Aston Martin e Red Bull mais próximas. Associação deve criar 120 novos empregos.

Não é de hoje que a fábrica de superesportivos Aston Martin e a Red Bull Racing trabalham juntas: cerca de ano e meio após a criação do programa Walkyrie, elas agora anunciam que a partir do ano que vem a equipe de F-1 dirigida por Christian Horner e Adrian Newey será rebatizada para Aston Martin Red Bull Racing. Especialistas em economia e F-1 enxergam que a notícia dá consistência à decisão da fábrica de energéticos em rever seu envolvimento com essa categoria. O comunicado divulgado há poucos dias deixa claro que a ligação com a Renault, provedora de motores para os carros de Daniel Ricciardo e Max Verstappen, pode estar com os dias contatos. “…nós acreditamos que se a FIA criar o ambiente propício nós fabricaremos um motor para a F-1”, declarou Andy Palmer, o presidente da Aston Martin.

Andy Palmer (E) e Christian Horner: aliança entre ambos deve crescer nos próximos anos (Red Bull COntent Pool)

A marca de prestígio exibe resultados destacados nas 24 Horas de Le Mans: venceu na classificação geral em 1959 (Carroll Shelby e Roy Salvadori, Aston Martin DBR1) e várias vezes na categoria GT , entre elas este ano com um modelo Vantage LMGTE tripulado por Daniel Serra, Darren Turner e Jonatham Adam, porém ainda não tem qualquer página de glórias escrita na história da F-1. Entre 1959 e 1960 a marca inscreveu modelos DBR4 e DBR5, derivados do DB3S, e que participaram de cinco GPs pilotados por Carroll Shelby e Roy Salvadori. Desde aquela época, porém, o foco do construtor inglês Lionel Martin eram os carros esporte.

Carroll Shelby no GP da Grã-Bretanha de 1959, em Aintree, a bordo do Aston Martin DBR4 (Dave Blogger)

O crescimento do mercado de supercarros, o aumento do número de milionários ao redor do mundo e o renascimento da F-1 como plataforma de marketing em nível planetário, são fatores que combinam com as ambições e capacidades de Christian Horner e Adrian Newey, Já deixou de ser um segredo guardado a sete chaves que ambos tem ambições bem maiores que o universo onde atuam com sucesso.

A ligação com a Aston Martin ganha força a partir do pressuposto que Dietrich Mateschitz estaria disposto a repensar seus investimentos na F-1: há tempos comenta-se a possível venda da Toro Rosso (equipe B da Red Bull) e, mais recentemente, um acordo para passar a propriedade da própria RBR para Horner e Newey. Apontado como provável sucessor de Patrick Head na estrutura da equipe Williams, o famoso projetista optou por deixar essa equipe quando sua demanda de adquirir ações em poder de Frank Williams e Patrick Head não foram atendidas…

O potencial promocional da F-1 é a forma de viabilizar a Aston Martin na categoria (Red Bull Content Pool)

O panorama atual não é dos mais favoráveis para a Aston Martin lançar um programa de F-1: de um total aproximado a 4.000 unidades produzidas em 2006, esse índice diminuiu desde então e em 2015 chegou a 2643. Este ano as vendas melhoraram substancialmente e em julho 1749 unidades saíam da fábrica de Gaydon. Esses números, publicados pela consultoria carsalesbase.com, equivalem a 0,01% nos mercados dos Estados Unidos e Europa e é insuficiente para fazer frente a concorrentes como Ferrari, Renault ou Mercedes. O caminho para contornar esse obstáculo é explorar o fator “prestígio” da marca, proposta para a qual a F-1 é bastante eficiente,

A associação com a Red Bull resultou na criação de um novo “Advanced Performance Centre” (centro de desempenho avançado) e 110 novos empregos, dos quais 100 serão preenchidos por engenheiros da própria Aston Martin. O foco desse grupo será desenvolver tecnologias para aplicação em carros de F-1 e automóveis de série.

WG

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