O ano era 2000, eu era o feliz proprietário de um bonito e bem acabado Gol GLi 1996 com baixíssima quilometragem. Meses antes eu já havia ficado encantado com o lançamento da terceira geração (na verdade o primeiro facelift do AB9 “bolinha” no final de 1999), era uma evolução e tanto. O painel era, para a época, um espetáculo, era muito superior ao seu antecessor e à concorrência, remetia aos irmãos maiores Golf e Passat.

Nesse meio-tempo decidi que iria partir para um GIII, descartei o GTi devido ao seu seguro proibitivo, então foquei em um 2-litros seminovo.

Bati muita cabeça, ia ver um, aro 13″ e vidros manuais, ia ver outro e era completinho sem ar-condicionado, e nesse ínterim a VW lançou o Gol e a Parati equipados com o EA111 1-litro superalimentado por um turbocompressor Garrett GT12, cabeçote 16v com variação no comando de admissão, interresfriador, válvulas de escapamento refrigeradas por sódio, pistões com saias grafitadas, entre outras tecnologias. Isso tudo lhe conferia 112 cv a 5.500 rpm  e 15,8 m·kgf a 2.000 rpm, isso aliado à uma política agressiva de preço e um pacote visual muito atraente.

No começo não me interessei muito pela novidade, era muita tecnologia para a época, mas como não estava achando o 2-litros nos meus moldes, resolvi experimentar o tal “pai tupiniquim do downsizing”: o carro era irresistíve!

Carro turbo é uma doença, é como se você fosse picado, vicia, é irresistível, a sensação de sentir o corpo sendo jogado contra o banco é indescritível, inesquecível.

Enfim, me desfiz do GLi e adquiri um 16v Turbo 2001 com 27.000 km, em excelente estado.

Fiquei apaixonado pelo carro, era muito rápido, subia de giro liso, retomada de velocidade incomum para os padrões da época e de quebra, era muito econômico, fazia 12,6 km/l no trânsito de São Paulo, um reloginho.

Tinha defeitos? Sim, a polia do comando VVT invariavelmente dava problema, mais tarde ou mais cedo e não era barata (troquei a minha aos 62.000 km ao custo de R$ 1.400,00 no início da década passada), e abaixo de 2.000 rpm era um Gol 16v de aspiração natural e com taxa de compressão baixa, apenas 8,5:1.

Foi (e ainda é) muito criticado e preterido no mercado de usados, grande parte por mau uso de seus proprietários e por falta de conhecimento de donos e mecânicos, mas eu mesmo rodei tranquilamente até os 93.000 km em quatro anos de uso intenso.

Segredos para essa vitalidade? Alguns:

– sempre gasolina aditivada em posto de confiança
– revisões administradas por mim sempre e fora da rede autorizada, seguindo uma manutenção mais rígida que a descrita no manual
– óleo e filtro (Elaion 5W40 sintético e filtro sempre comprado em concessionária, pois a turma costumava usar o filtro do aspirado por falta de conhecimento e era zebra na certa) a cada 5.000 km (isso vai dar discussão, mas a minha receita foi acertada).

Enfim, esse deixou saudades, por ser 1-litro o pessoal não acreditava no potencial do Golzinho, eu era desafiado no trânsito a todo instante, de AP 2-litros a Astra 2-litros, Golf GTi MKIII, entre outros. Poucos eram páreo para o carrinho — um deles era o Escort Zetec 1,8 16v.

Um abraço!

LG
São Paulo – SP



  • Marcus Vinicius

    Quando tirei carteira meu pai tinha um Gol desses, dourado! Carrinho muito esperto, gostoso de dirigir e econômico! Vendeu após dar problema na tal polia do VVT pela segunda vez. Parecia motorDiesel, fazia tec, tec, tec. Amigo meu teve um remapeado, com 152 cv, faltava chão para o carro de tão forte!

  • heliofig

    Esse era um foguetinho. Outro era o próprio Gol 1,8 daquela época, que deixavam saudades. Eu imagino hoje um Uno 1,6 ou 1,8, como ficaria bom…

    • Zigfrietz Tazogh

      Uno 1,3 é muito bom, faça o teste de condução e confira.

