Em evento de pista na Fazenda Capuava, próximo a Indaiatuba (SP), a Audi do Brasil mostrou os modelos da série de topo chamada RS Performance, que chega agora para os modelos RS 6 Avant (perua) e RS 7 Sportback, um hatch grande e espaçoso já mostrado no AE. Ambos tem o mesmo motor, um V-8 biturbo.

Um ótimo histórico dos modelos RS está nesta outra matéria, que o Paulo Keller fez há algum tempo.

Além destes, o R8 V10 cupê também foi apresentado, que agora tem a sua segunda geração disponível no Brasil — nome de fábrica R8 Typ 4S — com melhorias gerais sobre um monobloco em grande parte novo, com peças estruturais em compósito de fibra de carbono, e também alterações no motor incluindo novo sistema de admissão, desligamento alternado de bancada de cilindros para maior autonomia e start-stop para o mesmo objetivo. Vale lembrar que o motor do R8 é exclusivamente de aspiração natural.

O câmbio de dupla embreagem e sete marchas, com em outros do Grupo VW, inclui uma roda-livre, por meio de uma das embreagens, ao se levantar o pé do acelerador no plano ou em descidas de até 2%, mas que engata instantaneamente quando se inicia uma frenagem. Como pode ser escutado no vídeo, o câmbio há a aceleração interina nas reduções para casar rotação do motor e velocidade do veículo na marcha a ser engatada, evitando trancos no reacoplamento da embreagem respectiva. O som dessa pequena subida de giros é instigante, pena que não é o motorista que a executa.

O motor tem injeção mista, indireta no duto de admissão de ar, e direta, na câmara de combustão, que trabalham alternadamente ou em conjunto de acordo com os parâmetros medidos para o funcionamento do motor em todas as possíveis condições. São 610 cv, acelerando de 0 a 100 km/h em 3,2 segundos e 330 km/h de velocidade máxima.

Na tração integral e permanente de nome “quattro”, o diferencial central multidisco tem comando eletro-hidráulico, e de acordo com as leituras de rotação em cada roda, passa força para à frente ou para as rodas traseiras constantemente, com até 100% para qualquer um dos eixos.

Para a melhor sensação na direção, ela tem relação variável mediante uma caixa de engrenagens junto da coluna, que multiplica ou desmultiplica a relação, para menos curso em baixa velocidade, facilitando manobras, e mais lenta em velocidades mais altas, exigindo mais movimento dos braços do motorista, o que permite maior precisão, como em uma mudança de faixa, por exemplo, ou desvio de obstáculo, como um buraco.

No volante há a tecla “performance”, simbolizada por uma bandeirinha quadriculada de vitória. Ela aciona a reação mais rápida do acelerador, mais torque vai para o eixo traseiro, permitindo uma condução mais festiva, mais escandalosa, facilitando derrapagens de potência. Como choveu durante todo o dia do evento, não foi permitido que a utilizássemos, e não é recomendável que seja utilizado nas ruas também.

Interior do R8 é muito confortável e de interessante estilo (Foto: divulgação Audi)

O Drive Select no modo Dynamic faz com que seja direcionada mais força para a dianteira, e o acelerador também reage mais rapidamente que no modo Comfort. Há posições seco, molhado ou neve, que para nós funciona com piso bem liso e sujo, como lama de enxurradas.

O resultado é que ele sai bem menos de frente que a Avant e o RS 7, e faz qualquer um que dirija razoavelmente bem parecer um piloto na pista.

Como não se trata de um motor pequeno, recursos para economizar combustível e poupar a atmosfera de dióxido de carbono (CO2) em excesso se fazem necessários, e o V-10 pode desligar uma bancada de cilindros (um lado do V), e ir alternando com a outra se houver pouca necessidade de potência. Ela se liga e desliga de acordo com a temperatura do motor, que não pode cair muito, bem como a dos catalisadores.

Outra tecla permite selecionar o nível de ruído do escapamento, mais baixo para viagens, menos restrito para uso em pistas. Ela também está no volante, de fácil acesso.

