Nesta última 3ª feira, dia 14, no Sambódromo do Parque Anhembi, em São Paulo realizou-se a 9ª Noite Renault deste ano, esta comemorando os 40 anos da marca na Fórmula 1, iniciado com o RS01 no Grande Prêmio da Inglaterra de 1977. A entrada da Renault na Fórmula 1 marcou o início da era turbo. Seu motor era V-6 de 1.500 cm³, quando todos os carros tinham motores 3-litros de aspiração atmosférica. A Renault aproveitou a ocasião para mostrar o seu conceito do carro de F-1 do futuro, o  R.S. 2027 Vision.

Os convidados especiais, claro, foram os carros da Renault. De um lado, carros antigos da marca, já considerados clássicos, e de outro, carros nem tão antigos para tanto, porém representativos da presença da Renault no Brasil, como vários Twingo, alguns Laguna, Clio, R19, Mégane, Grand Tour, Duster, enfim, um bom apanhado.

No palco principal, o nosso querido R.S., um Captur e a novidade que anda mexendo com o mercado, o Kwid, além de um Fórmula 1 futurista cujo cockpit é fechado.

Durante o coquetel de recepção o nosso colunista Fernando Calmon foi homenageado pelos seus 50 anos de jornalismo automobilístico. Homenagem merecida. Quanto mais se conhece a seriedade e o afinco com que o nosso estimado Calmon dedica ao trabalho, mais agrada que ele seja devidamente reconhecido. Muitos devem a ele, e dentre eles, eu.

O presente observa o passado e com ele aprende

Entre Gordinis, Dauphines, Interlagos e 4CV — este mais conhecido pelo apelido de “Rabo Quente” por ter motor “de rabeta”, tal qual o Fusca, o Gordini e o Dauphine —, minha atenção focou num raro R8 Gordini; raro pelo modelo ser raro no Brasil e mais raro ainda por ter sido o carro com que o campeão Emerson Fittipaldi venceu sua primeira corrida de automóvel.

O que o Emerson deve ter visto bastante antes de receber sua primeira bandeira quadriculada de vencedor

Recentemente adquirido pelo Maurício Marx, sócio da loja-museu Universo Marx  (alameda dos Nhambiquaras 1.980, Moema), o carro está envelopado de amarelo, a cor que tinha na sua época de competições inscrito pela equipe Willys, nos anos 1960. Ao comprá-lo ele estava pintado de azul, porém ao ser convidado para o evento o Maurício envelopou rápido seu exterior de amarelo, cor que logo receberá numa pintura geral e restauradora.

O menino Vítor ao volante do R8 Gordini com o qual Emerson Fittipaldi venceu sua primeira corrida de automóvel

No momento ele está com um motor Ford derivado dos Renault, um CHT do Escort, preparado. Diz o Maurício que está um capeta, e acredito, mas em breve seu motor original, o de “matching number”— um 1.300-cm³ com cabeçote de fluxo cruzado e  câmaras hemisféricas, com dois carburadores de fluxo horizontal Weber DCOE 40, 130 cv — estará pronto para voltar ao berço de nascença. Veja o carro e outros no vídeo que segue ao final.

Bird Clemente e Chico Lameirão também pilotaram o R8 Gordini

Se este editor fosse do sangue frio, ou pedante, outro carro que mencionaria como “interessante” é este Gordini De Luxe vermelho da foto de abertura. Mas como não sou um ou outro, fiquei é empolgado com ele. Recentemente importado dos Estados Unidos, é de uma série especial de 1962. Vinha com teto solar e motor do R10, um de 1,6-litro, e vários itens de luxo e esportividade. Esse carrinho é o fino. Esse é daqueles que provocam desejos irresistíveis de guiá-los.

Luxo e prazer num Gordini 1962

Foi restaurado pelo Marcelo Cassari, da oficina Galpone, especializada em restauração dos carros da marca. O Marcelo também trouxe seu companheiro de guerra, esse Gordini branco de número 37 da foto de abertura, com o qual participou e venceu várias corridas em competições de clássicos. Gosto do trabalho dele porque, além da estética, ele, como piloto que é, se preocupa em restaurar também o comportamento do carro.

Os Willys Interlagos Berlineta não poderiam estar de fora dessa

Encantou ver a alegria das crianças. O Vítor, filho de um amigo fã de Kombi, vibrou quando o coloquei ao volante do R8 do Emerson. Uma menina estava elétrica por desfilar sob luzes no Sambódromo a bordo do bem-conservado Twingo do pai. Criança gosta de carro.

Um   Renault 4CV que de nós não escapou de ser apelidado: “Rabo Quente”

Criança gosta de carro não é porque ele representa luxo, status, conforto ou transporte. Criança gosta de carro que nem os primeiros automobilistas gostavam, porque para elas o carro representa aventura e liberdade. Ver carros antigos nos traz esse sentimento gostoso de volta.

Um bom exemplar de Gordini não restaurado; dá até a impressão de que no tanque tem gasolina amarela, como era chamada a gasolina comum da época

Parabéns à Renault pelos 40 anos na Fórmula 1 e parabéns a todos os participantes! São os sinceros votos de um autoentusiasta.

AK

Assista ao vídeo:

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