O leitor ou leitora provavelmente já teve a oportunidade de ler nossas avaliações das versões do Fiat Argo. Já testamos as de motor 1,3-l e 1,8-l, além do teste de 30 dias do 1,3-l GSR pelo Roberto Agresti.  Agora vamos ao no uso da versão de entrada da linha, a Drive 1,0-l, completando assim todos os três motores que propulsionam esse versátil hatch compacto.

Velocímetro digital, pela precisão de leitura, ajuda a evitar multas por descuido

A conclusão a que se chega é que a Fiat atingiu seu objetivo; com um só modelo ela conseguiu substituir satisfatoriamente três, baixando assim seus custos de produção devido à maior economia de escala. Saíram o Punto, o Palio e o Bravo, e entrou o Argo. Em espaço interno o Argo não perde para nenhum deles, exceto para o Bravo no volume do porta-malas, que é de 400 l (Argo, 300 l). Em prazer de guiar também, ele me pareceu o mais gostoso de dirigir; sendo que um dos motivos dessa impressão, para o meu gosto pessoal, é o melhor posicionamento do volante, que pode ser colocado em posição mais baixa, ideal agora.

Boa posição para dirigir; acha-se logo acha a ideal

E como praticamente esgotamos o assunto Argo nesses vários testes, creio que o melhor é me restringir ao seu comportamento com esse valente motor Firefly de 3 cilindros e 999 cm³, que entrega 72/77 cv a 6.000/6.250 rpm e 10,4/10,9 m·kgf a 3.250 rpm. O diâmetro dos cilindros e o curso dos pistões, de 70 x 86,5 mm, respectivamente, permite identificar, pelo longo curso, o objetivo de se obter a maior elasticidade possível.

O valente Firefly de 1 litro satisfaz; tem forte pegada em baixa, o que é bom, principalmente no uso urbano;; note a qualidade da pintura do cofre do motor

A taxa de compressão de 13,2:1, a mais alta hoje na produção brasileira, evidencia busca de melhor aproveitamento das características antidetonantes do álcool. A polia do virabrequim e o volante do motor são desbalanceados para anular o desequilíbrio inerente dos motores de três cilindros. Seu bloco e cabeçote são de alumínio, o coletor de escapamento é integrado ao cabeçote e o acionamento do comando de válvulas é por corrente. São duas válvulas por cilindro e o comando é variável. Usando parte dos princípios do ciclo Miller, o comando atrasa quando em velocidade constante e com pouca aceleração, o que exige menor esforço do motor para aspirar, resultando em maior economia de combustível. Os cilindros são deslocados em relação ao virabrequim para otimizar o aproveitamento da energia gerada na explosão. É um motor moderno, simples e eficiente.

Amplo espaço no banco traseiro e porta-malas de 300 litros merecem elogios; encosto do banco traseiro é inteiriço

Segundo a fabricante, com álcool ele acelera de 0 a 100 km/h em 14,2/13,4 segundos e atinge velocidade máxima de 157/162 km/h. Não é um desempenho exuberante, porém números são só números e o que mais vale é o modo que um motor entrega sua potência.

Neste caso, nota-se que o Firefly foi projetado para oferecer potência desde baixos giros, tanto que ele, dentre os aspirados, é o que tem o maior torque específico, além de seu pico estar em rotação baixa, 3.200 rpm. Resulta daí que, sinceramente, no trânsito da cidade ele em nada deve às versões mais potentes, pois sua elasticidade, aliada a um câmbio projetado para tirar o correto proveito dela — um câmbio de marchas relativamente longas, no ponto — fazem do Argo Drive 1-L um carro de respostas prontas e que requer menos trocas de marcha do que se normalmente espera de um carro desse porte com motor dessa cilindrada.

O desenho do Argo vem agradando

Pouco perde para carros de motor mais potente em desenvoltura urbana e muito ganha em economia. Na cidade, segundo o Inmetro, faz 14,2/9,9 km/l e na estrada, 15,1/10,7 km/l (gasolina/álcool). Pelo computador de bordo obtive 9,8 km/l na cidade e 12,2 km/l na estrada, usando álcool e praticamente sempre com o ar-condicionado ligado.

