Usualmente lançamentos de produtos provocam compras iniciais turbinadas pela emoção e após baixam à linha de normalidade, permitindo previsão de consumo pelo mercado. O advérbio usualmente é bem válido, e por presunção ocorrerá com o Renault Kwid a ser apresentado ao início de agosto. Mas há exceções, e o inusual ocorre com o concorrente Fiat Mobi, mais recente delas. Não se localiza com precisão a causa de sua baixa demanda inicial, mas com certeza resulta da soma de dois fatores: primeiro, o tíbio retorno da imprensa especializada, mídia gratuita e primeiro passo em lançamento de veículos, alguns textos contaminados pela má apresentação. Segundo, à mostra nova direção da FCA insistiu em juntar públicos não miscíveis: jornalistas especializados e novo segmento blogueiro. Este, dentro de sua especialidade superficial, nos canais sociais cobriu o lançamento exibindo fotos do tipo Eu e o Mobi, sem maiores informações quanto ao produto. Como adição, na festa de lançamento no segundo grupo viu-se o desconhecido, arrepios e abrasões. E pela aparente nova óptica suprimiu-se explanação técnica — exigência básica da primeira categoria, óbvia desnecessidade à segunda.

Outra parcela foi lançá-lo com o motor Fire 1-litro, 75 cv, quatro cilindros, em última evolução, fim de linha. Os dois eventos não instigaram os consumidores e em junho de 2016 o Mobi foi comprado em poucas 2.822 unidades. Logo empresa aplicou como opção o novo motor Firefly 3-cilindros, também 1-litro, 6 válvulas (duas por cilindro), 72/77 cv e 10,4/10,9 m·kgf. Medida soprou ar favorável sobre o carro, fazendo crescer a demanda, sedimentando a consciência de ser adequado ao uso citatino, bem disposto, e até o momento o mais econômico do país.

Mais recente incremento é combinar o sistema automatizador antes chamado Dualogic e agora GSR, com aletas de acionamento apostas sob o volante, com motor tricilindro. O sistema inclui adjutório para identificar pressão no acelerador para ultrapassagens; busca marcha inferior e mantém o motor em alta rotação. No pacote manteve a função creeping, para manobrar sem necessidade de premer o acelerador. Identifica a versão como Drive GSR, e o conforto da desnecessidade de múltiplos acionamentos do pedal da embreagem no trânsito. Há versão com caixa de acionamento manual, 5 marchas, com o antigo motor Fire, o Easy.

Na ascensão, um ano depois registrou mês passado 6.562 vendas a varejo, bem superando o VW up! até então a referência num segmento muito particular do mercado, o dos subcompactos. Aparentemente houve lento entender do significado do produto, a consciência de não ser um Uno mais barato, apesar do nome bem achado para exprimir Mobilidade Urbana. É para andar nas cidades, parar nas vagas menores, cumprir agenda de solteiros ou famílias pequenas e com filhos de pouca altura, porta-malas para necessidades especificamente urbanas. O motor Firefly de projeto novo é bem disposto, ávaro em consumo; freios bem dimensionados; estabilidade e acertos de suspensão primorosos, como o são os da marca; bom casamento entre motor e caixa automatizada com passagem de marchas sem interrupções. É um carro urbano. Andar na estrada é concessão, não é vocação.

 

Mais perto da autonomia

Audi apresentou em seu Audi Summit, uma reunião de tecnologia para mostrar conquistas a público externo, o sedã A8, primeiro carro com Nível 3 de automação produzido em série no mundo – o famoso andar sozinho é o Nível 4.

É evolução de tecnologias já disponíveis, factíveis por 12 sensores ultrassônicos, lendo placas de sinalização, faixas pintadas nas vias, tomando informações do curso dos carros à frente e atrás, radares e um scanner a laser. Se a ociosidade fizer o motorista dormir, um alarme o despertará; em caso de situação de trânsito exigir sua atenção, dá alguns segundos para assumir o comando. Caso contrário inicia diminuir a velocidade até parar no acostamento. É capaz de seguir com autonomia até 60 km/h. Pelo celular, de fora do carro, pode-se comandar seu estacionamento.

Sistema de varredura frontal adotado pelo Mercedes S há três anos foi incorporado, permitindo identificar buracos e acertar a suspensão para enfrentá-los e, como aprimoramento, radares identificam possibilidade de colisão lateral, elevando o carro em 8 cm, oferecendo à colisão a parte mais rígida da carroceria.

