Desta vez foi a curiosidade que me fez pesquisar alguns números para a coluna desta semana e não apenas o tédio. Nem estou com disposição de discutir com ninguém, não, apesar de ter escolhido um assunto polêmico. Sigo, sim, de molho com meu robot foot, mas algumas notícias aqui e ali me chamaram a atenção.

Como vocês sabem tenho o hábito de ler tudo — bem, quase tudo. Bula de remédio deve ser a única coisa que não olho nunca. Para quê? Não estudei Medicina. Tenho o maior respeito por médicos e acho que cabe a eles saber o que me receitam. Eu estudei Jornalismo e por isso nem olho o que está escrito naqueles papeizinhos. Apenas vejo se tenho alguma reação diferente e se, por exemplo, o oftalmologista me receita algo conto para o clínico geral. E eles que se entendam. Mas fora isso, leio qualquer coisa.

E foi assim que dei de cara com algumas notícias sobre a liberação da maconha no Uruguai, agora para uso recreativo — já era permitida a venda para usos medicinais. Aí me lembrei de um estudo que havia visto há algum tempo sobre os efeitos da liberação da maconha sobre o trânsito nos Estados Unidos.

Não vou entrar aqui nas questões morais, ideológicas nem mesmo de saúde. Não falarei sobre os efeitos da maconha sobre o organismo nem sobre a questão tributária ou policial — nem mesmo nos casos de uso com prescrição médica, sejam eles bons ou ruins. Limitar-me-ei (viram? Eu também sei usar mesóclises) a constatações feitas por hospitais, seguradoras e acadêmicos em pacientes acidentados que dirigiram depois de ter fumado maconha. Como acontece com tudo, há estudos para qualquer teoria, mas vou detalhar vários que nem são assim tão diferentes. Basta analisá-los com bom senso.

No ano passado houve aqui no Brasil a 21ª Conferência do Conselho Internacional sobre Álcool, Drogas e Segurança no Trânsito. Sobre as consequências do álcool já há muitos estudos tanto no Brasil como no exterior. Por isso gerou bastante interesse a apresentação da bioquímica e doutora em Toxicologia americana Marilyn Huestis, que pesquisa o abuso de drogas há mais de duas décadas.

Segundo ela, o uso de maconha dobra o risco de acidentes graves. Ela contou que o estado de Iowa tem o simulador de direção mais avançado do mundo onde se testa a maconha com e sem doses de álcool — que é, segundo ela, a droga lícita número 1 em prejuízos à direção. Mas, segundo ela, a maconha é a droga ilícita mais comum relacionada a ferimentos graves e a óbitos no trânsito. “Sabemos desde os anos 1970 que a embriaguez ao volante vem decaindo. Tem sido feito um bom trabalho, com boas iniciativas para reduzir o consumo de bebida alcoólica. Mas sabemos que o consumo de drogas associado à direção subiu. Quando as autoridades finalmente passaram a coletar sangue e fluido oral para verificar a presença de drogas, foi chocante: 8,3% dos motoristas dirigindo à noite tinham THC (princípio ativo da maconha) no sangue ou na saliva.”

“Se fumar, não dirija” (Foto: huffpostbrasil.com)

Há quatro estados americanos, mais o Distrito de Colúmbia, que permitem o uso recreativo legal de maconha, e mais de 25 estados permitem o uso medicinal. “Temos uma droga ilegal com uso médico. Como controlar isso? Como fica a segurança? Como controlar esses usuários dirigindo? Não sou uma puritana quanto às escolhas de cada um, mas se trata de um problema de saúde e de segurança pública. Há muitos estudos dizendo que o uso de maconha dobra o risco de acidentes graves, então como lidar com isso? Acho que as pessoas têm de tomar decisões com base em informações. Já estive em muitas legislaturas estaduais e posso garantir que as pessoas que estão decidindo não entendem as consequências disso. O meu trabalho, como cientista que tem estudado isso, é divulgar a informação científica”, disse a pesquisadora.

