A Ford tem um grande legado na Fórmula 1, com 13 títulos de pilotos e 10 de construtores antes de deixar a categoria para dedicar-se às competições mundiais de rali, longa duração em circuito e provas de Turismo nos Estados Unidos. Esta semana, a marca relembra que há exatamente 50 anos, em 4 de junho de 1967, o escocês Jim Clark levou seu estreante Lotus 49 para a primeira vitória, no GP da Holanda, em Zandvoort, e revolucionou as corridas de Fórmula 1 para sempre.

Sob a carenagem do carro de Clark estava o igualmente estreante motor Ford Cosworth de 3 litros que, a partir de então e nos 17 anos seguintes, tornou-se o motor de F-1 mais bem-sucedido de todos os tempos.

Jim Clark leva dois estreantes à vitória do GP de Holanda de 1967: o Lotus 49 e o motor Ford Cosworth DFV (Foto: Ford)

Projetado por Keith Duckworth, o DFV (Double [overhead camshaft] Four Valve) era um V-8 de 3 litros que, na época, custou 100.000 libras esterlinas para ser desenvolvido. Parece uma vultosa quantia mas não é: no ano anterior a Ford inglesa investiu 1,5 milhão de libras esterlinas a para sincronizar a primeira marcha dos carros de produção. Por isso, no meio automobilístico, o gasto da Ford para ter seu nome nas tampas de válvulas é considerado “A barganha do século”.

Na foto de abertura estão, da esq. à dir., Bill Brown (gerente-geral), Keith Duckworth (engenheiro-chefe), Mike Costin (engenheiro-chefe adjunto) e Ben Rood (engenheiro de produção) da Cosworth

O então jornalista britânico Walter Hayes foi quem convenceu a Ford a apostar no talento de Keith Duckworth e de seu sócio Mike Costin, que estavam há pouco no ramo de preparação de motores com sua pequena firma Cosworth Engineering. Hayes logo seria contratado para trabalhar na Ford inglesa, onde chegou ao cargo de diretor de Relações Públicas e Imprensa da Ford Europa, lá ficando até se aposentar em dezembro de 1989.

Quando fez sua estreia, em 1967, o motor gerava 415 cv de potência, chegando posteriormente a mais de 500 cv.

O DFV então era usado exclusivamente pela Lotus, mas no ano seguinte a Ford disponibilizou o motor para outras equipes e dominou o esporte. Em 1969 e 1973, todas as provas do Campeonato Mundial foram vencidas por carros com o motor Ford. No período de 1967 a 1985, ele somou 155 vitórias em 262 corridas.

Com esse motor no Lotus 72D e no McLaren M23, Emerson Fittipaldi foi campeão mundial em 1972 e 1974, respectivamente. A última vitória com o motor foi conquistada pelo italiano Michele Alboreto em um Tyrrell, no Grande Prêmio de Detroit de 1983. O último piloto a correr na F-1 com o motor foi o inglês Martin Brundle, também em um Tyrrell, no Grande Prêmio da Áustria de 1985.

AE

 

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