Não precisa rodar com um carro usado para descobrir problemas mecânicos: existem “termômetros” que os sinalizam até com ele parado.

 

Se o dinheiro está curto para comprar um zero-km, então a solução é levar um seminovo. Pode ser um bom negócio, mas pode ser uma “gelada” caso o carro tenha problemas que signifiquem despesas e aborrecimentos no futuro.

O automóvel “engatilhado” , pronto para explodir nas mãos do novo proprietário pode ser diagnosticado e existem “termômetros” para avaliar seu estado. No caso de um problema mecânico, há varias formas de se perceber os sintomas, mesmo sem rodar com ele. É a avaliação “estática”.

PNEUS – É normal as bandas de rodagem se desgastarem. Mas de forma uniforme, por igual em toda sua largura. O desgaste irregular dos pneus dianteiros indica problemas na suspensão dianteira ou da própria carroceria. O mais comum é o pneu estar com maior desgaste de um lado, sinal de desajuste na geometria de direção. Provocado, na melhor das hipóteses, por falta de alinhamento. Na pior, um desalinhamento da carroceria como consequência de um grave acidente. Desgaste mais acentuado no centro da banda sinaliza pneu com excesso de pressão; as laterais é sinal de que rodou “murcho”, com pressão inferior à recomendada (mas pelo menos mostra que não está desalinhado). Se a banda desgastada não tiver uma superfície lisa, mas áspera ou “desfolhando”, é sinal de que a roda está sendo “arrastada”, provavelmente por distorção na convergência da direção (ou eixo traseiro, se for o caso).

ESCAPAMENTO –  A cor da ponteira do escapamento, a saída final dos gases na traseira e de fácil visualização, pode ser um bom termômetro para as condições do motor. A coloração correta é cinza claro, quase branco. Se estiver muito escuro, quase preto, é sinal de problemas. E se estiver oleoso, pior ainda… pois sugere uma exagerada queima de óleo nas câmaras de combustão.

Com o motor ligado, a cor da fumaça é reveladora: mais para o branco, é sinal de óleo sendo queimado na câmara de combustão (reparo complicado e de alto custo). Muito escura indica excesso de combustível na mistura, problema de solução – em geral – simples. Basta uma regulagem (carburador) ou acerto dos parâmetros (ou sensores) da central eletrônica. Ou algum problema no sensor de massa de ar ou limpeza do filtro.

PAINEL – Um excelente indicador de possíveis falhas mecânicas ou elétricas. A começar das luzes de alerta quando se liga a ignição (antes de acionar o motor). Todas devem se acender. E estar apagadas depois do motor ligado. Pode prever problemas se alguma não se acender ou não se apagar logo depois. A luz de óleo se apaga com o motor em marcha-lenta? Ou, se tem marcador de pressão de óleo: o ponteiro indica pressão normal quando o motor está com três a quatro mil rpm?

VELAS – Facílimas de serem retiradas do cabeçote e extremamente reveladoras do que anda ocorrendo na câmara de combustão. A cor ideal do eletrodo é marrom claro. Muito escuro? A  mistura ar-combustível está incorreta. Uma certa oleosidade nele? Indesejada presença de óleo na câmara. Que pode estar vindo de cima (válvulas) ou de baixo (anéis de segmento).

VARETA – Reloginho no painel de raríssimos carros dispensa o uso da arcaica vareta para verificar o nível de óleo. Entretanto, a quase totalidade dos automóveis ainda a exige para a aferição do nível. Há pelo menos um aspecto positivo: conferir o óleo na vareta é um boa oportunidade de se verificar a eventualidade de algum problema no motor. Pois sua coloração deve ser escura e uniforme. Se estiver ligeiramente pastoso, esbranquiçado (e às vezes até com umas bolhinhas)… mau sinal! Indica a probabilidade de estar passando líquido do sistema de arrefecimento (água + aditivo) para o cárter. Entretanto, se o carro é flex,  abastecido com álcool e o motor ainda frio, existe a possibilidade do esbranquiçado do óleo ter sido provocado pela água presente no álcool.

CHÃO -Estenda umas folhas de jornal debaixo do conjunto motor-câmbio. Verifique algum tempo depois se possíveis vazamentos de óleo ou outro fluido deixaram umas facilmente explicáveis manchinhas no papel…

BF

A coluna “Opinião de Boris Feldman” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.
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Sobre o Autor

Boris Feldman
Coluna: Opinião de Boris Feldman

Boris Feldman é formado em Engenharia e Comunicação. Foi engenheiro da Metal Leve (fábrica de peças para motores) por 20 anos e editor de diversos cadernos de automóveis. Criou e produziu o programa Vrum em rede nacional pelo SBT, foi piloto de competições e vice-diretor da CBA. É colecionador e diretor do Veteran Car-MG. Além do AUTOentusiastas, assina coluna em jornais e outros portais e tem o programa de rádio Auto Papo em quarenta rádios. Lançou em julho de 2017 e é publisher do portal autopapo.com.br.

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