Desenvolvi alguns parâmetros nesta vida de convívio com automóveis. Coisa não acadêmica, mas fruto de vivência. Um deles, a batida do fechamento da porta. Pelo som dá para imaginar o cuidado na amarração de forças na carroceria, a rigidez torcional nas curvas, estradas ruins, freadas viris, beirando o pânico.

Foi a primeira surpresa com o Argo, o som seco, firme. Lembrava o Golf. Carro italiano com alguma coisa de alemão, pareceu-me bem.

Andando iniciou moldar conceito. Receptividade auxiliou muito: banco agradável, controles em linha reta visual, comandos próximos. E equipamentos inusuais à faixa de preço e porte do Argo. Passagem por buracos tem resposta firme, um tum! seco, indicando boa rigidez, boa construção. Bem impressionou.

 

Caminho

Para a Fiat o Argo não é mais um, mas carro para suprir parte das vendas perdidas com a supressão dos produtos idosos — parte dos Palio, Idea, Punto, Bravo. Na prática, iniciar novo ciclo operacional para a marca, hoje com fixação em qualidade em projetos, materiais, métodos. Missão adicional, justificar os investimentos na fábrica Fiat em Betim, MG, pós gastos na usina de Goiana, PE de onde saem os atuais queridinhos da FCA, Renegade, Compass, Fiat Toro.

Argo é criação do mesmo time da FCA/Fiat, mecânica liderada pelo eng. Claudio Demaria; estilo pelo time de Peter Fassbender, acertos de suspensão, direção e freios pela equipe do eng. Robson Cotta. Foram os responsáveis pela formulação dos atuais vencedores. Em design, o conceito do Toro foi aplicado, com linhas retas envolventes, grupos ópticos longos. No interior, miscela de soluções de Fiat Coupé, como a faixa na cor do carro no painel frontal, as saídas de ar, a parte traseira, movimento dos ponteiros de velocímetro e conta giros – ao ligar giram mais de 300 graus para indicar a passagem de energia, lembram Alfa Romeo. Nada a ver com o novo Tipo. Projeto para América Latina, plataforma com parte frontal do Palio, nova daí para trás.

Como a Coluna explicou, foca nos líderes Chevrolet Ônix e Hyundai HB20 e resolveu fazer melhor: desenho, construção, uso de aços especiais, estamparia a quente, bem explorando resistência aos impactos externos, perigosa fraqueza do Ônix. E conseguiu mais espaço interno e porta-malas, menor ruído, mais equipamentos, menor consumo, mais disposição.

Rico em composição de itens de segurança e infodiversão, painel arrematado por tela central, projetada como a dos Mercedes, e com 18 cm.

Três motorizações: Firefly 1,0, 3-cilindros, 72/77 cv; torque 10,4/10,9 m·kgf; câmbio 5M; Firefly 1,3, o 3-cilindros com mais um, 101/109 cv; 13,7/14,2 m·kgf de torque; câmbio robotizado agora chamado GSR; E.torQ 1,8, 135/139 cv, torque de 18,8/19,3 m·gf; e caixas manual 5M ou automática epicíclica 6M. Bem completo, com câmera de ré desde a versão básica.

Em resumo, o Argo não é apenas mais um, mas a nova cara da Fiat, mirando oferecer produtos superiores à concorrência — como o é.

FIAT ARGO – Preços
Versão R$
1,0 Drive manual 5-marchas 46.800
1,3 Drive manual 5-marchas 53.900
1,3 Drive GSR 5-marchas 58.900
1,8 Precision manual 5-marchas 61.800
1,8 Precision automático 6-marchas 67.800
1,8 HGT manual 5-marchas 64.600
1.8 HGT automático 6-marchas 70.600

As versões 1,3 devem ser as mais vendidas.

 

Câmbio automático de 6 marchas relança Citroëns C3 e Aircross

C3, evolução oportuna e renascimento (Divulgação)

Novo conjunto motopropulsor nos modelos C3 e Aircross: motor 4-cilindros, 1,6, flex, 118 cv com caixa automática de 6 marchas, até então aplicada aos motores turbo. Leitor da Coluna já sabia por antecipação.

Muito evoluiu ante precedente de 4 marchas. Novo agregado, por si só traria ganhos em agilidade, redução de consumo, mas esses tempos de mercado em início de retomada, exigem fazer festa para atrair clientes. É o caso. Deu trato geral no C3: re calibrou o motor e o em volta, como conforto de marcha, em especial quanto a barulhos e vibrações. No pacote versão de entrada Attraction, a iniciais R$ 58.540. Praticou o mesmo para o Aircross, de gradação iniciada pela versão Live, por R$ 67.990, e à irmã Peugeot pegou cor emprestada, aplicando-a às novidades: é Dark Carmin, pomposo marrom metálico.