Os faróis tem luz a laser além dos LEDs, mas que só funcionam de modo automático, se acendendo quando não há veículos em sentido contrário e apenas acima de 60 km/h, já que o alcance chega a cerca de 600 metros. Sem dúvida algo sempre muito bem-vindo e necessário quando se anda rápido e à noite.

Faróis agora tem feixe de laser para melhorar o que já era ótimo (Foto: divulgação Audi)

Sobre os outros dois modelos familiares com a etiqueta  RS performance, o RS 7 Sportback e a RS 6 Avant, são equipados com a versão mais potente do motor V-8 biturbo de 3.993 cm³. A potência do RS normal é de 560 cv, nos modelos Performance  aumentada em 45 cv, atingindo agora 605 cv, que estão disponíveis entre 6.100 e 6.800 rpm. A rotação máxima também foi elevada em 200 rpm. Um torque constante de 71,4 m·kgf é disponibilizado entre 1.750 e 6.000 rpm.

Um dos destaques particulares deste motor é a função overboost (sobrepressão), que permite ao condutor aumentar o torque temporariamente para 76,5 m.kgf entre 2.500 e 5.500 rpm. O overboost é acionado automaticamente na aceleração total quando o motor e o câmbio estiverem no modo Dynamic selecionado. O indicador de pressão de superalimentação no RS muda para vermelho quando a função está ativada.

O motor tem numerosos detalhes de tecnologia de vanguarda, como nas turbinas twin-scroll (dupla voluta, também chamado popularmente de duplo caracol) que são duas entradas separadas de gases de escape no lado quente da turbina, responsáveis pelo aumento de torque rápido e imediato. A definição dos cabeçotes dos cilindros é o que definiu também a posição dos dois turbocompressores. Eles estão no meio do “V” do motor, pois a admissão de ar se encontra do lado externo e a saída de gases de escapamento no lado interno.

Junto deles estão os interresfriadores ar-ar. Este posicionamento foi escolhido para reduzir ao máximo o percurso do fluxo de gases com mínimas perdas e uma resposta mais rápida ao comando de acelerador. Mesmo assim, ao se acelerar forte é fácil sentir o aumento do potência repentino pela pressão que cresce nos dois compressores.  Nada problemático devido ao sistema de tração nas quatro rodas no estado-da-arte, que permite aderência muito boa  em qualquer condição.

A Audi divulga o mesmo tempo de aceleração e a mesma velocidade máxima para os dois carros de pesos e aerodinâmica diferentes. Se no peso a diferença é muito pequena, com a perua sendo 20 kg mais pesada que o Sportback, a questão aerodinâmica é considerável, com Cx valendo 0,352 para a perua e 0,30 para o Sportback. Se velocidade máxima é igual para ambos,  entendemos que isso pode parecer estranho, então vamos apenas pensar que andam muito mais que o necessário para nossas estradas, e pronto.

Saindo da imobilidade chegam aos 100 km/h em somente 3,7 segundos — uma melhora de 0,2 segundo em relação aos modelos RS básicos, e alcançam 305 km/h.

O eixo dianteiro tem uma arquitetura com cinco braços de alumínio por roda, capazes de lidar com esforços longitudinais e transversais separadamente. Os braços trapezoidais com controle direcional feitos de alumínio são utilizados na suspensão traseira. Dois coxins hidráulicos fixam o subchassi de aço ao monobloco. Assim como no eixo dianteiro, os cubos das rodas e juntas esféricas são de alumínio, com barra estabilizadora tubular, oca.

Os modelos recebem a suspensão esportiva RS plus, mais firme, com Dynamic Ride Control (DRC), que utiliza amortecedores ajustáveis em três níveis, ligados uns aos outros por meio de linhas hidráulicas e uma válvula central. Nesses modelos também a direção tem relação variável, como no R8.