No Estado de Washington, seis semanas após a legalização, o número de casos envolvendo motoristas incapacitados pelo uso de maconha cresceu 25%. Está bem acima dos 30% agora, afirmou ela.  “Se fumar maconha, não dirija.”

Estudos semelhantes foram feitos no Canadá com resultados iguais. O trabalho “Acute cannabis consumption and motor vehicle collision risk: systematic review of observational studies and meta-analysis”, divulgado pelo jornal British Medical Journal em 2010 com 50.000 pessoas que se envolveram em acidentes de trânsito concluiu que fumar maconha pode quase dobrar o risco de acidentes graves ou fatais — mas não se sabe qual é a relação entre a droga e acidentes leves. O álcool ainda é a substância mais perigosa em relação a acidentes de veículos, mas, como disse antes, ele é muito mais pesquisado e por isso não vou falar disso aqui.

O trabalho é bem abrangente, pois analisou pessoas de vários países. De acordo com a pesquisa, os estudos analisados sugerem que a droga prejudica o desempenho de funções cognitivas e motoras que são essenciais para a condução segura de um veículo. Além disso, eles observaram que as taxas de indivíduos que dirigem sob o efeito de maconha, em muitas cidades, vêm aumentando mais do que em relação aos motoristas que dirigem após consumir álcool, embora, tal como concluiu a pesquisadora americana, a bebida alcoólica ainda seja a substância mais perigosa no trânsito.

A Fundação AAA para Segurança no Trânsito, dos Estados Unidos, também pesquisou o assunto. Num relatório divulgado este ano, conclui-se que os acidentes fatais envolvendo motoristas que usaram maconha antes de dirigir dobraram em Washington desde que o estado legalizou a droga. Segundo a fundação, a porcentagem destes acidentes aumentou de 8% para 17% apenas no período entre 2013 e 2014. O relatório diz que um em cada seis motoristas envolvidos em acidentes fatais em 2014 havia feito uso de maconha antes de pegar o volante. Evidentemente, e aí vai uma consideração minha, pode ter havido motoristas que consumiram maconha e não sofreram nem provocaram acidentes, mas é significativo o número daqueles que sim entre os que sofreram acidentes. Não consegui saber se essa foi a única droga encontrada no sangue deles, mas tudo leva a crer que sim. Mas, repito, não tenho 100% de certeza.

O presidente da Fundação AAA, Peter Kissinger, disse que “o aumento significativo dos acidentes fatais envolvendo a maconha é alarmante. Washington serve como um estudo de caso de abrir os olhos para o que outros estados podem ter de experiência com a segurança rodoviária após a legalização da droga”.

Alguns estados americanos criaram limites legais que especificam a quantidade máxima de THC que os motoristas podem ter em seu organismo. No entanto, a fundação observa que esses limites são problemáticos, porque a maconha pode afetar as pessoas de formas diferentes, o que torna difícil de criar diretrizes consistentes e justas.

Mas, é claro, há alguns estudos que apontam em outras direções, embora usem metodologias diferentes. Um, conduzido por uma ONG favorável à liberação da maconha para usos medicinais, aponta que a liberação do uso medicinal reduziu o número de acidentes porque caiu em 5% o consumo de cerveja. Segundo alegam os defensores dessa linha de raciocínio, as pessoas tendem a ficar mais calmas também e pessoas com problemas de saúde não têm convulsões com a medicação.

Efeito do álcool é mais estudado (Foto: detran.ms.gov.br)

Pessoalmente, juro que não consigo entender o que uma coisa tem a ver com a outra. Para mim a redução no consumo de cerveja é apenas uma coincidência estatística, pois estamos falando de cannabis medicinal, não recreativa e também não sei por que pessoas com problemas de convulsões constantes dirigiam quando esse problema não estava sob controle.

Seguradoras também se dedicaram a analisar a questão — parte interessadíssima que são nesse assunto. O Insurance Institute for Highway Safety analisou pedidos de indenizações por colisão de veículos entre janeiro de 2012 e outubro de 2016 e os comparou em estados que haviam legalizado recentemente a maconha (Colorado, Washington e Oregon, especificamente) com pedidos em estados vizinhos semelhantes onde isso não havia acontecido. No mesmo período, a diferença encontrada foi 3 pontos porcentuais mais alta do que nos estados sem liberação de maconha. Segundo os pesquisadores, embora o número seja pequeno, é significativo.