Além de ser o mais econômico dos três, custando R$ 46.800 é R$ 7.100 mais barato que o Drive 1,3-l, R$ 15.000 menos que o Precision 1,8-l manual e R$ 17,800 menos que HGT manual. Não há câmbio robotizado para o Argo com motor 1-L. O Mobi, que usa o mesmo motor, tem — testei e gostei, pois casaram bem –  e o Argo 1,3-L também, e não vejo empecilho técnico para que este também não tivesse.

A cor do carro testado é a vermelho Alpine, que juntamente com o branco Banchisa e o preto Vulcano não tem custo extra. As metálica prata Bari, cinza Scandium e preto Vesúvio, e a perolizada branco Alaska, acrescentam R$ 1.600.

Os kits opcionais

O kit Parking, por R$ 1.400, traz  sensor de estacionamento traseiro com visualizador gráfico e câmera de ré.

O kit Convenience, de R$ 1.200, representa ajuste elétrico dos espelhos com repetidoras de setas e orientação para baixo ao engatar ré, e acionamento elétrico um-toque dos vidros traseiros.

O Rádio Connect custa R$ 1.300 e inclui rádio AM/FM com áudio streaming, Bluetooth e comandos de áudio e telefone no volante.

O kit mais caro é o Multimída, R$ 2.300, que compreende a central multimídia UConnect com tela tátil de 7 pol. com Android Auto e Apple Car Play, Bluetooth, porta USB e sistema reconhecimento de voz, volante com comandos de áudio e telefone, e uma segunda porta USB para uso dos passageiros do banco traseiro.

 

Seu coeficiente aerodinâmico (Cx) 0,34 está na média entre os hatches

Já na estrada a coisa muda um pouco de figura e as outras versões mostram vantagens realmente palpáveis. Este viaja bem, sobe a serra com rapidez sem que seja preciso explorar giro muito alto, e em pista dupla é com naturalidade e pouco ruído que mantém os 120 km/h reais. Deu para notar que cruzaria tranquilamente a 140 km/h, pois o carro, a segurança e a potência que oferece o permitem.

Bastante estável, sobra carro, vai bem na estrada. Freios são bons também, apesar dos dianteiros serem a disco sólido. Mereceria serem ventilados, mas em uso normal na estrada não se cogita que apresentem fading (perda de eficiência por superaquecimento), algo que só pode vir a ocorrer num esforçado track day ou numa descida de serra andando bem rápido.

A 120 km/h reais o giro é 4.300 rpm, rotação em que, apesar de alta, ele se mantém silencioso, suave, e permite boas retomadas sem que seja necessária redução de marcha para vencer a maioria dos aclives suaves rodando em topografia predominantemente plana.

Gráfico “dente de serra” do câmbio do Argo Drive 1,0

O corte de rotação, limpo, é a 6.500 rpm, rotação a que vai rapidamente, e as velocidade nas marchas são 1ª 35 km/h, 2ª 65, 3ª 104, 4ª 146 e 5ª a velocidade máxima de 162 km/h (com álcool) a 5.850 rpm, 400 rpm abaixo do pico de potência.

 

Central multimídia UConnect om tela tátil de 7 pol. e comandos de áudio e telefone no volante  é opcional e custa R$ 2.300

Como se pode ver, ele é suficiente na estrada. Permite viagens rápidas, sem esforço, mas o prazer de dirigir se restringe mais a curtir a sua boa dinâmica, o modo como contorna as curvas com precisão. Já os com motores 1,3-L e 1,8-L oferecem aquele algo mais, aquela pegada que traz rápidas ultrapassagens e também pode levar aos prazeres da velocidade, o que para alguns é algo necessário.

A Fiat apostou forte no Argo. Acredito que terá bons resultados, pois é um carro com virtudes e que agrada.