Mal e bem

Desgastado dito popular diz, há males que vem para o bem. Parece o caso deste e de outros Volkswagen — Audi é empresa VW. Como consequência do Dieselgate, o escândalo dos poluentes motores diesel da marca, VW quer içar a bandeira da tecnologia disponível para reconquistar confiança.

A8, quase autônomo (Foto: divulgação)

 

Tesla inicia produção. Um novo tempo

Polêmico, o novo modelo Tesla 3 entrou em produção. É o primeiro elétrico a reunir características especiais como bom desenho, conforto, boa autonomia e bom preço — estimado em US$ 35 mil, equivalendo a R$ 112 mil. Acima de tudo conta com um enorme aval: há 400.000 — quatrocentos mil — pedidos sinalizados. O número é absolutamente invulgar na história da indústria automobilística e demonstra o acerto do caminho tomado pelo líder da companhia de Elon Musk. É empresário vitorioso, dono do sistema de pagamentos internéticos PayPal.

Promessa de Musk é fazer o modelo inicial para atingir grandes números e grande massa de compradores, mudando o desenho dos usuários, ecologistas e ex-hippies. Produção se inicia com enormes pulos: 100 unidades em agosto; 1.500 setembro; 20.000 em dezembro e projetados 500.000 em 2018. Atualmente Tesla tem pequena fabricação e preços elevados, operando dentro do figurino dos outros concorrentes, como produto de nicho. Mas a instalação da nova fábrica quer mudar o panorama.

Início da produção foi antecipada em duas semanas por razões promo-sentimentais: a primeira unidade não foi separada para a garagem de Musk, mas comprada por Ira Ehrenpreis, diretor da empresa — vai presenteá-lo a Musk à data de seu aniversário, o 28 de julho marcando o lançamento do 3. O número não é gracioso. A relação de produtos Tesla, do sedã maior ao modelo conversível, todos tem traço de parte do time de design da BMW, contratado para formatar o produto. O 3 indica ser concorrente para a faixa de mercado onde estão BMW 3, Audis 3 e 4, Mercedes Série C, Jaguar F, e se afigura como concorrente ao BMW Series 3 All-Electric.

Como adequado a procedimentos vanguardistas Musk fez, por si só, pré-apresentação: fotografou e mandou textos por twitter. Pelas fotos foram mantidas as linhas do protótipo apresentado como atração às vendas; terá tração simples na série inicial; interior não revelado sabendo-se apenas de grande tela no painel de instrumentos; dois porta-malas; ausência de grade no painel frontal. Embora seja referência dos primórdios do automóvel, para caracterizar a tomada de ar para refrigeração do motor, é totalmente desnecessária com a nova arquitetura operacional. Lançamento formal ao final do mês.

Tesla 3: História do Automóvel se desvia aqui (Foto: divulgação)

 

Roda-a-Roda

Mais uma – Utilitários esportivos deixaram de ser mera opção de carroceria transformando-se em moda de larga duração. Ao momento representam nos maiores mercados ¼ das vendas totais no segmento de veículos leves.

Todas – Aston Martin, Bentley, Jaguar, Lamborghini, Rolls-Royce, ícones de luxo e performance, características muito distantes do utilitarismo, aderiram à oportunidade de mercado.

Aliás, – Lambo prepara o Urus, variação crossover para ser modelo de sua maior produção. Fábrica nova, negociada, incentivada, entende mercado do novo produto igual à soma dos demais modelos da marca ora em produção.

Ferrari terá SUV

 

À bala – Ao lançamento do Ferrari GTC4Lusso, com tração nas 4 rodas, perguntaram a Sergio Marchionne, executivo-chefe da FCA e da Ferrari, quando teria um SUV. Respondeu teatralmente: só se atirarem em mim.

Mudança – Parece, está comprando colete balístico. Revista inglesa Car revelou código de novo produto Ferrari: F16X. Um SUV. Divergiu da óbvia transformação do SUV Maserati Levante ou o Alfa Stelvio num Ferrari — embora plataformas e mecânica sejam idênticas. Quer se diferenciar por linhas e exclusivo motor V-12.

Razão – Teria jeito acupezado, com ampla porta traseira em vidro, como evolução do esteticamente inexplicável e fugaz C4Lusso. O SUV deve substituí-lo em 2020. Porquê da mudança ? Simples. Ferrari abriu capital, admitiu sócios — cobradores por mais lucros. É o segmento maior potencial de crescimento.