Na outra direção, um estudo publicado pelo American Journal of Public Health disse não ter encontrado aumento no volume de acidentes de carro com morte no Colorado e em Washington depois da legalização. Novamente, diferentes metodologias, pois o estudo do IIHS somente analisou colisões e não acidentes fatais. O período também é diferente: aqui foi de 2009 a 2015.  Ainda assim, acidentes de carro, fatais ou não, aumentaram e ambos merecem atenção, pois deixam sequelas e, ainda do ponto de vista econômico, tem custos de internação e atendimento médico.

Em 2014, um estudo da Universidade Columbia analisou os exames toxicológicos de 24.000 motoristas vítimas fatais de acidentes de carro e concluiu que o consumo de maconha contribuiu com 12% das mortes ocorridas em 2010. Essa porcentagem é o triplo do constatado uma década antes. Segundo o estudo, a maioria dos casos era de motoristas jovens — 25% dos condutores mortos tinha abaixo de 25 anos.

Enfim, dizer que a questão está longe de ser simples é um clichê, mas raríssimas vezes vi abordarem a questão da segurança viária quando se fala de descriminalização de drogas — e nunca no Brasil. Somente nos Estados Unidos e, ainda assim, tempos depois de que a medida foi adotada. Gosto de pensar sempre de uma maneira em ampla tanto os problemas quanto as soluções. Sabem a teoria do caos? Aquela que diz que o bater de asas de uma borboleta pode provocar um tufão do outro lado do mundo? É bem por aí. Mas poucos lembram disso.

Mudando de assunto: Gosto muito do circuito da Velo Città e gostei de ver pela primeira vez a Stock Car correr lá. Bem desafiador, mas acho meio esquisita essa segunda corrida na sequência, com inversão das posições. Sei lá, acho que a primeira comemoração fica meio chocha. Mas foi uma corrida cheia de alternativas. Valeu a pena assistir.

NG

A coluna “Visão feminina” é de total responsabilidade de sua autora e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.
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  • ene

    Depois da lei seca, deixei de ingerir bebidas alcoólicas. Não vale o risco. Não de acidentes, porque sempre fui responsável, mas o risco de ser multado, execrado, preso e outras coisas mais. Nosso país não é sério — novidade, mas por aqui tudo é oito ou oitenta.

    • ene, notou que as blitze para flagrar alcoolizados ao volante só começaram em junho de 2008, depois de promulgada a lei seca? Por que será que elas não começaram em setembro de 1997, com o novo código de trânsito, quando havia limite de alcoolemia? Vamos ver se você e os leitores adivinham por quê.

      • Diego Mayer

        Pois a redação original era inócua, limitando a obtenção da tipicidade através do etilômetro. Como, no Bananil, ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo, era só se negar a realizar o teste e pronto; não havia como condenar ninguém.
        Com a última alteração, acrescentou-se ao tipo penal o termo “dirigir com a capacidade psicomotora alterada”, possibilitando a obtenção de prova através de testemunha e meio audiovisual, o que conferiu eficácia à norma.

        • Diego Mayer, teria sido suficiente aplicar esse conceito de fiscalização atual e autuar quem estivesse acima do limite de alcoolemia. Foi uma omissão irresponsável indiscutivelmente. Os que dirigiam dentro do limite de álcool no sangue ou no ar dos pulmões não eram e nunca foram causadores de acidentes. O limite atual é de uma burrice inominável e um desserviço ao cidadão.

        • Fabio

          Embora haja coisas realmente estranhas na lei. Quando eu passar pela alfândega e mandarem eu abrir a mala, vou dizer que não quero produzir provas contra mim.

          • Lucas Vieira

            Verdade!

