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Caros leitores e leitoras,

Estamos iniciando uma série de matérias escritas por mim que explicam a origem das estampas das camisetas da Automottivo, nossa parceira na confecção e comercialização das camisetas oficiais do AE. A Automottivo, através de seu idealizador e realizador, o Júlio César Quartarolo, compartilha da mesma paixão por automóveis e também dos mesmos princípios do AE. O nome da série é Automottivo Start e aí vai a primeira matéria!


CORRER É VIDA. TUDO QUE ACONTECE ANTES E DEPOIS É APENAS ESPERA.

Em 1952, Terence Steven McQueen era um desconhecido jovem de 22 anos, que acabara de ser dispensado do corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos. Tinha tido uma vida difícil até ali, cheia de violência doméstica da pior espécie, sem nunca ter um lar estruturado, e vivendo num flerte constante com o crime, a mendicância e a vida nas ruas. O tempo no serviço militar, porém, tinha lentamente tirado o seu foco na revolta e rebeldia, e dado em troca ferramentas para ser uma pessoa melhor: estrutura, orgulho próprio e objetivos. Saiu do serviço um homem mudado.

Com o dinheiro que o exército lhe dera, se matriculou em um curso de teatro. Paralelamente a isso, começou a competir em corridas de motocicleta para se sustentar, dando vazão à sua paixão por veículos automotores, algo claro e patente desde a mais tenra idade. Como na maioria das vezes acontece, nasceu entusiasta, condenado a esta condição desde muito cedo, quer tivesse ou não maneiras de extravasar esta paixão. Todo fim de semana entrava em alguma corrida com sua Harley-Davidson (mais tarde ele também ajudou a imortalizar a Triumph Bonneville), e voltava com algum prêmio, cem dólares aqui, mil acolá, e ia vivendo. Nos anos ’50, Steve McQueen acreditava que seu futuro estava nas corridas, como piloto profissional. Era seu sonho.

Sabemos hoje que isto não aconteceu. Rapidamente teve sucesso atuando, muito mais do que em corridas, e logo virou o ator mais bem pago de sua geração, uma estrela de primeira grandeza em Hollywood, e uma personalidade cultuada até hoje. Suave, com ar rebelde e sofrido, falando pouco e manso mas obviamente cheio de habilidades, McQueen foi o “King of Cool”, um cara que os homens queriam como amigo, e as mulheres, bem, queriam na sua alcova. Se a maioria dos homens não conseguiu realizar o primeiro, ele bem que tentou realizar a segunda…

Mas como sempre acontece com paixões, nunca deixou de perseguir a sua por automóveis e motocicletas. Pelo contrário, usou de sua renda e fama para vivê-la mais intensamente do que nós, meros mortais, jamais conseguiríamos. Participava de competições sempre que podia, e obviamente teve alguns dos mais legais carros de sua época.

O mais famoso deles foi seu Jaguar XKSS, um de apenas 16 existentes no mundo, com o qual era visto regularmente obliterando toda e qualquer competição que aparecesse nas montanhas da Califórnia. Criado pelo fundador da Jaguar, Sir William Lyons, para desovar o seu estoque de Jaguar D-Type de competição que não conseguia vender, o XKSS é um dos mais incríveis carros já criados, com um desempenho que não faz feio nem hoje, 60 anos depois de seu lançamento. Um vencedor de Le Mans equipado com para-brisa, teto conversível, e lugar para duas pessoas. Um carro que fazia 0-100 km/h na casa dos cinco segundos e mais de 250 km/h, o que se hoje já é respeitável, nos anos 60 era fronteira do inacreditável.

Steve McQueen adorava o seu XKSS, tanto que apesar de vendê-lo em 1969, acaba comprando ele de novo em 1977, e quando vem a falecer em 1980, ainda é o dono do carro. Raro, diferente, com volante de direção na direita, e superveloz, era quase a personificação de seu motorista em metal, um velho cavalo de batalha transformado em superstar. Um carro seriamente capaz, mas belo e cool como poucos outros. Quando o vendeu em 1969 foi para comprar um Ferrari 275 GTB/4, outro carro que mostra claramente que ele não era um entusiasta qualquer.

Diferente de um Peter Sellers por exemplo, que é creditado em comprar e vender mais de 100 carros em um ano, McQueen desenvolvia uma relação com seus carros preferidos, e tendia a mantê-los por muito tempo. O homem e a máquina quase se tornavam indivisíveis. King of cool, certamente.

