O sol, malvado, nos castigava. Acordamos antes de ele nascer, ainda na fresca e após estralarmos as costas num espreguiço tomamos o café fumegante, comemos pão com manteiga, desmontamos as barracas, colocamo-las no caminhão, selamos os 63 cavalos e saímos. Estávamos na Serra da Canastra fazendo uma cavalgada para cavaleiros e cavalos de verdade. Foram cinco dias subindo e descendo morro, entrando por furnas e grotas escorregadias e pedregosas, pegando platôs que descortinavam cenários esplendorosos, atravessando ou pulando vaus d’água límpida e por aí foi. Aventura.

Porsche 911 2.8 RSR 1973, o Sheik dos carros (motorsportretro.com)

Meu cavalo, o Sheik, um castanho da cruza (crossover!) de sangue árabe com inglês, estava na melhor idade para um cavalo de sela, uns 11 anos, e se fosse para compará-lo a um carro eu o faria a um Porsche 911 a ar e mexido, com comando bravo, daqueles de marcha-lenta impaciente e pipocante e que só quer saber de correr. Em baixa, na lenta, aquele cavalo — que infelizmente já morreu de velho — estava de lascar. Ele nunca havia feito uma cavalgada e quando se viu em meio a tantos cavalos achou que seria um rali de velocidade e queria tomar a ponta. Deus do céu! Ele não se conformava em andar sossegado no meio do pelotão. Ele espumava. Eu, mesmo conhecendo-o muitíssimo bem e sabendo como acalmá-lo, estava tendo dificuldades. Rédeas curtas, porém leves, dando só a tensão necessária e nem um pouco além, pois tesas demais deixam o cavalo ainda mais nervoso. Cavalo  é que nem carro; quanto mais bruto o bicho é, mais delicados temos que ser.

E o tal sol, como disse a princípio, estava de lascar também. Parecia que dava para escutar a pele das costas borbulhando, e essa dureza iria até o sol se pôr, quando chegaríamos ao próximo sítio onde iríamos acampar, o que era longe dali, ainda bem longe, a perder de vista; com várias cumeeiras de serra a cruzar.

A Serra da Canastra é bela e vasta (wikipedia.com)

Subíamos, o Sheik e eu, uma colina, quando emparelhamos com uma moça. Seu cavalinho era um alazão de frente aberta com sangue de Mangalarga Marchador. Cavalinho baixo e rechonchudo, troncudinho, e decidido. Ia que ia no seu andar macio em que nunca fica no ar, onde sempre tem ao menos uma pata apoiada no solo. Já no trote, como era o andar do Sheik, há momentos de suspensão em que o cavalo não toca o solo, daí vem certo tranco ao aterrissar, maior ou menor dependendo do cavalo. A sela da moça estava forrada com um grosso pelego de pele de carneiro. Macio. A minha, sem pelego, não era tão macia, mas era a que melhor me encaixava, mais me dava firmeza.

Mangalarga Mineiro, o Cadillac dos cavalos (clasf.com.br)

— Moça bonita, não quer trocar um pouco de cavalo, não? — perguntei-lhe. Tenha dó de mim.
— Que nada! Eu, hein? Você não é homem? — foi sua divertida resposta.
— Acho que sim, mas tem horas que não é moleza esse negócio de ficar dando uma de machão.
— Teu cavalo é lindo — ela disse.
— Lindo, sim, obrigado, mas ele só quer saber de correr e já estou um pouco cheio de escutar meus ossos moendo. Não quer experimentar ele só um pouquinho? Ele é um doce. É só fogoso, mas é bom de boca e não apronta besteira se você souber dosar seus ímpetos.
— Deixe quieto. Ele é um pouco demais para mim. Prefiro ir sossegada aqui.

E assim fomos papeando um papo gostoso sobre o que amávamos, os cavalos, ela suavemente na sua limusine e eu tremelicando no meu carro de corridas e só imaginando como o meu traseiro agradeceria uma meia horinha que fosse de clemência.

Mas as coisas mudam e acontece que chegamos ao topo da colina e, quando vimos, aquilo se descortinou num chapadão imenso. Parecia um aeroporto plano a 1.300 metros de altitude com uns bons quatro quilômetros de extensão por uns 200 metros de largura. O solo era um cascalho fino entremeado de capim nativo baixo e ralo. Dava para ver que não tinha buracos de tatu e, se os tivesse, seriam visíveis. Outros grupos de cavalos iam à frente. Meu cunhado, na sua égua Beija, eguona grande e poderosa, entre eles.

