Na semana passada contei minha experiência de organizar o passeio de moto de um grupo para conhecer a eclusa de Barra Bonita, localizada na região próxima a Bauru. Uma experiência inesquecível. Quem não leu a matéria, vale a pena.

Ao contrário da ida a Barra Bonita conhecer a eclusa, um programa de lazer de fim de semana associado a um belo passeio de motocicleta, os fatos de hoje são relacionados a trabalho, à minha vida profissional quando estava na Volkswagen e, nos quatro últimos anos, “emprestado” (prestando serviços) à Audi e que também resultaram em passeios incríveis. Esses sempre faziam parte do programa como maneira de promover momentos de relaxamento e descontração dos participantes.

Por isso, os dois passeios que conto hoje foram nas cidades alemãs de Heidelberg (Volkswagen) e Frankfurt (Audi).

 

Heidelberg

Fui a Heidelberg (foto de abertura) para a reunião anual da Assistência Técnica de Produto com todo o time mundial da Volkswagen. A reuniões eram ações da matriz e sempre ocorriam fora da fábrica de Wolfsburg, podendo ser em cidades alemãs, europeias ou mesmo nos Estados Unidos. A organização da reunião em Heidelberg programou um passeio à eclusa do rio Neckar.

Heidelberg é uma cidade de  mais de 150 mil habitantes e muito conhecida em toda Europa como a cidade dos universitários, é lá que fica a mais antiga universidade da Alemanha,  fundada em 1386 e que leva o nome da cidade.

O rio Neckar, graças às eclusas, tornou-se navegável tanto para o progresso da região quanto para o turismo, o representa também uma fonte de receita para esta cidade medieval (fundada em 1196) e que os Aliados, milagrosamente, pouparam dos bombardeios na Segunda Guerra Mundial. Pelo rio Neckar são transportados anualmente mais de 7,5 milhões de toneladas de produtos. Sua extensão é de 367 km e ele é um dos 10 (é o 8º) mais importantes afluentes do importante rio Reno, do qual falarei depois.

O rio Neckar nasce na região da Floresta Negra, que tive o prazer de conhecer no inverno de 1987 quando pela primeira vez pude ver neve de verdade. Quando digo isto é porque a região é privilegiada no volume de neve a cada inverno. Mais de dois metros de neve costumam ficar acumulados nas principais rodovias e acessos a estabelecimentos comerciais, como postos de combustíveis.

Os pontos turísticos mais importantes de Heidelberg são o centro medieval com suas ruas estreitas e piso da época muito bem conservado, a igreja e a ponte de tijolos sobre o rio Neckar (visível na foto de abertura), hoje utilizada somente para pedestres e de onde se tem uma das melhores vistas da cidade.

Heidelberg atrai muitos turistas

A cidade oferece num raio de 35 quilômetros passeios  muito interessantes, que incluem alguns castelos. Os melhores, porém, são os realizados de barco.

O rio Neckar tem várias eclusas, mas a mais utilizada é a que fica bem em frente ao centro da cidade. O rio apresenta ao longo de seu curso vários desníveis e somente devido à construção destas eclusas é que se tornou 100% navegável. Nas fotos abaixo tem-se ideia do ambiente e da operação da reclusa.

Na margem esquerda do rio ficam localizadas as casas de luxo da região e os  bonitos e luxuosos hotéis que hospedam turistas do mundo inteiro.

A cidade de Heidelberg, que tem em seu nome parte do meu sobrenome, é uma das grandes opções de turismo quando se vai à Alemanha; se for o seu caso, não deixe de colocá-la em seu roteiro, você não se arrependerá!

Lugar agradável, uma paisagem bucólica em Heidelberg

 

FRANKFURT

Esta outra ida à Alemanha foi em setembro de 1997, quando a Audi AG e a Senna Import, então representante da marca aqui no Brasil, convidaram os titulares das concessionárias no Brasil para uma reunião de negócios que sempre envolve falar de novos produtos, planos e metas. Mas em meio ao trabalho as duas empresas proporcionaram aos concessionários um verdadeiro prazer de navegação e turismo pela região. Na época eu ainda trabalhava “emprestado” na matriz da Audi em Ingolstadt e por falar fluentemente o alemão e logicamente o português, fui convidado a participar deste passeio — a serviço, é claro. Não posso reclamar de nada, foi fantástico.

Não escondo que sou grande admirador da Alemanha por razões óbvias — meus pais eram alemães — e assim calhou que as principais empresas onde trabalhei  (VW e Audi) eram alemãs. Sobretudo, admiro o espírito de luta do povo que fez ressurgir uma poderosa nação praticamente do nada, arrasada que foi na Segunda Guerra Mundial.