      • Carlos Alberto

        Suposição. Se havia algum limite, também havia possibilidade de alguém não ser multado, já que o “alcoólatra” estaria na tolerância permitida. Com o advento da lei seca, o índice de tolerância passou a ser igual a 0. Logo, por mais baixa que fosse a alcoolemia, estaria acima de 0, sendo multado. Assim, muito mais gente estaria exposta e propensa ao pagamento de multas.
        Não tenho certeza se é esse o motivo, mas em se tratando de Brasil…
        Abraços, Bob!

        • Carlos Alberto, é exatamente isso, mas a nossa valorosa imprensa nunca apontou essa questão. E com isso houve a irresponsável omissão de 11 anos (1997-2008) de tirar os realmente bêbados do volante.

      • Bob, aqui em Maringá, não tem blitze nos finais de semana, em porta de balada. As operações são sempre entre 6:30h e 8h da manhã, em vias arteriais da periferia, em direção ao centro da cidade.
        Adivinha por quê?

      • Porque dá um trabalho…

      • Fórmula Finesse

        Antes não tinha “potencial de rendimento$” que justificasse tirar a bunda da cadeira e ir fiscalizar os verdadeiros excessos!

      • Fabio

        Da mesma que o ex-prefeito disse que se não tivesse “radares” pela cidade ninguém obedeceria. Então quer dizer que antes com velocidade máxima de 90 km/h na marginal, ninguém respeitava também pela falta de radar. Então por que não instalaram os “radares” antes de abaixarem a velocidade para 70 km/h?

        No mais, por que não fazem as blitz nas saídas de baladas ao invés de fazer na hora do rush em avenidas movimentadas?

        Por um lado parece que querem tomar o dinheiro do povo com multas, por outro não, pois na saída dos bares iam lucrar ainda mais.

      • FocusMan

        Grande verdade, Bob. Não precisávamos de lei seca. Como era antes já era bom, bastava fazer cumprir a lei.

      • Cesar

        Bob,
        Não era interessante. O tanto de gente que ia pegar não compensava o trabalho de montar blitz. Além do que, agora como não há limites, todo mundo é criminoso em potencial. Agora vale a pena arrancar uns trocados.

        • Cesar, bêbado ao volante sempre existiu. Esse é o que causa acidente, não quem tomou duas latas de cerveja. Entre esses que causam, o menos sóbrio, o bonzinho, estava com 1 grama de álcool por litro de sangue, 67% mais álcool que o limite estabelecido no CTB original, de 1997, 0,6 grama. Motoristas envolvidos em acidentes com 1 g a 2 g é mostrado toda hora na tevê. Por isso reputo como grave a omissão dos executivos estaduais e federal em não procederem à mesma fiscalização pós-lei seca.

          • Cesar

            Bob,
            É exatamente o que disse. Quem causa acidentes, não é aquele que toma um copo de cerveja. Não acredito que os limites que existiam anteriormente estavam errados. Não acredito que o mundo todo que estabelece limites similares ao que existiam anteriormente estava errado. Para mim, essa lei seca é apenas midiática. Te dou outro exemplo. A faixa de pedestres. Sempre esteve no CTB, mas nunca foi cumprida por falta de fiscalização. Um belo dia o Governador daqui de Brasília resolveu aparecer e para tanto colocou em cada faixa de pedestres alguém para multar. Resultado, todo mundo passou a respeitar a faixa. Hoje em dia como já não há mais fiscalização, a metade para, a outra não.

    • Nora Gonzalez

      ene, como eu disse, não leio bula de remédio, mas é claro que meus médicos me previnem sobre o que posso ou não fazer quando me receitam algo. E conversando hoje com minha mãe ela me lembrou que muitos medicamentos recomendam expressamente que quem os ingere não dirija ou opere máquinas durante o período do tratamento pois afetam os reflexos. Simples assim.

      • ene

        Verdade. conversei algumas vezes com pessoas que pareciam estar sob efeito do álcool, mas depois de verificar, era sob o efeito de medicamentos.