Desafio – Land Rover vive provocação séria: retomar a produção do Defender, seu modelo icônico, para trabalho, descontinuado em 2015 após seis décadas. Empresa adotou linha de ser cada vez mais automóvel e menos jipe.

Dificuldade – Problema maior é fugir da tentação de maquiar o velho Defender e, ao mesmo tempo provocar lembranças de compradores de mais idade e compatibilizar com exigências de novos clientes, mantendo a diferença de comportamento para não concorrer com a linha atual.

Opção – Fiat atravessa situação assemelhada: como mudar o picape Strada, líder em seu segmento, sem que o preço atinja o seu também picape Toro, o mais vendido do país?  Protótipos tem sido construídos para encontrar caminho viável — e de custos contidos. Um deles utiliza a parte frontal do Mobi.

P’ra cima – Associação dos Fabricantes de Veículos revisou as projeções para o ano, considerados os últimos números de vendas no mercado externo e as exportações – caminho tomado pela empresas para evitar uma onda de desempregos e prejuízos ainda maiores. Para estas imagina atingir 705 mil unidades vendidas a outros países, expansão de 35%. Em termos de produção acredita em 2,62 milhões de unidades no exercício, crescimento de 21,5%.

Segurança – Governo argentino quer pacote de segurança em todos os veículos produzidos no país. Reunião no palácio governamental, a Casa Rosada, acertou data de 1o de janeiro de 2018 para vigor. Dentre os equipamentos, o controle de estabilidade, ESP da Bosch ou ESC genérico.

Barreira – Empresas solicitam adiamento. No Brasil, com quem faz intenso troca-troca, tal obrigação vale apenas a partir de 2020. O lobby dos fabricantes daqui é mais efetivo e rápido.

Ação – Fez autoridades de trânsito ignorar recomendação da Organização Mundial de Saúde para adoção em todos os veículos produzidos mundialmente.

Solução – Ministério da Saúde deveria fazer carga pela adoção, para reduzir acidentes, danos físicos, e enormes custos bancados para recuperar feridos.

Case – Campanha de lançamento do Renault Kwid baliza sucesso: mais de 40 mil acessos diretos ao sítio da empresa; reservas com sinal superaram desconhecida meta da empresa; e há as feitas diretamente nos revendedores. Problema positivo, encomendas superam capacidade de produção.

Mercado – Dividirá mercado com VW up!, Fiat Mobi, Kia Picanto, Chery QQ.

Fórmula – Para diferenciar-se em consumo reduzido e maior rendimento, projeto focou na redução de peso. No emagrecimento voltou-se à solução tradicional francesa, três parafusos por roda. Aqui Dauphines, Gordinis e Ford Corcel, projetos Renault o utilizavam. E monolimpador pantográfico do para-brisa.

Kwid: bBaixo peso, muitas encomendas (Foto: divulgação)

Pimenta – Volkswagen apresentará versão Pepper em todas as suas linhas. Baseia-se em homônimo Fox. Pintados em branco, preto ou vermelho realça acessórios. Não há alteração mecânica. Marca a volta de Gustavo Schmidt à empresa, agora como vice-presidente Comercial. Agosto.

Caminho – Há cinco anos quem imaginaria o Brasil comprando autopeças ou conjuntos completos da Índia. Pois o inimaginável ganhou forma: preço baixo permite BMW importar a moto 300R desmontada; Renault traz partes para o novo Kwid; motor 1,5, 3-cilindros Ford vem para equipar o novo Ford EcoSport.

Promoção – Adensar relacionamento, insuflar paixão e fidelidade à marca, vender produtos de moda ou motos novas. É o leque aberto pela Harley-Davidson em seu Garage Week, fim de semana de 14 e 15 julho em todas suas revendas, com food trucks, bandas de rock, barbearias, estúdio de tatuagem.

Ocasião – Como negócio, itens moda/moto e modelos Roadster, Fat Boy e Softail De Luxe aceitando usadas sobre valorizadas em R$ 5 mil. Até o fim do mês.

Foco – Governo Federal agregou Itaipu nos grupos de trabalho encarregados de formatar a Rota 2030, nova política industrial a ser adotada ao final do ano. Criou sub grupo para veículos elétricos. Itaipu é uma pequena montadora de tais produtos.