  • Ricardo Blume

    Bacana. Tive a oportunidade de ver um ano passado onde seu dono, um chapeador, cuidava dele como se fosse seu filho. Segundo ele, fora gasto mais de R$ 8.000,00 para fazer o seu motor, incluindo a troca da turbina (Fipe R$ 11.000,00). Pedi a ele se valia a pena ter investido tanto e ele com um grande sorriso no rosto me disse que não trocava de carro por nada neste mundo. Ao menos na minha cidade, achar um que não tenha tido o motor e suspensão alterados é coisa rara.

  • luciano ferreira lima

    Que relato legal, Gonzalez. Me lembro que foi a resposta da Volkswagen para combater o arquirrival, o Palio 1,3 de aproximados 80 cv da época, foi como matar pernilongo com tiro de canhão. Obrigado pela história.

    • Sergio

      Nada que desabone o Fire 1,3 16V, esse motor é muito bom, sobe de giro liso, tem boa curva de potência. Se pisar, anda muito bem, passei de 180 km/h algumas vezes, econômico, se andar em velocidades em torno de 100 km/h, fazia 15 km/l.

      • luciano ferreira lima

        Eu também amo esse motor Fire 1,3 16V. Compacto, não parecendo ter 16V e eu como mecânico esse motor sempre dá certo.

  • Lauro Agrizzi

    Gostaria de saber a razão da gasolina aditivada ser responsável pela vitalidade e durabilidade do veículo em questão. Me parecer que posto de confiança seria mais razoável do que a aditivação da gasolina.

    • Lauro, as duas coisas, posto de confiança e gasolina aditivada. Acredite.

      • Luciano Lopes

        Os Renault gastam mais com aditivadas do que com comum . Não sei se há explicação técnica , mas cuido do consumo com planilhas , e é um fato! Meu anterior era um 1,6 8v e o atual 1,6 16v SCe. Pouca coisa, mas gastam .

        • Luciano, impossível. Deve haver variáveis não consideradas.

        • Luiz AG

          Meu Sandero nunca gastou a mais com aditivada. Minha moto gasta menos com a V-Power do que com outras gasolinas, pode ajudar na explicação, Bob?

          • Luiz AG, a Shell diz a que V-Power tem um aditivo antiatrito. Pode ser isso. Por falar em Sandero, você, que tem um, precisa dirigi o 1-L SCe. Estou testando um Expression e estou impressionado com o motor. Desenvoltura típica de um 1,4 ou 1,5-L. Trepida ligeiramente em marcha-lenta, mas no resto é de arrancar sorrisos.

        • Arker

          Tenho um Clio 1,0 16v, comprei-o com 26 mil km, hoje beira os 37 mil, só abasteço no mesmo posto Shell com gasolina aditivada. Já tentei álcool e gasolina comum, mas na ponta do lápis, e falta de paciência para ficar tentando dar partida fria a aditivada foi a melhor. Ele faz comigo médias de 11 km/L usando ar-condicionado o tempo todo, no trânsito intenso de 60 quilômetros diários rodados.

        • Felipe Rocha

          Gasolina aditivada tem menos gasolina. Simples. Adiciona-se aditivo, diminui-se gasolina.

    • Luciano Gonzalez

      Amigo Lauro, já está provado que no longo prazo a gasolina aditivada é benéfica, evitando acúmulo de resíduos principalmente em sede de válvulas, cabeça de pistões, bicos injetores entre outros.
      Você já teve a oportunidade de abrir ou ver um motor bem rodado e que um deles sempre tenha rodado com combustível aditivado?
      Um abraço

      • Lorenzo Frigerio

        Um carro que roda bastante, sempre com motor quente, e troca de óleo no prazo ou antes, com o óleo recomendado, dificilmente precisará de aditivada. No meu Calibra só uso comum. O motor nunca deu problema.

        • Lorenzo, como você faria se tivesse um Calibra e morasse nos EUA? Lá, só aditivada.

          • Adam Stefan Costa

            Oi, Bob! E se optarmos pela gasolina normal, intercalando com álcool em determinada frequência, pode ter algum efeito parecido com os produzidos pela gasolina aditivada? Obrigado antecipadamente!

          • Adam, o ideal é você abastecer com gasolina aditivada ou álcool aditivado, este existente nos postos Shell. Não há efeito do álcool reproduzindo a gasolina aditivada.

          • Vinicius Pelegrini

            Desde que o enxofre caiu para 50 ppm (janeiro de 2014), a comum de hoje deixa menos depósitos que a melhor aditivada com 800 ppm. O nível de depósitos deixados pela gasolina agora é o mesmo do álcool.

