Hoje não precisei recorrer ao meu baú para lhe contar uma história. Ela aconteceu esta semana e será colocada em um lugar muito especial dentro dele.

Para quem não lembra ou não leu as duas histórias referentes ao mesmo ser, um breve resumo.

Em 4 de dezembro do ano passado contei aqui a história O melhor amigo do homem”. Em março de 2014 na cidade de Suzano, na Grande São Paulo, achei em um terreno baldio um filhote de cachorro, sem raça definida, que tinha no máximo 20 dias de nascido, abandonado, embrulhado em um pano de chão e prestes a morrer. Eu o levei para casa e, com um grande esforço da família e da veterinária que já cuidava da nossa cocker, ele sobreviveu e se tornou um amigo inseparável, aliás amiga, era fêmea.

Ao completar pouco mais de três anos houve uma briga horrível entre ela e a cocker, que por pouco esta não morreu. A cocker chama-se Agatha, está com 10 anos e a pequena achada, a quem demos o nome de Bell, está com quase quatro anos, e já com 35 kg tornou a vida em comum com a Agatha um alto risco para ela.

Resumindo esta história, a separação foi inevitável. Conseguimos, através da minha sobrinha Karina, colocá-la em uma casa espetacular em Campos do Jordão (SP). Sua nova dona, Nice, havia perdido, por idade, um pastor alemão e aceitou a nossa Bell com uma grande alegria. O primeiro encontro entre as duas foi emocionante, parecia que já se conheciam há muito tempo. Foi como se a Bell soubesse que estava sendo levada embora e, assim que viu seu novo CEP, exultou em alegria.

A dificuldade maior foi deixar a nossa companheira em sua nova casa e voltar de lá com o carro vazio. Meu envolvimento com a Bell era tão grande que minha mulher não me deixou levá-la sozinho, pediu para que nosso filho Marcelo, de 37 anos, fosse comigo e dirigisse o carro. Minha sobrinha Karina, amiga da dona da casa, também me acompanhou nesta emocionante e dificílima despedida.

Em janeiro a saudade apertou meu coração, fui visitá-la e comigo foram nosso outro filho, Maurício, 39 anos, e minha irmã Sônia. Contei esta história em de 8 de janeiro último sob o título O reencontro.

Volto ao tema de hoje por um fato ocorrido na comemoração dos meus 70 anos dia 27 último; você vai logo entender por quê.

A casa, com meus velhos e principais amigos, entre eles o Bob Sharp e a esposa Patrícia, minha irmã e minhas sobrinhas. Um jantar muito bem preparado pela nossa “secretária” Zenaide, que soube como ninguém seguir o cardápio desenvolvido pela minha mulher. O prato principal consistiu de três tipos de sopa, mais uma tábua de frios, vinhos e, lógico, um bolo com as velas “7” e “0” — mudança de década!

Cada um dos convidados me deu um presente, aos quais eu agradeço muito, mas um em especial até me motivou a fazer um breve discurso: o da minha irmã.

Ela entregou-me um envelope com uma dedicatória daquelas de aniversário:

Ao abrir o envelope li um pequeno bilhete, escrito à mão:

A emoção veio-me ao coração e não consegui esconder o lacrimejar dos olhos.

Minha irmã estava me presenteando com um cheque em branco, assinado,  acompanhado do bilhete. Ela sabia o quanto representava para mim poder visitar a minha Bell e o cheque era para cobrir as despesas da viagem rodoviária. E sem desprezar qualquer outro presente recebido naquela noite, posso afirmar que este em especial trouxe-me uma emoção que nos meus 70 anos eu nunca havia experimentado.

Agradeço a todos que comigo naquela noite compartilharam a emoção e alegria de comemorar meu 70º. aniversário. Que ideia fantástica da minha irmã, trabalhada em silêncio tão grande que nem minhas sobrinhas sabiam o que ela havia preparado.

Agora é só programar mais uma visita à minha grande companheira Bell, que me deu em junho passado 9 netos cujas carinhas mostro logo abaixo. A mais parecida com ela ficou na casa e foi batizada com o nome de Jojô (foto de abertura). Os outros oito foram adotados por amigos e familiares, estão muito bem cuidados e tratados e eu, feliz da vida.

RB

A coluna “Do fundo do baú” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.
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Sobre o Autor

Ronaldo Berg
Coluna: Do Fundo do Baú

Ronaldo Berg, com toda sua vida ligada intimamente ao automóvel, aos 16 começou como aprendiz de mecânico numa concessionária Volkswagen em 1964. De lá para cá trabalhou na VW (26 anos), Audi (4), GM do Brasil (8), Kia (2), Peugeot Sport (4) e Harley-Davidson (2 anos). Sempre em nível gerencial e ligado a assistência técnica, foi também o gerente responsável pelas competições na VW e na Peugeot Sport, gerenciando a atividade dos ralis. No começo da década de 1970 chegou a correr de automóvel, mas com sua crescente atividade na VW do Brasil não pôde continuar.

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