As condições ideais para o Sheik e eu estavam dadas. Dei um “te vejo mais tarde” pra moça, tirei o chapéu da cabeça e só soltei a rédea do Sheik enquanto fazia nosso costumeiro sinal para a disparada: chupei duas vezes o ar com os lábios fechados. O Sheik, quando sacou que eu tirara o chapéu, já entendeu que era hora de selvageria e saiu empinando que nem um dragster, que nem um jato decolando, e seu primeiro galão de galope engoliu sei lá quantos metros. No terceiro galão ele já estava quase à toda, tamanha a arrancada daquele cavalo. Voou. Deixei o pau comer. Que fosse o que Deus quisesse. Agora eu canso este fiadamãe!, pensei, numa justificativa para a doideira.

Quando de longe vi meu cunhado, fui gritando feito um índio feroz em plena carga, convidando-o para o racha. Ele se virou, nos viu e partiu com tudo antes que chegássemos a eles. Mas não deu nem pro cheiro, pois os passamos como um vento.

Que cavalo! Que sonho de cavalo! Que se danasse todo o sofrimento do seu trote! Que se danasse toda a canseira de acalmar seus ímpetos! Ele ansiava pelo êxtase da velocidade, ele precisava de uma explosão em que botasse pra fora a tremenda energia que seu coração continha. E, meu amigo, meu caro leitor ou leitora, eu era o companheiro certo para isso.

Passamos todo mundo, eu gritando para avisar que lá iam uns malucos e que ninguém nos cruzasse a frente, até que toca já a começar a ver o fim daquele platô…, que acabava num despenhadeiro onde nunca mais achariam a gente.

Despenhadeiros da Canastra (icmbio.com.br)

— Ôa, Sheik! Ôa, bichão! — agora eu com o corpo inclinado para trás, estribos adiante, e muque firme nas rédeas, tendo a mão direita segurando, além da rédea, o diabo do chapéu panamá que eu não podia perder de jeito nenhum.

Por sorte do destino, o Sheik resolveu acatar minhas ponderações, e como não tinha mais ninguém à nossa frente, ele tratou de ir esfriando a coisa. E assim ele foi esfriando, até que ao atingir o galopinho de três pés, aquele galope em que se vai longe sem cansar o cavalo, aquele em que os cavaleiros civilizados conduzem seus cavalos civilizados rodando e rodando nos picadeiros de elegantes hípicas, tratei dar as minhas voltas também, até baixar para o trote e o passo, esperando pelo meu cunhado.

Não se para de repente um cavalo após um grande esforço. Ele tem que trotar, depois andar, até que pare de resfolegar e sua pulsação baixe para perto do normal.

Meu cunhado chegou com a Beija, ele rindo de orelha a orelha. A Beija fez questão de cheirar o focinho do Sheik para eles se entenderem lá do jeito deles. Após os comentários sobre o racha, meu cunhado conseguiu sinal no seu celular. Liguei para minha mulher. Disse a ela que o Sheik era o melhor cavalo do mundo e que ele e eu estávamos exultantemente felizes.

E ele foi, mesmo, o melhor cavalo do mundo. Para mim, foi. Para aquela moça do cavalinho parrudo de andar macio, hoje ela deve se lembrar do seu alazãozinho como o melhor. Cada um na sua. Tive alguns cavalos que foram os melhores do mundo: o Sultão, o Garrincha, o Caçula, o Gualixo, o Granjé, o Buscapé. Cada um no seu tempo, foi. O melhor de todos os tempos, o Gualixo.

Sheik já velhão. Foi o melhor cavalo do mundo e recebeu e deu muito amor. Que mais um cavalo pode querer?

E o que toda essa história tem a ver com carro que satisfaz?, me perguntará o leitor ou leitora.

Com carro é a mesma coisa. O importante, para o(a) autoentusiasta é que tenha o carro feito para ele(a), seja um fogoso esportivo ou uma suave limusine. O autoentusiasta, o sujeito que ama os carros, só está satisfeito se tiver o que considera o melhor carro do mundo para suas necessidades, sejam elas quais forem, seja esse carro qual for.

O sujeito que se satisfaz em comprar o que melhor será revendido, o outro que se satisfaz por ter o carro que dá mais status, etc., esses aí são só blá, blá, blá a respeito de carro, não gostam realmente de carro. Gostam de outras coisas, mas de carro, não. Dirigem e imaginam, mas não sentem.