            Não há mais aquela necessidade de tanta aditivação como são as oferecidas comercialmente, por isso nos outros países existe a aditivação básica compulsória, já vem em toda gasolina.

          • Vanessa Rodrigo

            Sr Bob, permita-me esclarecer se possível dúvidas contigo. 1) Vale a pena fazer a troca do óleo, etc. na metade do que recomenda o fabricante? Ex: a cada 5 mil km ao invés de 10 mil. 2) Qual opção seria melhor gasolina aditivada ou comum mais aditivo? Desde já agradeço.

          • Vanessa, siga sempre a recomendação do fabricante do veículo quanto à troca de óleo. E gasolina aditivada sempre, é melhor que gasolina comum e aditivo.

        • Luciano Gonzalez

          Lorenzo, eu convivo bem com a aditivada V-Power da Shell há exatamente 20 anos e mal ela não faz, tanto que nunca limpei um bico injetor em todos esses anos e até meu carburado que usa álcool aditivado demorou 5 anos para abrir o carburador novamente.
          Os depósitos na parte superior do motor podem não trazer algum problema mecânico mas a de desempenho sim, basta você ter algum depósito excessivo de carbonização em alguma sede de válvula que você está perdendo rendimento.
          Abraços.

          • Davi Reis

            Combustível no meu carro, só da Shell. Gosto muito de usar a gasolina V-Power no Gol 1,8 1994 e o álcool V-Power no Fox, mas infelizmente ele não é vendida aqui em Belo Horizonte. Toda vez que vou para São Paulo faço questão de procurar um posto que o ofereça.

          • Rodrigo

            Aqui também só uso Shell. Gasolina V-Power no up! aspirado e álcool no 208 (infelizmente também não temos álcool aditivado em Porto Alegre). Pode ser apenas impressão, mas sempre achei o rendimento dos combustíveis Shell melhores que os concorrentes, tanto em economia quanto desempenho.No up! faço até 810 km/tanque na cidade, sem uso do ar-condicionado. O 208 acabou virando “carro de passeio” considerando o consumo quase de moto do carrinho da patroa…rsrsrsrs

          • Davi Reis

            Também tenho essa mesma impressão, você não está sozinho, rs.

          • Eu também tenho essa impressão. No Golf tiptronic eu conseguia médias de 11 a 12 km/l em ciclo urbano (vias expressas – ou seja, quase estrada). No Jetta Highline, mesmo ciclo, consigo média de 13. Já testei com a DT Clean da Ipiranga e fica na casa de 11,5 a 12 no último veículo.
            Não fiz média com a Petrobras Podium dado que a 5 reais o litro está inviável. A média precisaria aumentar muito para compensar o valor cobrado, o que não acredito que aconteceria.

  • Helcio

    Pois é, esse Gol foi mais uma vítima da maldição dos carros à frente de seu tempo. E nesse caso específico, muito à frente mesmo de seu público alvo. Deu dó, pois era uma bela máquina!!

    • Helcio, concordo, era excelente.

    • Robertom

      Acho que foi vítima do variador do comando. Tive uma Parati turbo, foi excelente até o variador dar problema, fora da garantia, e os de reposição, caríssimos, já vinham com defeito.

      • Luciano Gonzalez

        É a VVT, todos deram problema. Hoje custa 250 reais mas na época era uma boa grana.

    • Luiz AG

      Como ando pouco de carro (meu uso cotidiano é moto), estou pensando em comprar um brinquedo para usar eventualmente. Esse Golzinho está na lista. Preço de banana em um carro especial, e agora no limbo, porque ninguém quer.

      • Luciano Gonzalez

        Eu ainda penso em ter outro, Gol ou Parati.

      • O problema é encontrar um que não tenha sido modificado pela rapaziada do “trêsquilimei”.

  • Antônio do Sul

    No lançamento, cheguei a andar em um: realmente tinha o chamado “turbo lag”, o que não se nota tanto nos carros turbinados mais modernos, mas o achei muito bom. Fiquei tão impressionado que perguntei ao funcionário da concessionária se a Volkswagen não iria lançar uma versão do Golf IV com aquele motor, que poderia substituir muito bem os 1,6 e 2,0 aspirados. A resposta foi de que o perfil do comprador do Golf, exceto do GTi, era mais conservador e não aceitaria muito bem essa substituição…No fim, o maior problema do motor 1,0 16 válvulas turbo foi ser muito avançado para a época….Em uma propaganda, a Ford se aproveitou da ignorância do consumidor médio, passando a mensagem de que a Volks cobrava muito carro por um motor de 1 litro.

