um 6-cilindros de 3.549 cm³, produzia 92 cv.

Em 1955 suas linhas mudaram, ficou bem mais bonita, ao que de imediato a apelidamos de “Martha Rocha” em alusão à nossa belíssima Miss Brasil de 1954. E foi numa versão americana dessa linha, a Apache, uma das raras Apache aqui no Brasil, que peguei uma carona com o Sr. Mário, que a tem há 40 anos. Demos uma volta numa das pistas de teste do Campo de Provas da Cruz Alta, uma pista de retas longas e asfalto bom, e foi um grande prazer poder rodar num veículo antigo perfeitamente conservado e em ótimas condições de uso, o que o faz realmente representativo de sua época. Outro grande prazer foi presenciar a sintonia entre o proprietário e seu veículo.

O Sr. Mário tem sua Apache há 40 anos; entrosamento perfeito (Foto: autor)

Em 1959 lançaram a Chevrolet 3100 Brasil e em 1964 começou a linha C com a C14. Em 1974 vem a C10, sendo que em seguida vieram as versões D10 (diesel) e a A10 (álcool).

Mas tudo isso e muito mais é uma história muito bem contada e ilustrada no livro “Chevrolet, robustez que conquistou o Brasil”, de Fábio C. Pagotto e Rogério de Simone, publicado pela Editora Alaúde. O livro pode ser comprado (R$ 55) através do site da editora http://www.alaude.com.br/alaude/ ou através do site da Chevrolet  https://www.chevroletfanstore.com.br/livro-classicos-do-brasil-picapes-edicao-2017/p .

Em outra pista do campo de provas tive a oportunidade de dirigir uma S10 versão flex e outra da série limitada de 450 unidades. Ambas se mostraram igualmente macias de suspensão e quando comparadas às outras tantas picapes cabine-dupla que testei, estão dentre as mais suaves. A pista escolhida, a Durabilidade 1, é a que representa o que elas terão que enfrentar ao rodar Brasil afora, ou seja, asfalto de cenário de terra arrasada pós-guerra com alguns trechos de asfalto bom que por sorte escapou do bombardeio.

A versão flex é mais suave e silenciosa (Foto: autor)

Pouco ruído de suspensão, que está bem isolada, e relativamente boa aderência dos pneus traseiros mesmo em curvas de asfalto irregular, apesar da suspensão traseira por eixo rígido, que tende a quicar nessas condições. Já num sinuoso trecho com asfalto bom elas se comportaram bem, sendo surpreendentemente ágeis para o porte, peso e configuração.

Ambas tinham câmbio automático e estes trabalharam muito bem sintonizados com os motores. O que fica é que esse novo motor Ecotec 2,5 flex, com injeção direta, em nada deve em desempenho ao diesel, e até ganha em suavidade e silêncio a bordo. O flex passou a ser bem mais econômico e potente devido, principalmente, à adoção da injeção direta. Com ele como opção, a diesel fica para quem viaja muito mesmo e/ou para quem gosta do ronco desses motores.

Parece e é robusta (Foto: autor)

Já solicitamos uma para teste “no uso”,  avaliá-las com maior profundidade, mas a primeira impressão de ambas foi bem boa, em parte explicando por que há anos a S10 é líder de vendas. A série limitada “100 Years” é forte candidata a ser um item de coleção.

Antiga sede da Fazenda da Cruz Alta, cuidadosamente preservada; era uma fazenda de café (Foto: autor)

Veja o vídeo feito no evento de  lançamento:

AK

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Sobre o Autor

Arnaldo Keller
Editor de Testes

Arnaldo Keller: por anos colaborador da Quatro Rodas Clássicos e Car and Driver Brasil, sempre testando clássicos esportivos, sua cultura automobilística, tanto teórica quanto prática, é difícil de ser igualada. Seu interesse pela boa literatura o embasou a ter uma boa escrita, e com ela descreve as sensações de dirigir ou pilotar de maneira envolvente e emocionante, o que faz o leitor sentir-se dirigindo o carro avaliado. Também é o autor do livro “Um Corvette na noite e outros contos potentes” (Editora Alaúde).

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