Nada impede que o(a) autoentusiasta tenha o mais econômico, o mais racional, etc. Nada impede. Mas para ele(ela) satisfazer-se, mesmo, ele(ela) tem que ter o carro que ama, o que foi feito para ele(ela) e esse muitas vezes passa longe do mais racional.

AK



  • Renato

    Que maravilhosa lembrança dos tempos de cavalgada com os amigos você me trouxe, Arnaldo.

    Esses animais são simplesmente esplendorosos e companheiros de uma vida inteira.

    Não sem marejar os olhos me lembrei de meu pai me ensinando a montar. Assim como nos tempos de solteiro de papai, que fazia ralis com seu fuscão enfezado, ele sempre foi dado aos cavalos mais ariscos.

    Na pitoresca cidade em passávamos férias, lembro-me de estar tomando um suco em uma birosquinha enquanto ele bebia uma cerveja, ao que para um funcionário de um haras montado em um impecável árabe puro sangue.

    Sem qualquer cerimônia, foi logo pedindo para montar o bicho, ao que o funcionário lhe responde: “Ahh Dr. esse cavalo vai lhe derrubar, depois você se machuca e já viu, né?”

    E não é que meu pai montou o árabe e saiu todo prosa, fazendo o bicho jogar as patas lá para o alto e empinar o rabo. Nunca me esqueço dessa cena. (a cara do funcionário também foi impagável)

    Sua paixão por cavalos ariscos me foi herdada, ao que me lembro bem de uma linda Mangalarga Paulista, Cigana, de um castanho de doer os olhos, que eu adorava montar no sítio. Mesmo com os Campolinos, era a que eu mais gostava de montar. Aquela marcha trotada sempre me cativou.

    Sempre que chegávamos meu pai perguntava ao caseiro: “tem montado a Cigana?”, ao que lhe respondia: “Ahh seu Renato, não dá pra montar essa égua não, ela ficou ‘vadia de pasto’. É muito arisca e só o seu filho e o Renatinho é que montam ela”. “Então coloca duas sacas de café nela e deixa correr até cansar”, respondia meu pai.

    No meio das férias a bicha já estava montável novamente e fazia nossa alegria. Minha e de meu pai.

    Hoje já não temos sítio; não temos Cigana; não tenho mais meu pai.

    Mas o que deixamos desta vida, são essas maravilhosas recordações.

    Do fundo do meu coração, Sr. Keller, muito obrigado por me aflorar recordações há muito adormecidas.

    • Bom, Renato, se só você tivesse lido esta historinha, já teria valido a pena tê-la escrito. Fico feliz que você e outros tenham entendido perfeitamente o que eu quis contar e tenham entrado no clima.
      Essa do seu pai montando o árabe, é das cenas que mais gosto; ninguém está botando fé no cara e quando vai ver o sujeito é uma tremenda fera. Tem mais é que ter saudades dele. Sorte sua, sorte dele.

  • Mr. Car

    Balão, Pirulito, Conhaque, Tarzan, e Americano: os cavalos com os quais convivi na fazenda do meu avô. Cada um com sua personalidade. Eu preferia o Balão, por sua docilidade. Confesso que não sou muito fã de tração animal, e depois que, já grandinho, aprendi a dirigir o trator e a camionete, raramente cavalguei.
    Com carros, é igual, prefiro os menos brutos, mais civilizados. É por isto que não dou a mínima para os Bugatti, Pagani, Koenigsseg, Hennessey, McLaren, e adoro Audi A8, Mercedes Classe S, BMW, Série 7, Rolls, Bentley, etc, he, he!
    Abraço.

    • Lorenzo Frigerio

      Aquele Audi A8 do filme “Ronin” é um belo exemplo.

  • Nora Gonzalez

    AK, lindo texto! Minha experiência com equinos nunca foi das melhores. Na família dizem que até cavalo de carrossel dispara comigo e deve ser verdade. Até pangaré daqueles de aluguel em Campos do Jordão se acha um corcel – e dá-lhe desabalada carreira. Mas quem diz que desisto? Cavalo, apenas um ou vários sob o capô de um carro, é tudo de bom.

  • CorsarioViajante

    Mais uma obra-prima, AK!

  • Alberto Carneiro

    Caro Sr. Arnaldo, obrigado pelo texto. Estou decidido a comprar seu livro.