    • Luciano Gonzalez

      E a VW respondeu com esse vídeo:
      https://youtu.be/IK7DzsaMlOc

      • Luciano, completamente errado e antiético.

        • Luciano Gonzalez

          Concordo, tanto que a VW foi obrigada a retirar rapidamente este comercial da mídia.

        • Roberto Eduardo Santonini Ceco

          Mas que é engraçada, é!

      • Antônio do Sul

        Mas esse vídeo foi feito bem depois, já em 2002, acredito. A propaganda da Ford a que me referia foi veiculada antes, em 2000, quando foi lançado o Fiesta com motor Rocam.

      • Mr MR8

        O concorrente que usava compressor? Estavam falando do Fiesta Supercharger, não é? Sua manutenção não era complicada, seu desempenho era bom, muito embora abaixo Gol 16V Turbo. Como é difícil achar um dos dois rodando em bom estado hoje em dia!

      • Luiz AG

        Quem diria… Carros antes rejeitados, os turbos e supercharged multiválvulas estão virando a última palavra em tecnologia. Nada como o tempo para mudar paradigmas…

  • Luciano Gonzalez

    Ah, antes de mais nada, o engate veio com ele e foi devidamente retirado, já os sacos de lixo (rsrs), eu era um jovem de 23 anos apenas, rsrs

    • Luciano, fiz cara feia quando o vi engate…. (rsrsrs)

      • Logo que comprei o pejozinho, ele tinha essa porcaria. Não me incomodava com ele, tinha preguiça de tirar, sei lá…
        Teve um dia, não sei o que eu fiz, que eu passei bem perto do carro.
        Mas dei uma canelada, mas tão dolorosa, me deu um ódio tão grande, que logo que passou a dor eu fui tirar aquele traste, rsrsrs…
        Anunciei aquela praga no OLX, vendi rapidinho e nunca mais quis saber dessas porcarias.

        • Mike, tinha que ser obrigatório o tipo removível. Mancada do Contran quando fez a última regulamentação em 2007, acho, permitindo o tipo permanente.

          • Lorenzo Frigerio

            Nunca é tarde para fazer um lobby… Você deve conhecer um deputado receptivo a propor essa alteraçãozinha. Talvez dê para pegar carona em outras alterações do Código.

        • Luciano Gonzalez

          Eu joguei fora o meu.

  • Belo carro. Foi um pioneiro no “downsizing”, ainda que muitos o tenham considerado um esportivo, o que de fato não era, apesar do bom desempenho.

    E como todo carro que exige um pouquinho mais de atenção na hora de cuidar, sofreu na mão dos mexânicos.

    Hoje em dia, é raro ver um originalzinho e bem conservado. A molecada moeu sem dó, alguns chegando ao cúmulo de trocar o motor 1,0 pelo “APzaum milenove treiskilimei”, já que o documento tá “Gol TURBO”.
    Acreditem, já vi isso, aqui em Maringá.

    • Christian Bergamo

      É que o up! ainda é novo, vamos ver quando os primeiros up! TSI ficarem mais velhos para ver o quanto vão sofrer na mão de mecânicos inexperientes com as tecnologias que ele trouxe. Ao menos parece que as autorizadas estão preparadas para lidar com ele, já que não há relatos precoces de problemas. Na época, um amigo meu teve uma Parati 1,0 turbo e era divertida de andar mesmo com três caras a bordo, a perua andava bem. Passava dos 160 com vigor e continuava indo. Eu tenho uma Marea, sei bem o que é ter um carro maravilhoso, que os Autoignorantes falam mal apenas pela fama que pegou por ter uma mecânica à frente do seu tempo em um país de terceiro mundo.

      • Vanessa Rodrigo

        No Facebook temos um membro do grupo uptsi que já rodou 150 mil km sem maiores problemas, o motorzinho está quebrando os preconceitos. Sobre o Marea, eu tinha um certo preconceito até descobrir que meu mecânico de confiança que já trabalhou em várias concessionárias, equipe de corrida, etc., tem um impecável escondido em sua garagem.

        • Christian Bergamo

          Que o motor vai longe, eu não tenho dúvida alguma, bem mantido qualquer motor passa de 200.000 facilmente. Minha dúvida é como vai ser quando eles precisarem de retifica, ou começarem a frequentar oficinas não autorizadas, ou ainda precisarem de substituição ou reparos na turbina. Ai é que bicho vai pegar. Quanto à Marea, o preconceito acaba quando você anda nela e escuta o maravilhoso som de enxame de abelhas enfurecidas que o 5 cilindros faz, como diria o saudoso Mahar.