  • Mr. Car

    Nora, o slogan do Ministério da Saúde para estes casos será assim: “O Ministério de Saúde adverte: Se estiver viajandão, não assuma a direção”, he, he! Falando sério, não me parece mesmo uma boa ideia, já que um dos efeitos da droga é justamente este, o de o sujeito ficar meio aéreo, disperso. Dirigir exige toda a atenção e mais um pouco.
    Abraço.

    • Mr. Car, esse “mais um pouco” inclui v-i-s-i-b-i-l-i-d-a-d-e total, do que os brasileiros que idolatram os sacos de lixo para deixar o carro lindão, carecem.

      • Fernando Nectoux

        Mas que excelente alfinetada, Bob. Os vidros excessivamente escuros não só são terríveis para o condutor como podem ser a maior cilada em casos de sequestro. Outro dia andei em um Uber com um VW up!, à noite, e quando olhava os retrovisores só dava para enxergar carros com os faróis acesos.

        • Fernando Nectoux, as pessoas que põem esses sacos de lixo nos vidros perderam o juízo.

      • CorsarioViajante

        O kit da tristeza: engate atrás para estourar o para-choque alheio, filme no vidro para teclar no celular dirigindo e xenônio na frente para cegar os outros. Isso porque somos apaixonados por carro e um povo cordial!

        • ene

          Esqueceste da luz de neblina traseira, que muitos usam até de dia…

        • Junin Souza

          No meu só falta o xenônio, o resto já tem, mas tudo dentro da lei! Pior é quem anda de luz alta atrás de você o tempo todo e não baixa a luz!

      • ene

        Faz uma duas semanas, viajei à noite com um cara de van que deixou o tempo todo os vidros abertos, porque não enxergava nada devido às películas.
        Pior foi o frio…

    • Nora Gonzalez

      Mr Car, você lançou um desafio e tanto. Qual seria a ilustração dessa campanha?

      • Mr. Car

        Sei lá, Nora. Talvez a foto de um sujeito com um baseado enorme na boca, os olhos vermelhos, e isto dentro de um círculo vermelho cortado por uma faixa idem, como nas placas de proibido estacionar ou proibido ultrapassar, he, he!
        Abraço.

        • Nora Gonzalez

          Mr Car, a pergunta era retórica. Até onde sei, maconha não é vendida em maço… mas gostei da sua sugestão 😉

    • Fabio

      Quando você lê uma bula de remédio, na parte de “efeitos colaterais”, pode ocorrer de tudo. Os laboratórios colocam tudo de uma vez para “tirarem o deles da reta” caso ocorra algum problema com a ingestão dos mesmos. Em contrapartida, nos EUA, em textos “científicos” onde mostram os benefícios da maconha como uso medicinal, é até engraçado, pois ela faz bem para praticamente tudo. kkk Num lado os laboratórios com medo dos efeitos colaterais dos remédios tradicionais e do outro os caras dizendo que maconha é bom para tudo. Até parece Herbalife onde você fica magro, saudável, forte, rico, feliz…

      • Nora Gonzalez

        Fabio, bula de remédio é escrita não apenas por médicos, mas por uma banca de advogados.

        • Fabio

          Com certeza. Já vi adesivos em quadros de bicicletas dizendo que a mesma não foi feita para manobras radicais como empinar. E manuais da Caloi dizendo que não pode descer guia com a bicicleta, pois ela pode quebrar. kkk Tudo para “tirar da reta”.

  • Fat Jack

    Num cenário “liberal” que nos encontramos atualmente no que se refere ao consumo dessa substância a abordagem do tema se mostra absolutamente oportuna e apropriada. Parabéns, Nora!
    Falando da questão liberação da maconha, e fazer-me-ei (hehehe, não perderia esta chance por nada!) entender pela menção a uma antiga música que já dá bons indícios do que penso a respeito: “… Eu sou assim meio atrasadão, conservador, reacionário e ‘caretão’…”, mas também não entrarei no que eu entendo ser o mérito do assunto.
    Independentemente disso, acho que só pode ser incontestável que as punições pelo uso da substância aliada a direção têm de ser no mínimo as mesmas das aplicadas ao uso do álcool nas mesmas situações, se há alguma tolerância para THC deve haver da mesma forma para o álcool, pois só falta haver distinção entre mesmo dadas as consequências apresentando boa dose de similaridade.
    Ou seja, podemos até estarmos precisando de uma campanha do tipo: “Se for ‘queimar unzinho’, não dirija!”