  • Nilson

    Minha experiência com cavalos é nula, zero, nada. Mas deu para entender perfeitamente a mensagem, Arnaldo.
    Em ordem de importância, resumindo meus critérios para escolher um carro: atração, emoção, satisfação, razão.

  • André K

    “Agora estou atrás de outro carro e esse artigo me fez ter certeza do que eu penso há anos: carro para mim tem que me agradar, não interessa se é de difícil revenda ou grande desvalorização.”
    Tive um Corolla prata até dois anos atrás. Carro muito bom, gostava muito dele, deixou saudade. Precisei vender por conta de um negócio com apartamento e pensei, beleza, Corolla prata é fácil. Na prática foi a mesma ladainha de sempre… Ah, não dá para pagar bem pois está com 120.000 km… Ah, isso… Ah, aquilo outro… Resultado, não vendi bem o carro e nem foi rápido…
    Para mim, isso me fez constatar um pensamento que eu já tinha de outras experiências: essa de carro fácil para vender é balela, na prática o que vale é sorte mesmo.

  • Nora Gonzalez

    Rafael Castelo, já me disseram isso mas como eles descobrem que eu gosto de correr? A primeira vez que isso aconteceu eu tinha 6 anos!

    • Rafael Castelo

      Isso eu já não sei (isso e quase todas as coisas desse mundo!). Mas acho que alguns bichos tem instintos que nós não temos. Talvez tenhamos perdido essa sintonia fina com o tempo, com a nossa “evolução”. Agora o que nos resta é apelamos ao racional sempre que não conseguimos entender algo. =)

  • Rafael

    Andei muito de cavalo na infância. Quando finalmente tive um, uma égua Campolina, antes de amansar ela morreu. Nunca mais quis cavalo com o mesmo entusiasmo.

    Com carro penso o mesmo. Compro pra mim e não em agradar o próximo dono. Motivo de eu ter optado por SUV manual. Um amigo meu brinca que pra comprar carro nao podemos ser regionais. Precisamos apelar pra emoção! Claro, dentro de uma limitação.

    • Janduir

      Os animais deveriam durar mais que os donos Tive um pastor alemão que morreu e estranhamente, senti mais do que quando um irmão faleceu de cirrose.

  • Diego Felipe

    Texto sensacional. Não entendo de cavalos, mas compartilho da sensação sobre os carros.

  • rua33

    Belo texto Arnaldo. Belo texto.
    Com isto recordei uma parte de minha vida, quando aos fins de semana ou em férias de aula, deixava a casa da minha avó, na cidade, e retornava à vida campeira, onde ajudava meu pai, com a sua criação de gado. Em certos dias, após quase dois turnos de lida, os nossos cavalos ainda tinham energia, para uma breve disparada (ou carreira como é dito aqui no Rio Grande do Sul). E quando conseguíamos emparelhar os cavalos, naquela correria toda, levantando poeira, meu pai e eu soltávamos longas gargalhadas. Era pura felicidade. Fiquei imaginando a cena da tua imensa alegria com a disparada do teu Sheik “Porsche 911”. Momentos assim são eternos. Parabéns.

    • rua33, seu pai fazia muito bem. Apostar corrida com os cavalos, só depois da lida com o gado e voltando pra casa. Se ficar correndo antes, quando chegarem para mexer com o gado os cavalos estão cansados. Essa é a regra que aprendi ainda criança, de tanta bronca que levei do vaqueiro.

  • Rafa F

    Sensacional o texto, como de costume, AK !

    E a foto de abertura é a melhor ! Parabéns !

  • ene

    Coisa que sempre falo para o meu filho, é que eu nasci na era certa. Na bela era do automóvel com Ford a simplificar as coisas e permitir que meros mortais também pudessem comprar seus rolantes motorizados.
    Já o Fusca foi dádiva para os auto entusiastas brasileiros, que com pouco, ou melhor, menos dinheiro pudesse adquirir seu possante e incrementá-lo de todas as maneiras possíveis.
    Não tenho nada contra cavalos ou outros bichos, mas não posso deixar de todos os dias, dar vivas ao veículos autopropulsores, que me dão plena felicidade.
    Quanto ao carro escolhido, concordo com o autor. O que vale mesmo é a satisfação que o carro pode dar ao seu proprietário e não o status. Carro, como ele disse, é para sentir e nada mais.