          • Vanessa Rodrigo

            Acredito que com essa safra de motores novos chegando, 3-cilindros, downsizing, etc,etc, as oficinas mecânicas precisarão se atualizar, acho que tudo está caminhando para isso.

    • Newton (ArkAngel)

      Dizem que até a NASA chegou a testar um foguete Saturno equipado com motor AP… só que o projeto foi abandonado, pois o foguete ficava tão veloz que ficava difícil controlá-lo para evitar que escapasse da atração gravitacional do planeta.

  • Fat Jack

    Li diversas vezes que esses motores sofriam de falta de óleo nas partes altas ( que estes mesmos atribuíam a dutos um pouco estreitos de circulação do lubrificante) quando submetidos a altas rotações constantes (não estou afirmando que seja verdade, nunca tive por nem posso afirmar), e que isso era inclusive remediado por quem competia com eles através da adição de um litro a mais de lubrificante que o recomendado.

    • Lorenzo Frigerio

      Mas tem uma coisa. O óleo refrigera o motor, e a parte mais quente são as válvulas de escape. Pelo visto houve de fato problema aí, só não sei se foi por causa da lubrificação. Agora, adicionar 1 l a mais, barbaridade!

      • Lorenzo, estupidez, 1 litro de óleo a mais!

      • Fat Jack

        Verdade, foi inclusive um dos cuidados de uma equipe que pretendia estabelecer o recorde de velocidade com motorização abaixo de 1,0 l.

    • Luciano Gonzalez

      Fat, um problema desse motor era o acúmulo de borra, por isso fazia as trocas com 5.000 km.
      Eu cheguei a voltar do Rio em velocidade de cruzeiro em média de 140 km/h, sem novidades.
      A prova de que minha teoria não era furada foi que o rapaz que comprou o carro de mim teve que arrancar o cárter pois espanou o bujão em uma troca de óleo; o mecânico incrédulo disse a ele que o proprietário anterior (no caso eu) devia dormir com o carro no quarto pois a parte inferior do motor estava intacta e completamente livre de borra.

      • Fat Jack

        Pode ter certeza de que acredito em você, da mesma forma que são os olhos do dono que engordam o gado, são os mesmos que dão descanso à carteira com consertos imprevistos nos carros.

    • Newton (ArkAngel)

      Os Audi A3 1,8 Turbo possuíam o tubo que leva o óleo até o eixo da turbina demasiadamente estreito, que acabava entupindo e danificando o turbocompressor. A solução era substituir o tubo rígido original por uma mangueira Aeroquip com diâmetro interno maior.

  • Felippe2010

    Bacana, antes de eu comprar o seu arqui-inimigo, meu Fiestinha Supercharger, eu quase comprei um Gol desse, mas o motor do coitado estava bem maltratado e isso me motivou a desistir da compra, já são seis anos de pura alegria com o vermelhinho hehe, e eu sigo a mesma regra de manutenção que a sua, gasolina só aditivada e trocas de óleo e filtros a cada 5 mil km no máximo.

    • Luiz AG

      Eu juro para você que queria ver uma análise de um óleo tirado com 5 mil km e outro com 10 mil km. Eu trabalhei em uma petrolífera e em um papo descontraído de almoço os técnicos foram categóricos em dizer que em bancada os óleos duram o equivalente a mais de 30 mil km fácil, a recomendação de troca antes pelo fabrica é considerando o uso mais severo possível como também a sujeira em suspensão no óleo.
      Eu andei 110 mil km com uma Yamaha Fazer trocando a cada 5 mil km, recomendados pela fábrica, ao invés dos 1 mil km recomendado pelos mecânicos em geral. Vários mecânicos diziam que o motor não aguentaria mais 20 mil km desse jeito. De 20 mil em 20 mil cheguei a 110 mil km e o motor continua com toda saúde.

      • Luiz, hoje troquei o óleo do meu Celta, 1 ano e 19 dias, mas apenas 4.000 km rodados. Uso, o mais “severo” possível. Carro está com 133.500 km, não consome óleo. Aliás, é mineral, Shell Helix 10W50 (era, porque nesse ano que passou mudou para 10W40). R$ 21/L. Ah, motor amaciado à minha moda: após rodar 100 (cem) quilômetros sem passar de 3.000~3.500 rpm,
        liberado para toda potência.