Todas versões bem fornidas: câmbio Aisin, japonês, líder no negócio; direção eletroassistida, ar-condicionado, multimídia, computador, pneus ecológicos, acionamento elétrico de vidros, espelhos externos e travas. No Aircross, luzes de rodagem diurna (DRL ) – acesas ao virar a ignição; rodas em liga leve aro 16”.

Conjunto

Adequação do conjunto ao sul do equador, empregou 250 profissionais e 132 protótipos rodando 300 mil km, buscando conforto no reduzir ruídos, rapidez e suavidade na troca de marchas, anular vibrações. Citroën quer criar o rótulo.

Em tal messe alongou a sexta marcha em busca de economia, ante a dosagem de torque do motor, quase 13 metros·quilograma-força a 1.500 rpm, capaz andar em rotações baixas. Bem dotado: sistema automático de partida a frio; comando de válvulas com tempos de abertura e fechamento variáveis; bomba de óleo alterna pressão por demanda – gera 1% de economia; cilindros, pistões e anéis com menor atrito; bielas forjadas, de menor peso e alta resistência; tuchos hidráulicos.

Interior com boa vedação térmica e acústica, e infodivertimento. É o caminho sem volta da, como diz Akio Toyoda, líder da empresa familiar, comoditização do automóvel, em transformá-lo num telefone esperto, capaz de transportar o dono.

Via

Uma das marcas com maior queda na recessão nacional, ao combinar motor/caixa confortável, ágil e econômica/estilo/conteúdo lembra os bons atrativos de C3 e Aircross. Manutenção a R$ 1/dia, garantia 3 anos.

Mercedes picape Classe X (Divulgação Mercedes)

Buenos Aires, o 2º. Salão brasileiro

Adefa, associação dos fabricantes argentinos de automóveis, e  AMC Promociones organizam o Salón Internacional del Automóvil em Buenos Aires, 10 e 20 de junho. Será no elegante espaço ferial La Rural, em cinco pavilhões, 30 mil m². Atração usual, veículos antigos, nesta edição enfatizando Rolls-Royces, Antigos Argentinos, e da curiosa classificação Clássicos Modernos. Três museus de automóveis estarão presentes.

É realizado nos anos ímpares, desencontrando com a mostra paulistana, criando cenário para lançar veículos brasileiros, pretendentes ao mercado latinoamericano. Edição de 2017 caracteriza isto: baiana Ford pré-apresentará o EcoSport; paranaense Renault exibirá o Kwid; paulista GM o mexicano importado Equinox; Fiat, o recém-mostrado Argo, e versão sedã a ser argentina.

Atração separada em três estandes diferentes, espécie de trigêmeos trivitelinos, picapes com pequenas diferenças: Nissan Frontier, Renault Alaskan; e Mercedes Classe X. Os três têm a mesma base e serão produzidos pela Nissan. No segmento Volkswagen exibirá o picape Amarok com motor diesel V-6 3,0.

E renca de chineses; Citroëns Cactus; Fiats 500L e Tipo; Alfas Giulia e SUV Stelvio.

Atração mundial, o Iglesias 1907, primeiro carro construido na Argentina por marceneiro com enorme capacidade realizadora.

Vendas podem ser feitas pela internet.

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Roda-a- Roda

De novo – Citroën reimporta espanhóis C4 e Gran C4 Picasso, 5 e 7 lugares. Modelos mais caros da linha no país, marcam-se por espaço interno, cuidados para confortos em viagem. Muita tecnologia — padrão a clientes europeus.

Conjuntos – Motor 1,6 turbo, desenvolvido com a BMW, 165 cv, caixa automática 6-marchas. Inova em estilo, espaço, visibilidade, conectividade, e confortos.

Muito – Troca automática de faróis alto/baixo; alerta e correção de mudança involuntária de faixa; lê placas de velocidade; visão 360 graus; assistente de estacionamento; sistema ativo de ponto cego; acesso mãos-livres.

$ – Cada modelo tem padrões de decoração Seduction e Intensive. Preços a partir de R$ 121.400 versão 5-lugares, e R$ 131.400, com 7.

