Salón del Automóvil em Buenos Aires encerrar-se-á na terça 20. Festa na cidade, intensa divulgação, automóveis tem profunda ligação com os argentinos, apesar de o pioneirismo na importação no Continente tenha sido pelo Brasil. Está na 8ª edição, 2ª série, vem crescendo. Neste ano, quatro galpões, pista de testes construída no picadeiro equino, 30 mil m2 de área. Está na La Rural, particular sociedade de estancieiros, melhor área para exposições.

Apesar da proximidade e semelhanças, Argentina tem sistema industrial diferente, com menores barreiras artificiais para importação; sem utilizar álcool como aditivo à gasolina exageradamente, só 8%; sem exigências de adequação; mercado conta com maior quantidade de marcas e tipos, incluindo chineses. Alfa Romeo, por exemplo, nunca parou de comercializar no vizinho. Aqui as necessidades de calibração, homologação, o dimensionamento continental impedem a retomada. Outras marcas lá presentes – e não vendidas no Brasil, os produtos ingleses Caterham — desenvolvimento do Lotus 7 —, e a marca Lotus, hoje controlada pela chinesa Geely, dona da Volvo. Retorna ao mercado por importador representante.

Presentes à mostra Chery exibiu Tiggo 2 e Arrizo 5, já conhecidos no Salão em edição paulista. Lá, como cá, promete lançamentos em poucos meses.

Citroën exibiu produtos novos, importados, distantes da realidade nacional como o Cactus 4, e o Mehari, seu antigo jipe/picape renascido e elétrico. DS, nova marca PSA em rótulo Premium, com modelos 3 e 4, além do 7 Crossback antecipado na recente posse de Emmanuel Macron, o presidente francês. Aqui DS deu um tempo, mas voltará com postura e rede própria. Peugeot prometeu vender breve novos 3008 e 5008, e expôs produtos marcantes de sua história no país, os modelos 403, 404 e 504.

Honda exibiu esportivo NSX, segunda edição, sem chances de vir ao Brasil. Na primeira atribui-se a Ayrton Senna a linha filosófica. Sob análise, Civic R (foto de abertura) e Si, este com maior possibilidade de retomada de importações.

Novidade maior da VW foi o Golf R, sem chances de vinda a nosso mercado e, na parte prática, o picape Amarok com motor V-6. Será, até o surgimento do picape Mercedes com motor de igual disposição, o mais potente — e caro — da categoria. Junto havia o suve Atlas, sucessor do Touareg, 7 lugares.

Geely, chinesa saída do Brasil, apresentou suves X7 com preço equivalente a R$ 78 mil e R$ 100 mil. Atração maior furou expectativas. Acima de Ferrari e Maserati, Pagani Zonta Revolución, mantido em Miami na coleção do bilionário argentino Pérez-Companq, marcou mas não foi, barrado pela alfândega dos EUA.

 

O Brasil e o Salón

Em visão prática mostra portenha equivale a pequeno Salão brasileiro, realizado em palco vizinho, nos anos ímpares, ocasião para apresentar novidades ao nosso mercado. Conclusão clara pelos lançamentos nacionais feitos fora de casa: Renault Kwid e Ford EcoSport. Categoria especial, Chevolet Equinox, importado do México para ambos os países; Fiat Argo aqui lançado há dias; e os picapes Renault e Mercedes, baseados no Nissan Frontier a ser produzido na Argentina a partir de 2018; VW Amarok com motor V-6, 3,0, mais potente ao sul do continente, já à venda na Argentina. Aqui terceiro trimestre.

Aqui

Dos trinta lançamentos entre modelos e versões, interessam-nos diretamente:

Renault Kwid – degrau de entrada da Renault para tornar-se marca de utilitários esportivos. Embora o Kwid seja hatch, será visto pelo público na ampla e pouco definidora categoria de jipinhos, como dizem neojornalistas não especializados, deitando falação sobre o tema. Categoria é a nova queridinha da indústria automobilística, Fiat e Ford tem diretoria para tratar com os não entendidos.

Brasileiro, feito no Paraná, três versões: Life; Zen; Intense. Desde a primeira quatro almofadas de ar na parte frontal; duas ancoragens Isofix para cadeirinhas de criança no banco traseiro, indicador de troca de marchas, pré disposição para som. Zen é progressão: direção elétrica, ar-condicionado, vidros e travas elétricas. Intense é a mais agradável, acrescentando rodas leves, chave-canivete, câmera de ré e tela com navegador. O motor 1,0 SCe 3-cilindros andou em marcha a ré. Potencia anterior, 79/82 cv e 10,2/10,5 m·kgf foi reduzida pela supressão de um comando de válvulas, e gera 66/70 cv e 9,4/9,8 m·kgf, Aparentemente visa cliente a quem preço tem maior peso ante design. Vendas em agosto.