  • Paulo Ferreira

    Carrinho superlegal. Pode parecer estranho para alguns mas este é o Gol que mais gosto, dentre todos.

    • Luciano Gonzalez

      Dessa geração AB9 este é o meu segundo da lista, o primeiro é a majestade GTi 16v

  • G.Alonso

    “pai tupiniquim do downsizing!” —-> Fiat Uno Turbo.

  • Marcelo Schwan

    Grande Luciano,

    esse eu acompanhei de perto, ainda na nossa época de Orkut e nossos grupos de discussão sobre carros.

    Foi nessa época que o Omegão veio para a minha garagem e continua firme e forte até hoje.

    Esse Golzinho tem história para mais umas dez publicações aqui no AE, no mínimo.

    Grande abraço,
    Marcelo Schwan

    • Luciano Gonzalez

      Já se vão 15 anos hein, Marcelo!
      Forte abraço!

  • Leonardo Mendes

    Esse carro pode ser definido por uma frase de Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio) em O Lobo de Wall Street:
    Enquanto procuravam uma arma fumegante naquela sala, eu ia disparar uma bazuca aqui fora.”

    O frisson que ele e a Parati causaram quando foram lançados eu raras vezes vi igual. Durante meses só se falava deles nas mídias especializadas e nas ruas.
    Como declaração do potencial do fabricante, tipo “fizemos porque temos capacidade técnica para tal feito“, cumpriu totalmente a missão.

  • Eduardo Edu

    O principal problema do EA111 é que ele não tolera o brasileiro desleixado acostumado com o AP. Não sei como ainda tem gente que “taca” 20W50, 15W40 nesses motores.

    • Luciano Gonzalez

      Eduardo, se hoje é assim, imagina você na época.
      Vou te contar uma: eu estava com o carro da foto em uma auto-elétrica, isso uns 10 anos atrás. Ao lado parou um senhor com um 16v aspirado, achou meu carro bonito e veio jogar conversa fora.
      Disse: “bonito hein, é AP?’
      Respondi que não, que era um 16v turbo de fábrica. O cara na hora saiu andando e resmungando dizendo que não queria 16v nem de graça, que já havia aberto o motor do dele e que o carro estava à venda.
      Eu o indaguei: que óleo o sr. usa?
      Ele: eu toda vida usei Lubrax.
      Eu: ok, mas qual a especificação?
      Não soube responder.

      Sem comentários.

      • Leandro Fernandes Morais

        Luciano e Eduardo, também acredito que o grande problema desse motor, assim como o de muitos outros carros com motores muito “à frente”, foi a manutenção básica negligenciada(em especial, óleo correto). Vejo que ainda hoje, mesmo com tanto acesso a informação e várias empresas oferecendo produtos equivalentes a preços mais acessíveis, algumas pessoas têm resistência pagar mais por um óleo de especificação “mais avançada”.
        Uns poucos anos atrás, minha ex-namorada comprou um Gol G4, motor 1-litro, pouco rodado e muito bem cuidado. Pois bem, ela meio que dividia o carro com o irmão, e quando foi trocar o óleo, depois de muito eu pesquisar, consegui achar óleo 5W40 API SN (que era o especificado para o motor) por cerca de 25 reais o litro (na época, o Lubrax Supera, pois o Castrol 5W40 API SN não se achava por menos de 40 reais o litro), com filtro de óleo, ar e Combustível, adicionada a mão de obra ficava coisa de uns 170 reais. Pois bem, pesquisei, liguei para oficina de confiança para ver se ela podia levar o óleo e os filtros, apenas pra eles trocarem, e tudo ok. Aí ela me liga pra dizer que o irmão (obs: engenheiro mecânico), disse que não iria trocar, por era uma absurdo um troca de óleo naquele valor, que tinha lugar que trocava por menos de 100 reais e bla bla bla. Conversei com ela, expliquei, e no final eu dividi a troca do óleo com ela, pois não queria que ela viesse a ter um prejuízo no futuro por causa de economia porca.
        Ao ver que lá em 2000, esse motor já utilizava óleo sintético 5w40(que devia custar bem mais caro que um 20W50 mineral, por exemplo), dá para imaginar que o resultado seria desastroso ao longo dos anos, pois os primeiros donos até tomam o cuidado de seguir o que está especificado pelo fabricante, porém com o passar do tempo, o carro sendo revendido e caindo na mão de pessoas com poder aquisitivo menor, esses mal trocam o óleo do veiculo (quando muito vão completando), e quando o fazem, compram o produto mais barato(completamente fora da especificação); gasolina aditivada então…sem chance!!! “é tudo igual…enganação”, vindo assim condenar o motor do carro a longo prazo, que depois acaba injustamente ganhando a fama de ruim.
        Minha mãe teve dois Gol 1,0 16v N/A. O primeiro comprou novo e tinha o cuidado de fazer revisões na concessionaria, rodou 60 mil km sem problemas, até precisar vender. O segundo comprou usado e desleixou com a manutenção, ia só completando o óleo, sempre o mais barato possível, e não deu outra. Em pouquíssimo tempo, motor cheio de borra e falhando (na época eu tinha 13 ou 14 anos e não entendia muito, então não servia muito para auxiliar, apenas falava sobre as vantagens da gasolina aditivada, e era algo ignorado).
        Voltando ao turbo, lembro que todas as publicações eram só elogios ao motor, e diziam ter pouquíssimo turbolag (1500 rpm a turbina já enchia). Eu mesmo morria de vontade de ter um (ainda tenho), em especial os últimos 2003, num tom de azul perolizado belíssimo oferecido no período, podendo vir até com controle de som no volante(um bonito 4-raios).
        Toda vez que vejo Gol ou Parati turbo, lembro da história contada pelo Bob sobre a Volkswagen ter uma versão mais potente pronta pra ser lançada, e acabou não acontecendo. Uma lástima.