    • Nora Gonzalez

      Fat Jack, obrigada. Sempre gosto de trazer assuntos que são pouco ou nada discutidos. Acho que prevenir acidentes é algo muito sério que não se resolve com limitar a velocidade.

  • Paulo Henrique

    Se beber, não dirija. Se fuma, não dirija. Ah!, se cheirar, também não dirija.

  • Wendel Cerutti

    Matéria sobre maconha causando mais acidentes? Prepare se para ser massacrada pelos pseudo-politicamente corretos…

    • Wendel, esqueceu que temos moderação de comentários?

    • Nora Gonzalez

      Wendel Cerutti, não fujo de uma discussão. Só peço argumentos, algo que ultimamente está em falta em qualquer conversa. E, claro, conto com o bom senso do Bob.

  • GFonseca

    Acho ridícula essa “romantização” do uso da maconha… Liberar para fins medicinais talvez, mas para uso recreativo nem a pau.

    • Licergico

      Acho um absurdo alguém querer decidir qualquer coisa por outra pessoa.

      • Licergico, concordo, mas com droga não pode ter perdão.

  • Licergico

    Prefiro me abster da discussão! (meu nick…)
    Só posso concluir que na minha juventude sempre dei muita sorte!
    Nunca me envolvi em nenhum acidente , mesmo depois de algumas garrafas de uísque apreciadas junto a inúmeras ‘pintas’ de chope…
    Do jeito que as coisas estão indo , imagino que daqui uns 50 anos o mundo vai estar muito, muito chato de se viver !

    Parabéns pela excelente matéria, Nora.

  • Enildo

    Nora, ótima matéria! Parabéns! Nos faz refletir sobre o tema sobre a legalização das drogas. Porém o assunto é bastante complexo. Quando se fala em drogas, devemos colocar em mente, as legais e as ilegais. Na minha humilde opinião se legalizava todas as drogas. Pois assim se arrecada impostos, faz a aplicação medicinal se necessário, cria-se empregos, evita o tráfico e reduz suas consequências brutais que sofremos no dia a dia que a violência armada nas ruas. Mas infelizmente há interesses de alguns pela não legalização de algumas drogas. Os filmes clássicos “os Intocáveis” e ” Scarface” já nos dão uma boa noção sobre o problema da legalização das drogas. Voltando ao assunto, dependendo do tipo da droga seja legal ou ilegal, independente do que seja, pode alterar profundamente o funcionamento cerebral. E o controle do uso das drogas nos motoristas é muito complexo. Não sou médico mas adoro ler as bulas das medicações que entra na minha casa. Se você começar a ler bulas dos remédios (pra mim todo paciente devia ler, principalmente a parte dos efeitos colaterais), irá notar que muitas medicações de uso comum em nosso dia a dia (nem precisa ter tarja preta) provocam alterações no cérebro. Por exemplo: alguns dos efeitos colaterais do Ibuprofeno, um dos anti-inflamatórios mais receitados pelos médicos são tontura , sonolência e perda de audição. Imagina um motorista tonto, sonolento e surdo ao volante? E com certeza há milhares de motoristas nesse momento ao volante que estão tomando este tipo de inflamatório. O buraco é bem mais embaixo do que se imagina! Quanto aos acidentes de trânsito relacionadas às drogas, só há duas soluções: a primeira, que na minha opinião é o caminho mais longo e eficaz que é educação das pessoas e principalmente de nossas crianças conscientizando-as quanto ao uso de drogas e suas consequências não só ao volante mas também na vida. E a segunda, por mais que não desejo, pois sou um autoentusiasta na essência, seria a solução mais simples e de curto prazo que é a direção autônoma. Nora, novamente parabéns pelo tema abordado. E fica a minha dica: comece também a ler a bula dos medicamentos rsrs abraço