Os discos de freio são feitos de cerâmica de fibra de carbono, que reduzem o peso do sistema em 10 kg quando comparado a discos de aço. São enormes, e nas fotos é possível comprovar. O controle de estabilidade (ESC) conta com um modo “Sport” e pode ser totalmente desligado caso seja necessário.

Posição de quem mais se diverte na perua RS 6 (Foto: divulgação Audi)

No RS 7 tudo quase idêntico à perua (Divulgação Audi)

O vídeo e as fotos do Paulo Keller mostram mais do que consegui dizer, mas mesmo assim é preciso deixar registrado alguns pensamentos básicos.

– pista e rua são endereços diferentes. Se nas ruas e estradas o risco de arrebentar algo ou alguém é frequente, em pista a proteção é sempre maior, já que ninguém vai colocar uma guia ou um poste na beira do asfalto.

– nem por isso dá para abusar em pista, já que áreas de escape nem sempre são perfeitas e de tamanho ideal para segurar um carro que venha rápido demais e saia do asfalto.

– carros com esse padrão de força motriz e limites de estabilidade e freios só podem ser devidamente explorados e  entendidos nesse tipo de evento, nunca numa estrada, exceto numa autoestrada alemã.

– as apresentações mercadológicas e técnicas sobre os carros são importantes, mas chamar uma turma de gente que gosta de carro, fazer essa turma ficar sentadinha por um tempo para só depois soltar o bando de malucos (no bom sentido, claro) na pista é tarefa complexa, e a organização merece nossos parabéns. É como mostrar um monte de brinquedos legais para crianças mas na hora que elas vão brincar, guardar tudo e mandá-las fazer a lição de casa.

Mais uma grande apresentação de carros de grande coeficiente de entusiasmo. E salvem as peruas!

JJ


Fichas técnicas resumidas:

R8 Coupé plus
Motorização: FSI 10 cilindros em V, 5.204 cm³
Potência: 610 cv a 8.250 rpm
Torque: 56 m·kgf a 6.500 rpm
Tração: integral (quattro)
Câmbio: S tronic 7 marchas
Peso: 1.580 kg
Comprimento: 4.426 mm
Largura: 1.940 mm
Altura: 1.240 mm
Entre-eixos: 2.650 mm
Capacidade do tanque de combustível:  83 l
Capacidade do porta-malas: 112 l
Rodas:  8,5Jx20
Pneus: 245/30 R20
Aceleração 0-100 km/h: 3,2 s
Velocidade máxima: 330 km/h
Preço: R$ 1.170.990

RS 7 Sportback Performance
Motorização: 4.0 Biturbo FSI  8 cilindros em V, 3.993 cm³
Potência: 605 cv entre 6.100 e 6.800 rpm
Torque: 71,4 m.kgf entre 1.750 e 6.000
Tração: integral (quattro)
Câmbio: Tiptronic 8 marchas
Peso: 1.930 kg
Comprimento: 5.012 mm
Largura: 1.911 mm
Altura 1.419 mm
Entre-eixos: 2.915 mm
Capacidade do tanque de combustível: 75 l
Capacidade do porta-malas: 535 l
Rodas: 9,5Jx21
Pneus: 275/30R21
Aceleração 0-100 km/h: 3,7 s
Velocidade máxima: 305 km/h
Preço R$ 728.990

RS 6 Avant Performance
Motorização: 4,0 Biturbo FSI 8 cilindros em V, 3.993 cm³
Potência: 605 cv entre 6.100 e 6.800 rpm
Torque: 71,4 m·kgf entre 1.750 e 6.000
Tração: integral (quattro)
Câmbio: Tiptronic 8 marchas
Peso kg 1.950 kg
Comprimento: 4.979 mm
Largura: 1.936 mm
Altura: 1.461 mm
Entre-eixos:  2.915 mm
Capacidade do tanque de combustível: 75 l
Capacidade do porta-malas: 565 l
Rodas:  9,5Jx1
Pneus: 285/30R21
Aceleração 0-100 km/h: 3,7 s
Velocidade máxima: 305 km/h
Preço: R$ 669.990

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