        • Leandro, desculpe por seu comentário ter sido publicado só agora, dois dias depois, mas só hoje (5ª de madrugada) chegou, e à caixa de spam do sistema, sobre o qual não temos ingerência.
          Realmente, o motor 1-L turbo de 130 cv estava pronto para lançamento, e isso a gasolina somente,

          • Leandro Fernandes Morais

            Sem problema Bob! ;-D

        • Luciano Gonzalez

          Essa versão tinha 136 cv. Brecaram o lançamento devido às mudanças nas regras de IPI.

          • Luciano, foi o João Alvarez, gerente de motores na época, que falou em 130 cv. Talvez com gasolina, com álcool fosse essa potência que você diz.

          • Luciano Gonzalez

            Bob, desculpe, não havia me atentado à sua resposta!
            Se o de 112 era um foguetinho, imagine o de 130 cv?
            Abraços

      • invalid_pilot

        O que mais se vê é Fox e Gol com EA 111 fazendo barulho de máquina de costura.

        • Invalid, então eu preciso ser apresentado a um…

          • invalid_pilot

            Só prestar atenção na rua, mas esses sempre de donos que claramente usam o óleo mais baratinho ou sequer trocam o óleo, não disse que é defeito da VW.

        • Davi Reis

          É de doer na alma. Já vi alguns até bem cuidados visualmente, não tão antigos e com esse barulho maldito. Na certa é aquele dono que bota o óleo mais barato possível e ainda reclama que o carro é ruim.

  • Vinicius_Franco

    Um amigo meu da faculdade ganhou de presente do pai uma Parati com esse motor que andava demais. Infelizmente, teve o destino comum de muitos Volkswagens da família Gol em São Paulo: foi furtada alguns anos depois. Com o dinheiro da indenização do seguro, ele comprou outra Parati, com motor 1,6. Ficou a saudade do turbo…

    • invalid_pilot

      Gol Turbo e Parati Turbo eram visadíssimos pela vagabundagem paulistana. Bem lembrado.

  • Luciano, um amigo meu teve um destes, fez chip, aumentou a potência e deu uma dor de cabeça lascada. Outro teve uma Parati e sempre manteve original, este a adorava usou muito e nunca teve dor de cabeça. Carro é o dono quem faz, se bem cuidado vai durar a vida toda.

  • Rafael Ribeiro

    A título de curiosidade, de acordo com o preço anunciado no vídeo de época postado nos comentários, R$ 23.990, corrigi o valor pelo IPC-A e o carro custaria o equivalente a R$ 71.800 hoje, aproximadamente. Temos atualmente um up! bem mais barato do que isso (R$ 53.490), com mais equipamentos, e Golf TSI (R$ 78.000), de categoria muito superior, para ficar na mesma marca e com dois dos meus favoritos dentro da chamada tendência “downsizing”. Acho que os carros não estão tão caros hoje, o poder de compra é que talvez tenha baixado, principalmente pelo aumento do custo de vida, notadamente em alguns aspectos, como planos de saúde, educação, segurança, etc.

