Continuamos a falar de um produto da Karmann Mobile fabricado no Brasil com a mecânica da Kombi. Chegamos ao famoso Karmann Mobile Safari, aquele do “cocuruto” sobre a cabine do motorista, ao passo que o Karmann Mobile Touring tinha, no máximo, um bagageiro fechado sobre a cabine do motorista.

No ano de 1988 a Karmann Mobile emitiu o seguinte folheto sobre a sua linha de motorhomes. Como se pode ver nos desenhos de topo das duas versões, ambas eram iguais no que se refere ao salão e ao equipamento instalado, sendo que somente a quantidade de camas diferia. Reproduzo abaixo o texto descritivo do item “carroçaria e equipamento”:

Os painéis dianteiro e traseiro, laterais e teto são de construção “sandwich”, com isolamento termo/acústico, externamente revestidos de chapa de alumínio especial, espessura 0,7 mm, pré-pintada em estufa. Internamente os painéis são revestidos com chapas duraplac, madeira compensada, fórmica e madeira de lei.

Na parte habitável são racionalmente distribuídos 6 armários, 2 baús, prateleiras e compartimentos. Cozinha completa com pia e fogão de 3 bocas com forno. Refrigerador de funcionamento a gás e elétrico 110 e 12 Volts. Banheiro completo com ducha, lavabo e WC químico Sanitainer. Sofá em “U” com mesa móvel, conjunto transformável em ampla cama de casal, possibilitando confortável acomodação para 2 pessoas e ainda opcional cama beliche suspensa com confortável colchão para mais uma pessoa. O modelo SAFARI oferece a capacidade adicional para 2 pessoas na cama dupla superior, acima da cabina.

Abaixo a reprodução deste folheto:

Ainda sobre este folheto, acho que um de seus pontos mais importantes é o que mostra os desenhos de topo em corte das duas versões detalhando a sua área útil com e sem as camas montadas. Além disto é dada uma breve descrição das características dos modelos Safari e Touring. Fica claro que a estrutura básica de ambos modelos era a mesma, sendo que o que difere são as duas camas adicionais sobre a cabine do motorista, que também é chamada de “sala de jogos” — onde vão jogando as coisas… A versão Touring oferecia uma cama beliche extra como opcional.
Abaixo este detalhe:

Fonte: Felipe Abreu

Neste ponto eu coloco o esclarecimento dado pelo “Safarista” José Barazal Alvares, que trata do projeto e execução das motocasas da Kamrmann Mobile: “Meu motorhome é um veículo produzido em série (foram fabricadas 450 unidades no Brasil), em dois modelos (Touring e Safari) em uma parceria da Karmann-Ghia do Brasil  com a Volkswagen do Brasil, sendo que também foram produzidas muitas outras unidades por subsidiárias da Karmann na Alemanha e na África do Sul. Portanto não é um veículo adaptado, mas sim uma Kombi standard com uma carroceria específica como várias outras. Exemplos: furgão para transporte de cigarros, carroceria aberta para transporte de carga seca, carro de bombeiro, ambulância, frigorífico, etc.   O que muda é a carroceria.

É um projeto de Engenharia, para o qual participaram vários profissionais qualificados, da VW Alemã e da Karmann (que no Brasil se estabeleceu como Karmann-Ghia). Não é um improviso, nem um ‘jeitinho’”.

 

Mas que tipo de motor vinha com os Karmann Mobile Safari?

Esta é uma pergunta que muitos fazem e a resposta veio de uma troca de ideias com o Régis Luiz Feldmann, um grande especialista no assunto que, inclusive, mantém um cadastro de Karmann Mobile Safari.