Depois de dois dias de reuniões de trabalho, veio a parte realmente prazerosa do programa, o passeio no rio Reno, o mais importante da Alemanha, que atravessa vários países. Ele nasce nos Alpes Suíços a 200 quilômetros da nascente do rio Ródano, e desemboca no Mar do Norte depois de percorrer mais de 1.300 quilômetros.

Em seu percurso ele passa pela Suíça na cidade de Basileia, pela França, em Estrasburgo, e por Colônia, na Alemanha. O Reno está ligado por canais aos rios Danúbio, Ródano, Sena e Elba. Assim como o Vale do Neckar, a região do rio Reno oferece aos turistas passeios memoráveis.

Passeio no rio Reno

O passeio foi realizado em um grande barco, com muito sol e conforto, restaurante e uma vista deslumbrante por todo o caminho.

Muito interessante que de tempos em tempos (30 minutos aproximadamente) o barco atracava na margem esquerda e depois na margem direita para apanhar/transportar moradores da região ou turistas de outros hotéis que ficam ao longo do percurso.

A vista, o cenário ao longo deste passeio é inesquecível. Casas luxuosíssimas, castelos no alto das montanhas, via férrea correndo paralela ao rio, barcaças transportando produtos para exportação — e muita cerveja a bordo!

Depois de um grande almoço, um merecido descanso em confortáveis cadeiras no convés, chegamos ao ponto de desembarque. Se continuássemos chegaríamos à França, desejo de muitos, mas não estava no programa desta vez.

O retorno para Frankfurt foi de ônibus — e que ônibus! Hoje já temos no Brasil ônibus iguais aos utilizados na Alemanha naquela época, a indústria de ônibus de turismo no Brasil evoluiu muito, oferecendo o mesmo conforto que experimentei naquela época.

Terminado o turismo, fechar as malas, fazer o check-out e rumo ao aeroporto de Frankfurt para a volta ao Brasil. Todos os concessionários e suas esposas estavam felizes com o passeio proporcionado pela Audi e Senna Import.

Eu também.

RB

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Sobre o Autor

Ronaldo Berg
Coluna: Do Fundo do Baú

Ronaldo Berg, com toda sua vida ligada intimamente ao automóvel, aos 16 começou como aprendiz de mecânico numa concessionária Volkswagen em 1964. De lá para cá trabalhou na VW (26 anos), Audi (4), GM do Brasil (8), Kia (2), Peugeot Sport (4) e Harley-Davidson (2 anos). Sempre em nível gerencial e ligado a assistência técnica, foi também o gerente responsável pelas competições na VW e na Peugeot Sport, gerenciando a atividade dos ralis. No começo da década de 1970 chegou a correr de automóvel, mas com sua crescente atividade na VW do Brasil não pôde continuar.

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  • Mr. Car

    Berg, cada um passeia os passeios que pode, he, he! Meu último foi para a cidadezinha de Pirenópolis-GO, dos tempos do Brasil colonial, tombada pelo IPHAN, e hoje um local de grande presença de turistas. Não é chique como estas cidades alemãs, mas mesmo assim, adoro o lugarejo. E fui com dois queridos primos, quase irmãos. Foi um porre histórico como a cidadezinha, tomado ao som de uma excelente banda cover da “Legião Urbana”, que fazia um show em um barzinho, he, he! Não sei quando isto vai se repetir: um destes primos já mora há “mil” anos nos Estados Unidos, e o que morava em Brasília acabou de se mudar para a Europa, onde está na Itália, mas vai se fixar na Irlanda. Com certeza vai dar uma escapadas para a Alemanha, conhecer estes lugares, conforme ele já me disse.
    Abraço.

  • Lorenzo Frigerio

    Heidelberg tem uma torre com paredes de no mínimo 3 metros de pedra. Conseguiram destruí-la, ainda no séc. XVII. Os seus restos podem ser vistos, são bem didáticos.

  • Newton (ArkAngel)

    O que aconteceu com você não é motivo para exoneração. Consulte a Lei 8112/90.

  • André

    Mais um belíssimo relato!
    Apenas uma observação: no segundo parágrafo sobre Heidelberg, o autor escreveu o ano de fundação da universidade local como “1836”, quando na verdade seria 1386.

    • André, é claro, será corrigido logo.

  • Ronaldo, isso é muito comum, nem se preocupe.