    • Luciano Gonzalez

      Exatamente, Rafael, nosso poder de compra foi corroído.
      Lembro-me que eu com 23 anos, técnico de manutenção na época, paguei R$ 20.500 no meu com um pé nas costas.

    • Christian Bergamo

      Os preços de automóveis zero-quilômetro não acompanham índices oficiais de inflação no Brasil há muitos anos. O problema é justamente a carga tributária e a ineficiência de produção, aliada a enorme margem de lucro de venda (com razão, já que brasileiro compra carro para ter status e as fábricas se aproveitam disso, eu faria o mesmo) que comparados a renda dos brasileiros médios torna o acesso ao carro zero no Brasil algo mais dispendioso comparativamente a países de primeiro mundo. Carro zero no Brasil é caro, porque brasileiro topa pagar e porque nossa renda é baixa.

      • Christian, os “grandes lucros” que você citou é uma falácia.

  • Como descobrir se um posto vende gasolina aditivada de qualidade? Uma bela fachada e preço acima da média não garantem nada e a venda de gasolina comum no bico da aditivada não seria percebida pelo consumidor.

    Outra: como a VW aprovou a polia VVT que dava problemas? Cadê os testes de fábrica antes da aprovação?

    • Victor H, não há como saber, é preciso confiar no posto. Leve em conta que por boa parte dos carros importados é a gasolina e muitos donos só os abastecem com gasolina aditivada, os postos desonestos não batizam essa gasolina com álcool, pois o motor só a gasolina logo acusaria combustível fora de especificação, o que já não acontece com os flex, que funcionam bem com qualquer porcentual de álcool na gasolina. O problema da polia variadora de fase não foi epidêmico e teve muito a ver com uso de óleo de especificação errada, que nenhum teste resolve.

      • Ok, Bob. O Luciano respondeu acima que conhece alguns fatos sobre o desenvolvimento e produção da polia VVT do Gol Turbo, quem sabe uma matéria dele sobre isto?

        • Victor H, boa ideia, vou solicitá-lo a ele.

    • Luciano Gonzalez

      Victor, infelizmente existem fatos que só as ruas demonstram.
      Conheço bem o fato e engenheiros que atuaram no projeto e, de uma forma resumida, houve uma má fé do fornecedor da peça e ainda assim o projeto dessa peça poderia ser melhor, serviu de lessons learning para os próximos projetos.

      • Legal, Luciano! Talvez uma matéria sobre a parte técnica do motor deste Gol Turbo, com uma ênfase na novela da polia VVT? Eu adoraria ler 🙂

        • Luciano Gonzalez

          Caberia um post tranquilamente, mas devido à minha posição dentro da VW não posso estender muito o assunto.
          Um abraço!

  • Eduardo Sad

    Tive um G3 16V comum. Fiquei com ele 6 anos. Já considerava o desempenho impressionante para um 1,0. Imagina este turbo! Lamento nunca ter andado em um, seja dirigindo ou como carona. Como todo carro mais avançado para seu tempo, tinha uma fama ruim. Cansei de ouvir os outros dizerem que teria uma “missão” quando fosse vendê-lo. Acabei que vendi em uma semana, para o primeiro que veio ver!

  • Paulo Lopes Jr

    Tive um 2000 vermelho. A polia deu problema duas vezes em 1 ano e meio e menos de 30 mil km. Mas o carro era um foguete… bem que poderiam ter colocado uma rodinha 15 de fábrica… pq com as 14 originais o carrinho tombava bem mas curvas… mas era uma delícia de “pilotar”.

    • Luciano Gonzalez

      Paulo, os 2003 saíram com 15″.
      E o excesso de rolagem deve-se à nova calibração adotada nos GIII.
      Antes do 16v Turbo eu tinha um GII GLi 1.8 com rodas 14″ do Gol TSi e pneus Firestone Firewhark F660, rolava bem menos, era mais desconfortável mas transmitia mais confiança.

      • Paulo Lopes Jr

        Não sabia que os modelos 2003 tinham saído com 15″. Foi o último ano dele. Meu primo também tinha um GLi 1,8 96 que parecia rodar mais sólido mesmo. Está até hoje na casa da mãe dele!

  • Marcus Vinicius, isso é exceção, não regra.