As primeiras Karmann Mobile Safari vieram com motor plano (como acontecia com os modelos Touring) que era acessível somente pelas portas situadas abaixo da mesa do salão. A ventilação destes motores era deficiente e eram frequentes as quebras de motores por problemas de aquecimento excessivo.
Com o encerramento da produção dos motores planos pela Volkswagen alguns exemplares da Safari montados em meados de 1983 e todas a partir de 1984 passaram a ser equipadas com o motor convencional da Kombi, com ventoinha alta; para tanto foi feito um rearranjo do salão da Safari. As portas de acesso do salão ficaram menores e o acesso pela porta de trás, que era fechado nos modelos anteriores, foi aberto (se bem que por este meio o acesso é difícil e o mecânico tem que ficar com o corpo em boa parte dentro da profunda abertura de acesso). Mas a ventilação do motor melhorou e a durabilidade deles aumentou bastante.

Com toda a experiência que o Régis acumulou em 18 anos de rodagem com sua Safari 1982, que permanece original, ele reuniu conhecimentos para melhorar a ventilação do motor plano de sua motocasa, que continua original, ou seja plano.

O motor plano da motocasa do Régis depois da reforma (Foto: Régis Luiz Feldmann)

Este motor foi bastante melhorado com o acréscimo de um radiador de óleo externo com ventilador eletromagnético (com acionamento automático por termostato e manual com comando do painel), dimensionado para o novo volume de óleo, resultante do acréscimo de um cárter extra acoplado ao cárter original com 1,5 litro adicional. Uma nova bomba de óleo e instrumentos de indicação de pressão e temperatura do óleo colocados sobre o painel. Foi acrescentado um filtro de óleo em papel, trocável. Muito cuidado foi dedicado aos detalhes com o uso de mangueiras aeronáuticas que levam o óleo até o novo radiador externo e a adaptação de defletores fixados ao chassi da motocasa para forçar ar fresco sobre o radiador. Foi acrescentada uma abertura de ar adicional de cada lado da motocasa melhorando a adução de ar fresco para o ambiente do motor. Todas as peças móveis e giratórias foram balanceadas em mecânica de precisão. Como resultado este motor está trabalhando a uma temperatura menor, não apresentando mais risco à sua durabilidade.

E o melhor desta história é que ele ajuda aos demais Safaristas a fazerem estas modificações nos motores de suas motocasas com o envio de fotos e instruções e respondendo perguntas, com isto ele está ativamente ajudando a manter estes veículos rodando de uma maneira segura.

 

Para esta parte da matéria eu registro a participação de três “Safaristas” de destaque, a saber:

Régis Luiz Feldmann que há 18 anos tem um Karmann Mobil Safari ano 1982, número KG 0298; ele mora em São Leopoldo/RS.

Régis e sua esposa Lourdes com seu Karmann Mobile Safari ano 1982 (Foto: Régis Luiz Feldmann)

 

José Barazal Alvares que tem um Karmann Mobile Safari ano 1985, número KG 0390, desde zero-quilômetro, portanto há 32 anos; ele mora em São Bernardo do Campo/SP.

 

O José e a seu Karmann Mobile ano 1985 (Foto: decupada do vídeo “Kombi Safari 1985 do Brasil para o mundo #episódio1”)

E o Dornel Rotta que tem um Karmann Mobile Safari ano 1982, número KG 260, há dois anos; gaúcho de Porto Alegre, morando temporariamente em São Paulo e se preparando para uma grande aventura internacional com sua Safari, oportunidade na qual a sua qualificação será “cidadão do mundo”; seus planos podem ser vistos no mapa abaixo:

Mapa das aventuras do Dornel e da Letícia. O que está em vermelho já foi percorrido e o que está em preto é o planejamento previsto para iniciar no final do ano que vem (Fonte: Dornel Rotta)

A foto de abertura da matéria é da Safari do Dornel em Pucón no Chile com o vulcão ativo Villa Rica ao fundo, e ele contou que foram até próximo da cratera para ver a lava, apesar da grande quantidade de fumaça tóxica que obrigou até o uso de máscara de respiração especial.

O Dornel Rotta, sua esposa Latícia Kayser e a Joaninha, a Safari 1982 deles (Foto: Dornel Totta)

Seguramente seria possível escrever três matérias adicionais contando as experiências de cada um deles. Mas vamos seguir o trabalho como planejado para esta matéria, a saber, colhendo as experiências de usuários deste tipo de motocasa.