Velhos – Resolução 661/17 do Contran define procedimentos para fazer baixa cadastral em veículos. Com mais de 10 anos de não licenciamento e 25 de produção serão rotulados Frota Desatualizada.

Situação – Proprietário sem tomar providências verá seu veículo baixado e sem registro no Renavam, ou seja, proibido de circular. Se o fizer, infração gravíssima, sete pontos a mais e R$ 293,47 a menos na Carteira.

Caixa – Medida tem caráter administrativo interno e agrada aos estados. Sensível percentual da frota deixa de recolher taxas de manutenção de cadastro — exceto MG onde o IPVA é cobrado sobre frota antiga —, rodando à margem das regras.

TAM – Passados 10 anos do acidente com o Airbus da TAM, saindo da pista em Congonhas, SP, e explodindo em chamas, matando 199 pessoas, não há sentença condenatória, apenas exceções pontuais.

Aéreo – Com a definição de cobrar malas despachadas, consequência nos aviões tem sido aumento de malinhas e sacolas como bagagem de mão – tornando insuficientes os bagageiros de bordo.

Soluções? – Reorganize — ou ocupe os primeiros lugares nas filas de embarque. Reclame. Transporte concedido nunca traz vantagem ao consumidor/contribuinte. Só a concedente e concessionário — vide as prisões dos operadores de ônibus no RJ.

Sentimental – Ex-dona tenta achar seu antigo Lada Niva. Estava em São Paulo, é grená, ano 1993/94 e placas LAB 7090. Sabe dele ? Informe à Coluna.

Aplicação – Após disparada de preço dos veículos colecionáveis no mercado dos EUA, resultados chegaram à Europa. No Índice de Investimentos de Luxo Knight Frank especializado em ativos de valor, cresceu 457%. Imóveis 20%.   

Visão – Andrew Shirley, consultor da empresa, ante visão distorcida de ganhos com ferros velhos, aconselha cautelas:

  1. Nem todo modelo terá a mesma valorização;
  2. Há custos significativos de armazenagem, proteção, seguros;
  3. Compre o que gostará de possuir;
  4. Veja o ganho de valor como um bônus.

Gente – Marco Antônio Lage, diretor da FCA, 24,5 anos na Fiat, resignouOOOO Incompatibilidade entre o formulador de políticas de comunicação social, relações corporativas, sustentabilidade, e superior com visão teuto-cartesiana. OOOO Mercado perde o melhor profissional do ramo, hábil a voos maiores, tipo Vale, Petrobrás, governo Temer. OOOO João Ciaco, diretor de publicidade, temporariamente duplicará funções. OOOO

RN

A coluna “De carro por aí” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.


  • Vinicius_Franco

    No Clio que eu tinha fazia muita falta isso. Tive um 206 que tinha, era uma mão na roda para viagens e compras.

  • Vinicius_Franco

    Tenho uma cisma com carros da Fiat. Comprei um Punto HLX 1,8 no lançamento, em 2008, e a experiência foi terrível: problemas de motor eternos (o motor perdia aceleração sozinho – a Fiat mandou meu carro para a fábrica para tentar resolver, voltou pior; um amigo que teve o mesmo problema num Palio Weekend indicou um mecânico de uma concessionária GM que sabia o segredo e ele resolveu: trocou o corpo da borboleta de combustível por um original GM e nunca mais tive o problema) e o acabamento que esfarelava (black piano e cromados que descascavam no sol, retrovisores que desmontavam com a trepidação dos buracos, porta-luvas que não fechava) e me levaram a vendê-lo com apenas us ano de uso e 16 mil km rodados. O Mobi é legal, mas não sei se compraria um.

  • Christian Bergamo

    “Aéreo – Com a definição de cobrar malas despachadas, consequência nos aviões tem sido aumento de malinhas e sacolas como bagagem de mão – tornando insuficientes os bagageiros de bordo.”
    Eu como comissário de bordo, senti o contrário, acabou a farra de embarcar com toda sorte de tamanhos de bagagem que na verdade deveriam ter sido despachadas. Agora sobra muito mais espaço para as verdadeiras bagagens de mão. Quando o espaço nos bagageiros acaba, estas são despachadas na porta da aeronave, isso sempre deveria ter sido assim. Antes vivíamos o estouro da boiada com uma briga sem fim pelo parco espaço a bordo, já que ninguém quer despachar.