Entendia perfeitamente a ligação que existe entre homem e máquina para os mais sensíveis a este fenômeno; sentia que somente quando se anda rápido em um carro bem acertado uma pessoa como nós se sentia inteiro, completo. Artista como era, sentia a necessidade de explicar ao mundo esses sentimentos tão bonitos e complexos, mas sem saber como. “Um piloto não consegue te explicar porque faz o que faz. Mas talvez ele possa mostrar a você.” — dizia.

A maneira que encontrou para fazer isso, explicar o porquê de sua paixão por velocidade, foi realizar um filme, obviamente. Le Mans, o seu filme, lançado em 1971, foi um fracasso comercial completo. Não tem uma história coesa. Quase não tem diálogos. Não rendeu nada nas bilheterias. Foi mais caro e demorou mais do que o previsto, enfurecendo o estúdio. Mas é hoje um clássico entusiasta, cultuado por todos que realmente gostam de carro.

O começo já causa arrepios na espinha, mostrando um 911 antigo andando pelo interior da França calmamente, até que chega às estradas que uma vez por ano compõem o famoso circuito. Mais tarde, o que nos deixa bobo são as imagens, inéditas até ali, de carros de corrida em velocidade real, filmados de dentro da pista. Visto de hoje, se torna ainda mais incrível pelo fato de que os carros são Porsche 917 e Ferrari 512, além de Matras, GT40, Mirages e um sem-fim de clássicos. Pode ser meio lento e sem uma história boa, mas o filme é lindíssimo, filmado como uma ode ao circuito, os carros e os pilotos. Quase um registro histórico indelével, também.

McQueen queria pilotar o Porsche 908 equipado com câmeras que sua Solar Productions inscreveu na prova, mas a seguradora do filme impediu. Mas mesmo assim, é um filme extremamente pessoal, daquelas obras em que o criador coloca o que quer falar para o mundo de forma clara e indelével. Uma obra de arte imortal.

Durante o filme, o pouco que se tem de diálogos e história centra-se nesta tentativa de explicar o inexplicável, o porquê estas pessoas arriscam a vida em busca de uma glória efêmera, para provar que é mais rápido que todos os outros. O automobilismo era um esporte brutal então, onde morte e tragédia era mais regra que exceção. Para nós é fácil entender e formar uma conexão com isso, e nos emocionarmos. As pessoas normais não entendem nada.

Em um ponto do filme, uma repórter pergunta ao personagem de McQueen: “Mas porque é tão importante dirigir mais rápido que todo o mundo?”

Ao que ele responde: “Muitas pessoas passam a vida toda fazendo coisas malfeitas. Pilotar é importante para as pessoas que o fazem bem. Quando você está pilotando em corrida, bem… é a vida. O que acontece antes ou depois é apenas espera.”

Racing is life. Anything before or after is just waiting.

Estava cunhada uma das mais famosas frases de nosso mundo entusiasta. Uma das que mais toca a gente profundamente, e uma que família e amigos de fora não entendem. Um verdadeiro aperto de mão secreto. Se você conhece exatamente o que esta frase quer dizer, se você já sentiu que só está vivo realmente detrás de um volante, você sabe o que isso quer dizer. Se não, que pena.

Para mim, ele acertou todo o significado do filme, e o que ele queria falar, nessa singela frase. O resto de Le Mans é ilustração da frase. A frase é o filme, o que vem antes ou depois é alegoria apenas.

E é por isso que, graças a Automottivo, hoje ando orgulhosamente com esta frase estampada em minha camisa. É a minha preferida da marca, mesmo contando com o fato que um dos modelos, a “Save the Wagons”, carrega a estampa de meu carro. Esta frase tem um significado profundo, o real cerne de tudo que acreditamos como entusiastas. O que nos divide do resto do mundo. Ou você entende e concorda, ou não. Não há meio termo!

A maioria das pessoas não percebe nada de mais na camiseta, mas vez por outra você encontra alguém que entende e começa uma conversa legal. Irmãos instantaneamente, sem nunca ter conversado antes. Incrível! O que você está esperando para comprar a sua?

Essa foi a minha tentativa de explicar o mesmo sentimento de McQueen. Disse a mesma coisa, mas obviamente com resultados muito mais modestos.

MAO

A camiseta Racing is Life é uma estampa original produzida pela Automottivo em tecido premium 100% Algodão, com tratamento para máximo conforto ao dirigir.

Vista sua paixão por carros em www.automottivo.com.br.

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