Para poder registrar as opiniões deles vamos colocar as perguntas do questionário e depois registrar as respectivas opiniões, já que elas, em grande parte, se complementam. Lendo estas três opiniões você poderá tirar as suas conclusões.

 

1) Qual é o comportamento dinâmico de sua Kombi adaptada para acampamento?

Régis: Há necessidade de o usuário saber que roda com carro antigo, relação peso-potência desfavorável o que inibe a retomada de velocidade em espaço menor de tempo, capacidade de frenagem não ideal e pesada quando em ordem de marcha. Exige um comportamento cuidadoso quando em deslocamento. Atingida esta consciência, um veículo primoroso que acaba virando paixão. Nossa velocidade em estrada plana está entre 70/80 km/h. Em subida de montanha, 40 km/h terceira marcha (às vezes segunda).

José: É uma Kombi e, portanto, sofre o efeito de ventos laterais. No modelo Safari, a frente é um aerofólio, que permite enfrentar o vento frontal, sem problemas de aerodinâmica, similar ao bordo de ataque de uma asa de avião. Sendo uma Safari, tem o centro de gravidade mais alto (altura total de quase 2,80 m) do que o de uma Kombi normal e isto obriga a reduzir a velocidade com ventos laterais, e se houver vento de tempestade ir para o acostamento e alinhar a frente (proa) da Safari com o vento predominante, mesmo que isto implique em estacionar (se houver condições) em 45 graus e até 90 graus. Qualquer Kombi sofre este efeito, embora em proporção um pouco menor. Caminhões baú, idem.  Nas curvas mais acentuadas, reduzir a velocidade, evitando e efeito da força centrífuga. Menor o raio da curva, menor esta força.

Dornel: Eu citaria dois aspectos, a saber: dificuldade aerodinâmica por apresentar uma pequena “parede” lateral (ao lado da cabine). E “jogo” lateral, ela balança com as irregularidades do asfalto ou em curvas, visto que possui uma altura e largura maiores que da Kombi original.

 

2) Qual a influência do peso adicional, e, dependendo do caso, da altura adicional?

Régis: Atenção para a capacidade de frenagem devido à grande massa inercial que é um ponto mais crítico (somente freio tambor; o freio a disco na dianteira chegou somente a partir da versão 1984 e algumas poucas ao final de 1983). A altura leva o centro de gravidade para cima. Portanto nada de carregar a cama sobre cabina com equipamentos pesados (“sala de jogos”). Em ventos laterais diminua a velocidade. Ao entrar em áreas confinadas, como estacionamentos, lembrar-se que você tem 2,715 metros de altura.

José: Uma Karmann Mobile Safari pesa (tara) cerca de 2.000 kg, abastecida com água e gasolina, mas seu desempenho é igual ao da Kombi convencional do mesmo ano, que tenha o mesmo motor e câmbio.  O motor no meu caso é boxer 1600 arrefecido a ar com dupla carburação. Está tudo como foi projetado na fábrica. Subo a serra da Rodovia dos Imigrantes com trânsito normal em terceira marcha (ela tem 4 marchas), sem problemas, a 3.000 rpm. No tocante à altura, estar atento à entrada de pórticos, galhos de árvores ou garagens. Idem quanto às laterais. Consumo médio 7 km/l.

Dornel: O peso tem uma enorme influência na potência. O consumo de gasolina aumenta em consequência disto, sendo uma média de 7 km/l, que é o padrão para esta versão. Outra questão é uma maior manutenção (mais seguida) de rolamentos, cubos e freio por essa questão. A direção também se torna muito mais pesada em relação a uma Kombi comum.

 

3) É necessário algum cuidado adicional ao dirigir?

Régis: Os mencionados anteriormente. É importante manter todo o sistema de direção sem folgas. Dali parte o “bamboleio” que muitos reclamam. Com folgas no sistema de direção a tendência de eterna correção na linha de deslocamento acaba provocando um gingado traseiro desconfortável.