    • Nora Gonzalez

      Enildo, álcool e tabaco são drogas legalizadas. Arrecadam impostos (e como!), geram empregos e, no entanto, continua havendo um gigantesco mercado de falsificação e contrabando que não paga impostos nem gera empregos formais e é análogo ao que faz um traficante. E por que existe este mercado apesar da descriminalização? Pelo preço menor, pela não limitação de compra (até menores podem comprar pinga falsificada, né?) pela facilidade de acesso… O governo e os planos de saúde gastam horrores com as consequências dos males provocados por álcool e tabaco falsificados ou não – sem falar nas seguradoras e nas vítimas inocentes em caso de acidentes de carro ou com armas em mãos de bêbados. Você acha que com as drogas seria diferente? Não digo que elas não possam ser descriminalizadas, mas não faz sentido que seja por esses motivos.

    • Fat Jack

      “…Pois assim se arrecada impostos, faz a aplicação medicinal se necessário…”
      Ah, como eu queria crer em algo semelhante, o estado brasileiro sequer está sendo capaz de fornecer os kits de insulina, os remédios no combate de hipertensão ou os testes de carga viral (aos portadores de HIV), determinados e obrigatórios de acordo com a legislação vigente.
      A liberação só traria ganhos na arrecadação de impostos e (talvez) no menor embate entre traficantes e a polícia, por outro lado a quantidade das “cracolândias” cresceria em progressão geométrica e a das famílias vitimadas por elas, idem.

    • Newton (ArkAngel)

      Na realidade, uma possível legalização das drogas não irá gerar nenhum tipo de vantagens e nem divisas à sociedade. Nosso governo é parasita, e tal legalização espantaria (assim como espanta) potenciais comerciantes de entorpecentes, pois o principal motivo do rápido crescimento do comércio ilegal de drogas é exatamente a falta de regulamentação e interferência do governo, ou seja, a liberdade econômica. E é exatamente essa liberdade que faz com que os lucros dos traficantes seja imenso e rápido…tais desregulamentações e não-interferência do governo, aliás, se aplicados em absolutamente TODOS os ramos do comércio, fariam um verdadeiro milagre econômico neste país.

  • Douglas, bingo!!! Isso está mais do que na cara. O lobby das campanhas e atitudes antifumo tem patrocinador: o narcotráfico.

  • CR Santos, não diga bobagem. Um alemão pode legalmente beber até determinada alcoolemia (0,5 g de álcool por litro de sangue, duas latas de cerveja) e pegar seu supercarro e ir para a Autobahn andar à velocidade que quiser. Americanos e ingleses podem ingerir álcool até mais, 0,8 g/L. Corrida é outro assunto, é desempenho máximo não só em reta. Essa lei seca é completamente idiota. Admira-me você concordar com ela.

  • Nora Gonzalez

    Vinicius_Franco, não sou contra medicamentos mas tomo apenas quando extremamente necessário e na dose indicada pelo médico. Sem receita, apenas aspirina e, ainda assim, uma a cada 8 horas, ou sal de frutas. Quando cheguei ao Brasil me chamou a atenção a quantidade de farmácias que há por aqui e o hábito dos brasileiros de tomarem tanto antibiótico e antiinflamatório.

  • Licergico

    O principal é cada um cuidar da sua vida e decidir para si o que quer (óbvio desde que sua decisão não prejudique outra pessoa) .

  • Fat Jack

    “…Lembro que o CTB já prevê como infração dirigir com qualquer alteração na consciência, o que por si só já joga por ter terra a possibilidade de o sujeito ter usado cannabis ou outra substância e se atrever a dirigir…”
    Num mundo perfeito sim, na realidade não. Basta ver quantos (inclusive agentes públicos, celebridades e entre outros que tem muito a perder com a sua exposição) já foram flagrados ao volante em estados deploráveis de embriaguez que sequer lhes permitia parar de pé.
    Em minha opinião, uma taça de vinho ou “duas latas de cerveja” definitivamente não tornam ninguém em assassino no trânsito, nem lhes tira os reflexos de forma a torná-lo um incapacitado de guiar.
    Quanto à maconha, há ainda se relembrar o contrassenso (em minha opinião) da liberação do seu uso recreativo, algo que se pode comprar e ter em posse mas não se pode vender, mais um fruto das “mentes brilhantes” de Brasília…

    • Fat Jack, eu não conhecia o detalhe da última frase. Esses “representantes do povo” estão mesmo zombando de nós, e com os bolsos estufados com (o nosso) dinheiro.