  • ene

    Meu atual carro até se parece com o Sheik. Não digo que é o melhor do mundo, mas muito bom para curtir, inclusive deixando de lado seu banco torto e mal fabricado, que depois de um tempo faz o corpo doer, como se tivéssemos passado por baixo de um rolo compressor.
    Já pensei várias vezes em enviar esse banco para a fábrica, comprar outro, talvez da marca Recaro e nunca mais trocar de carro.

  • Antonio F.

    Legal, o que interessa é que você curte teu carro, até porque ninguém deu R$1,00 para te ajudar a pagá-lo.

  • Antonio F.

    Tenho o carro mais odiado da internet, o VW up!, e amo esse carrinho, pois me atende em tudo que preciso em termos de mobilidade, mas o coração sempre bate mais forte quando vejo um Opalão 6-cilindros, por exemplo. Opala e eu fomos feitos um para o outro, ainda hei de ter um.

    • Antonio, se lhe serve de consolo, gosto muito do up!, mesmo o aspirado. É um carrinho muito divertido de dirigir e me lembra o MINI original. Quem critica não curte dirigir. E um Opala 6-cil preparado.com comando bravo e uns Weber para alimentar, uma só saída de escapamento, dá uma bela farra.

  • D.JUNIOR

    Carro assim, arisco como este cavalo, pilotei um Sandero R.S. O haras de 150 cv prontos para a debandada surgem de forma excepcional, quase como se fosse um motor com turbo. A dureza da suspensão e a dureza na troca das marchas acabaram por deixar a experiência um pouco mais intensa, e adorei o carro. Não fosse o fato de precisar utilizar o carro todos os dias (faculdade, outras coisas do dia a dia, levar e buscar minha irmã da escola), com certeza eu adotaria este Sandero anabolizado. Enquanto não chega aquela parte boa da história de ter dinheiro para tudo, fico no momento com um Ford Ka, cujo acerto do mesmo me surpreende de forma bastante positiva (inclusive o conjunto motriz, que trabalha de forma a fazer esquecer o deslize técnico de colocar um conjunto mecânico insuficiente ao peso do carro, caso do antecessor Fiesta RoCam, em que apesar da falta de motor
    era um excelente carro).

  • Luiz Alberto Melchert de Carva

    Está aí algo que compartilho com o jornalista. Sempre que me dizem que o cão é o melhor amigo do Homem, replico dizendo que é o cavalo, que a humanidade tem uma dívida impagável com esse animal. Todos, que somos do cavalo, temos um que nos é absolutamente caro e eu tive dois, um cruza 3/4 árabe com Quarto de Milha e um puro árabe, ambos filhos do Padron. O primeiro foi o best condition do ano em enduro equestre e o segundo, que morreu em julho de 2015 aos 23 anos, rodou o mundo comigo. Já cavalguei o equivalente a três voltas ao mundo, sendo que dez porcento disso em provas. Só discordo do autor num detalhe, mil vezes um cavalo trotão a um com marcha picada porque, para mim, o trote é como uma dança e posso passar doze horas trotando que não me canso e não sinto o menor impacto na sela. Hoje, de meus animais, só guardei as fotografias e os troféus que me tomam a parede à minha frente em meu escritório. Que Deus os abençoe, cavalos e cavaleiros que de fato se amarem.

    • Luiz, legal que tenha esse amor pelos cavalos e essa vivência com eles. Temo não ter me expressado devidamente no texto, pois, se o tivesse feito, você na certa concordaria comigo. O problema não era o trote do Sheik. Num trote ritmado a gente se ajeita e vai embora. O galho era que ele estava doidão quase o tempo inteiro, sem ritmo, andando de lado, espumando, você sabe como é.
      Quanto ao Mangalarga Mineiro, ele existe porque proporciona maior conforto ao cavaleiro, tanto que antigamente a conversa era: um marchador para o patrão correr a roça e um trotão para o peão lidar com o gado o dia inteiro, devido, claro, à maior firmeza do trotador sobre terreno irregular e ao menor dispêndio de energia desse andar para o cavalo (tanto que o trote esticado é o escolhido pelos cavalos selvagens em suas migrações).
      Quanto ao cachorro e o cavalo serem nossos melhores companheiros, aí depende das necessidades daqueles povos. Alguns, por exemplo, os índios brasileiros, os povos africanos e os esquimós, não adotaram o cavalo, mas logo adotaram o cão. E acontece que todos os povos adotaram o cão, todos, e ao domesticar o cão esses povos tiveram mais rápida evolução, pois o cão passou a cumprir tarefas que cabiam ao homem, como a guarda da tribo, o alerta, a ajuda na caça, e o homem passou a poder se concentrar mais em outras coisas como o aprimoramento das armas e o cultivo da terra.
      Mas o amor por esses bichos não é excludente. Podemos amá-los igualmente, sem problemas. Na verdade, acho que o trio é o ideal, passear a cavalo com o cachorro acompanhando. Não é, não?