    • roberto nasser

      Christian, experiência de quem voa pelo menos dois trechos/semana tem sido a relatada na coluna. Eventualmente algumas companhias, como a Gol, tentam gabaritar as malinhas de mão. mas as sacolas, estes adereços para perfil de camelô, passam livres em volume e quantidade. Não havendo espaço nos bagageiros, o que vejo é trabalho para a comissária tentando arrumar lugar e, em caso de insucesso, o envio para o compartimento de carga.

      Sobre Mobi e up!, todas as marcas tentam vender diretamente para as locadoras, o maior cliente do país. fazem-no a preços inacreditavelmente reduzidos — tanto assim que trocar frota tornou-se o melhor negócio destas empresas: vendem-nos com um ano de uso a preço maior que o da aquisição.

      No tema, o mercado nacional ainda tem longo caminho de amadurecimento, para entender a vocação de aplicação do produto, e não para que este cumpra as vontades do dono. Carros subcompactos são menores, e por isto limitados em espaço interno e porta-malas. Têm função e aplicação específicas, não substituindo os de maior porte.

      Lembro-me do lançamento dos picapes Chevrolet S10 diesel e Mercedes MD 180, vistos por alguns consumidores como substitutos, por menor preço, a D-20 e Mercedinho 709. Destruíam-nos em curtíssimo prazo. Nasser

  • Lorenzo Frigerio

    Olhe para a foto, não é a cara do Machado de Assis? Se trocar o óculos por um monóculo, então…

  • Ricardo Blume

    A VW pecou em transformar o up! em objeto de luxo ao colocar o motor TSI, lançar novas versões e ao colocar novos acessórios no pequenino. Resultado disso tudo? Um carrinho que deveria ser de entrada a preços inimagináveis (Cross por mais de 60.000, por exemplo) e vendas muito abaixo do esperado. Ao se fazer algo do tipo, eleva-se o preço do modelo e os de entrada automaticamente sofrem aumentos também, afim de evitar um distanciamento muito grande de preços entre todas as versões. Creio que ao lançar um motor 1,3 no Mobi, as versões mais básicas sofreriam o que aconteceu com o up!, distorcendo todo o propósito do carro.

    • Ricardo, mas existe o motor 1-L MPI para o up! para quem não quiser “luxo”.

    • kravmaga

      Colocou justamente porque muita gente torcia o nariz dizendo que o carro tinha um aspecto pobre por ter lataria exposta no interior, banco com encosto de cabeça integrado, painel simples e linhas de desenho mais retas, menos rebuscadas.

      Brasileiro não paga nada por modernidade mecânica ou segurança. O Fiat Mobi tem uma frente enorme que parece que foi enxertada num Uno serrado. Só agora colocou um motor um pouco mais moderno, mas mesmo assim de apenas duas válvulas por cilindro e nada de turbo ou injeção direta.

      • kravmaga, dirija um e me diga se as duas válvulas extras e a injeção direta fazem falta.

        • kravmaga

          Sei que o desempenho ficou digno para a categoria, que exige pouco, mas o uso de 2 válvulas por cilindro em vez de quatro foi só um meio de tornar o carro mais esperto em baixas rotações e trânsito urbano sem usar mecanismos sofisticados para compensar a falta de força 4-válvulas em baixas rotações. O uso de injeção direta também encareceria os custos de aquisição e manutenção mas daria vários cavalos a mais também, o que, eu compreendo, não é o mais vital para quem compra modelos de entrada.

    • Eduardo Cabral

      O maior pecado da VW ainda foi sucatear o Gol. Até á “geração 3” os motores eram bons, o acabamento era de acordo com o mercado, teve GTI e era carro muito desejado. Depois com o motor transversal colocaram o motor EA111 1,6 que é muito inferior ao velho “AP”, tanto em desempenho quanto em consumo e a concorrência avançou. Não foi o consumidor que rebaixou o Gol, foi a própria VW. A GM e a Hyundai conseguiram captar o que o consumidor do Gol queria, a Ford deu uma resposta a altura com o Ka. E até a Renault entendeu isso, lançou o Sandero R.S. que catapultou as vendas do carro. Só a VW não superou a crise de identidade, tanta gente louca para comprar um Gol bacana, e a VW vai lá e coloca o carro que foi referência por gerações para baixo do up!. Isso que é vontade de NÃO vender carro.

      • Eduardo, desculpe, mas o EA111 é superior ao EA827 (“AP”) em tudo.

        • Antonio F.

