Com a Parte 1 e a Parte 2 iniciamos a série sobre os Fuscas Veteranos e vamos nesta Parte 3 comentar alguns aspectos destes veículos para ampliar nosso conhecimento sobre estes carros, visto que eles são de uma época anterior à difusão de Fuscas pelo mundo. Por aqui, através da Brasmotor, o primeiro lote de Fuscas e Kombis chegou em 27 de setembro de 1950. Há muito que falar sobre estes carros, seus detalhes e suas restaurações, portanto no futuro poderemos voltar a falar sobre o assunto, ampliando as informações.

Vários outros carros da coleção do Richard Hausmann são emblemáticos e vamos falar sobre eles futuramente, mas agora vamos explorar alguns dos detalhes dos Fuscas veteranos.

Emblema KdF no capô dianteiro:

Os carros não tinham frisos, mas alguns vinham com o emblema KdF no capô, entre o outono europeu de 1941 o verão de 1944 e era aplicado nos tipo 60, 92 e 82e. Hoje existe somente uma mão cheia destes logotipos originais; os dos carros do Richard são originais.

Logo KdF original (foto: autor)

Falando um pouco da história deste logotipo: o logotipo original do KdF foi desenhado em 1937 por Franz Xaver Reimspiess, que era da equipe de Porsche. Por ter seu logo escolhido, no contexto de um desafio lançado por Porsche para todos de sua equipe, Reimspiess ganhou um prêmio de 100 Reichmarks, que era a moeda alemã da época. Reimspiess era um grande engenheiro que foi figura-chave para a escolha do motor boxer de quatro cilindros opostos.

A grande sacada do Reimspiess foi colocar o “V” sobre o “W”, alinhados dentro de um círculo, resultando num desenho que transcende todas as barreiras linguísticas, em qualquer lugar ele é reconhecido como “VW”. O desenho inicial lembrava uma “hélice” de quatro laminas compostas por três linhas cada, para transmitir uma imagem de movimento. Elas vinham conectadas a uma roda dentada, e no centro desta o círculo com o V sobre o W. A roda dentada remetia ao logotipo da DAF – Deutsche Arbeitsfront – Frente Trabalhista Alemã; cujo logo era uma suástica dentro da roda dentada. A DAF estava atrás do projeto do carro*.

No entanto, já na primeira vez quando o logo foi usado no carro, as lâminas da hélice foram deixadas de lado e o logo foi simplificado; isto acabou resultando num desenho muito mais parecido com o logo da DAF. O logo do KdF acabou sendo estampado, ou fundido, em várias partes do carro; mas somente começou a adornar o capô dianteiro dos carros à partir de 1941.

Os primeiros tanques de combustível:

Os primeiros carros tinham um tanque de gasolina tipo barril, usados entre 1941 e 1944, cuja capacidade era de 25 litros incluindo 3 de reserva. Este tipo de tanque foi usado somente nos KdF tipos 60, 92 e 82e e nos protótipos 38 e 39; os tanques dos Schwimmwagens e Kübelwagens eram diferentes.

Tanque tipo barril do KdF, no caso um tipo 82e estacionado na garagem do Richard. Kommandeurwagen – KdF tipo 92 de abril de 1943, encontrado na Lituânia (Foto: autor)

Este tanque “curto” foi usado entre 1945 e julho de 1949. Ele foi desenvolvido durante a guerra, mas não chegou a ser usado na produção, na qual foi usado somente o tipo barril. Somente alguns protótipos vieram com este tipo de tanque durante a guerra. Sua capacidade era de 40 litros incluindo 5 litros de reserva.

Tanque “curto” tanto que deixa espaço para a caixa de fusíveis a seu lado. Standard tipo 11, de agosto de 1946 – Gendarmerie Française (Foto: autor)

O tipo seguinte de tanque ocupa toda a largura disponível dentro do porta-malas; ele foi usado de 1949 até o lançamento do Zwitter (Fusca com duas janelinhas traseiras e painel do oval) lançado em outubro de 1952. Inicialmente tinha a entrada de combustível tipo “boca larga” com 10 centímetros de diâmetro, que foi reduzida a partir do Zwitter. Era mais baixo e mais largo que o anterior, mas tinha a mesma capacidade: 40 litros, com 5 de reserva.