José: Consideradas as informações das duas perguntas acima, nada mais é necessário. Pressão de pneus dianteiros 45 lb/pol2 e na traseira 55 lb/pol2. Uma câmera de ré ajuda nas manobras. É uma Kombi, não um Ferrari. Não tem direção assistida hidráulica ou câmbio automático. Exigência:  habilitação classe “B”.

Dornel: Recomenda-se prudência ao fazer as curvas, manter uma velocidade de cruzeiro de não mais do que 80 km/h e, principalmente, muito cuidado em declives, usar ao máximo a marcha engrenada e o mínimo possível os freios.

 

4) O motor recebeu algum tipo de preparo para aumentar sua performance?

Régis: Não, continua o 1.600 cm³ plano, dupla carburação. O que alteramos foi o radiador de óleo, volume de óleo do cárter, filtro de óleo em papel trocável e as entradas inferiores de ar, conforme descrito acima. Fizemos o motor trabalhar mais frio. Tenho no painel termômetro e manômetro de óleo.

José: Sou contra mudanças artesanais. Meu veículo tem placa preta, nada modificado e rodo desde 1985, ano de sua fabricação. Se um grupo de engenheiros chegou a este resultado, quem seria eu para mudar? Tenho visto modificações, que levaram ao desespero de quem as fez. Algumas inutilizaram o motorhome.

Dornel: Quando esta motocasa foi comprada o motor, que era originalmente plano, já tinha sido substituído por um motor com ventoinha alta, 1600 com dupla carburação. Seguindo o exemplo e as instruções do Régis eu também fiz algumas das modificações que ele fez, como, por exemplo, aumentar o volume de óleo adaptando um cárter adicional.

 

5) A suspensão recebeu algum tipo de reforço e/ou retrabalho?

Régis: Não.

José: Não, apenas molas helicoidais nos amortecedores.  Mantenho tudo sem folgas e sempre engraxando todos os pontos, a cada 5.000 km. Amortecedores em ordem. Uso pneus de 8 lonas nas medidas originais.

Dornel: Na minha eu possuo o “Kit Molão” e amortecedores de dupla ação reforçados, além de rodas 14″ mais largas na traseira. Esse conjunto acaba com os problemas de jogo/balanço da Safari.

 

6) Um carro transformado* exige algum cuidado a mais em termos de segurança, já que ele pode chamar atenção de assaltantes? Os passageiros passam a correr algum risco adicional?

Régis: Não acredito que o casco propriamente dito possa interessar. Mas, o “recheio” sim. Não abandonamos a Safari em ruas, locais desertos, etc. Ou ela está conosco em viagem, ou em camping, ou estacionamentos fechados. Creio que os riscos adicionais sejam os mesmos que passamos com qualquer outro veículo.

José: Esta pergunta é recorrente e um dos “tabus” sobre o tema. Vou alongar-me nesta resposta. Nos dias de hoje, no Brasil, todo e qualquer veículo está sujeito a assaltos, furtos, roubos e vandalismo.

Eu planejo toda e qualquer viagem! Planejo a hora de sair, de parar para descanso ou refeições, e especialmente para o pernoite. Um exemplo: se eu saio de São Paulo, SP, com destino a Curitiba, PR, às 8h00 paro em Registro, SP para almoço e após a refeição tiro uma soneca de trinta minutos. Vou chegar em Curitiba, PR, por volta das 16h30, pois ainda será dia. Uma das opções será o estacionamento da Rodoferroviária, no centro, é barato, muito seguro e com as facilidades de ter bares, mercado municipal, restaurantes, táxis e ônibus urbano para todas as visitas turísticas.   Se houver um imprevisto no caminho, na rodovia BR-116, tenho duas opções: Postos de Combustível (Fazendeiro, Grupo Pelanda ou Graal) e os SAU – Serviço de Atendimento ao Usuário, com pátio, banheiros, bons chuveiros e até um cafezinho. Podem ceder tomada de energia elétrica. Concluindo, eu não iria ao Rio de Janeiro e ficaria pernoitando na rua no Complexo do Alemão, ou na Cracolândia em São Paulo. Busque como outra opção, um estacionamento convencional 24 horas ou de Supermercado 24 horas.

