Quem acompanha minha coluna sabe que eu tenho algumas manias. Apesar de ter algumas características menos femininas, como meu gosto por carros, tenho outras extremamente “luluzinha”. Uma delas é meu gosto por sapatos. Não tenho tantos quanto a maioria das minhas amigas, mas cuido deles de uma forma que talvez beire a mania, sim. Como não economizo nesse item faço questão que eles durem muito.

Salto alto não dá apoio correto (Foto: stylemayvin.blogspot.com)

E como fazer quando se juntam essas duas manias, carros e sapatos? Porque, é claro, os pedais do carro machucam meus pisantes e deixam marcas de dobra na parte superior. Horror! Então só os uso para andar, jamais para dirigir. Tenho um sapato velho na porta do veículo e o calço assim que entro. É um mocassim fechado, superconfortável. Como meu carro atual é automático é apenas um pé, mas quando era manual tinha um par completo. Sim, porque dirigir com salto alto além de infração é extremamente incômodo. Salto agulha é a morte. Enrosca no assoalho, o sapato não dobra, fica rígido, não dá para mudar de um pedal para o outro facilmente, sei lá. Uma verdadeira tortura.

Sem falar nas famosas dobras que deixam tudo com aspecto de velho. Como já comentei aqui, um par de vezes desci do carro com uma sapatilha linda de morrer no pé esquerdo e um mocassim surrado no pé direito. Geralmente percebo em pouco tempo, mas uma vez andei quase dois quarteirões assim até voltar correndo para fazer a troca. Nem sei o que as pessoas na rua devem ter imaginado de ver uma mulher arrumada, de saia, e com sapatos tão gritantemente diferentes. Mas isso só acontece quando o outro pé é de algum modelo sem salto. Como quase sempre tem alguma coisa de altura, logo noto pela diferença ao pisar.

Salto alto? Nem pensar (Foto:automotoescolaideal.com.br)

Rasteirinha, a famosa sandália sem salto nenhum e solta no calcanhar ou chinelo… nem pensar. O pé fica solto. Ele vai para um lado e o calçado para outro. Prende no pedal. Terrível. Nada a ver. Eu mesma não costumo usar muito exceto dentro de casa, na praia ou em casamento, depois que são distribuídos como lembrança quando as mulheres já fomos suficientemente torturadas com nossos lindos e maravilhosos sapatos de festas com saltos altíssimos e entregamos os pontos para confortáveis havaianas e nos acabamos na pista de dança. Mas para dirigir, nunca. Nunquinha.

Quando digo que dirigir com sapato errado é uma tortura, um horror, não estou exagerando. Na verdade, fiquei aquém do que poderia ter dito. Pode ser fatal, mesmo. Semana passada duas mulheres morreram num acidente na entrada do aeroporto de Viracopos em Campinas porque, até onde concluiu a perícia, um dos chinelos que a motorista estava usando enroscou no pedal do acelerador e o carro acabou caindo da alça de acesso. O veículo simplesmente caiu de uma altura de 11 metros com as quatro rodas para cima, matando as duas ocupantes. Outro forte indício de que a causa foi mesmo essa, segundo os peritos, é que aumentou a velocidade do carro e a queda foi em alta velocidade.

O artigo 252 do Código de Trânsito Brasileiro em seu Capítulo XV considera infração “dirigir usando calçado que não se firme nos pés ou que comprometa a utilização dos pedais”, ou seja, o que se proíbe é a utilização de um calçado que não se firme nos pés (foto de abertura), como um chinelo sem tira atrás dos calcanhares que permita a devida fixação, ou que comprometa a utilização dos pedais, como um sapato de salto alto. Justamente porque nenhum desses dois tipos de calçado proporcionam uma pisada correta sobre os pedais.

Descalço, pode (Foto:doutormultas.com.br)

No meu caso, além da vaidade de preservar os pisantes, acho extremamente desconfortável dirigir de chinelos ou com as famosas rasteirinhas. Detalhe: pode-se, sim, dirigir descalço. Eu já tentei e não achei lá muito legal, mas se estiver de salto ou de chinelo e não tiver meu sapatinho “estepe”, dirigirei descalça certamente. Acho mil vezes melhor, ainda que não seja minha primeira opção. Certamente é minha segunda. Há uma melhor sensibilidade dos pedais e sem o risco de enroscos. Aí é só superar meu TOC com sujeira ou então lavar bem os pezinhos depois e pronto.

Chinelo só é bom para usar na praia ou na piscina. Ou então num dia de calor passeando por aí. Pessoalmente, uso muito dentro de casa, onde também ando descalça, para descarregar a enorme quantidade de estática que acumulo. Mas para dirigir não é nem seguro nem confortável. Que atire a primeira havaiana quem já não tomou um tombo quando soltou as tiras de uma dessas depois de ter enroscado numa pedra na praia. Em Natal vi isso acontecer com várias pessoas no mesmíssimo lugar. O calçado ficava na pedra e o resto do corpo do turista seguia pelo ar antes de aterrissar estrondosa e dolorosamente sobre as pedras.

Por isso não entendo tanto motorista de caminhão andar de chinelo. É tão frequente vê-los nas paradas na estrada. Logo eles. Não acho bonitos a maioria dos modelos papetes ou tipo “franciscano”, aqueles que gringo adora usar com meia, mas reconheço que são extremamente confortáveis. Eu mesma comprei um lindíssimos par de papetes contra tudo aquilo que imaginava. Então, vá lá, use um desses, que pelo menos firmam bem o pé. Mas havaiana tem de ficar longe do banco do motorista. Pela segurança de todos aqueles que estão no carro. Afinal, no acidente de Campinas morreu também quem estava no banco do carona, independentemente do calçado que estava usando.

 Mudando de assunto: o circuito de Spa-Francorchamps é um dos favoritos dos pilotos de Fórmula 1 e dos meus também. Lindo traçado, com aquela incrível Eau Rouge! Fantástico. Boa corrida domingo passado, resultado justo. Pérez e Ocón já estão merecendo umas palmadas e ir dormir sem comer sobremesa — especialmente Pérez, que parece uma criança. Alonso grosseiro com a equipe, como sempre, algo que me incomoda muito. Diz coisas que deveriam ser ditas em particular, não no rádio. Mas o mais ridículo foi ouvir um certo locutor comentar a linda ultrapassagem dupla de Ricciardo e Kimi sobre Bottas — um de cada lado, num erro do finlandês da Mercedes e que ainda lhe fez perder a freada e sair da pista. Justamente por isso, ter saído do traçado, o verborrágico locutor perguntou se Bottas deveria devolver a posição. Cumé? Ele não teve nenhuma vantagem ao cortar a curva saindo da pista, pois já havia sido ultrapassado por DOIS carros. Devolver o quê? Teria que ser ultrapassado mais duas vezes? Tem gente que fala tanto que nem pensa o que diz. Affff!

NG

A coluna “Visão feminina” é de total responsabilidade de sua autora e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.
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