Tanque de um Hebmüller (roadster conversível) tipo 14, de fevereiro de 1950, mais um carro espetacular da coleção do Richard (Foto: autor)

Para-choques:

Os para choques iniciais, conhecidos como “bananas”, foram usados de 1941 até maio de 1949 e tinham garras curvas com ranhura. Para-choques cromados foram usados somente em carros de exportação para a Suíça, Bélgica, Holanda e Suécia. O carro que escolhi para exemplo deste tipo de para-choques era originalmente um carro standard, pintado na cor do carro – nada de cromados; mas seu primeiro dono solicitou à concessionária Raffay em Hamburgo que cromasse os para-choques, as garras, as calotas e as maçanetas, dando um belo banho de loja no carro que foi transformado em “estilo exportação”.

Exemplo de para-choque “tipo banana” de um Fusca standard tipo 11, ano 1948, que neste caso foi cromado a pedido do proprietário (Foto: autor)

Aí vieram os para-choques com uma ranhura longitudinal que foram usados até 1952, que tinham garras pequenas e retas; estes foram os para-choques dos primeiros carros que vieram para o Brasil, trazidos pela Brasmotor.

Exemplo de para-choques com ranhura longitudinal, no caso o magnífico Hebmüller 1950 (Foto: Richard Hausmann)

Escapamento:

Durante a Segunda Guerra Mundial os KdF tiveram um escapamento com um estranho cano de escapamento único inclinado a 45 graus em relação ao silenciador; isto foi usado de setembro de 1941 até 1946, um pouco depois do fim da guerra.

Não é muito fácil ver este detalhe nas fotos, mas na foto do chassi do KdF 82e “russo” recém-restaurado é possível facilmente ver o cano de escape inclinado (Foto: Richard Hausmann)

Em sequência vieram os carros com um só cano de escapamento reto, a 90 graus em relação ao silenciador, que persistiram até 1955, quando foram introduzidos os escapamentos com dois caninhos.

Apresento como exemplo o escapamento do Fusca standard tipo 11, fabricado em julho de 1948 e entregue às Forças de Ocupação Inglesas. Aproveitando a foto relembramos o mancal para a alavanca de partida manual preso no para-choques tipo “banana”, alinhado com a abertura circular na saia e com o encaixe no parafuso da polia inferior da correia do ventilador. O detalhe das lanternas traseiras será visto adiante. (foto: autor)

Marcação do número da carroceria:

Esta é uma peculiaridade destes Fuscas Veteranos e é um dos itens de originalidade buscados por colecionadores com o grau de seriedade como o do Richard. Além da carroceria em si, outras partes do carro, como as portas, recebiam este número que era puncionado na chapa. Geralmente o puncionamento do número da carroceria ficava próximo à placa de identificação do carro, que por sua vez começou a ser colocada no “nariz” instalado do lado direito do carro, entre a lateral e o tanque (que era do tipo barril). Até 1944 o número da carroceria era puncionado numa moldura ladeada por dois logotipos do KdF estampados na chapa do “nariz”, como mostra a foto abaixo:

Identificação do KdF tipo 60, fabricado em abril de 1943, com a carroceria número 519 puncionado entre os dois logotipos KdF (Foto: Richard Hausmann)

 

Com a mudança do tipo de tanque os “narizes” foram suprimidos e as plaquinhas de identificação migraram para a chapa logo abaixo do tanque, atrás do estepe, e o puncionamento do número da carroceria era feito abaixo da placa de identificação. A versão mostrada na foto abaixo foi usada entre o segundo trimestre de 1945 até o fim de 1946.

Este detalhe é do “Gendarmerie Française”, o Fusca standard tipo 11, de agosto de 1946; no caso o número da carroceria é 8684 (Foto: autor)

De 1947 a 1949 havia duas linhas estampadas nesta chapa e o número da carroceria era estampado entre elas, a posição continuava atrás do estepe.

Marcação do número da carroceria, no caso 30018, de um Fusca tipo 11, ano 1948, que pertenceu às Forças de Ocupação Britânicas, mostrando a posição da placa de identificação das duas linhas estampadas e do número da carroceria estampado na chapa, ambos atrás do estepe (Foto: autor)

Lentes dos faróis:

Todos as lentes dos faróis antes de junho de 1949 tinham o logo na parte de baixo; até 1945 era o logo do KdF dai em diante até 1949 era o logotipo VW. Na parte superior as lentes tinham uma área hachurada.

Lente do farol do Fusca standard tipo 11, ano 1948 com o logo VW embaixo e a hachura na parte de cima (Foto: autor).