Temos ainda um grupo de apoio no Brasil inteiro e muitos campings cadastrados. VIAJO DESDE 1985 sem problema algum, sempre planejando. Há cidades pequenas, que nos dão condições de pernoitar na rua ou na praça principal. Outra opção é procurar (ainda durante o dia), um ponto de apoio das Polícias Militares (SP, PR, SC, MG) ou Brigada Militar (RS) que nunca me negaram atenção. Fico à disposição para orientar sobre este tema. Há muitas opções seguras.

Dornel: Eu diria que a Safari chama muita atenção, todos querem ver e saber sobre o carro, então esse fato pode ajudar em ambos os casos, tanto para a segurança como a insegurança.

(*) – Conforme esclarecido no início desta parte da matéria, ambas as versões, Touring e Safari, fabricadas pela Karmann Mobile não podem ser chamadas de “carro transformado”, pois não o eram, mas, isto sim, fabricados a partir de componentes fornecidos pela Volkswagen acrescidos de materiais projetados e fabricados pela Karmann-Ghia do Brasil.

 

7) Existe algum cuidado adicional nas manutenções, como, por exemplo alguma revisão estrutural especial?

Régis: Manutenções normais como qualquer veículo Volkswagen e na parte da estrutura Karmann Mobile conferir deformações nas chapas externas, corrosão ou infiltrações. É necessário maior cuidado na questão da vedação da parte Karmann Mobile, principalmente no teto. Abaixo da cobertura de alumínio existe um “esqueleto” de madeira, quase como uma gaiola, com seus espaços preenchidos por material isolante termoacústico (Isopor™). Infiltração de água acaba minando esta estrutura de madeira que passa a se contorcer com as imperfeições da rodovia. Estes movimentos imperceptíveis ao olho nu vão criando “ondas” no alumínio da cobertura e mais aberturas para novas infiltrações.

José: Desde que não se trafegue por longos trechos de estradas sem pavimentação, nada a revisar. Evito rodar onde não tenha asfalto ou pavimentação similar. Mando lavar e pulverizar por baixo, bem como engraxar, em posto que atenda este serviço. Em viagens longas levo uma bomba de graxa manual.

Dornel: Na estrutura o maior cuidado é com infiltração, no mais os itens que mais cuido são referentes a rolamentos e freios.

 

8) Existe algum aumento de custos por ser um carro transformado, tipo IPVA, seguro, quando comparado com um carro normal?

Régis: Não vejo isto. De IPVA estamos isentos. Fazer seguro para motorhome no Brasil é uma dificuldade e quando existe é um absurdo. Para veículo antigo é ainda pior.

José: Não, nunca. Eu nem pago IPVA pela idade do veículo. IPVA sempre será com base no Renavam, que é o do veículo original.

Dornel: Impostos e taxas não, porém um seguro particular sim, ainda mais por se tratar de um carro antigo, o seguro torna-se cada vez mais difícil e caro.

 

9) Seu carro já foi usado em alguma aventura maior, digamos uma viagem até a Patagônia, ou outro percurso distante? Caso afirmativo, como foi o suporte encontrado no caminho? Havia que se dispusesse a ajudar? Você já foi um viajante aventureiro?

Régis: Esta Safari ainda não fez a Patagônia, mas completou conosco em seu hodômetro 100.000 quilômetros. Essencialmente nos estados do Sul, na Argentina e no Uruguai. O Uruguai é nossa paixão. Cruzamos todas suas rodovias, costa do Atlântico, do Rio da Prata, do Rio Uruguai, e o pampa. As dezenove capitais departamentais e Montevidéu, por óbvio.

Nunca faltou suporte mecânico nas raras vezes em que necessitamos de ajuda, uma tomada (enchufe) elétrica, torneira, a oferta de local para estacionar, uma informação. O que mais acontece é nos pararem (principalmente fora do Brasil) para conhecer o veículo e “sacar fotos”.