Variedade – Novo MINI Countryman agora nos revendedores em três versões: Cooper, R$ 145 mil; Cooper S, R$ 165 mil; e já conhecida ALL4, R$ 190 mil.

Kwid – Usualmente bem informado jornalista Marlos Ney Vidal divulgou preço máximo do próximo produto Renault, um hatch suvenizado: R$ 34.900. Em março Coluna apostou em R$ 29.900 para versão de entrada.

Mais – Será mostrado no Salão de Buenos Aires. Bom rendimento por parcos 800 kg e motor de 3-cilindros, 1,0, com maior torque na cilindrada.

Duas Rodas – Guilherme Berg, organizador do tradicional encontro de motos em Tiradentes, MG, criou variante na também mineira São Lourenço. Fórmula vitoriosa expondo marcas, produtos, serviços, e inovou com leilão de motos clássicas.

Mais – Novo Bike Fest reuniu 12.000 pessoas, gerou negócios superiores a R$ 3 milhões, superando expectativas e garantindo futuras edições.

Caminho – Volvo Cars, única fabricante de carros Premium sem produção no Brasil, tomou via inexplorada para ampliar vendas: clientes com deficiência. Projeto específico para aproveitar redução de impostos.

Vantagem – Governo federal reduz IPI a 13% nos carros a gasolina e 25% aos diesel. Alguns estados isentam de IPVA. Volvo foca vender SUV XC90.

Alegria – Ano tido como o vale do mercado — vendas de caminhões atingiram nível mais baixo —, Mercedes-Benz festeja: entregou 524 caminhões Atego e Axor, todos 6×4, à Raízen, produtora de álcool, e Borgato, prestadora de serviços.

Pacote – Sócia da Shell, maior exportadora de açúcar de cana no mundo, e Borgato optaram ante capacidade de andar no campo e na estrada, e pacotes de manutenção e rastreamento 24×7, 9 meses por ano.

Sistema – Empresa aplica frota própria e terceirizada, entretanto mantém a gestão da logística sob seu controle. Olho e mão do dono, vacina contra falhas.

Pronúncia – Área de peças e acessórios Chrysler é a Mopar. Nos EUA dizem Môpar, e na FCA tratam-no Mopár ou Môpar. Versão depende do interlocutor.

Regra – Ao lançamento do Argo, ante citação da pronúncia americana, Carlos Eugênio Dutra, diretor de produto, botou ordem e definiu: aqui é Mopár.

História – Ford festejou referência histórica em maio.: 90 anos do encerrar produção do Modelo T, apresentador do poder da mobilidade. Ao início da década de ’20 o T representava metade da frota mundial.

Conceito – Expôs a mágica da redução de preços por escala. Em 1908 a US$ 800 e ao final em 1927 por US$ 295. Resultava das operações sequenciadas, a linha de montagem. Vendeu mais de 15 milhões de unidades mundo afora.

Derrapagem – Em comunicado Ford Brasil festeja o maio de 1919 citando-o como o início da montagem do T no Brasil. Teria sido à rua Florêncio de Abreu, hoje dedicada a ferramentas chinesas em São Paulo. Nem um, nem outro.

Pioneirismo – Primazia foi do baiano Antônio Navarro Lucas. Conquistou a representação Ford para Bahia, Sergipe e Alagoas, e em Salvador instalou linha de montagem tirando 10 unidades mensais a partir de julho de 1918, dois anos antes da marca iniciar sua montagem na capital paulista.

Linha de montagem da Navarro Lucas, 1918. Pioneira. (reprodução jornal A Tarde)

 

Gente Alexandre Biagi, antigomobilista, industrial, reconhecimento. OOOO Sua Uberlândia Refrescos recebeu prêmio de Qualidade Coca-Cola por qualidade, segurança no trabalho, meio ambiente. OOOO Melhor operação nacional dentre as franquias da marca. OOOO Raul Anselmo Randon, empreendedor perfecionista, láurea. OOOO Doutor honoris causa em Ingegneria Gestionale pela Universidade de Pádua, Itália. OOOO Randon implantou linha de implementos de transporte, fabricou caminhões fora de estrada, tem intensa produção de maçãs, e recentemente vinhos e queijos RAR. OOOO Segundo brasileiro a receber tal título. Antes, o escritor Jorge Amado. OOOO Renata Carvalho, jornalista, mudou de lado. OOOO Deixou o programa de TV Auto Esporte e assumiu Gerência de RP e Imprensa Citroën. OOOO

RN

A coluna “De carro por aí” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.
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