Detalhe ampliado da foto mostrando o logotipo VW na base da lente do farol (Foto: autor)

Em 1949 o logotipo passou para a parte superior e a parte hachurada foi eliminada. Apesar desta regra geral ocorreram poucas variantes diferentes em split windows entre 1949 e 1952.

Lente do farol do Hebmüller ano 1950 com o logotipo VW na parte superior. Observe a grade da buzina circular, este item será citado no “jogo dos erros” apresentado adiante (Foto: autor)

Lanternas traseiras:

As lanternas traseiras do KdF tinham um aro de alumínio e sua forma é mais reta, elas foram usadas até 1945.

Lanterna traseira do KdF tipo 82e “russo” com o aro de alumínio (Foto: Richard Hausmann)

Entre 1946 até maio de 1949 foram usadas lanternas como mostrado na foto abaixo, sendo que esta, com o aro pintado na cor do carro era para o modelo standard e havia uma versão com o aro cromado para as versões de exportação.

Esta foto mostra a lanterna do Fusca tipo 11, ano 1948, que pertenceu às Forças de Ocupação Britânicas; detalhe para o logo VW gravado no aro da lanterna (Foto: autor)

A lanterna abaixo era usada nos split windows de 1950 a 1952. Havia uma versão muito rara de lanterna traseira para modelos 1949 e para os primeiros 1950 que é muito parecida com esta, mas tem um fino aro de alumínio.

A lanterna traseira do Hebmüller ano 1950 (Foto: autor)

Calotas:

Este item tem um componente histórico que acabou gerando uma mística própria. Falo das primeiras calotas que foram usadas somente nos primeiros veículos que circularam pela Alemanha em campanhas de divulgação do novo Carro do Povo. Estas calotas tinham o logotipo completo do KdF, com as quatro pás da hélice que, na verdade, eram uma estilização da suástica, mas na versão “oficial” tinha a finalidade de dar a ideia de movimento.

Uma rara calota com o símbolo completo do KdF; elas eram pintadas de preto, hoje circulam réplicas entre os Fuscamaniacos (Foto: The Samba)

Os carros de demonstração do novo KdF eram expostos em eventos e praças públicas das cidades alemãs, fazendo propaganda para um esquema de poupança para a compra destes carros, sistema este que não entregou nenhum carro devido à Segunda Guerra Mundial. Quem participou acabou perdendo o seu dinheiro.

Um dos carros de demonstração, com amplo teto solar de lona, com as calotas com o símbolo KdF completo (Foto: The Samba)

Como já vimos o logo do KdF foi simplificado, perdendo suas pás de hélice. Isto acabou refletindo sobre as calotas que receberam este símbolo simplificado até o ano de 1945.

Esta é uma das calotas do KdF originais, já com o logo simplificado, que era mais simples de fabricar (Foto: The Samba)

 

 

 

Transição do logo do KdF para o logo Volkswagen

Depois de 1945, quando o Major Ivan Hirst, responsável pela Volkswagen por parte das Forças de Ocupação Inglesas, iniciou o processo de “desnazização”, o símbolo do KdF perdeu sua roda dentada exterior, que remetia ao logo da DAF, resultando o logo VW que conhecemos até hoje. Isto foi refletido nas calotas que foram usadas de 1945 até 1947.

 

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Calota do “Gendarmerie Française” com o logo VW, mas o mesmo layout da versão anterior que tinha o logo do KdF (Foto: autor)

Sucederam-se calotas com um logo VW grande que foram usadas entre o início de 1948 e o fim de 1949. Nas versões standard as calotas eram pintadas na cor do carro e na versão de exportação eram cromadas; se bem que como vimos era possível mandar cromar vários itens do carro já nas concessionárias, para transformar as suas aparências naquela dos modelos de exportação.

Calota com o VW grande na versão standard, pintada na cor do carro, do Fusca tipo 11, ano 1948, que pertenceu às Forças de Ocupação Britânicas (Foto: autor)

 

Versão cromada deste tipo de calota, do Fusca standard tipo 11, ano 1948. Neste caso ela era pintada e foi cromada pela concessionária, ficando igual a do modelo de exportação (Foto: autor)

Seguem-se as calotas que nós já conhecemos e que foram usadas na Alemanha de meados de 1949 até 1966, também em Kombis.

