O piloto americano Sam Schmidt corria na IRL (categoria que concorria com a Indy, já extinta) no ano 2000 e sofreu um grave acidente a cerca de 330 km/h no autódromo Walt Disney World em Bay Lake, próximo a Orlando, na Flórida, durante o treino de uma prova.  Depois de seis meses no hospital, saiu de lá tetraplégico. No mesmo ano criou uma fundação para ajudar pessoas com paralisia, mas sem nunca deixar de tentar dirigir novamente.

Com ajuda de muita gente, encontrou a  Arrow Technologies, empresa da Califórnia que topou o desafio. A Arrow tem uma enorme linha de produtos no campo eletrônico e eletromecânico, e desenvolve soluções para clientes em todo o planeta, tendo representação também no Brasil. Há algumas imagens que explicam melhor o funcionamento do carro no site da Arrow.

Baseado em um Corvette Z06, foi projetado um sistema que permite a Sam dirigir sozinho. O volante é esterçado a partir do movimento da cabeça, com um óculos dotado de sensores gerando informações que fazem o volante girar de um lado a outro, tudo calibrado da forma mais precisa possível e com filtros para eliminar pequenos movimentos provenientes de pequenos balanços. No vídeo que está no site da empresa são mostrados os sensores fixados em um boné produzindo o mesmo efeito.

Acelerador e freio são comandados pela boca do piloto — soprando acelera, sugando freia — com intensidade de acordo com a força sopro ou aspiração. Se nada for feito, o carro mantém a velocidade, sem acelerar nem frear. Também o programa dos computadores do sistema cortam ou minimizam o efeito de pequenas variações como uma tosse ou um suspiro, por exemplo. Todavia, Schmidt precisou treinar bastante sua respiração para controlar melhor o carro.

Todo o custo de computadores, câmeras e sensores é ao redor de um milhão de dólares, e o carro, junto com Sam Schmidt, são uma propaganda inigualável para a empresa.

Residente em Nevada, Schmidt conseguiu em 2016 uma carteira de motorista especial para pessoas com restrição, sendo o primeiro tetraplégico a obter tal distinção. No mesmo ano ele fez a subida de montanha de Pikes Peak e também andou em Indianápolis, além de dirigir o carro normalmente pelas ruas. Precisa apenas de ajuda para entrar e sair do veículo, obviamente.

Não há muito o que dizer quando se vê a emoção que as imagens trazem. O automóvel é uma paixão que move mais do que montanhas.

O breve vídeo abaixo mostra o trabalho de cinco anos da Arrow com Schmidt.

Neste vídeo a seguir, o piloto conversa e leva Jay Leno andar em seu Corvette.

JJ

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  • As doenças e traumas que não forem curadas com drogas ou terapias, serão curadas com tecnologia, num futuro muito próximo. Disso não tenho dúvida.

  • S E N S A C I O N A L! Como profissional de tecnologia fico sempre emocionado quando vejo ela sendo usada para proporcionar prazeres tirados subitamente de alguém, como nesse caso.
    O lado “ruim” disso? Se não fosse a tecnologia militar esse tipo de tecnologia para uso civil dificilmente existiria ou seria de fácil acesso.

    • Juvenal Jorge

      Ronaldo,
      não nos culpemos pelas guerras. Alguém muito sábio disse há muito tempo atrás que a história da humanidade é a história das guerras, não sei se exatamente assim, mas o sentido é esse mesmo.

      • Sim JJ, de fato se não fossem as guerras, não teríamos evoluído ao ponto em que chegamos hoje, pois o ser humano por natureza, tende a procurar mudanças sempre que incomodado por algo que o tire da sua zona de conforto e, nesse caso, principalmente em relação às tecnologias, as guerras tem servido bem.
        Praticamente todas as invenções que usamos hoje, como telefone celular, GPS, forno micro-ondas, computadores e veja você, a internet, pra não citar outro monte de coisas, vieram da área militar para área civil, ou nasceram na área civil, foram aprimoradas para uso militar e voltaram para nós como tecnologias de ponta.
        Nem louco eu culparia nós, humanos, pelas guerras, apesar de serem, do ponto de vista filosófico, algo abominável, nos servem de grande aprendizado para muitas coisas, inclusive para a paz.

        • Juvenal Jorge

          Ronaldo,
          servem para valorizar a paz e o esforço em se construir uma Nação e um povo. Muita gente inteligente e que estuda muito o Brasil diz que seríamos melhores se tivéssemos enfrentado guerras significativas em nosso território.