  • Fabio R, é o que eu digo sempre, governos são ladrões oficiais e têm o mais gordo dos olhos. O cigarro que meu filho fumava aqui (Marlboro maço-mole) custa R$ 9. Ele esteve no Chile recentemente e pagou o equivalente a R$ 17 no mesmo produto. Aqui, ele e eu passamos a fumar um delicioso cigarro importado legalmente da Alemanha (Winston maço-caixa) que custa R$ 6.

  • Fat Jack, grande STJ! Essa está perfeita para o Jack Palance: “No Brasil, pode-se usar drogas, mas não se pode vendê-las. Acredite…(uma longa e enfisêmica arfada)…se quiser.

  • Magno Costa

    Os EUA conseguiu acabar com a epidemia do crack justamente punindo quem usa. Ou era cadeia ou tratamento, à escolha do freguês. Aqui não temos nem uma coisa nem outra.

  • Reginaldo, os alemães e outros povos não são loucos quando se trata de automóvel e direção. Ingerir bebida alcoólica até determinada alcoolemia é perfeitamente normal e seguro para se dirigir. Para isso é que existe limite, como tinha no Código de Trânsito Brasileiro original, de 1997.

  • Reginaldo, nosso editor Marco Aurélio Strassen foi parado pela polícia alemã porque freou numa preferencial à 1 da manhã, atitude inusitada lá porque ninguém entra ou cruza via preferencial como aqui, o que levou os policiais a desconfiar que ele estivesse alcoolizado. Perguntaram se ele havia bebido, ele disse que sim, e se ele faria o teste do etilômetro; ele concordou. Feito o teste, estava dentro dos 0,25 mg de álcool por litro de ar alveolar regulamentares. Desejaram-lhe boa noite e ele seguiu para o hotel. Aqui, com o limite de 0,05 mg, a quinta parte do permitido na Alemanha, ele seria considerado”bêbado”. Essa “lei seca” é completamente ridícula, um verdadeiro deboche do cidadão. Tinha que ser revogada.

  • Licergico, também acho. Caso de obrigar a usar capacete para andar de motocicleta, de usar óculos de piloto da Primeira Guerra Mundial se o capacete for do tipo aberto e a viseira estiver levantada, de proibir manusear o celular com veículo parado no trânsito, como num semáforo, enfim, é o patrulhamento exacerbado. Mas no caso das drogas penso ser correto, pois ocorre uma degradação rápida da pessoa. É como uma criança, temos obrigação de orientá-la a não fazer coisas erradas. E, claro, acho essa interação a que você se referiu uma das boas coisas da vida e fazemos questão de mantê-la viva no AE.

    • Newton (ArkAngel)

      Na questão de dirigir sob efeito de drogas, existe uma série de fatores que, se encadeados logicamente, tronam fácil a percepção de que realmente é prejudicial à sociedade tal ato.

      A habilitação, ou mais acertadamente, licença para dirigir, não é um direito, mas sim, uma permissão dada a você pela sociedade, que te dá um voto de confiança para dirigir uma máquina que apresenta potencial de causar danos a outras pessoas, tanto isto é verdade que tal licença pode lhe ser retirada caso seu comportamento ofereça perigo a outros.
      Partindo-se desse pressuposto, você, em qualquer ocasião em que dirija seu veículo, deve estar no mesmo nível de consciência e no mesmo patamar de habilidade que estava por ocasião da aprovação e conseqüente concessão da habilitação. Se por qualquer motivo você não estiver nesses mesmos níveis de habilidade e responsabilidade, pelo menos nesses momentos você não deve conduzir nenhum veículo.