Calotas do Hebmüller ano 1950, este tipo é nosso velho conhecido (Foto: autor)

Painel de instrumentos:

Este é um item bastante complicado dadas as diferentes versões que foram utilizadas, diferentes, mas fisicamente semelhantes. Mas ocorreram mudanças de cores, significado e posição das luzes sinalizadoras, tamanho e cor dos botões de comando. O que complicava a operação desde que não havia uma legenda para as lâmpadas, por exemplo.

Na falta de indicações feitas na fábrica o dono anterior desta Kombi Pick-Up de fevereiro de 1953 fez as indicações com “rotex” nos elementos do painel. Agora esta Kombi é parte da Coleção Hausmann (Foto: Richard Hausmann)

É interessante observar que o antigo dono desta Kombi marcou a segunda luz de sinalização de cima para baixo – do lado esquerdo, a azul, com “DONT KNOW” – não sei; vai ver que ele não tinha o manual e que a tal lâmpada estava inoperante, pois ela é a sinalização da luz alta. No manual (em alemão) esta sinalização é identificada pelo número 3, com a legenda: Kontrollampe – Blau – für das Fernlicht –  lâmpada de sinalização – azul – para a luz alta. Como pode ser visto na página do respectivo manual do usuário:

Manual do usuário da Kombi 1953 (Fonte: The Samba)

Em sua versão básica o painel de comando, composto pelo velocímetro, lâmpadas de supervisão e botões de comando, permaneceu semelhante, desde a sua primeira versão até o Zwitter, em outubro de 1952, quando foi adotado o novo painel da versão com vigia traseira oval. Painéis de comando semelhante foram usados, como vimos, em Kombis e antes disto até em Kübelwagens. Algumas representações destes painéis de comando durante o tempo através das fotos, como mostram que ficaram semelhantes na aparência

Começamos com o manual do KdF ano 1939, um manual ainda tosco com desenhos bastante primitivos. A estrutura básica do painel de controle permaneceu a mesma até 1952:

Manual do usuário d0 KdF 1939 (Fonte: The Samba)

O primeiro layout foi o seguinte (as letras estão fora de ordem para manter a sequência do desenho, a saber primeiro os três da esquerda, de cima para baixo, e depois os da direita com a mesma sequência):

c) – Luz sinalizadora do dínamo e da correia do ventilador – cor vermelha

d) – Luz sinalizadora do fluxo de óleo – cor verde

e) – Acionamento do limpador de para-brisa

a) – Velocímetro; b) – Hodômetro

f) – Luz sinalizadora do semáforo direcional – cor laranja

g) – Luz sinalizadora do farol alto – cor azul

h) – Acionamento do farol

i) – Chave de ignição

Como curiosidade apresento o painel de um Kübelwagen, e a origem deste desenho é que é intrigante, ele consta de um documento que originalmente era classificado (RESTRICTED) elaborado pelo United States War Office – Escritório de Guerra dos Estados Unidos, em 6 de junho de 1944, sob o número TM E9-803. O Kübelwagen usava o mesmo painel, conforme a ilustração abaixo:

Manual do Kübelwagen registrado pelo Exército Americano em junho de 1944 (Fonte: The Samba)

Os elementos de supervisão e comando foram identificados da seguinte maneira, ou seja de maneira uniforme com o painel de comando do KdF (é mantida a sequência dos elementos da esquerda e da direita):

D) – Ammeter – indicação do dínamo

E) – Oil pressure gauge – indicação do óleo

S) – Dashboard light switch – acionamento da iluminação do painel

F) – Speedometer – Velocímetro

H) – Directional signal indicator – lâmpada do semáforo direcional

G) – Bright light indicator – indicação da luz alta

P) – Light Switch – acionamento dos faróis

R) – Ignition key – chave de ignição

 

Já o painel de instrumentos de agosto de 1950 apresenta diferenças; ai vai a página do catálogo:

Catálogo do Fusca 1950 (Fonte: The Samba)

As posições e cores dos elementos de supervisão mudaram, continuando a não existir uma indicação destas funções no painel de controle, o jeito era decorar mesmo. A ordem dos itens na lista abaixo corresponde à ordem colocada nos casos anteriores para permitir a comparação:

2) – Lâmpada sinalizadora do semáforo direcional – cor vermelha

1) – Lâmpada sinalizadora do farol alto – cor azul

14) – Acionamento do limpador de para-brisa e da luz interna

3) – Velocímetro com hodômetro

5) – Lâmpada sinalizadora do dínamo e da correia do resfriamento (correia do ventilador) – cor vermelha

4) – Lâmpada de controle da pressão de óleo – cor verde

17) – Acionamento dos faróis

15) – Chave de ignição

Os primeiros painéis de controle tinham um fundo escuro de 1941 a 1942 com botões de acionamento branco acinzentado, e os velocímetros tinham o símbolo do KdF no topo.