Kwid. Jipinho? (Foto: divulgação)

Ford EcoSport – Frustrou quem esperava ampla reformulação para habilitá-lo a galgar posição e vendas perdidas. O Eco foi líder no segmento e a Ford dormiu sobre os lucros, deixando-o defasado ante a agora enorme concorrência. Perdeu liderança, posições no mercado, escreve balanços com tinta vermelha.

Trato frontal para lembrar o Edge, segundo degrau nesta escala, melhores materiais no interior, novidade de tela saltando do painel, motor menor, 1,5 litro, 137 cv, 3 cilindros, e 2,0, 170 cv, 4 cilindros. Para agradar comprador do Mercosul mantém estepe externo, e o trato geral foi definido para o norte-americano, onde entrará como o primeiro Ford na categoria. Em tal postura tomou cuidados: trocou o câmbio. Em lugar do sistema com duas embreagens, problemático, objeto de ações de indenização por sete mil clientes nos EUA, aplicou o também alemão feito na Bélgica Getrag automático de seis marchas. No Brasil, vendas em agosto.

Chevrolet Equinox – Imaginado como substituto do Captiva, foi mostrado como de convívio com o cansado SAV. Sobre plataforma do Cruze, chegará com motor 2,0 turbo, 262 cv, câmbio automático de 9 marchas, tração total. Quer ficar acima da dezena de crossovers no segmento, concorrer com Honda CR-V e Toyota RAV4.

 

Picapes, outro mundo

Fabricantes transformaram Argentina em capital sul-americana dos picapes. Lá 11% das vendas são do tipo, aqui 5%, e país produz Toyota Hilux, Ford Ranger, VW Amarok, Renault cedeu espaço na pioneira planta em Santa Isabel para a Nissan produzi-los. Marca japonesa iniciará processo novidadoso: uma linha de produção, três marcas: Nissan, Renault e Mercedes-Benz, duas últimas estreando no negócio.

Base é o picape NP300, no Brasil tratado como Frontier, fornecendo a base mecânica, chassi e grupo motopropulsor às marcas em aliança, Nissan e Renault, que devem tê-lo com pequenas mudanças estéticas. Mercedes dará trato interno e externo para caracterizá-lo como o único picape Premium no mercado.

Inicialmente motor comum, Nissan, diesel, 4 cilindros, 2,3 litro, dois turbos, 190 cv. No Mercedes, a médio prazo crê-se opção V-6, também diesel 3,0, 262 cv, para ser mais potente na categoria. No Salón exibiu dois protótipos. Vendas 2018.

Classe X, picape Mercedes (Foto: divulgação)

 

Roda-a-Roda

Em casa – Família de Maurício Macri, presidente argentino, tem nova representação chinesa. Além da Chery, a DFSK, de pequenos utilitários, joint venture entre a poderosa DongFeng, sócia da PSA, e Sokon Motor.

Simples – Apesar da tradição do grupo, ex-fabricante de Peugeots e Chevrolets na Argentina, o representar da marca será importar e assistir, sem produzir.

Futuro – Para fomentar vendas de veículos ecológicos, governo argentino reduziu impostos: 6.000 unidades, por três anos. Híbridos pagarão 5%; elétricos e por célula de combustível, 2%. Se montados no país estarão isentos.

Argen-sino – Durante 40 anos fabricando motocicletas, argentina Zanella fará caminhões pequenos, com tecnologia e partes chinesas. Será o ZTruck.

De volta – Daniel Buteler, argentino, e no Brasil ex-GM, ex-vice-diretor comercial da Mercedes e ex-presidente da Audi, volta ao negócio. Lidera representação da Lotus.

Na mosca – Renault informou preços do seu Kwid. Ênfase na segurança, todos com quatro almofadas de ar e duas ancoragens Isofix no banco traseiro: R$ 29.990; 34.990; 39.990. Março Coluna antecipou preço versão de entrada.

Inscrição – Empresa abriu lista de interessados nos revendedores: R$ 1.000, entrega em agosto. Se compra envolver financiamento da marca, extensão da garantia a 5 anos. Vai comprar? Vá na versão superior.