          Exato, tive VW com os dois motores, atualmente tenho up! MPI com o motor EA211 e posso dizer que esse “motorzinho” é uma pequena maravilha da engenharia alemã. No seu tempo o AP também era uma maravilha, mas como você sempre frisa não dá pra julgar uma época usando parâmetros atuais.

        • Eduardo Cabral

          Bob, o EA111 teve origem em 1975, quanto foi lançado no Polo entre 1,1 e 1,3 litro de deslocamento. Claro que o motor recebeu inúmeras melhorias e não quero dizer que o motor é um projeto antigo, mas além do nome manteve as principais características como válvulas pequenas para um motor 1,6L e r/l ruim. Pode enganar o consumidor que quer “torque” em baixa, e é bom pelo peso, tamanho e custo… Mas em desempenho e em consumo fica para trás do EA827 de 1,6L que é bem melhor dimensionado. A GM foi mais feliz em escolher o Família 1 de 1,4L para o Onix e não o 1,6L pelos mesmos motivos.

          • Guilherme

            Como ex-proprietário de um EA111 1,6 VHT, concordo que o motor é bom em baixa e irritante em alta (provavelmente a R/L é a responsável mesma…), mas afirmar que o consumo do AP é mais moderado que o EA111 é loucura.

          • Guilherme, nos testes mais recentes de Gol o caráter do motor mudou. Tem baixa e vai muito bem em alta.

  • Ricardo Blume

    Esse Kwid promete. Se a Renault mantiver os preços que vem prometendo, o mercado vai se agitar.

  • Luciano Lopes

    O que matou o Mobi inicialmente foi a FCA posicioná-lo acima do que realmente é . Promoções este mês, vendendo a versão Like por 35.900, ou seja , cerca de 5.000 a menos que o seu preço de tabela e que compactos como Ka , Gol e HB20, trouxeram para o seu posicionamento real . A FCA está cometendo o mesmo erro com o Argo , ficou caro e a marca tenta convencer o consumidor que é um produto superior que sua categoria. Não cola , vende muito pouco para um lançamento.

  • Luciano Lopes

    O 1,3 ficou caro. A concorrência oferece 1,6 16v pelo mesmo preço. É o que o consumidor vê. É o que eu veria .

    • Luiz AG

      Luciano, quem define se ficou caro ou não é o mercado. A Honda vende bem os Fit 1,4 por 70 mil.

      • Guilherme

        Vamos com calma, o Fit já aposentou o 1,4 faz uns 4 anos. Hoje ele só sai com 1,5 16v.

        • Luiz AG

          Que seja, 1,5 16v.

  • Felipe Rocha

    A questão é que as pessoas veem esses carros como um carro que oferece menos versatilidade. Um compacto comum oferece mais versatilidade custando bem pouco a mais. Por exemplo: o Mobi tem porta-malas e espaço para passageiros inferiores ao finado Palio Fire, modelo que o Mobi substituiu. Para o público-alvo foi uma involução.

  • Felipe Rocha

    O Firefly 1,3 tem potência bem parecida com o E.torQ 1,6, são só 8 cv a menos.

  • Luiz AG

    Teve uma época que a GM tinha só o 1,0 e 1,8 na linha do Corsa. Depois lançaram o 1,4. Interessante que todos os motores utilizavam o mesmo bloco.

    Em tempo, para o Bob não ficar incomodado: Carro não tem bloco, tem motor que possui bloco.
    Avião não tem turbina, tem motor que possui turbina.

  • Postpone

    Sinto-me lendo uma coluna num jornal de 1910, tamanha complicação em escrever coisas tão simples… Gosto do colunista, competente, bem-informado. Mas, na minha modestíssima opinião, o texto tem zero fluidez. Comunicar não é transmitir informação: é fazer-se entender.

    • Postpone, acho que o seu problema é falta de leitura de bons autores. Vários dos nossos leitores elogiam os textos do colunista, e me incluo no rol de apreciadores.

    • RoadV8Runner

      Se o Nasser mudasse o estilo de escrita, aí sim eu iria reclamar. Gosto muito da forma peculiar que ele usa para escrever.

      • RoadV8Runner, eu me delicio lendo o que o Nasser escreve. Como quem monta a coluna dele no AE sou eu — ele manda texto e fotos —, muitas vezes meu prazer começa já na edição.

  • Claudio Abreu

    Ou o banco deslizante dos Twingo.