Painel de controle de um KdF 1942 (Foto: Richard Hausmann)

De 1946 até maio de 1949 os velocímetros traziam o logo VW, ao invés do KdF, e os botões de comando passaram a ser de cor marrom.

Painel de controle do “Gendarmerie Française” de agosto de 1946 (Foto: autor)

No verão de 1949 foi introduzido o painel para carros tipo exportação que tinha o fundo na cor marfim e os botões eram menores e também na cor marfim.

Lindo painel do Hebmüller ano 1950 da Coleção Hausmann (Foto: Richard Hausmann)

 

Vigia de inspeção do câmbio e embreagem:

Nos KdF havia uma vigia de inspeção do câmbio e da embreagem que ficava na chapa inferior do bagagito.

 

Vigia de inspeção do câmbio e da embreagem, uma ajuda para os mecânicos (Ffoto: Richard Hausmann

Vimos até aqui uma série de detalhes característicos dos Fuscas Veteranos. Estes detalhes podem ajudar nas visitas a eventos onde estes carros são expostos e permitem entender este mundo que nós não temos como conhecer, já que não temos estas raridades por aqui.

Jogo dos erros:

O Richard tem um Fusca cabriolé tipo 15A, ano 1950, que ainda não foi restaurado, vamos dar uma olhada em como este carro está agora:

 

Fusca cabriolé, ano 1950, fabricado pela Karmann de Osnabrück, ainda não restaurado (Foto: autor)

Um observador desatento poderia achar que o carro está muito bom, sim, aparentemente está. Mas já um purista, lembrando que o carro é um 1950, veria que as grelhas das aberturas para buzina (via de regra uma é só enfeite e outra é aberta mesmo) instaladas no carro são ovais, o que está errado, pois o certo para este ano de fabricação seriam as circulares, como na foto do farol do Hebmüller. As grelhas ovais foram introduzidas com o modelo Zwitter.

Outro item que não está correto é o brasão de Wolfsburg no capô dianteiro, pois estes brasões passaram a enfeitar o carro somente em 1951. Já o restante, como os para-choques com a ranhura longitudinal e suas garras estão corretas.

Chegamos ao fim da Parte 3 desta matéria, e, como eu disse no início dela, temos muita coisa que poderia ser contada a respeito do Fuscas Veteranos, que a estas alturas já não são totalmente desconhecidos dos leitores da coluna Falando de Fusca & Afins. Vamos voltar a falar sobre este assunto no futuro, contando novas histórias e falando sobre os detalhes destas joias históricas.

Navegador desta matéria:

Parte 1
Parte 2
AG

Esta matéria contou com a importante colaboração do amigo Richard Hausmann, dono de uma das mais importantes coleçõess de Fuscas Veteranos da Europa. Meu agradecimento pelas dicas, fotos e troca de correspondência que mantivemos sobre o assunto. Estas três partes são, também, uma homenagem ao trabalho de preservação que ele tem realizado, que será coroado com a abertura de seu museu particular no segundo semestre deste ano.
NOTA: Nossos leitores são convidados a dar o seu parecer, fazer suas perguntas, sugerir material e, eventualmente, correções, etc. que poderão ser incluídos em eventual revisão deste trabalho.
Em alguns casos material pesquisado na internet, portanto via de regra de domínio público, é utilizado neste trabalho com fins históricos/didáticos em conformidade com o espírito de preservação histórica que norteia este trabalho. No entanto, caso alguém se apresente como proprietário do material, independentemente de ter sido citado nos créditos ou não, e, mesmo tendo colocado à disposição num meio público, queira que créditos específicos sejam dados ou até mesmo que tal material seja retirado, solicitamos entrar em contato pelo e-mail alexander.gromow@autoentusiastas.com.br para que sejam tomadas as providências cabíveis. Não há nenhum intuito de infringir direitos ou auferir quaisquer lucros com este trabalho que não seja a função de registro histórico e sua divulgação aos interessados.
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