Em 18 anos de estrada com a nossa Kombi Mobile Safari uma única vez nos recusaram ceder uma tomada elétrica e suporte e isto foi no Brasil. A Safari é atração sempre.

Aqui o Régis separou a última pergunta para dar uma resposta em separado:

Pergunta: Você já foi um viajante aventureiro?
Bem, Alexander a esta pergunta respondo sem deixar minha esposa fora do título; continuamos aventureiros. Claro que com a idade e com a caixa de remédios (hoje maior que a caixa de ferramentas) nosso raio de ação tem diminuído. Mas, começamos juntos em 1960 quando fiz a escola de pilotagem, depois na motonáutica, muitos anos velejando, de moto percorrendo meio Brasil e quatro países da América do Sul. Com outras formas de transporte um pouco de América Central, EUA e sul da América do Sul. Quando nos achamos “velhos”, em 1999, a Karmann Mobil Safari chegou na vida e lá se foram mais 100.000 quilômetros.  Ainda rebocamos uma Honda Biz de 100 cm³ que nos favorece conhecer locais próximos ao estacionamento, estradas rurais e arredores de cidades. Dá para considerar que “estamos” aventureiros, apesar dos 74 anos “no lombo”!

 

Nesta foto se pode ver o “setup” de viagem do Regis completo, incluindo o reboque com a moto (Foto: Régis Luiz Feldmann)

José: Esta pergunta é recorrente e eu insisto em dizer que não faço “aventuras”, planejo tudo. Canso de ver gente, que “sai por aí”, até para “dar a volta ao mundo”, sem os indispensáveis recursos financeiros, sem conhecer o mínimo de mecânica do próprio veículo, sem planejamento e ficam pelo meio do caminho, lamentando-se, sem dinheiro e com o carro danificado. Eu já estive com minha Karmann Mobile Safari na Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai. Pretendo ir até Ushuaia, mas preciso de tempo e suporte financeiro, tudo planejado, nunca aventurando.  Já estive na Patagônia: Bahía Blanca e Tres Arroyos, na Argentina, mas não cheguei a Ushuaia também na Argentina. Pesquise nos lugares por onde passar. Você vai encontrar coisas que nem imagina: em Bahía Blanca, no Aeroporto, tem uma placa que documenta a passagem do aviador e escritor, Antoine de Saint-Exupéry, que escreveu “O Pequeno Príncipe”. No caminho para Bonito,MS, pare um pouco em Guia Lopes da Laguna, onde ocorreu a última batalha da Guerra do Paraguai, e no cemitério estão os túmulos de nossos heróis. Indo para Corumbá.MS, visite Forte Coimbra, local de uma histórica batalha. O Brasil é lindo! As nossas fronteiras são repletas de história e dedicação dos que as defenderam e colonizaram…

Dornel: Acabamos de percorrer Uruguai, Argentina e Chile, em um total de 15.500 km. Temos um projeto de percorrer o mundo com nossa Safari. Existe uma família de Kombinautas, e onde você chegar será bem recebido.

As pessoas também gostam muito de ajudar os viajantes, então suporte não faltará. Um exemplo: encontrei em Bariloche um senhor de 70 anos, mecânico aposentado. Ele, hoje, recebe todos os viajantes de Kombi e os ajuda com manutenção, no caso ele não trabalha e eu sim — bem, passei uma semana aprendendo muito de mecânica e resolvendo diversos problemas em nosso carro.

 

10) Você tem algum comentário a mais que pudesse nos dar para a elaboração de uma matéria sobre Kombis transformadas para uso em acampamento e como motorhomes?

Régis: Teríamos mil comentários, mas sintetizamos: viajar com Motorhome é experiência ímpar. Viajar com uma Karmann Mobil Safari é experiência única, recheada de paixão por um veículo invulgar e muito especial.

De Mário Quintana: “Viajar é mudar a roupa da alma.”

