Mosca Branca é um termo “chulo” utilizado no meio automobilístico que possui o significado de “raridade”, algo difícil de encontrar, um carro incomum.

Dentro do cenário nacional, existem alguns veículos que por “n” motivos possuem este status e neste texto citar alguns que já pude ver de perto:

Opala Comodoro 1977: até aí um belo Cupê muito bem cuidado, mas a cereja do bolo deste carro é ser um 4-cilindros 151 (2.474 cm³) com câmbio automático Hydra-Matic de três marchas  com alavanca seletora na coluna de direção. Só vi este exemplar até hoje e o carro (foto de abertura) pertenceu a um amigo.

Voyage LS 1981: notam algo diferente? A Volkswagen no desenvolvimento do Tipo 307 (ou simplesmente Voyage) trabalhava com duas motorizações, o EA 827 (BR) de 1,5 L e o velho boxer 1,6-L arrefecido a ar. Iniciou-se a pré-série de produção do carro e em cima da hora a Volkswagen decidiu que o Voyage iria ao mercado somente com o motor arrefecido a água.

Conversei com alguns funcionários que trabalharam no desenvolvimento e com um dos pilotos de teste da época, o amigo Guilherme Sabino, mas ninguém soube dizer o porquê deste pré-série ter ganhado as ruas com a saia dianteira fechada, preparada para o motor boxer arrefecido a ar mas com o BR 1,5-L sob o capô. O carro da foto é do amigo Leonardo Braz e está na família imaculado desde 0-km, hoje com as devidas placas pretas.

Polo Classic 1,0 16v: pouca gente conhece essa versão, mas em 2001 a VW chegou a montar algumas unidades deste com o EA 111 1-L e cabeçote de 4 válvulas por cilindro, entregando 71 cv, porém desistiram do projeto e venderam os veículos aos funcionários; a diferença mais significante com relação à versão 1,8-L é a ausência de frisos laterais. E por que desistiram? No dia em que o Polo 1-litro 16-válvulas era apresentado à imprensa, o governo anunciou mudança nas alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), criando uma faixa intermediária de 1.001 a 2.000 cm³ (antes era até 1.000 cm³ e acima), o que tornou pouco interessante um motor de 1-litro sofisticado.

O Polo com motor 1-L 16-válvulas de 71 cv, a gasolina, de 2001, nunca foi vendido ao público

Oggi CSS 1,4-L: a Fiat queria introduzir o Oggi no I Campeonato Brasileiro de Marcas e Pilotos, de 1984, mas o carro carecia de um motor mais potente. Homologaram então o Oggi CSS, cujo principal destaque era o motor Fiasa de 1.415 cm³, de 78 cv, porém, o regulamento da categoria, o Grupo B Brasil, exigia que ao menos 300 veículos com esse motor fossem produzidos e assim foi feito.

Fiat Oggi CSS só nasceu para a fábrica competir no I Campeonato Brasileiro de Marcas e Pilotos, em 1984 (Foto: Quatro Rodas)

Monza 2-L S/R “Venezuelano”: a General Motors enviava o Monza em kits CKD à Venezuela, onde tinha uma operação de montagem (encerrada no ano passado). Porém, por causas desconhecidas, em 1989 alguns destes veículos (cerca de 200) fizeram o caminho inverso e foram trazidos ao Brasil. Estes possuíam rodas exclusivas, opções de câmbio automático e manual, bancos de couro e algumas unidades tinham até injeção eletrônica.

Gol C: o Gol C chegou ao mercado em 1987, era uma espécie de substituto do BX que saíra de linha em 1986; possuía rodas de desenho antigo com calotas plásticas centrais, não tinha retrovisor do lado direito e frisos nas laterais, o câmbio era de quatro marchas. Eu mesmo só vi um logo quando foi lançado, um taxista aqui da região havia comprado um 0-km.

Gol C 1987/88

Gol Special 1,6-L (EA 827): em 2003 a VW ofereceu, por um curto período, o Gol Special equipado com o velho e bom AP 1600. Ele era exatamente igual esteticamente ao Gol Special 1-L com motor AE 1600, exceto pelos logotipos diferenciados fixados na tampa traseira.

Santana 1,8 16v: este é mais um caso enigmático; o modelo das fotos apareceu em um anúncio na internet este ano, a descrição dizia que o carro era montado com um motor de 1,8-L e cabeçote de 4 válvulas por cilindro, com injeção eletrônica. O proprietário informava que o carro pertenceu à um alto executivo da Volkswagen do Brasil.

Alguns amigos meus me procuraram e perguntaram se eu conhecia algo a respeito, eu respondi que apenas conhecia o Santana Tecno II (carro conceitual desenvolvido pela Volkswagen do Brasil em 1984), porém, quando me deparei com as fotos do anúncio, fiz um rápido comparativo com as imagens do Tecno II e vi que a montagem do motor era exatamente igual, os periféricos entre outros, daí passei a acreditar na história contada pelo proprietário.

O Bob trabalhou na cia. na década de 80 e deve ter conhecido alguns carros , digamos “diferentes” como este.

Este motor era utilizado no Golf GTi MKII, desenvolvia 139 cv e 17,3 m.kgf.

 

E aqui em casa também já tivemos a nossa “Mosca Branca”: um Corsa Sedan 1,6-L MPFI 2002 automático.

O nosso Corsa Sedan, que depois passaria a Corsa Classic e finalmente, até o fim de produção, Chevrolet Classic

No final da década passada, meu pai passara por uma cirurgia no joelho esquerdo e precisava de um veículo com câmbio automático. Eu fiquei encarregado de encontrar uma alternativa de carro compacto com essas características e já conhecia esse modelo, um amigo havia se casado com uma moça que possuía dificuldades de locomoção e ela possuía um.

Comecei a fazer buscas em sites especializados em comércio de veículos e encontrei o exemplar em questão pertencente então a uma senhora (que também possuía dificuldade de locomoção), em excelente estado.

O hodômetro marcava 53.000 km e o carro visualmente estava muito bom. Fiz um pequeno teste de direção com ele a fim de avaliar o veículo como um todo mas dei uma atenção especial à caixa, uma automática AisinWarner de quatro marchas. Também submeti o mesmo à uma vistoria cautelar (uma novidade absoluta para a época) e o carrinho passou com louvor.

Assim sendo, o negócio foi fechado. Submeti-o  uma revisão geral e entreguei-o ao meu velho. Este ficou contente que só vendo, teve que reaprender a manejar um veículo automático após mais de 30 anos sem contato com um.

O carrinho era muito bom, simples, robusto, confiável, excelente custo-benefício, tinha a maioria dos defeitos e qualidades da linha Corsa 4200, a caixa Aisin funcionava com extrema suavidade, andava bem, era leve e tinha 92 cv bem dispostos. Era engraçado apresentá-lo às pessoas… a maioria absoluta não sabia da sua existência.

Foi um dos carros que vendi com maior facilidade, coisa de horas anunciado e por um preço acima de mercado.

E vocês leitores, já tiveram contato ou possuíram algum  “Mosca Branca”?

Contem suas experiências com casos desse tipo.

Um abraço

Luciano Gonzalez
São Paulo – SP

(Atualizado em 27/11/17 às 14h30, substituição de foto, Gol C)

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