AK

(Atualizado em 30/10/17, inclusão do vídeo)

 

FICHA TÉCNICA FIAT ARGO DRIVE 1,0
MOTOR
Instalação Dianteiro, transversal
Material do bloco/cabeçote Alumínio/alumínio
Configuração L-3
Diâmetro x curso (mm) 70 x 86,5
Cilindrada (cm³) 999
Aspiração Atmosférica
Taxa de compressão (:1) 13,2
Comprimento da biela (mm) 149,33
Relação r/l 0,289
Potência (cv/rpm, G/A) 72/6.000//77/6.250
Torque (m·kgf/rpm, G/A) 10,4/10,9/ 3.250
Rotação de corte (rpm) 6.500
N° de válvulas por cilindro 2
N° de comando de válvulas /acionamento 1 com variador de fase, corrente
Formação de mistura Injeção no duto
Gerenciamento do motor Magneti Marelli
ALIMENTAÇÃO
Combustível Gasolina e/ou álcool
TRANSMISSÃO
Embreagem Monodisco a seco
Câmbio Transeixo manual de 5 marchas à frente e ré
Rodas motrizes Dianteiras
Relações de transmissão (:1) 1) 4,273; 2) 2,316; 3) 1,444; 4) 1,029; 5) 0,838; Ré 4,200
Relação do diferencial (:1) 4,600
FREIOS
Dianteiros (Ø mm) Disco/257
Traseiros (Ø mm) Tambor/ 203
SUSPENSÃO
Dianteira Independente, McPherson, braço triangular, mola helicoidal, amortecedor pressurizado e barra estabilizadora
Traseira Eixo de torção, mola helicoidal e amortecedor pressurizado
DIREÇÃO
Tipo Pinhão e cremalheira, eletroassistida
Diâmetro mínimo de curva (m) 10,3
RODAS E PNEUS
Rodas Aço, 5,5J x 14
Pneus 175/65R14T
PESOS (kg)
Em ordem de marcha 1.105
Carga útil 400
Peso rebocável (sem freio) 400
CONSTRUÇÃO
Tipo Monobloco em aço, hatchback, 4 portas, 5 lugares, subchassi dianteiro
DIMENSÕES (mm)
Comprimento 3.998
Largura (sem espelhos) 1.724
Altura 1.501
Distância entre eixos 2.521
Bitola dianteira/traseira 1.465/1.500
Distância mín. do solo (vazio, m) 149
CAPACIDADES (L)
Porta-malas 300
Tanque de combustível 48
DESEMPENHO
Velocidade máxima (km/h, G/A) 157/162
Aceleração 0-100 km/h (s, G/A) 14,4/13,4
CONSUMO INMETRO/PBVE
Cidade (km/l, G/A) 14,2/9,9
Estrada (km/l, G/A) 15,1/10,7
CÁLCULOS DE CÂMBIO
v/1000 em 6ª (km/h) 27,7
Rotação a 120 km/h em 5ª (rpm) 4.300
Rotação à velocidade máxima em 5ª (rpm) 5.850

 

EQUIPAMENTOS DE SÉRIE DO FIAT ARGO DRIVE 1,0
Ajuste de altura do banco do motorista
Ajuste de altura do volante
Alerta de limite de velocidade
Alerta de manutenção
Apoio de pé esquerdo do motorista
Ar-condicionado
Assistente de partida em rampa
Banco traseiro rebatível
Chave-canivete com telecomando (portas, vidros e porta-malas)
Computador de bordo
Defletor traseiro
Desembaçador do vidro traseiro temporizado
Direção eletroassistida indexada à velocidade
Distribuição eletrônica das forças de frenagem
Engates Isofix para dois bancos infantis com fixação superior
Espelho nos para-sóis
Iluminação no porta-malas e porta-luvas
Luz de acompanhamento ao deixar veículo
Limpador/lavador dos vidros dianteiro e traseiro com intermitência
Partida a frio sem injeção de gasolina
Pré-disposição para rádio (2 AF diant/tras, 2 tweeters e antena
Para-brisa com faixa degradê
Quadro de instrumentos de 3,5″ com relógio digital, calendário termômetro externo, multifuncional em TFT e personalizável
Rodas de aço 5,5J x 14, pneus 175/65R14T
Seta com pisca-5
Sinalização de frenagem de emergência
Sistema desliga/liga motor (start/stop)
Tomada 12 V
Travas elétricas de portas e portinhola do bocal de combustível
Luz interna com temporizador
Verificação do quadro de instrumentos (varredura completa do velocímetro e conta-giros)
Vidros dianteiros com acionamento elétrico um-toque e antiesmagamento
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