Dois anos e meio depois de passar no exame de direção (e seis após a idade legal para dirigir), adquiri meu primeiro e atual carro. A alegria deste momento foi muito especial para mim, um amante convicto de carros que sempre sonhou em ter a sua própria máquina. Assim como muitos dos meus comuns, o escolhido foi um carro de entrada, usado, em versão básica, mas que me traria a possibilidade de me locomover para onde eu quisesse e, mesmo que eu ainda não soubesse naquela época, me traria várias emoções fortes!

O ano era 2014 e saí da concessionária com minha namorada, hoje minha esposa, para levar para casa um Chevrolet Celta Life 1,0 VHC-E 2009 vermelho. De repente a minha vida havia mudado, pois podíamos fazer nossos passeios sem nos preocupar com caronas, horários para voltar ou quando passaria o último ônibus para casa, entretanto para mim o carro tinha uma importância muito maior, pois eu não o considerava somente um meio de transporte.

Muito empolgado em fazer melhorias no carrinho, um dos meus amigos que também gosta de carro já deu o apelido para o guerreiro: Red Hot Chili Celta! Era potente em comparação a outros 1,0, além de meu sobrenome ser pimenta (pepper em inglês, então o apelido servia bem para o carrinho.

Após somente 10 meses após a compra a vida me ensinou a fazer uma limonada com os limões que ela me deu. Em uma rotineira viagem, após uma redução de quinta para quarta marcha, o giro subiu demais e o pequeno Chevrolet entrou em crise e desbielou. Passado o susto, a fumaça e a poça de óleo, chamei o seguro e levei o carro para a porta do mecânico que me atendia na época. No dia seguinte (o ocorrido foi em um feriado) o diagnóstico: “Meu filho, o último motor que vi com um rombo desses no bloco ficou em R$ 5.500,00 reais pra fazer.” Valor completamente inviável para mim, além de ser aproximadamente 30% do que havia pago no carro.

Passado o desespero por não ter a grana, alguns amigos me aconselharam a trocar o motor inteiro, e não somente tentar comprar os componentes para arrumar o carro. Após vender tudo, pegar o 13º (ainda bem que era dezembro!) eu arrumei um mecânico que topou trocar meu motor (em tempo recorde, pois sua filha estava para nascer) e ainda me deixou ajudar, já que como bom entusiasta eu queria aprender a mexer no meu carro, além de fiscalizar a troca.

Os mesmo amigos me ajudaram a comprar um novo motor, mas aí que vem a parte que realmente foi boa na história. No dia que fomos buscar o motor não achamos um VHC-E num preço que eu pudesse pagar, mas achamos um Econoflex 1,4-litro de um Prisma Joy 2009 de leilão. Meus olhos brilharam quando consultamos a galera do grupo de carros do WhatsApp e o meu mecânico e todos informaram que a troca era simples e possível.

Pronto para o transplante: motor Econoflex 1.4-L (Foto: autor)

Após acampar na oficina durante uns quatro dias (apesar da troca em si ter sido feita em uma tarde), o carro estava pronto para rodar ainda antes do Natal (o incidente foi dia 8/12). A alegria de ter o Celtinha de volta à vida revigorado era incrível, mas isso não foi tudo, o carro havia-se transformado. Os seus parcos 860 kg (sem os meus mais de 90 kg, é claro) eram movidos agora com muito mais facilidade pelo Econoflex 1,4 de 97 cv ou 105 cv se colocar álcool nele. Além disso, como o torque máximo do novo motor é a 2.800 rpm, o carrinho ficou muito esperto e gostoso de dirigir.

Já se passaram três anos desde a troca do motor e o carrinho passou esse tempo sem problemas sérios, somente a “TBI” (corpo da válvula de injeção) que morreu justo no meu aniversário em 2015, mas tirando isso ele está muito bem, obrigado. Estou planejando a compra de outro carro no próximo ano, algo mais confortável, seguro, potente e atual. Entretanto, por mais que eu queira que esse dia chegue, quero aproveitar cada momento com meu Red Hot Chili Celta. Ele tem um significado enorme para mim e cada vez que dirijo outro carro, seja ele melhor ou pior, quando volto a dirigir o Celta eu me lembro porque gosto tanto dele.

Conrado Pimenta
Belo Horizonte – MG

 

Nota do editor: Pela construção em português o nome do carro seria Celta Red Hot Chili, mas o autor justifica Red Hot Chili Celta ser uma forma de  homenagear à banda americana Red Hot Chili Peppers, que admira. Liberdade poética atendida.

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  • Mr. Car

    O Celta 1,4 chegou a ser lançado de fábrica, mas não “pegou”. Só não me lembro o motivo, he, he!
    Abraço.

    • Jr_Jr

      Um amigo tinha um na época da faculdade, era um veneno!!!

    • Fat Jack

      Eu cheguei a dirigir um, era um foguetinho mas apresentava alguma instabilidade em frenagens mais fortes (na verdade meu pai teve um dos primeiros Corsa hatch 1,6 MPFI, e ele também apresentava essa tendência mesmo com rodas 14″ e pneus 185/60).

  • Luciano, foi a primeira pergunta que fiz ao Conrado quando recebi o texto alguns dias atrás! Mas deixemos ele responder.

  • Christian Bergamo

    Muito legal sua história, embora o motivo do swap de motor tenha sido trágico. Posso imaginar como ficou gostoso de andar esse Celtinha. Um verdadeiro hot hatch. Abastecido de álcool ele fica com a mesma potência dos primeiros Palio 1,6 16v (que tive um), que são verdadeiros esportivos travestidos de carros familiares. Dá para pegar muita gente desavisada na estrada, uma delícia.

  • Luciano Gonzalez

    Eu particularmente já acho o câmbio do Celta curto para o 1.0, imagina no 1.4.. Mas a contrapartida é que deve ter ficado muito rápido no tiro curto.
    Um abraço

  • Maximus, não deve ter sido a redução, que poderia, no máximo, ocasionar atropelamento de válvulas. Nesse caso do Conrado houve quebra de biela, levando ao rombo no bloco. Porque a biela quebrou, uma das hipóteses é ter havido calço hidráulico, que entorta minimamente a biela, mas o suficiente para começar um processo de fadiga por flexão, terminando por quebrar algumas centenas ou mesmo milhares de quilômetros adiante.

  • Ainda não legalizei, o farei em breve.

  • Milton, teoricamente pode, embora seja pouco provável e se acontecer, caso raro.