Equilíbrio – Ponderou o pacote acuradamente. Daí simplificar o motor de 3- cilindros 1,0, retirando um comando de válvulas para reduzir custos e obter torque em menor rotação, facilitando deslocamento urbano.

Fórmula – Marca aposta no reduzido peso, apenas 800 kg, para obter resultado dinâmico e de consumo com 66/70 cv e 9,4/9,8 m·kgf — os menores do mercado. Disposição de automóvel se mede pela número de quilogramas a ser deslocado por cada cavalo-vapor. No caso pouco mais de 11 kg/cv.

Tecnologia – Com itens de segurança o Kwid pesa menos ante o antigo Uno sem eles. Novos materiais e 80% de peças diferem do modelo indiano, barrado no teste de impacto do Euro NCAP. Renault mudou até câmbio para reduzir peso.

Além – Aparentemente o ectoplasma do Colin Chapman, 1928-1982, criador dos Lotus e da prática da máxima redução de peso colaborou no projeto…

Corte – HPE, produtora dos Mitsubishi no Brasil, bisou corte de 60 empregados em sua usina em Catalão, GO. Queda geral nas vendas reduziu produção exigiu adequação de pessoal e gastos. Operação é 100% brasileira, bancada pelos sócios, sem matriz para socorrer.

Social – Demissões geram problema na cidade goiana, de economia assentada em mineração e agropecuária. A HPE, motivo de orgulho local, era a melhor empregadora, e em Catalão postos com tal especialização são restritos.

Método – Para se fazer presente num mercado com participação das grandes marcas mundiais, YPF, argentina, implantou o Conte com YPF, linha direta a profissionais da lubrificação. Rápido e sem custos, tira dúvidas na hora: 0800.70.30.990, WhatsApp 11.971 885.773 ou e-mail [email protected]

Contraponto – Tomara funcione. Quando se demandam informações em outro fabricante de óleos, a Castrol, sem resposta.

Cuore – Neste final de semana, Encontro Alfa Romeo em Caxambu, MG. Mais de centena de veículos inscritos, dos sólidos caminhões aos fluidos Spyder. Reunião de camaradagem. Slogan Alfa é Cuore Sportivo. Nada a ver com a grade triangular, mas com o inerente espírito performático.

RN

A coluna “De carro por aí” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.


  • ene, 55 cv era a potência bruta do motor de 1.049 cm³ do 147; líquida, como são dadas todas as potência hoje, era 50 cv.

  • Mr. Car, o Fiat 147 pesava 810 kg e tinha motor 1.048-cm³ de 50 cv. Não era um carro nada lento. O Kwid, 790 kg e 60/70 cv.

    • ene

      Só que naquela época os automóveis precisavam competir com Mercedes-Benz 1111 e 1113, Scania jacaré e alguns resquícios de “Fenemê”.
      Hoje temos Scania V-8 e muitos outros caminhões com mais de 250 cv.
      Este é o meu pensamento, então vamos aguardar o “No uso”.

    • fredggp .

      Bob, na roda, com o ar-condicionado puxando bem, esses 60-70cv vão diminuir um pouco, não? Pelo menos o 147 não tinha este “peso”… Fico no aguardo do “No Uso”….

  • Lauro, pelo que se sabe a Renault é uma fabricante séria.

    • Lauro Agrizzi

      Com certeza, mas isso não evitou os problemas do modelo na Índia. Não acho que isso tem a ver com seriedade.

  • ene, acho que o problema não foi exatamente de potência…

  • Lauro, puro marketing, claro, mas o culpado disso é o mercado, que transformou o suve em símbolo de ascensão social, de “cheguei lá”.

  • Renato Mendes Afonso

    Eu particularmente não vejo motivos para duvidar da implementação das mudanças, visto que o nacional pesa perto de 790 kg e o indiano, 660 kg se não me falha a memória.

  • Diogo, não é isso, é que para importar várias marcas dá um trabalho danado…

  • Diogo Santos, é isso aí, verdade verdadeira.

  • Leo-RJ

    Noves fora que no mercado argentino a maior parte dos modelos tem opção de câmbio automático ou mecânico.

    Já fui muito à Argentina (até mesmo dirigindo, do Rio, por 3 vezes) e tenho bons amigos lá.

    Fato é que o argentino é muito exigente, inclusive com carros (como alguém aqui citou que um dirigente disse que o brasileiro era “pouco exigente”), costuma entender bem de mecânica e costuma mexer por si nos seus carros e motos.