  • JPaulo10

    (x2) E como!

  • Exatamente! E complementando o que você disse, os cavalos ibéricos, Lusitano e Andaluz, têm muito sangue do nosso querido e incansável árabe.

  • Nunca comprei carro por mercado, sempre comprei os que mais me agradam. Sempre fui feliz assim, e continuarei sendo. Acredito que quem ganha dinheiro com carro é quem trabalha com isso, eu quero é o que me agrada.

  • Rafael Malheiros Ribeiro

    Que texto bacana, pena que só o li hoje, três dias depois de publicado! Na 6ª feira fiz uma ótima “cavalgada” com os 170 cavalos do meu Jetta Variant, indo e voltando de Itaipava a Teresópolis, no estado do Rio, pela lindíssima BR-495 num final de tarde. Tocada rápida e segura, pouquíssimo movimento na estrada, que por si só já vale a viagem.

  • Para mim, Luiz, não há controvérsia alguma. Basta ir ao Jockey Club e ver um monte de PSI com testa acarneirada e todo PSI descende de ao menos um de três garanhões árabes. E o que me lembro é que o sangue árabe que entrou na invasão dos mouros veio através do cavalo bérbere, essa, sim, a raça usada pelos invasores. E o bérbere não tem testa chanfrada que nem o árabe, é reta ou acarneirada.

  • Luiz Alberto, problema nenhum, você e o editor de testes Arnaldo Keller trocarem ideias neste espaço. No mínimo, os leitores e leitoras terão ou aumentarão conhecimentos sobre equinos.

  • Aham essa moça é uma de minhas filhas e o sorriso dela é mesmo encantador. Obrigado. Essa manja de cavalo e eles a adoram. O Buscapé, que foi meu e dei a ela assim que ela cresceu o bastante para montá-lo, nem ligou mais para mim, e de tão apaixonado dava um jeito de ir dormir debaixo da janela de seu quarto. Ela acordava, saía para andar e ele ia atrás feito cachorro.

  • Luiz, não tenho facebook, mas meu email está no site. Será um prazer.

  • Curió, pois então experimente, mas, claro, cada cavalo tem sua personalidade, tipo de doma a que foi submetido, e modos. Se montar um dos bons, gama, porque o bicho é quente e não cansa, fora que é muito inteligente.

  • Luiz, com cachorro temos que tomar cuidado é no calor. O bicho aspira ar quente perto do solo, então refrigera mal.

  • Exatamente, Luiz, com o gado é a mesma coisa, assim como todo animal bem adaptado ao ambiente. O Nelore, que vem de região quente, é pernalta, pelagem branca e pele preta (o Nelore pele rosa não vingou), tem a barbela que também funciona como um radiador de sangue, fora gordura concentrada no cupim e não espalhado pela carne. Com qualquer friozinho o bicho já se arrepia.

  • Patureba

    Lendo esse texto me lembrei de dois saudosos cavalos da fazenda do meu pai. Um deles, o Lazão, era dócil e bom de sela, um bom representante dos mangalarga marchador. Andávamos por horas na fazenda, calmamente. No fim do dia nem se sentia dor pelo corpo. O outro, era o demônio em forma de cavalo. Chamava-se Flamengo, arisco, esperto, nervoso, ao colocar o cabresto tinha que prender a cabeça dele porque a vontade de correr era tão grande que ele trazia a orelha na boca do cavaleiro. Assim como o Sheik, era só “bambear” as rédeas que o bicho arrancava a mil. Como me divertia nele, os braços doíam de frear o animal, mas era uma injeção de adrenalina brincar com o cavalo que compensava qualquer dor no corpo.
    Como um velho de alma jovem, o Flamengo morreu aos 27 anos por picada de cobra, mas ainda exalava esse ar de atleta, sempre com a marcha lenta nervosa.
    Hoje cavalos para mim são investimento, há muito não ando. Sempre brinco com meu sogro, que cria mangalarga, que enquanto ele anda nos que comem capim, eu conduzo os dele que bebem diesel.
    Mas que é um animal fascinante, nisso eu admiro muito nossos amigos cavalos.