Comentário fora das questões abrangidas:

Alexander, uma pergunta que invariavelmente recebo na estrada:
— Qual é a velocidade que você anda?
— Pois veja…não sei! Tirei o velocímetro e coloquei lá um calendário. Avançamos medindo os dias e semanas, não os quilômetros de velocidade.

José: Comentário adicional: os interessados devem estar em contato com pessoas que têm um motorhome, pequeno ou médio, e que viajaram muito. Eu fico à disposição no e-mail alvarez@ozonio.net – vejam-me no YouTube (vídeo abaixo). Viva o momento presente! O futuro é incerto! O preço de uma Kombi Safari em bom estado, oscila de 50 a 60 mil reais, embora haja espertos pedindo mais do que isto. Cabe lembrar que sendo um veículo que não mais tem financiamento (pela idade), a compra e a venda devem prever esta limitação.  Nunca compre uma Safari modificada. Nunca!  Idem cuja documentação não esteja como MOTOR-CASA. Fujam da ideia de montar um MH por conta própria, tipo “eu que fiz”, pois exigências legais (Cerificações) deverão ser cumpridas. Fuja de motorhomes grandes, montados a partir de um ônibus…

Dornel: Colocou-se à disposição, mas não desenvolveu uma contribuição neste caso. Mas enviou o link para um vídeo de apresentação da Joaninha, sua Karmann Mobile Safari. Quem faz a apresentação é a Letícia, sua esposa e companheira de aventuras:

E algumas fotos de viagens que fez com a Letícia, na Joaninha, colocados num vídeo com a retrospectiva de 2016, começando com a compra da Karmann Mobile Safari e a “arrumação da casa”:

 

Agora terminamos a apresentação das duas versões fabricadas pela Karmann Mobile no Brasil, e na Parte 4 vamos tratar da Kombi Caracol feita pela Minimax, e o trabalho de pesquisa que ainda está sendo feito, pois esta é uma versão muito rara.

 

Navegador das partes desta matéria:
Parte 1 – Kombi Turismo da Carbruno
Parte 2 – Karmann Mobile Touring
Parte 4 – Kombi Caracol da Minimax
Parte 5 – Marcopolo-INVEL

 

 

AG

Nesta Parte 3 contamos com a participação do Régis Luiz Feldmann, reconhecido por todos os Safaristas como o mestre no assunto, uma pessoa que aglutina a turma e ajuda a todos de uma maneira competente e amiga. Contamos com a sábia experiência do José Barazal Alvares, que sabe como curtir a vida de uma maneira segura e prazeirosa a bordo de uma Safari e gosta de dividir sua experiência com quem pede a sua ajuda. Também contamos com “sangue novo” do jovem e simpático casal Dornel Rotta e Letícia Kayser, cujos planos de aventura extrapolam as fronteiras do mundo. Fica aqui o agradecimento a todos eles e os votos de muitos e muitos quilômetros felizes a bordo de suas Safaris…
Novamente fica aqui registrado o agradecimento ao Eduardo Gedrait Pires.
NOTA: Nossos leitores são convidados a dar o seu parecer, fazer suas perguntas, sugerir material e, eventualmente, correções, etc. que poderão ser incluídos em eventual revisão deste trabalho.
Em alguns casos material pesquisado na Internet, portanto via de regra de domínio público, é utilizado neste trabalho com fins históricos/didáticos em conformidade com o espírito de preservação histórica que norteia este trabalho. No entanto, caso alguém se apresente como proprietário do material, independentemente de ter sido citado nos créditos ou não, e, mesmo tendo colocado à disposição num meio público, queira que créditos específicos sejam dados ou até mesmo que tal material seja retirado, solicitamos entrar em contato pelo e-mail alexander.gromow@autoentusiastas.com.br para que sejam tomadas as providências cabíveis. Não há nenhum intuito de infringir direitos ou auferir quaisquer lucros com este trabalho que não seja a função de registro histórico e sua divulgação aos interessados.
A coluna “Falando de Fusca & Afins” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

 

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